Work Text:
Seungkwan suspirou, esfregando as mãos porque as luvas surradas não serviam de nada para esquentá-las, continuando a caminhar pelas ruas congelantes. Aquilo não devia ter acontecido, porém ele havia permitido que acontecesse, aquilo era tudo culpa dele.
Ele não conseguia fazer nada, percebendo que tudo que ele havia feito até aquele momento fora jogado no lixo.
Tudo porque Hansol tinha olhos lindos e mãos carinhosas, porque ele o encarava como mais ninguém poderia fazer, porque era cuidadoso e educado. Boo Seungkwan se sentia como uma menininha, derretido pelo primeiro menino que o tratou decentemente. Ele já havia saído por aí, beijado qualquer pessoa, deitado-se com rapazes, mas jamais uma pessoa poderia ter feito o que Choi Hansol fizera com ele ao tratá-lo tão bem que o loiro se sentia indigno. Ele não era delicado, doce, bonito, não era nada daquilo que Vernon falava, nada.
Por esse motivo que caminhava sem rumo até Deus sabe aonde, mesmo que sem se afastar tanto de casa.
Ele não se lembra quando ultrapassa a casa em que Hansol morava com os irmãos, não escutou os passos, não o escutou a voz do mesmo o chamando, não percebeu sua expressão atordoada, não ligou; porém, quando chegou aonde “desejava”, Hansol já o acompanhava como que se em sua procissão privada, imperturbável.
Compreender o motivo de seu coração bater descontroladamente em seu peito quando Hansol estava próximo era complexo demais para Seungkwan. Ele poderia explicar para seus irmãos, para que eles tentassem explicar, mas, de alguma forma, ele sabia que seria vítima de perguntas e olhares sabidos demais para seu gosto, então estava se esforçando para entender o que estava acontecendo.
E, de repente, ele estava sozinho em um canto isolado da cidade, local onde a maioria dos jovens praticavam tiros ou iam beber e fumar, junto com Choi Vernon Hansol, o motivo de tudo estar estranho.
— Você estava me seguindo?! — O loiro pergunta, agressivo, fazendo o mais novo recuar alguns passos, mas sem olhar para Seungkwan como se ele de fato pudesse fazer mal.
Aquilo não ajuda em nada.
— Eu não… — Ele começa, as mãos suadas indo contra as calças jeans. Estava frio, mas ele não conseguia sentir nada além de nervosismo — Bem, é que você passou na frente de casa meio nervoso e eu pensei que talvez…
— Não tem o que pensar, Choi Hansol, o que você quer? — Existem muitas defesas para quebrar entre um momento e outro, mas aquilo não assusta o mestiço, não o faz sentir medo. Ele, invés de sentir tudo isso, se aproxima com passos cuidadosos.
Seungkwan não entende porque permite que ele se aproxime, mas o faz.
— Por que você está me evitando?
Era óbvio que ele iria perguntar aquilo. Seungkwan e Hansol eram vizinhos desde sempre e tinham a mesma idade, eram ambos coreanos e conversavam entre si, aprenderam muitas coisas juntas com o passar dos anos, mas a adolescência veio e os afastou um pouco; eles não podiam fazer nada, mas nenhum deles deixava de mandar mensagens em algum momento da semana, se cumprimentar e se despedir na escola. No entanto, nos últimos dias, Boo Seungkwan se distanciou consideravelmente do que era normal para eles e Hansol não gostou nada daquilo.
Mas Seungkwan nunca gostou de dar justificativas para ninguém, por esse motivo que ele não pensou duas vezes antes de, em sua fúria cega cheia de confusão, dar um soco certeiro na bochecha de seu melhor amigo.
Hansol dá dois passos para trás, mas não reage agressivamente; no lugar disso, ele avança e o abraça com firmeza. E é o suficiente para desmontar qualquer muro, qualquer barreira fictícia que o mais velho criou para afastá-los, é o suficiente para que ele desmorone e abrace Hansol de volta com uma firmeza, uma força desconhecida, que ele não reconhece.
— Eu… não sei… — É o que ele murmura como resposta para a pergunta que não queria ouvir, se agarrando no corpo de Hansol, que, após anos de convivência, estava ficando mais alto e mais forte que ele.
Fato é que Hansol não sente raiva alguma daquilo, sentindo a confusão e a dor na voz do outro, esta que combina com a que ele próprio sente, bem no fundo de seu âmago. Talvez eles tivessem que esperar um pouco, conversar, descobrir juntos o que tudo aquilo significava de verdade.
Pensando em tudo aquilo, Choi Hansol não larga o mais velho, ele nunca vai fazer isso, não se perdoaria se o fizesse. Eles passam minutos abraçados, isolados em seu próprio lugar seguro, até que qualquer um deles fale algo.
— Desculpa… — Seungkwan tenta falar, mas o Choi faz um carinho em suas costas que, ele descobre, é o suficiente para que ele fique mudo com tanta atenção. Ele não está acostumado, não sabe se um dia vai estar acostumado.
Mas Hansol, em sua quietude, fala que irá esperar até que ele esteja pronto para que eles entendam tudo aquilo juntos, como sempre fizeram.
E, de repente, tudo está realmente bem novamente para eles.
