Chapter Text
Querido e gentil leitor,
A notícia chegou à sociedade sobre a preparação da temporada mais abominavelmente tediosa até agora.
Em respiração suspensa, esperamos pelo diamante desta temporada, pois as esperanças realmente morrem por último. No entanto, lembrando da série de escândalos que tal título trouxe no ano passado, talvez o tédio possa ser bem-vindo para alguns.
É verdade que o primeiro baile anual da Lady Danbury ainda não aconteceu, mas poderia ele agitar o grupo de damas e cavalheiros solteiros mais medíocres que Mayfair já testemunhou? Suponho que isso ainda será determinado.
Atenciosamente,
Lady Whistledown
"Largue isso."
Hyacinth soltou um suspiro, abaixando o papel amaldiçoado para o seu colo. "Já faz vários meses, irmã. Certamente você já a perdoou."
Eloise se contorceu em seu vestido, desconfortável nele quase tanto quanto em sua própria pele. Se Lady Whistledown fosse apenas Lady Whistledown, a suposição de Hyacinth sobre Eloise seria precisa. Ela teria perdoado a escritora anônima depois de alguns meses, talvez até algumas semanas. Afinal, tudo vale na guerra e no trabalho de uma mulher.
Mas ela não era mais uma escritora anônima, era?
E então, enquanto se remexia em seu traje, ela se virou para a Bridgerton mais jovem e expressou, com a maior sinceridade: "Nenhuma quantidade de tempo neste mundo poderia me fazer conceder-lhe qualquer tipo de perdão."
Hyacinth, no entanto, revirou os olhos e não deu muita importância ao teatro da irmã. Dando de ombros, ela continuou lendo, longe de perceber que algo estava errado.
"Aí está você!" Violet exclamou, entrando no quarto de Hyacinth enquanto olhava furiosamente para sua segunda filha mais velha. "Estamos atrasadas. Você já está pronta?"
"Infelizmente." Eloise grunhiu, se contorcendo mais uma vez naquele tecido miserável e pruriginoso. Ela tinha certeza de que Madame Delacroix havia o escolhido intencionalmente como um ato secreto de retaliação em nome da Penelope.
"Então o que você está esperando?" Violet perguntou antes de se virar e sair da sala. "Apresse-se!" ela gritou enquanto se virava.
"Sim, mamãe,” Eloise respondeu com um suspiro antes de seguir a mulher mais velha.
Se alguma vez houve uma regra que um cavalheiro orgulhosamente solteiro deveria seguir, era esta: nunca chegue cedo.
Fosse para os bailes ou para a temporada inteira, era melhor passar despercebido e não ser lembrado. Chegar cedo era simplesmente desaconselhável.
"O que há de errado com você?"
Os olhos de Colin passaram da janela para seu segundo irmão mais velho. "Como é?"
Benedict soltou uma risada seca. “Primeiro, você chega cedo da Itália e, então, sem protestar, você atende à exigência de nossa querida mãe de que compareçamos ao baile de Lady Danbury, uma manobra bastante transparente para nos forçar a encontrar uma esposa adequada.”
Colin sorriu ironicamente. "Eu não sabia que podíamos protestar."
“Tudo bem. Seja assim”, respondeu Benedict. Ele conseguia ler o humor de seus irmãos tão facilmente quanto uma pintura de Turner.
Mas envolvê-los em conversas sobre seus sentimentos também apresentava um nível de dificuldade semelhante aos seus esforços artísticos.
No entanto, assim que a carruagem parou, ele concluiu que, no mínimo, a noite seria interessante. O baile parecia muito bonito. Velas radiantes alinhavam o caminho do gramado extenso até a grande entrada, lançando um brilho quente e amarelado sobre as flores vibrantes que adornavam os jardins e as paredes do elegante salão de baile. As melodias dos violinistas enchiam o ar, seus ritmos alegres se entrelaçando com a conversa animada das centenas de convidados.
Aquela beleza era avassaladora e impossível de ignorar. Mas quando Benedict olhou para seu irmão, o foco dele estava apenas no salão de baile distante. Nada mais parecia existir. Seus olhos estavam azuis tempestuosos, como se o estrondo de um trovão estivesse prestes a irromper de dentro.
"Aí estão vocês." Violet os encontrou a caminho da entrada, com Eloise e Francesca logo atrás. "Não é maravilhoso?" Ela comentou, olhando para todas as decorações espetaculares. "Tenho certeza de que será uma noite muito agradável e proveitosa para todos nós." Ela comentou com olhares deliberados para seus três filhos mais velhos.
Três que, com muita esperança em seu coração, não infligiriam a mesma tormenta que Anthony, ela se certificaria disso.
"Produtivo para quem?" Eloise não perdeu tempo em responder, imediatamente se abanando com a mão quando eles entraram no salão de baile. Mais um ano presa em vestidos bobos e conversando com cavalheiros tediosos. Penelope era a única coisa que tornava aquelas noites mais suportáveis na temporada anterior. Mas aquele ano... aquele ano ela provavelmente as tornaria piores.
E simples assim, a ruiva se materializou na linha de visão de Eloise, como se ela soubesse os seus pensamentos.
A primeira coisa que veio à mente de Eloise foi que Penelope parecia diferente.
Fazia meses que Eloise não a via ou falava com ela. Era estranho, porque antigamente, as duas amigas eram tão unidas que nem percebiam quando uma ou a outra passava por mudanças. Quando você vê alguém todos os dias, é fácil ignorar as mudanças graduais pelas quais elas passam.
Mas agora Eloise olhava para Penelope sentindo como se estivesse observando uma estranha. Seu cabelo, penteado em ondas suaves, emoldurava seu rosto enquanto ela vestia um vestido verde escuro brilhante. Silenciosamente, os olhos dela varriam a sala, um brilho agudo de observação neles, despercebido pelas pobres almas que lhe contavam seus assuntos particulares sem saber.
Longe estava a garota com laços no cabelo e vestidos amarelos. Foi-se a garota espirituosa e inocente que Eloise acreditava ser sua amiga. Em seu lugar estava Lady Whistledown. Escritora extraordinária, empresária próspera, negociante de segredos e, finalmente, uma amiga transformada em traidora.
“Me dêem licença,” a voz de Colin desviou Eloise de seus pensamentos.
Quatro cabeças se viraram em sua direção, surpresas pela repentina interjeição. Alheio à reação delas, Colin adentrou o salão de baile, desaparecendo em meio à multidão de dançarinos.
“Qual é o problema com ele?” Francesca franziu as sobrancelhas, expressando o que todos estavam pensando.
Benedict então tentou esconder sua própria surpresa e fingir indiferença com um encolher de ombros. “Ele deve ter visto a mesa de sanduíches.”
Aquela temporada trouxe um sentimento de libertação para Penelope.
Ela considerava que era porque naquele ano ela estava finalmente se livrando das coisas que a estavam segurando. Seu amor sufocante por Colin, sua constante pretensão em torno de Eloise, sua crença ingênua de que um dia ela importaria.
Era tudo realmente um alívio.
Ela era uma mulher livre, podia até se vestir como uma agora que sua mãe tinha oficialmente desistido dela. Mais do que isso, ela era uma mulher que tinha um plano bem pensado. Enquanto escrevia como Lady Whistledown em segredo, ela permaneceria na alta sociedade até alcançar a riqueza que desejava. Então ela se retiraria para o campo e, sem nenhuma preocupação no mundo, levaria uma vida rotineira lá como Penelope Featherington.
Finalmente, ela estava em paz com suas circunstâncias.
"Minha querida, você está bem?"
"Lady Danbury!" Penelope gritou de surpresa, se esforçando para fazer uma reverência de uma maneira que era tudo menos feminina.
Um sorriso entretido se espalhou pelo rosto da mulher mais velha enquanto ela observava a garota. "Senhorita Featherington", ela disse. "Você está bem distraída, não é? Eu perguntei: Você está bem?"
Penelope só conseguiu piscar para a pergunta. Uma pergunta bem rara de ser direcionada a ela.
"Hum", ela disse, apertando os olhos por sua falta de educação novamente. "Sim. Devo admitir que fiquei bastante distraída, estava maravilhada com a aparência requintada do seu baile."
Lady Danbury assentiu, olhando para ela como se não acreditasse em suas palavras nem um pouco. Então, direcionando seus olhos para o traje da dama para a noite, ela comentou: "É um vestido lindo. Nada mais de amarelo?"
Penelope lançou seu olhar para baixo na sua vestimenta verde esmeralda, apesar de saber exatamente como ela era. Enquanto admirava a maneira como brilhava na luz, ela não pôde deixar de pensar em como Genevieve realmente se superou com aquele design. Apesar do brilho do tecido, o corpete era simples, deixando as mangas e o decote tomarem o centro do palco com seus brilhos e designs intrincados.
A cor tinha sido a única exigência de Penelope, uma vez que estava pronta para deixar todos os amarelos e laranjas para trás. O que provou ser uma escolha brilhante, complementando seu tom de pele e fazendo a cor de seu cabelo se destacar.
"Madame Delacroix é uma modista bastante talentosa, não é?" Penelope disse, seus lábios se curvando em um sorriso genuíno.
"De fato", respondeu Lady Danbury, quase refletindo o sorriso de Penelope, até que algo atrás da garota fez com que a expressão da senhora se transformasse em uma carranca insatisfeita.
Quando Penelope estava prestes a se virar para descobrir a causa daquela reação, ela foi interrompida por uma voz que conhecia muito bem.
"Lady Danbury."
"Sr. Bridgerton", ela respondeu, olhando feio.
Finalmente, Penelope se virou para a pessoa parada atrás dela, sabendo a identidade exata do Bridgerton em questão.
Quando seus olhares se encontraram, os olhos azuis de Colin se iluminaram.
"Senhorita Featherington", ele cumprimentou, o título formal para Penelope deixando um gosto estranho em sua língua.
"Senhor Bridgerton", Penelope o cumprimentou com um tom cortante. Então, como as regras sociais exigiam, ela fez uma reverência.
Tudo aconteceu em segundos, mas tempo suficiente para ele confirmar que algo estava errado.
Penelope ignorou suas cartas por meses, e agora ela o cumprimentava como se estivessem se encontrando pela primeira vez. Suas sobrancelhas franziram levemente enquanto ele fixava um olhar questionador nela. Mas, infelizmente, ela parecia estar interessada nos dançarinos, não na conversa deles.
Decidindo adotar uma abordagem diferente, ele colocou um sorriso educado no rosto. Então olhou para Lady Danbury, na esperança de que ela entendesse que ele queria falar com Penelope.
Mesmo que a mulher mais velha o aterrorizasse, a preocupação o estava tornando mais ousado. Ou talvez imprudente.
Ela encontrou seu olhar e ergueu uma sobrancelha, parecendo entender suas intenções. No entanto, permaneceu enraizada no lugar.
"Posso falar com a Srta. Featherington?" ele finalmente perguntou.
Lady Danbury inclinou a cabeça. "Você pode."
Ele piscou lentamente, certo de que havia bebido seu chá especial por acidente. A atitude agressiva da mulher era certamente bizarra.
No entanto, quando ele olhou para Penelope, ela não pareceu se opor a isso. Seu interesse agora estava nos arranjos de flores à esquerda.
"A sós", ele esclareceu.
O que levou Lady Danbury a levantar as duas sobrancelhas. "Tenho certeza de que isso não é apropriado."
Colin conteve um bufo. Evidentemente, ele queria dizer falar com Penelope sem a presença dela — mas ainda dentro de um salão de baile com aproximadamente cem outras pessoas ao redor.
"Eu só quis dizer— "
"Estou totalmente ciente do que você quis dizer, garoto", ela disse, a última palavra cuspida como se fosse uma maldição. Com Colin olhando para ela como se tivesse acabado de levar um tapa, ela voltou sua atenção para Penelope e perguntou: "Você deseja falar com este cavalheiro, Srta. Featherington?"
Penelope então finalmente olhou para ele, cerrando sua mandíbula.
"Não", ela respondeu, como se não estivesse puxando uma faca proverbial e o estripando com ela. "Não, Lady Danbury. Na verdade, eu desejo ir embora."
E então, sem hesitação, ela se retirou. Lançando um olhar triunfante para ele, Lady Danbury foi para o outro lado do salão de baile, sua bengala liderando o caminho.
E o Colin... Ele apenas observou Penelope ir embora, cada membro de seu corpo ficando dormente enquanto sua mente tentava entender o que estava acontecendo.
Se sua única razão para ir a esses bailes miseráveis não fosse aprender informações para Lady Whistledown, Penelope os teria abandonado há muito tempo.
Pelo menos, foi o que Penelope disse a si mesma.
O lado feminino e inocente dela que amava o brilho e o glamour, músicas extravagantes, trajes lindos, drama e a possibilidade do amor verdadeiro — esse lado havia morrido na temporada passada.
Ele morreu toda vez que seu cartão de dança permaneceu vazio, toda vez que suas roupas foram ridicularizadas e a cada sorriso que ela teve que forçar.
Morreu quando sua amiga mais antiga jogou na cara dela exatamente o que pensava dela. Penelope não era a amiga cuja opinião ela valorizava, cuja companhia ela estimava. Ela era uma ninguém; ela sempre foi uma ninguém.
Acima de tudo, ele morreu quando Colin se tornou um deles. Eles — os membros da alta sociedade que fingiam um sorriso na presença dela, apenas para ridicularizá-la na sua ausência. Eles — aqueles que não conseguiam suportar a vergonha de serem associados a ela.
Então, verdade seja dita, ao encontrá-lo novamente depois de meses, Penelope estava pronta para ir embora. Se ao menos ela não tivesse colidido com Cressida Cowper e derramado limonada em todo o seu vestido bege intrincadamente desenhado.
"Você tem que fazer tudo errado?" A loira avançou em sua direção com o queixo alto e a voz venenosa. Algumas pessoas viraram a cabeça para eles, mas Cressida não se importou com a atenção — ao contrário de Penelope, ela a apreciava. “Sério, Penelope, alguém poderia esperar que depois de ser humilhada uma ou duas vezes, você tivesse aprendido a se comportar.”
“Você espera demais de uma pessoa insossa”, declarou a pessoa que nem mesmo Lady Whistledown suspeitava.
Porque ali, ao lado de Cressida Cowper, estava Eloise Bridgerton.
Penelope só conseguia encará-la enquanto o mundo desabava. De todas as pessoas no mundo, aquelas duas eram amigas agora? Ou ela estava apenas concordando casualmente com o membro mais vil da alta sociedade? Eloise a odiava tanto assim?
Apesar do peso daquela traição, Penelope se recusou a chorar em público. Ela se recusou a reagir, se possível, apesar de seu próprio corpo a trair. Seu orgulho era forte demais para isso.
“Com licença”, ela disse antes de sair da sala.
Assim que passou pela entrada, ela se encostou no pilar e respirou fundo. Determinada a não derramar uma lágrima, ela examinou os arredores em busca de sua carruagem. Era hora de ir para casa.
“Pen.”
A garota fechou os olhos com força. Aquele dia parecia determinado em fazê-la sofrer. Aparentemente, Colin havia a seguido para fora, e ela nem percebeu.
Arrumando sua postura, ela mais uma vez teve que mascarar sua angústia atrás de uma fachada composta.
“Pen, podemos conversar um momento, por favor?”, ele perguntou.
“Estou bastante exausta esta noite. Prefiro ir embora. Boa noite, Sr. Bridgerton”, ela respondeu.
Com sua carruagem à vista, ela finalmente deu um passo em direção a ela.
“Não precisa de acompanhante?” Ele perguntou, percebendo que ela estava prestes a sair sozinha.
Sua inocência quase fez Penelope rir, mas seu sangue também ferveu com sua ignorância. “Solteironas não precisam de acompanhantes.”
Foi a vez de Colin reprimir uma risada. Seu cérebro não conseguia compreender uma declaração tão absurda vinda de uma das mulheres mais incríveis que ele conhecia. E uma mulher muito jovem além de tudo.
“Você não é uma solteirona”, ele disse.
“Estou na minha terceira temporada sem prospecção de casamento. Como chama isso?” Ela retrucou, seus olhos brilhando de fúria e sua voz cheia de impaciência — um lado de Penelope que Colin nunca tinha visto antes.
Primeiro, ela se recusou a conversar com ele, e quando finalmente o fez, sentiu que a mera presença dele era ofensiva para ela. Colin não conseguia entender o que estava acontecendo. Era ele um fardo para ela?
Eles não se viam há séculos, então como ele poderia ser um incômodo para ela quando tudo o que ele podia fazer era ansiar por sua presença? Ele sentia falta de suas percepções, suas farpas espirituosas, suas piadas autodepreciativas e suas palavras de encorajamento. Ele sentia falta de tudo sobre ela. Sua viagem deveria ter sido emocionante e libertadora, mas ele não conseguia escapar do lembrete constante do silêncio dela.
As águas azul-petróleo do oceano, o clima agradável, o aroma insuportável do café e a comida meticulosamente preparada — nenhuma dessas coisas poderia distraí-lo do vazio deixado por Penelope. E embora ele nunca admitisse, pela primeira vez em sua vida, Colin sentiu uma onda de alívio ao retornar a Londres. Tudo porque ele finalmente a veria novamente e perceberia que tudo era um mal-entendido.
Era nisso que ele acreditava, pelo menos.
"Tem algo errado, Pen? Entre nós, no caso", ele perguntou. "Eu te escrevi no verão, como sempre faço, e você não me respondeu. Tudo bem, poucos responderam. Mas se quer que eu diga em voz alta... senti sua falta."
Uma risada escapou os lábios da garota, uma que Colin mais tarde perceberia que era na verdade uma zombaria.
"Sentiu minha falta?" ela repetiu, e ele, como um idiota absorto, assentiu. "Sente saudade, mas nunca me cortejaria, não é mesmo?”
E lá estava. Ele finalmente obteve sua resposta. Se ao menos soubesse como responder a ela.
"Pen, eu..."
"Eu ouvi o que disse", ela falou enquanto lágrimas umedeciam seus olhos. "Naquele último baile da minha mãe. Dizendo a todos que jamais cortejaria Penelope Featherington."
Infelizmente, ela não precisava recitar isso na íntegra, pois ele tinha uma lembrança vívida daquele momento. Sua mandíbula se apertou quando o som de passos se aproximando chamou sua atenção. Um grupo de homens passou, acenando para ele com saudações amigáveis.
Enquanto os cumprimentava de volta, Colin percebeu que estava sem palavras para se explicar a ela. Ele mal sabia como explicar para si mesmo. Mas uma coisa que ele sabia com certeza era que eles tinham que ter cuidado para não falar disso na presença de ouvidos curiosos.
"Podemos falar sobre isso de forma privada, por favor?" Ele perguntou.
"Porque eu o constranjo?" ela sussurrou, a mágoa estampada em suas feições. "É claro que não me cortejaria. Eu sou a piada da alta sociedade, mesmo mudando meu guarda-roupa."
Seu olhar permaneceu no vestido dela, notando — não pela primeira vez — o quão bonita ela estava. Nunca antes ele se perguntou se achava Penelope bonita ou não. Eles eram amigos há tanto tempo que parecia estranho pensar nela dessa forma. Talvez essa tenha sido uma das razões para sua reação à pergunta do Fife na temporada passada.
Mas ele supôs... que mesmo se estivesse sob a mira de uma arma, ele nunca pensaria em Penelope como alguém pouco atraente. Na verdade, ela estava absolutamente deslumbrante naquela noite. Porém não havia passado pela sua cabeça identificar o que havia mudado nela naquele dia ou por quê.
"Mas nunca me ocorreu que você, entre todos, seria tão cruel", ela disse, interrompendo suas reflexões.
E antes que ele pudesse reagir, ela foi embora, deixando-o sozinho com seus pensamentos, seu olhar fixo em suas costas pela segunda vez naquela noite.
