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Buquês, Alergias e Perdas de Memória

Summary:

Onde Crocodile tenta escolher uma única flor para lhe presentear como um presente de aniversário de namoro, mas acaba se deparando com muitas plantas, o que acaba confundindo-o.

Work Text:

Crocodile olhou atentamente para os diversos tipos de flores à sua frente; tentava se lembrar de quais você gostava.

Tulipas?

Questionou-se internamente ao olhar a variedade de cores da espécie da flor, mas nenhuma delas chamou sua devida atenção.

Rosas?

O vermelho, o branco e o próprio rosa das pétalas quase em forma de coração o dava ânsia, mas talvez com você seja diferente.

Mas ao observar os girassóis na outra barraca de flores, a flor amarela brilhante o fez lembrar que, na verdade, existia uma das flores que você era alérgica; isso somente serviu para deixá-lo ainda mais confuso, irritado e até mesmo frustrado naquela situação.

Como caralhos ele saberia qual era a flor que você gostava, e qual era alérgica no meio de tantas plantas?

Naquela feira existia, no mínimo, mais de vinte tipos de flores, isso se tirar as diversas cores que uma única possuía.

Bufando abertamente, Crocodile nem notou quando um casal passou quase correndo por perto dele; estava tão focado no que dar de presente no aniversário de namoro de vocês, que nem notou algumas pessoas tremendo ao seu redor; sua reputação já explicava automaticamente o porquê ele era tão temido até mesmo quando ia somente comprar algo, mas o homem não notava as vezes.

Ou talvez, ele notasse, apenas não se importava mais ao ver as pessoas tremendo e quase se borrando só de vê-lo na rua.

Erguendo-se livremente ao desistir de tentar olhar para os girassóis e algo lhe vir à mente, Crocodile tentou pensar se você gostaria de algo diferente para aquele dia.

Chocolates? Não, você preferia o caseiro por justamente vocês dois poderem fazê-lo em conjunto, e comerem também.

Cartões de presente? Cartas? Não, ele não era bom com palavras para escrever algo, nem que fosse somente um pequeno parágrafo, e tinha apreensão no que você faria se ele lhe desse um cartão já feito por outra pessoa.

Parecia quase errado na visão do homem com mais de dois metros de altura; afinal, se aquele um dia especial, então deveriam ser palavras especiais. Mas ele era horrível nisso, por isso preferia ações a fazer uma linha sequer de romance meloso.

Embora você fosse uma fã encubada de romance clichê bobo — palavras ditas por dele —, Crocodile recusava-se a escrever cartas como você mesma dizia querer diversas vezes.

Mas talvez, se não se lembrasse da espécie de flor que gostava e da que era alergia, e não conseguisse achar nada melhor, talvez, só talvez ele tentasse escrever algo para você.

Suspirando novamente ao se ver sem ideia, o grande homem andou pela rua aberta que a feira dos sábados acontecia; as barracas cheias de flores, doces exageradamente açucarados e presentes toscos enfeitavam as mesmas, deixando-as lindas na visão da maioria.

Mas Crocodile não era a maioria. Para ele, aquilo não passava de uma perda de tempo inútil e sem utilidade alguma, mas se fosse por você... Talvez ele fizesse um esforço a mais para suportar aquela palhaçada.

(...)

Já passavam das três horas da tarde quando você desceu a escada tranquilamente para a sala, sem pressa alguma e cantarolando uma canção genérica de quando estava tudo indo nos conformes — ou melhor dizendo: quando estava de bom humor.

Passando a sala e chegando na cozinha, você cobriu as mãos com luvas de proteção e, abrindo o forno ao desligá-lo, o cheiro convidativo do bolo se espalhou pela cozinha antes mesmo de você tirar o mesmo de dentro do forno.

Sorrindo ao ver o alimento aparentando estar bom por fora, você logo tratou de retirá-lo e colocá-lo em cima do fogão.

Entretanto, quando foi decorar o bolo com o recheio que havia escolhido desde mais cedo, sua campainha tocou e, mesmo que estranhando alguém ter aparecido em sua casa tão cedo, você tirou as luvas e foi atender.

Ao pisar os pés pra fora da cozinha, a campainha foi tocada novamente, e com isso você gritou:

— Já estou indo! Um segundo! — sua voz saiu alta, tentando não fazer a pessoa desistir de te esperar (ou apenas para ela não tocar o barulho irritante da sua campainha mais uma vez).

Entretanto, seu grito pareceu ser em vão quando ouviu o tintilar fino ecoando pela casa; tão irritante quanto sempre era, nunca mudando.

Bufando, sua mente nem tentou adivinhar qual dos seus conhecidos impacientes que estava tocando sua campainha naquele momento; seus pensamentos estavam mais focados em querer decorar o bolo e começar a fazer mais alguns doces.

Mas mesmo que você teorizasse quem era, isso se mostraria inútil, pois no momento em que chegou na porta, e abriu-a com certa irritação, a raiva passou para surpresa no momento em que um peitoral masculino foi tudo o que viu.

Erguendo o queixo, um sorriso formou-se em seus lábios ao ver o rosto com a cicatriz característica alheia à sua frente.

O homem vestia-se como sempre; um colete laranja de botão preto brilhante sobre uma camisa de manga comprida, junto com um cachecol azul, calças de terno marrom escuro e sapatos pretos polidos com fivelas douradas. E, claro, um dos seus inconfundíveis casacos apoiado em seus ombros, quase como se fosse cair a qualquer momento, mas jamais faria-o.

Quando você foi dizer algo, ele foi mais rápido a tomar a palavra primeiro:

— Parecia bem irritada ao abrir a porta, minha presença é sempre tão satisfatória para você?

Seus olhos viraram automaticamente, mas seu sorriso no canto dos lábios lábios já o respondia.

— Quando se namora, o mínimo que se espera é satisfazer seu parceiro.

O sorriso de canto de Crocodile aumentou; o duplo sentido na sua fala era perceptível à distância, entretanto, o homem preferiu ignorar e, puxando a única mão boa para frente — estava escondida nas costas dele —, ele revelou um buquê mediano de flores.

Seus olhos caíram no mesmo, e seu próximo sorriso foi um feliz; achava tão lindo quando o homem te presenteava com coisas simples e clichês — além de que você deixava bem claro o quanto amava-as.

— Elas são lindas! — exclamou enquanto pegava o buquê em mãos, só então notando que todas as flores no mesmo eram de plástico.

Você nem precisou questioná-lo, ele foi mais em te responder:

— Não me lembrava de qual você era alérgica.

— Aposto que nem das que eu gostava, estou certa?

— Essa informação não era-

Sua breve risada o interrompeu, e você logo pegou na mão grande e áspera de Crocodile, como uma forma indireta de dizer que estava tudo bem ele se esquecer.

— Estou brincando, seu bobo. De qualquer forma, eu odeio deixá-las morrer e assim elas sempre vão estar comigo. — ainda com a mão segurando a dele, você o puxou para dentro, surpreendendo o homem. — Agora entre, eu fiz bolo e quero que você me ajude a preparar uns doces! E nada de dizer não!

— Eu detesto cozinhar.

— Mas comer você gosta, né?!