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Passando o molho vermelho ao redor do bolo de carne na mesa à sua frente, e colocando uma pequena folha em cima do mesmo, você sorriu; um sorriso satisfeito e até mesmo cansado, mas a satisfação com toda a certeza vencia o sentimento de ter ficado mais de quatro horas preparando a refeição — e isso não incluia ficar refazendo a receita em sua mente mais de cem vezes, e pedindo ajuda com os temperos para um loiro que te observava o tempo todo.
Seu perfeccionismo poderia fazer as coisas demorarem mais do que o esperado, mas você gostava da maioria delas no final. Pois foi graças ao seu perfeccionismo que havia conseguido praticar tudo na receita corretamente, sem precisar voltar do início ou acabar queimando — ou desperdiçando — algo.
Felizmente, tudo saiu nos conformes, e agora só restava servir o bolo para os tripulantes e ver se sua dedicação foi válida, ou apenas um desperdício do tempo e crença de seus companheiros.
Jogando os pensamentos negativos para o mais fundo possível de sua mente, você tentou pensar positivo; afinal, não adiantaria nada ficar se materializando antecipadamente.
Primeiro a prova, e depois o resultado.
Olhando para a única janela na cozinha, você notou que já estava escurecendo. Havia demorado mais do que o esperado em preparar a refeição, mas pelo menos havia dado certo no final, e todos poderiam prová-lo.
— Muito bem — murmurou em um sussurro, como uma forma de dizer a si mesma de que tudo ficaria bem.
Colocando um sorriso no rosto, você não demorou a chamar Sanji, mas ao olhar para o lado, viu o loiro entrar na cozinha e acenar a cabeça para você.
— O cheiro está muito bom — comentou o mais alto, e as breves palavras já foram o suficiente para que sua confiança elevasse alguns níveis. — Vou chamar os outros... posso?
— Claro — respondeu-o de imediato. E, sem se dar conta de sua mania, sua mão apertava um pouco o tecido do avental que trajava desde a hora que o cozinheiro havia entrado na cozinha.
Sanji notou seu nervosismo, mas não comentou nada para não deixá-la pior.
Após poucos segundos, mais de sete pessoas entraram na cozinha, se sentaram nos seus devidos lugares de forma estranhamente educada, mas logo começaram a dizer seus primeiros pensamentos em voz alta:
— O cheiro está incrível, [Nome]!
— Ohoho, mesmo! O cheiro está bom!
— Já pode comer, [Nome]? — Luffy perguntou, e você na hora estranhou sua gentileza e educação alheias, que eram bastante raras, mas talvez o olhar sério de alguns respondia suas dúvidas.
Eles tinham dado um sermão no capitão?
O pensamento te fez sorrir minimamente imaginando a cena. Contudo, você tentou barrá-lo e preferiu focar em cortar o grande bolo de carne que havia feito.
— É um pedaço e meio para cada, pois não sabia se todos iriam querer experimentar… — Antes que pudesse terminar, você foi saudada com vários sinônimos de "claro que íamos", a positividade dos Chapéu de Palha te fazendo sorrir novamente.
Você estava sorrindo mais hoje do que de costume, e isso era uma ótima notícia para todos.
— Não se preocupe, Senhorita [Nome], irei pessoalmente zelar pela sua refeição para que ninguém coma mais do que o necessário — o único loiro no recinto afirmou enquanto ajudava a cortar os pedaços do bolo na mesa com perfeição.
A gentileza de Vinsmoke lhe fez rir brevemente, e em seguida você o agradeceu:
— Obrigada, Sanji.
— Por nada, senhorita.
Estranhamente, observar a forma que você e o cozinheiro do navio pareciam íntimos fez o interior de Luffy ficar estranho, e o capitão se perguntou internamente o que era esse novo sentimento e porque parecia tão incômodo para ele.
Colocando um pedaço em cada prato com a ajuda de Vinsmoke, em pouco tempo todos os tripulantes haviam sido devidamente servidos.
Quando você se sentou em seu lugar, não demorou até que todos — incluindo você — experimentassem seus devidos pedaços do bolo de carne.
Rapidamente, um coral de "hmmm" estendeu-se pela cozinha, e logo todos os Chapéus de Palha estavam te elogiando pelo prato, aparentemente gostando muito da refeição alheia.
— [Nome]! Isso está fantástico!
— Sim, está bem gostoso.
— Que gosto divino!
— Eu sabia que a senhorita [Nome] não iria decepcionar!
Os elogios te fizeram corar brevemente, e você tentou esconder seu rubor ao pegar um guardanapo e levá-lo até o rosto, mas antes que pudesse, uma mão masculina parou seu braço no ar.
Levantando o queixo, e seguindo o braço que se esticava por cima da mesa, você não demorou a notar quem havia lhe segurado: Monkey D. Luffy.
Erguendo uma sobrancelha ao olhá-lo, a sala pareceu ficar em silêncio com as próximas palavras do capitão:
— Eu quero mais!
Inesperadamente, as palavras de Monkey pareceram falar muito mais do que apenas aquilo, e ponderar isso fez você sentir suas bochechas esquentarem ainda mais em seguida; a vergonha dominando seu interior mais rápido do que com os elogios de poucos segundos atrás.
Contudo, antes que mais alguma coisa pudesse ser dita, alguém bateu no braço alheio de borracha e Luffy te soltou; o membro dele voltando ao tamanho normal, e o capitão começando a reclamar da dor e porque a pessoa havia o atacado sem mais nem menos.
— Tenha modos, Luffy! — Nami afirmou, provavelmente sendo ela quem havia batido no D.
— Por que que eu apanhei, hein? Eu apenas queria mais da comida de [Nome]!
— E por que não pegou do prato do outros como sempre faz? — Sanji indagou o que todos também se questionavam internamente.
Afagando o braço alheio — e demonstrando com óbvio drama que o golpe alheia ainda doía sobre sua pele — Monkey respondeu simples:
— Eu gosto quando [Nome] coloca pra mim… — o bico nos lábios alheios poderia te fazer rir e corar como um tomate maduro se não fosse os próximos comentários da parte dos outros:
— Você é o que? Uma criança por acaso?
— Que vergonha.
— Ela não é sua empregada!
Entretanto, Luffy foi rápido em rebater o último comentário:
— Não é nesse sentido! — A seriedade e leve raiva no timbre pareceu passar despercebido pela maioria, mas você notou, e isso foi surpreendente.
— E em qual é?
— Eu gosto das coisas dela! — exclamou alto, quase berrando para o próprio oceano.
— Essa resposta não faz sentido!
— Fale como uma pessoa normal! — A única navegadora berrou de volta, perdendo a pouca paciência que não tinha. — Está tarde, seu troglodita!
A partir daí, a conversa se perdeu em berros da parte de Nami e Sanji para o Monkey, que passou a basicamente levar esporro — que você via como completamente desnecessário.
— Por que eles estão gritando? — Usopp perguntou para ninguém em específico, um pouco surpreso por eles estarem falando tão alto mesmo naquele horário.
— Não sei… — Chopper murmurou, ainda perdido em como haviam chegado naquela situação.
Enquanto os quatro estavam ocupados na pequena discussão, os outros continuavam comendo o bolo de carne de [Nome], ignorando-os com facilidade.
Vendo que aquilo ia se estender além da conta se ninguém interviesse, você suspirou; teria de parar outra briga, afinal de contas.
Levantando-se da cadeira, e empurrando-a no processo, você ergueu as palmas e, batendo na mesa com força algumas vezes, você berrou:
— JÁ CHEGA DISSO!
E como nas outras vezes — essas que haviam sido extremamente raras, pois na maioria das vezes era Nami quem conseguia controlá-los —, todos os tripulantes presentes pararam imediatamente seus movimentos; seus queixos virando para sua direção e o choque em suas expressões falando o suficiente.
Vendo que havia chamado a atenção deles, sua voz soou mais baixa, mas ainda mais séria:
— Vocês estão levando isso longe demais! Sabem exatamente como o nosso capitão é, então porque continuam brigando com ele?
Quando não recebeu nenhuma resposta de volta, você suspirou, ficando mais calma para dizer as próximas palavras:
— Luffy, querido — chamou-o, ignorando a forma como suas mãos estavam embaixo da mesa e, por sua vez, pegavam um pedaço de cada bolo dos tripulantes na mesa.
Sinceramente, já havia desistido de tentar fazê-lo mudar aquele hábito; seria como iniciar uma batalha que você sabia que já estava perdida.
— Pode ficar com a minha parte, capitão. Eu vou me deitar.
Sua resposta surpreendeu a muitos, e deixou-os internamente bastante preocupados.
— O que? — um loiro indagou ao ouvi-la. Surpresa e preocupação genuína cobrindo cada palavra que saiu a seguir: — Senhorita [Nome], não irá comer sua parte?
Com um sorriso gentil cobrindo seus lábios no minuto seguinte, você respondeu o Vinsmoke de maneira simplista:
— Não estou com tanta fome. Além de que, eu estou com bastante sono. Fazer o bolo me custou bastante energia. Irei para o meu quarto descansar.
Sem deixar que mais ninguém falasse, e automaticamente tivesse a chance de fazê-la ficar, você se virou, e se retirou rapidamente do recinto.
Contudo, graças a sua pressa em sair do local, você não viu quando a feição de Luffy mudou, e sua expressão passou de feliz para uma culpada.
Ele tinha de fazer algo sobre.
• • •
Três horas depois, você estava sentada na ponta do navio, olhando o mar abaixo de si, e apreciando a brisa fria que lhe era proporcionado pelo movimento do objeto flutuante, e do barulho das ondas do mar.
Com um sorriso nostálgico nos lábios secos e gélidos, apreciando o momento de silêncio (extremamente raro) alheio no navio, você não notou quando alguém se aproximou de si.
Apenas foi notar a presença alheia quando algo tocou seu braço.
Juntando as sobrancelhas automaticamente, e virando seu queixo para a direção correta, surpresa cobriu todas as linhas de seu rosto no momento em que seus olhos se cruzaram com os de seu capitão.
— Luffy? — sua voz saiu baixa; um sussurro quase inaudível, como se não acreditasse no que estava vendo.
O que ele fazia acordado a essa hora da madrugada?
Quando não recebeu qualquer resposta ou movimentação do Monkey, você começou a se preocupar, especialmente ao notar o olhar um pouco culpado e tímido do pirata à sua frente.
— O que foi? — indagou mais alto, como uma forma de mostrá-lo que estava prestando atenção nele.
Entretanto, para a sua surpresa, não foi uma palavra que recebeu em troca, e sim um pequeno prato — que estava escondida atrás das costas do capitão — e nada mais nada menos do que um pedaço de seu bolo de carne de mais cedo, completamente intacto no recipiente.
Abrindo e fechando os lábios, seu choque era notório para o Monkey, mas Luffy mesmo assim falou o mais simplista que conseguiu as próximas palavras:
— Eu guardei pra você.
— Você- — seus lábios pareceram travar por completo no instante em que você os abriu, parando por um segundo de pronunciar o que quer que você fosse dizer. — O quê? Mas- Por quê?
— Não quero que você passe fome. Eu gosto de você, então quero que coma bem.
Levantando uma sobrancelha para as palavras alheias pronunciadas, você estranhou a forma como o capitão disse aquilo. E, em um movimento automático, virou seu queixo para o lado, onde pôde ver um grupo de piratas Chapéu de Palha atrás de uma pilastra, falhando em se esconder e observar a tudo sem serem vistos.
Revirando os olhos, optando por ignorá-los, você voltou a olhar para o capitão, mas foi pega de surpresa ao vê-lo tão perto de si e, em um movimento rápido da parte do pirata, sentir os lábios do Monkey em uma de suas bochechas, depositando um beijo rápido em seu rosto e deixando um rastro de sentimentos para trás em sua pele antes fria.
