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Vida Que Segue

Summary:

Manuela e Rodrigo não voltam a ficar juntos quando conversam no final de A Vida da Gente, mas abrem uma porta para um futuro a ser construído, trazendo detalhes de cada passo dado depois da cura da Julia e com direito a uma espiada no passado da Manuela que não conseguimos ver na tela.

Nanda e novos personagens, circulam a vida de Manu e nos guiam pela vida que seguiu.

Sem hate para Ana ou Manuela. Todos os capítulos tem nome de músicas, preferencialmente brasileiras, mas com um toque hispânico

Chapter 1: Samba Em Prelúdio - Vinicius de Moraes

Chapter Text

Samba Em Prelúdio - Vinicius de Moraes

Manu está sozinha em casa num sábado a tarde enquanto Julia está na casa de Ana, organizando seus arquivos de todas as atividades do Buffet, deixando tudo pronto para conseguir explicar direitinho cada cantinho do seu negócio, quando escuta a campainha e estranha.

Depois de checar pela janela abre a porta e dá de cara com Rodrigo, sorrindo para ela de um jeito particularmente familiar.

M: Rodrigo? Tá tudo bem? A Julia está com a Ana, pensei que tivesse avisado.

R: Oi Manu! Tudo certo. Na verdade, vim falar com você. Pode ser?

Manu, pega de surpresa e com muita desconfiança, acena com a cabeça e abre a porta para Rodrigo. Os dois andam para sentar na sala.

M: Quer alguma coisa?

R: Não, não precisa, só queria conversar mesmo - Rodrigo fala sentando na frente de Manu.

M: Ok... - Manu fala desconfortável -

R: Então... eu não sei nem por onde começar...

M: começar o que?

R: A te pedir perdão...

Manu, eu já provei muitas vezes nesse ano que passou que eu não mereço você... Eu fiquei muito mexido quando a Ana acordou e eu tentei, desde quando estávamos casados entender se era amor, paixão, saudade, curiosidade, sei lá o que que eu sentia por ela... Mas eu te juro que mesmo com esse turbilhão de dúvidas eu NUNCA duvidei que te amasse... Não era um amor que tirasse meu foco, era um amor que me dava paz, que me estabilizava... Por isso, mesmo que eu negasse, parecia menos forte do meu sentimento pela Ana...

Eu sei que fui desleal com você e acho que mais do que quando eu fiz a besteira de procurar a Ana enquanto estávamos casados, fui desleal depois disso, quando insisti numa história que fazia mal para todo mundo e que eu não desisti até dar de cara na parede, destruindo tudo no caminho, machucando o nosso amor.

Quando você pegou, quando viu... a gente... eu e a Ana... enfim... a gente naquela circunstancia eu senti vergonha, covardia, medo e também alívio... Pq foi cômodo pra mim que você tivesse descoberto a minha confusão, Pq eu sou fraco, sou covarde e não teria nunca a coragem de olhar nos teus olhos e assumir pra você que eu estava dividido...

Parte porque eu não concebia te fazer sofrer e, não vou mentir, parte porque eu não queria abrir mão de você! A verdade é que fui egoísta e queria entender minha história com a Ana ainda casado com vc, Pq na hipótese de não dar certo eu ia continuar em paz, poderia retomar minha vida feliz ao teu lado e se desse certo eu ia sair do nosso casamento com a certeza de estar entrando em outro relacionamento... Eu Estava esperando o duvidoso ficar certo...
Tanta coisa já aconteceu, mas agora, na calmaria, eu tinha que vir aqui te pedir perdão... por mim, por você, pela história que tivemos.

Quando você me largou e não olhou para trás, achei que era melhor assim, você tomou uma decisão por mim, me libertou da minha indignidade e eu podia então ir atrás da Ana com todas as minhas fichas na mão... Afinal, eu já tinha te perdido, então eu tinha que tentar fazer valer a pena... Não queria acreditar que o teu sofrimento foi por nada, eu quis bancar...

Mas a gente sabe que não dá para bancar sozinho. E a verdade é que eu me ferrei... foi isso que aconteceu...

O que mais doeu no fracasso do meu relacionamento com a a Ana é que ele TINHA que dar certo. Eu não podia aceitar que eu sacrifiquei a minha, a sua, a nossa felicidade, pra nada.

Me perdoa Manu, me diz que vc me perdoa, por favor... Me perdoa... – Rodrigo fala buscando pegar a mão de Manu, com os olhos cheios de lágrimas.

Manu logo se desvencilha e se levanta, colocando distância entre ela e Rodrigo.

M: Rodrigo, eu te escutei porque eu disse que ia te escutar, mas, honestamente, acho que tudo isso é página virada, não é?!

A gente passou por tanta coisa... A doença da Julia nos reaproximou como pais dela, até como parceiros e eu finalmente perdoei e fui perdoada pela minha irmã... Eu finalmente estou em paz com o amor da minha vida, a Ana.

Você não precisa do meu perdão.... Assim como há algum tempo eu superei a vontade de ouvir você pedindo por ele... Acho melhor você ir...

R: Manu... Por favor... Vamos conversar. Nós fomos casados, fomos cúmplices, voltamos até a ter um pouco disso pela nossa filha... Seja honesta comigo... Me fala o que vc quer falar... Eu te conheço, eu sei que você está guardando o que realmente pensa do que eu te falei, do que aconteceu, eu mereço que vc despeje em mim. Só assim a gente pode ter chance de zerar tudo...

M: Eu realmente não sei o que te dizer... Porque eu não sei se o que eu quero falar é resultante do que eu acredito de verdade ou no que eu me fiz acreditar pra justificar o rumo que o nosso casamento tomou... Mas... Ok... Vamos lá. Quem sabe não é melhor?

Tirando todos os meus sentimentos relacionados à Ana nessa história toda, porque graças a Deus eles já foram resolvidos... Enfim... Eu já senti tanta raiva e pena de mim Rodrigo, você não faz ideia... Eu me senti burra por ter achado por tanto tempo, quando a gente estava junto, que você me amou.

R: Mas eu...

M: Me deixa terminar... Senão nem adianta a gente começar agora.

Enfim... Quando vi aquele beijo... Eu...foi... Foi a primeira vez que eu me arrependi de ter me entregado ao meu amor por você, me arrependi de ter acreditado que vc me amava e principalmente, me arrependi de ter casado com vc....

E o mais engraçado é que não tinha nada a ver com culpa por causa da Ana e sim porque foi naquele momento que eu percebi que eu não tinha sido correspondida no meu amor, que o meu marido só tinha me beijado, me levado pra cama e me assumido como sua esposa porque era muito conveniente, porque eu já estava ali, porque eu já era mãe da Julia...

Eu me senti rejeitada de um jeito diferente do que senti antes por conta da Eva. Doeu mais, porque não foi aos poucos, me dando tempo para me acostumar. Foi tudo de uma vez e me pegou desprevenida.

Bom, depois disso eu sobrevivi, eu endureci e me recusei a continuar de coadjuvante nessa história que não era minha. Nesse romance que me fazia mal. Fui embora e me recusei a mostrar minha dor para ser de novo a pobre Manu, de quem todo mundo tinha pena.

Mas daí eu percebi que a minha dor, os meus sentimentos ainda estavam vivos quando você me falou que estava namorando com a Ana... Nunca vou esquecer o que vc me disse: "eu sei que vc está chateada porque não fizemos as coisas como vc queria"...

Meu Deus Rodrigo, eu nunca me senti tão diminuída, tão pisada!!

Percebi que o meu sofrimento não significou nada mesmo, que ele tinha sido reduzido à uma crise de uma menina mimada que não teve a vida fazendo as coisas da forma que ela queria.

Depois disso eu me esforcei para sentir só raiva... Uma raiva venenosa que me endureceu, que cobriu de gelo meu coração, que me fez incapaz de amar de novo só pra não ter que sentir a dor de ser pisada por alguém...

R: Manu... Perdão Manu... Eu nunca quis fazer isso, eu percebo hoje que eu realmente tirei de menos o que eu fiz com você porque eu queria que fosse menos do que era, eu...

M: Você ainda quer me ouvir?

R: quero...

M: Daí, do nada, a dor foi ficando menor, as lembranças foram ficando menos nítidas e a minha vida seguiu de verdade, o gelo foi derretendo e eu nem percebi. Eu comecei a viver para mim, percebi que tinha 25 anos e a nossa história que acabou foi apenas um capítulo, mas que eu tinha mais tinta dentro de mim e eu só ia preservar a Julia do que sobrou na terra arrasada que eu deixei para trás.

O que eu vivi em Florianópolis foi tão importante para mim, o meu retorno foi doloroso porque eu senti a dor da Julia, mas por conta do que eu vivi lá, eu consegui achar um espaço de volta aqui, mesmo que fosse procurando uma brecha numa vida que eu queria mesmo era poder deixar para trás. Se não fosse a Julia, acho que eu nunca teria voltado...

Teve também o Gabriel que veio pra minha vida com tanta luz que eu não tive muita defesa... O sorriso dele me fez sentir... Me fez sentir... Na verdade o sorriso, o olhar dele fez eu sentir...

Ele me olhava e eu abaixava a cabeça e sentia vergonha. Vergonha de ser notada... Nem você me notou daquele jeito... não foi o amor que eu tinha experimentado antes, mas foi o suficiente para perceber que eu ainda tinha um calor no meu coração que merecia existir, que não podia ser sufocado do jeito que eu tanto tentei quando eu me esforçava para superar você.

(Rodrigo baixa a cabeça e respira fundo...)

R: Você ainda está com o Gabriel? É isso? Voltaram e agora já era para mim?

M: Você não entendeu o que eu quis dizer Rodrigo.

Estou falando que eu me descobri um pouquinho mais sobre mim por conta do Gabriel. Ele foi mais um guia na minha trilha para retomar minha vida. Mas te respondendo, a gente terminou sim... Ele pôs um fim no nosso relacionamento no momento que percebeu, naquela euforia de ver a Julia se recuperando, que eu ainda estava conectada à minha vida de antes, quando achou que estar perto de você mexia comigo... Ele terminou comigo e eu tive que entender, ele merceia ser livre pra amar alguém melhor do que eu, alguém que oferecesse o tudo que ele merecia. (olhar vago e triste).

R: não tem ninguém melhor.

M: Rodrigo, me poupa tá bom?

R: É sério, maldita hora que eu não vi isso, que eu me deixei sufocar por uma fumaça de fogo de palha, que eu...

M: Agora você vai pedir desculpas do que sente? Porque eu acho isso...

R: Sentia. E não, não me desculpo pelos meus sentimentos, ou ainda a confusão deles, eu te peço perdão por ter te feito sofrer com as minhas incertezas, com o meu egoísmo, com....

M: como eu disse Rodrigo, você não precisa que eu te perdoe, já foi... a vida seguiu... mas se pra você isso realmente ainda importa, você merece saber que eu te perdoo sim, que já tinha te perdoado em algum momento que eu nem lembro quando foi.

R: Jura? Mesmo?

(Rodrigo levanta sorrindo, com lagrimas nos olhos e faz menção para tocar seu braço. Manuela se esquiva)

M: Não quero mais essa história me assombrando... Mas não me interpreta mal. Eu te perdoo pelas circunstancias que ocasionaram a nossa separação, mas o nosso relacionamento não muda!

Rodrigo... Eu posso te perdoar hoje, porque eu estou em outro momento, eu quero viver em paz, lidando com o que acontece para frente, sem o ressentimento que me acompanha desde o dia que perdi a fé no nosso relacionamento.

Acho que a doença da Julia me curou. Me deu perspectiva.

R: A doença da Julia me acordou. Me deu razão e me trouxe até aqui.

M: Então vamos só deixar a parte boa desse pesadelo... Podemos ficar bem por ela, não podemos?

Rodrigo com lágrimas nos olhos responde: Podemos.

Mas tem uma coisa que você falou que me deixou desestabilizado.

M: O que?

R: Você realmente tem dúvida do meu amor por você? Você acha que casei com você, que tivemos os anos maravilhosos que tivemos, sem te amar?

M: Rodrigo, vamos deixar pra lá...

R: Me responde por favor.

M: Estou sendo honesta com você. Eu disse o que sinto.

R: Isso é um absurdo Manu – Rodrigo fala com ar de total indignação, o que irrita Manu.

M: Aí é uma opinião sua. Tem muita coisa sua que eu também acho um absurdo.

R: Mas você entende o quanto me ofende? O quanto me machuca ao desqualificar o meu relacionamento com você? Não admito isso de ninguém, nem de você.

M: Rodrigo, não quero brigar e nem te ofender, estou te falando o que eu sinto, que é algo que tenho tanto controle quanto os teus sentimentos que nos trouxeram ao lugar que estamos agora, acho que você melhor do que ninguém, entende isso né?

Rodrigo sente a alfinetada e resolve recuar.

R: Pode não ser hoje, ou agora, mas um dia vou conseguir virar esse sentimento, vou conseguir te provar do meu amor, mesmo que você nunca mais me dê uma chance.

M: Vamos superar essa dor Rodrigo? Pela Julia, vamos ficar em paz?

R: Eu não quero te causar mais problemas. Vou acatar a tua sugestão, mas quero que entenda que esse assunto não morre aqui para mim...

M: Vive a tua vida Rodrigo, vamos tentar achar a felicidade de novo, vamos encerrar esse ciclo. Não se prende na nossa história...

Eles se olham, sem saber o que fazer.

R: Posso te dar um abraço?

M: Pode.

Eles se abraçam.

A porta abre... entra uma mulher de 20 e poucos anos de cabelo castanho e liso falando animada.

Jul: Manu, não aguentei e trouxe uma torta pra gente lanchar. Não acho justo você me colocar para cozinhar logo no primeiro dia.

Ops..., não sabia que tinha companhia.

Rodrigo se assunta e olha para Manuela que dá um sorriso e explica.

M: Rodrigo essa é Juliana, trabalhou comigo em Floripa, estou trazendo-a para a filial de Gramado, agora que mudei de vez a matriz para Porto Alegre e a Maria quer se aposentar..

Jul: Ahhh... Rodrigo... então você é o ex. Juliana fala estendo a mão para Rodrigo que a cumprimenta sem jeito.

Manu arregala os olhos e sinaliza para a amiga não puxar assunto.

R: ... É.. sou... prazer em conhecer você.

Bom, na verdade já estou de saída. Obrigado Manu, por me ouvir.

Rodrigo se despede das duas e sai da casa.

Juliana se volta para Manu depois que a porta fecha.

Jul: Esquece trabalho, vamos comer essa torta agora enquanto você me fala tudo que rolou aqui.

Manuela ri e se conforma em pegar os pratos, pois sabe que não vai escapar da solicitação.