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Bolacha de Chuva

Summary:

“Dias de chuva sempre são diferentes quando se é criança e está na escola. Um montinho de crianças na janela aqui, uma criança com medo do barulho dos trovões ali, crianças brincando de correr em volta da sala de aula pra lá e pra cá, uma criança comendo seu lanche no cantinho da sala… Tudo isso enquanto uma professora incomodada com a bagunça massageia suas têmporas e tenta não surtar perante ao caos infantil que um temporal pode trazer.
[...] Mei não costuma ter medo de tempestades, ela é uma menina grande muito corajosa! Ela só sente um pouquinhozinho de medo do barulhão que o mundo faz quando o tempo fecha.”

Ou;

Mei e MK viram amigos durante um dia chuvoso na escola.

Notes:

Olá! Essa é a primeira fanfic que eu termino de escrever. Geralmente eu apago elas quando eu não acho que elas estão perfeitas, mas eu gostei muito de como essa ficou, tanto que eu estou trabalhando em uma outra fanfic e estou bem animade com isso.
Espero que gostem.
Abraços,
Risu.

Work Text:


Dias de chuva sempre são diferentes quando se é criança e está na escola. Um montinho de crianças na janela aqui, uma criança com medo do barulho dos trovões ali, crianças brincando de correr em volta da sala de aula pra lá e pra cá, uma criança comendo seu lanche no cantinho da sala… Tudo isso enquanto uma professora incomodada com a bagunça massageia suas têmporas e tenta não surtar perante ao caos infantil que um temporal pode trazer. 

A sala do primeiro ano de uma das escolas de Megapolis não seria diferente. Na janela, quatro crianças de pouco mais de um metro de altura ficavam na ponta dos pés e observavam com atenção como o chuvisco se transformava em uma chuva mais firme, comentando como o vento começava a chacoalhar fortemente os galhos das árvores. Ninguém corria na sala, mas cinco alunos estavam brincando de montar uma cidade de legos nos tatames de EVA perto do baú de brinquedos — e sendo bem barulhentos em relação ao planejamento urbano. A criança comendo o lanche isolada é o menino novo da turma, e a criança com medo do barulho… 

Bem… Mei não costuma ter medo de tempestades, ela é uma menina grande muito corajosa! Ela só sente um pouquinhozinho de medo do barulhão que o mundo faz quando o tempo fecha. 

Em casa, quando a água começa a pingar do céu e o estrondo das nuvens se chocando é tão alto que machuca seus ouvidinhos, ela se enterra no abraço da mamãe até o tempo abrir. Mas, agora, nesse momento, ela não pode fazer isso. A mamãe está em casa, a quilômetros de distância da escola, muito longe dela. Muito longe para abraçar ela. 

O barulho da tempestade ficava mais alto a cada minuto que passava. As gotas de chuva ficaram mais espessas e batiam violentamente no telhado e nas janelas como balas em um tiroteio. Um raio caiu no para-raios do prédio do outro lado da rua, então um trovão rugiu como uma fera furiosa e, por último, um relâmpago iluminou o céu como se estivesse acendendo e apagando um interruptor de luz. As crianças que estavam brincando nos tatames correram para as janelas e se juntaram ao grupinho que estava monitorando a evolução da tempestade. Só duas crianças ficaram em suas mesas, o menino novo, que ainda comia seu lanche mesmo com o mundo acabando lá fora, e Mei, que abaixou sua cabeça e a cobriu com seus bracinhos, tentando abafar o som da rua. 

Um nó se formou na sua garganta, e Mei começou a chorar. Ela só queria a mamãe agora, ela só queria que a mamãe a abraçasse com força e dissesse que já já a tempestade passaria, que ela estava segura e que a mamãe a protegeria. Que a mamãe estivesse ali. 

Entre lágrimas e soluços, Mei se afundou em seus pensamentos e na sua necessidade de ter a mãe do seu lado. Ela ficou tão imersa no seu medo que não notou quando uma criança se aproximou da sua mesa, só saindo do seu “transe” quando a tal criança a tocou no braço. 

Mei levantou a cabeça e viu o menino novo. O super fã do Rei Macaco. O… Qual era o nome dele mesmo? Ele tinha falado o nome dele no primeiro dia, mas era um nome tão comprido… Bem, ele disse que preferia que chamassem ele de MK. 

— Por que você tá chorando? — Ele perguntou, tirando sua mão do braço de Mei e segurando seu pacote de bolachas recheadas com mais firmeza. — Você tá triste? 

— Não… — Mei respondeu baixinho, engolindo o choro. 

— Com medo? — MK perguntou outra vez, com a voz mais baixa, confuso. 

— Não! — Ela exclamou. 

— Então por que você tá chorando? 

— Eu não gosto do barulho da chuva! — Mei esbravejou e tapou os olhos com as mãos, voltando a chorar. 

MK ficou quieto por alguns segundos. Ele enfiou a mão dentro do seu pacote de bolachas, puxou uma com o rosto do Rei Macaco e colocou-a na mão de Mei. 

— Eu sei que a bolacha não vai resolver o barulho, mas meu pai Pigsy diz que é “mais melhor” estar triste de barriga cheia do que de barriga vazia… 

Mei encarou aquela bolacha por alguns segundos, analisando  o formato e a cor dela. 

— É de chocolate! — MK explicou, vendo que Mei examinava a bolacha que ele a dera sem piscar. 

— Esse é o Rei Macaco? — Ela finalmente disse algo, fungando e limpando o nariz com a manga do uniforme. 

— SIM! — O garotinho exclamou alegremente. — Você gosta das histórias dele? 

— Na verdade eu não conheço nenhuma história dele… — Mei respondeu, com um pouco de vergonha. 

— Aaah, que pena… — MK lamentou, meio desapontado, mas já iluminando o rosto com outro sorriso. — Você sabia que, uma vez, ele e os outros peregrinos passaram por um reino que escravizava monges budistas, e pra poderem passar pelo reino e salvar os monges, o Rei Macaco teve que ter sua cabeça cortada fora, os órgãos revirados por dentro e ser frito em óleo igual batata frita? 

Mei olhou para MK com os olhos arregalados, estupefata. 

— O QUE?! — Ela não acreditava no que tinha ouvido. Era tão absurdo que beirava o ridículo! 

— É verdade! — MK garantiu, jurando pelo coração. — Meu pai Tang lê essas histórias todo dia no trabalho dele, e ele me conta tudo sobre elas! Quer saber como é essa história? 

— Se eu quero? É lógico que sim! — Mei abriu um sorriso e aproximou sua mesa de MK, a fim de ouvir melhor a história. 

— Ok… Os peregrinos seguiam sua viagem, quando o Rei Macaco escutou gritos ao longe… — MK começou a contar a história, imitando o tom de voz e os trejeitos de seu pai. 

Ele puxou a cadeira da mesa a frente da de Mei e se sentou de frente para o seu encosto. Ele, também, aproveitou e colocou o seu pacote de bolachas entre os dois, e disse que Mei poderia pegar quantas bolachas quisesse. 

Mei sentou de joelhos na sua cadeira, prestando muita atenção na história, fazendo colocações ali e aqui sobre o que seu colega a contava, eventualmente pegando e comendo uma bolacha do pacote na mesa. 

A tempestade ainda estava acontecendo, os outros alunos ainda estavam na janela, e a professora parecia ainda mais cansada do que antes. Mas Mei não estava mais chorando, agora ela estava comendo bolachas de chocolate do Rei Macaco e escutando uma história irada. Ela não tinha a mamãe ali com ela, mas ela não estava mais com medo, porque, agora, ela estava se divertindo com seu novo amigo, MK, e o barulho do temporal não era nada comparado ao barulho das risadas das duas crianças. 

 

FIM