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Com a ponta dos dedos coçando, e alguns arranhões 'decorando' as palmas das mãos graças aos espinhos de algumas rosas, um longo suspiro saiu dos seus lábios ao finalmente terminar a coroa de flores que fazia há quase uma hora e meia.
Sorrindo com sua conquista, você se levantou da pedra que estava sentada e pulou; pousando no chão quase graciosamente, não demorando a andar de volta ao acampamento que os outros da tripulação haviam montado há algumas horas antes.
Faziam quase três dias que você e os outros estavam naquela ilha, e sabendo que, provavelmente, logo iriam sair da mesma, foi à procura de flores ao redor para fazer algo que havia visto em um livro — livro este que havia roubado, inclusive, mas não vinha ao caso agora.
Ao avistar um Chopper fugindo de Luffy e Usopp mais à frente, o seu sorriso aumentou significativamente, e você logo se pôs a correr para chegar mais rápido ao acampamento.
Queria ver a reação de seu namorado ao ver o presente que havia feito!
Tudo bem que com a personalidade de Zoro talvez ele se negasse a usar o montinho de flores em diversas cores vibrantes, mas você era praticamente treinada em burlar as vontades de Roronoa, e sempre conseguia o que queria do homem.
Não era questão de usar sua ladainha à seu favor, e sim ser mimada ao extremo.
Ok, talvez os dois.
Chegando no acampamento, um sorriso fechado, porém nem por isso menos genuíno, apareceu em seus lábios ao se deparar com alguns a saldando com sua volta.
Provavelmente as mais de três horas contribuíram para isso; você não deixando de pensar que as três horas foram somente para preparar a coroa de flores — que agora estava escondida atrás das suas costas.
Dando um alô simples aos seus companheiros de longa data, você logo tratou de ir atrás do espadachim, que provavelmente ainda estava tirando um cochilo em alguma árvore não muito longe do acampamento.
Você só esperava que ele não tivesse acordado desde a hora que saiu e que tivesse se perdido. Se não, você teria que ir atrás do esverdeado de novo e jurava que iria criar outra cicatriz no corpo dele se seu palpite estivesse correto.
Das duas últimas vezes que havia ido procurar o namorado, vocês quase acabaram sendo comidos por plantas carnívoras, lutando contra algumas crianças que por algum motivo eram extremamente fortes e rápidas. E até mesmo ficando procurando o navio para voltar por mais de dez horas.
Zoro não só se perdia, como também já foi capaz de fazê-la se perder junto dele, o que por si só já a deixava bastante irritada para variar.
Mas para a sorte dos dois (talvez mais dele do que sua), Roronoa não havia sequer se mexido desde a hora que você havia saído para procurar algumas plantas.
Sorrindo genuinamente ao observar seu namorado dormindo pacificamente, você se agachou na frente do corpo masculino alheio e observou a expressão serena que ele tinha presenciado no rosto.
Zoro parecia tão em paz, que você quase sentia dó de acordá-lo e fazer o que tinha em mente.
Quase.
Com um sorriso maldoso se espalhando pelos lábios, uma ideia surgiu em sua mente ao invés de somente colocar o pequeno montes de flores na cabeça do esverdeado enquanto o mesmo dormia.
O mais silenciosamente possível, você levantou e, sentando-se no colo alheio, apoiou as palmas das mãos no peitoral alheio, aproveitando para se aproximar do ouvido do homem e sussurrou:
— Psiu.
Você sentiu o peitoral alheio se mover enquanto a voz sonolenta de Zoro fazia-se presente:
— Já estou acordado, querida — murmurou baixo, provavelmente pelo sono e sabendo do quão perto você estava.
Soltando uma risada baixa, e afastando-se do ouvido o suficiente para ver a feição do esverdeado, seu sorriso aumentou ao vê-lo com o único olho bom minimamente aberto.
— Eu te acordei? — Zoro poderia notar seu sarcasmo à distância.
— Não, eu já estava acordado antes de você se aproximar.
Levantando uma sobrancelha, você questionou:
— E não saiu daqui? O que foi? Estava com medo de ser perder, e ficar sem a minha doce companhia?
Incrivelmente, ao contrário das outras vezes, o espadachim não retrucou sua provocação, e sim sorriu de canto; claramente divertindo-se ao vê-la tentar irritá-lo já tão cedo.
Você notou o olhar alheio com facilidade, mas preferiu somente apreciar o pequeno sorriso de canto que o esverdeado tinha nos lábios; os sorrisos de Zoro eram raros, e você amava cada um deles. Seja qual fosse, sempre ficava hipnotizada.
Notando sua apreciação em silêncio do rosto dele, Roronoa sentiu o rosto queimar, e com isso ele levou uma das mãos até seu queixo, puxando-a para um beijo rápido.
Fechando as pálpebras automaticamente com o simples roçar de lábios, você deixou-se levar; já que os beijos do espadachim lhe deixavam de pernas bambas.
Entretanto, suas mãos escorregaram até os fios esmeraldinos dele e logo o beijo se tornou longo; poderia ser só um encostar de lábios, mas já era o suficiente para que vocês dois se perdessem e se deixassem levar por alguns minutos.
Quando se separaram, você logo tratou de lembrar do que vinha fazer; afinal, não havia ficado quase três horas na floresta à toa.
— Eu fiz uma coisa pra você.
Com uma sobrancelha arqueada, Zoro perguntou:
— O quê?
— Antes, eu quero que você feche os olhos. É uma surpresa e eu demorei bastante tempo fazendo.
O esverdeado revirou os olhos.
— Eu vou ver de um jeito ou de outro.
— E daí? Você sabe como eu gosto de um suspense e surpresas.
Vendo que seu namorado ainda não havia cedido, completou:
— Vai me negar isso, amor? Achei que você me amasse...
Escutando um som de 'tsc', mas em seguida podendo ver o único olho bom do mais se fechando, um sorriso se espalhou pelos seus lábios.
Ele ficaria lindo com a coroa de flores, você tinha certeza disso!
Levantando-se do colo alheio, mas mandando-o permanecer com o olho fechado, você foi até onde a coroa estava e, pegando-a em mãos rapidamente, seu sorriso aumentou de tamanho.
Entretanto, ao se virar para colocá-la em cima do monte verde de seu namorado, mas vê-lo com o olho aberto e imediatamente olhando para a coroa de flores em suas mãos, suas bochechas esquentaram, e você berrou:
— Zoro! Seu trapaceiro!
Com o silêncio prevalecendo por uns segundos — que mais pareceram horas — a única coisa que o espadachim disse foi:
— Não vou usar isso.
Mais alguns segundos de puro silêncio se estenderam; desta vez por você estar quase em choque pelas palavras tão diretas de seu namorado.
— Que?! Como assim não vai usar? Por quê?!
— Isso é ridículo.
— Mas você vai ficar lindo! Além de fofo.
Virando o queixo para frente, e apoiando os braços atrás da cabeça para relaxar, Zoro falou diretamente mais um "não".
Com um bico se formando em seus lábios, você tentou pensar em algo para dizer, já que todas as suas desculpas haviam sumido de sua mente naquele momento.
Após um tempo, você decidiu ser sincera, mas com uma pitada de drama; afinal, o drama era quase um segundo nome para você.
— Amor, por favor! — Sua voz estava suave e triste de propósito, mas ainda não foi o suficiente para o espadachim abrir o único olho bom. — Eu fiquei quase três horas fazendo, sabia? Usar por uns treze minutos não vai te matar, ou vai?
Com o silêncio alheio, você sentiu que poderia desistir, entretanto, uma ideia surgiu até sua mente.
Abaixando o queixo, você murmurou, a voz parecendo transbordar desistência:
— Tudo bem...
Entretanto, logo completou:
— Eu vou ir ver se o Sanji usa, talvez ele-
Antes que pudesse terminar sua fala, sentiu uma mão masculina em um de seus pulsos, impedindo-a de se levantar indiretamente.
Um sorriso automaticamente formou-se em seus lábios, mas você segurou a vontade de mostrá-lo a Roronoa e, levantando o queixo, perguntou:
— Zoro? O que foi?
Vendo o pequeno impasse na cabeça do homem de cabelos verdes como grama molhada, você tentou ao máximo controlar a vontade de rir, ou sorrir aquele sorriso que transbordava divertimento.
Ele estava lutando internamente contra seu orgulho! Era bom demais pra ser verdade.
Se aproximando mais do corpo masculino alheio, você chegou perto o suficiente para que pudesse colocar uma mão no ombro alheio, e logo falou:
— Tudo bem se não quiser, o Sanji usando já está bom pra mim, sério.
Ouvindo um som de "tsc", um pequeno sorriso de canto escorregou em seus lábios, e Zoro não perdeu o mesmo.
— Está se divertindo, não é?
Deixando-o ver sua verdadeira face, você desistiu; Roronoa já te conhecia como a palma de sua mão, de qualquer forma.
— Pode apostar suas espadas que sim.
Após um tempo, um suspiro por parte do mais alto chegou até seus ouvidos e, ao vê-lo corar minimamente antes de vê-lo abaixar a cabeça, você sorriu abertamente com sua conquista.
Rapidamente, com o círculo de flores ainda em mãos, colocou a coroa em cima da cabeleira verde quase dramaticamente.
Quando Zoro levantou o queixo, e a visão dele corado, com a coroa de flores de diversas cores foi avistada, seu sorriso aumentou, e você exclamou alegre:
— Você está absurdamente lindo, amor! — o rubor nas bochechas dele aumentou, mas isso só o deixava ainda mais fofo na sua visão.
Rodeando os braços ao redor do torso de Roronoa, e apoiando a cabeça no peitoral dele, você murmurou agradecida:
— Obrigada por jogar seu orgulho de lado por mim, tá? Prometo que não vou mais fazer algo parecido essa semana. — Era mentira, mas não é como se ele não soubesse deste fato.
Suspirando, mas exalando uma aura tranquila, o espadachim sorriu e retribuiu seu abraço; e afundando o rosto em seu pescoço, inspirando seu perfume como muitas vezes havia feito, murmurou baixinho:
— De nada, querida.
No entanto, antes que vocês pudessem apreciar mais o momento em conjunto, ele foi quebrado com a chegada de alguns Mugiwaras.
— Zoro tá usando florzinha na cabeça! — aquelas simples palavras foram o suficiente para quebrar o clima, e rapidamente o esverdeado estava xingando a pessoa que havia dito.
Mas antes que ele pudesse fatiá-lo em pedacinhos, o mesmo correu, dizendo algo sobre contar para os outros e provavelmente zoar o espadachim pelo resto do ano.
