Work Text:
This is surely not what you thought it would be
I lose myself in a daydream…
Minho odiava tudo aquilo, se perguntassem a ele se ele preferia estar pendurado de cabeça para baixo em um desfiladeiro ou estar no meio do casamento do seu melhor amigo, ele provavelmente iria preferir a primeira opção.
Não o entenda mal, entretanto. Minho amava Chan, amava até demais para o seu próprio bem, a tortura psicológica estava toda ao redor da noiva: Regina Kang.
Olhando para trás, ninguém jamais poderia prever onde eles estavam agora, quer dizer… Ele acreditava que não, mas era bem previsível aos olhos de todos ao redor que o menino de ouro da família Bang iria acabar se apaixonando pela sua melhor amiga: a princesa dos Kang.
Quando eram apenas adolescentes no ensino médio, Chan e Minho estudavam na mesma sala apesar de Chan ser um ano mais velho. Sua família estava vindo da Austrália, ele precisou atrasar um ano, e então conheceu Minho.
Minho já conhecia Regina, que era um ano mais nova que ele, consequentemente dois anos mais nova que Chan. Ela era uma estrangeira também, mas vinda do Canadá, na época Minho simplesmente assumiu que seria perfeito apresentar os dois para facilitar a comunicação com Chan, ele só não fazia ideia que esses eventos o levariam aonde ele estava naquele momento.
Estavam no ensaio do casamento de Chan e Regina, o evento seria na praia, ao pôr do sol, os rumores eram que o vestido dela havia custado mais do que o carro de Minho — o que sinceramente não era muito difícil.
Minho deveria ser o padrinho junto com Changbin; um dos melhores amigos do casal, deveria estar parado ao lado de Chan, assim como o baixinho musculoso estava, mas tudo ao redor estava uma bagunça, parecia até um sinal do destino avisando que aquele evento não deveria acontecer.
No momento, Regina estava discutindo com a cerimonialista algo sobre o bolo (falso) estar no lugar errado, e também sobre a cor estar muito escura. Chan estava atrás dela — outra coisa que estava errada, pois ele deveria estar no altar — tentando acalmar o lobo raivoso que ela se mostrava ser quando estava com raiva.
Minho não estava interessado em nada daquilo para ser sincero, aceitou ser padrinho por causa de Chan. Se recusava a deixar o amigo sozinho com Regina, então ele não percebeu quando tudo se voltou para ele.
— Lee Minho, você deveria estar no X verde marcado no chão — a voz dela era suave, mas extremamente firme, como os espinhos em uma rosa.
— Desculpa, Nina. O ensaio vai continuar agora? — Minho perguntou com sarcasmo mascarado no mesmo tom dela, Regina fechou os olhos, sabia que ela estava evitando revirar os olhos para ele.
— O ensaio nunca parou, você deveria estar lugar indicado.
Chan se recusava a retrucar a sua noiva, Minho sabia muito bem que Chan a amou de fato um dia, mas agora só estava levando tudo aquilo com a barriga porque já tinha ido longe demais.
Minho levantou sem dizer nada, mas com um meio sorriso forçado no rosto, ele andou até o lado de Changbin e sorriu para o baixinho, que retribuiu e deu uma batidinha no seu ombro.
Chan também foi para o seu lugar, tinha um degrau para que ele ficasse mais alto que os outros dois, mas Minho segurou o ombro dele e Chan abaixou para ouvir o que o rapaz tinha a dizer.
— Eu aposto que isso não está saindo como você esperava — sussurrou na nuca do amigo, com os lábios quase colados na pele dele.
Chan sacudiu os ombros tentando afastar um arrepio que o sopro de Minho ameaçou fazer, ele riu baixinho e com a mão que não estava na vista de Regina, ele bateu fraquinho em Minho. Os dois entrelaçaram os dedos de uma forma discreta.
— Se ela ouvir você falando isso, ela vai te expulsar do casamento e eu não vou poder te resgatar.
Minho tinha certeza que Chan estava certo, mas não se importava, se Regina o retirasse da lista ela estaria fazendo um favor.
O ensaio continuou como deveria ser, os olhos de Minho se revezavam em olhar para Chan e para as mãos deles juntas. Admirava muito seu amigo por manter o bom humor mesmo em situações estressantes, talvez por isso ele e Regina davam certo como casal.
Ela entrou no corredor, estava com um vestido que nada lembrava uma noiva, mas era bonito. Sendo sincero, Regina era muito bonita, seu cabelo loiro cor de mel caía em cachos abertos nas suas costas, os olhos verdes predatórios procurando algum erro. Ela parecia a rainha do baile da escola andando em direção ao altar.
Por um segundo Minho se perdeu em seus pensamentos e imaginou que realmente estavam no dia do casamento dos dois. Enquanto o padre improvisado falava seu discurso, imaginou puxando a mão de Chan e correndo com ele para longe daquilo tudo.
Então como se estivesse o trazendo de volta para a realidade, Chan puxou a sua mão, a separando de Minho e segurando a de Regina.
I am not the kind of guy who should be rudely barging in on a white veil occasion...
Minho estava deitado na sua cama, não podia reclamar sobre conforto, as duas famílias; Kang e Bang eram grandes nomes no mercado imobiliário, os dois herdeiros haviam organizado um casamento bem caro, deram acomodações chiques para os 100 convidados na ilha de São Miguel em Portugal.
O quarto de Minho em Seul era bem bonito, sua família também não ficava para trás, mas a vista da sua janela era de tirar o fôlego, dava para ver o mar azul pela manhã.
Eles haviam escolhido se casar no meio do verão, então era perfeito para um casamento na praia. Minho se perguntava o quanto de dinheiro eles já haviam gastado até agora; provavelmente o suficiente para um solteiro viver confortável por pelo menos 10 anos.
Abriu seu celular e viu alguns stories de Regina, ela havia postado uma foto com Chan, e na tela eles pareciam o casal perfeito, Chan estava beijando o rosto da noiva que sorria com um óculos de sol cobrindo os olhos. Eles dois eram bonitos, jovens, mas Minho sabia a verdade.
Ele passou o story da noiva e respirou fundo, como se fosse algum tipo de manifestação; uma mensagem de Chan apareceu na barra de notificações.
chan:
oi, voc ta ocupado?
Minho sorriu um pouco, para ser bem sincero, Chan era o único rosto familiar ali, os amigos e familiares deles não eram as pessoas mais próximas de Minho, então a maior parte do tempo ele estava sozinho.
minho:
oi, não
vem aqui no meu quarto
chan:
to indo amor
Travou o celular e jogou em cima da cama para correr em direção ao banheiro, conferiu seu reflexo no espelho e concluiu que estava com uma aparência aceitável. Seu cabelo estava loiro com a raiz bem feita, havia retocado para o casamento, havia dormido bem na sua cama confortável nos últimos dois dias, então não tinha olheiras.
Minho passou um pouco de hidratante labial, por causa do clima seco do verão seus lábios estavam parecendo um deserto. Se arriscou até a passar um pouco de perfume nos pulsos.
Estava arrumando sua franja quando ouviu a campainha do quarto, andou tranquilamente até a porta e abriu, vendo seu melhor na sua forma preferida; estava usando moletom preto sem nenhum detalhe, o rosto lavado e o cabelo ainda úmido.
Chan sorriu e entrou sem precisar ser convidado, sentiu o cheiro forte do perfume dele o envolver quando o amigo passou. Minho não sabia explicar o porquê nos últimos dias parecia ainda mais afetado por Chan. Ele havia cortado o cabelo bem baixo, quase um corte militar, estava muito bonito. Regina insistiu que ele pintasse o cabelo de uma cor escura, e Chan a obedeceu, então a cor estava forte, contrastando com sua pele clara.
— Pedi jantar pra gente — Chan anunciou enquanto subia na cama de Minho e puxava o celular do bolso do moletom.
— Não ia jantar com sua mulher?
— Ela tá com o Changbin — Minho se deitou de volta na cama e encarou o amigo, tentando detectar alguma expressão diferente no seu rosto.
— Você tá feliz, Chan? Parece que está prestes a explodir a qualquer momento — o noivo soltou uma risada fraca e soltou o celular, virando para seu amigo.
— Eu não sei, acho que deveria estar mais empolgado para o meu casamento, mas tudo que eu consigo pensar é que só quero que isso acabe.
Chan não parecia tenso falando aquilo, ele não olhava diretamente para Minho, parecia que ele estava apenas contando como foi seu dia de trabalho, aquilo preocupava Minho porque era um pequeno indicativo que Chan estava se afastando da situação.
— Você não ama mais a Regina? — Minho perguntou ao mesmo tempo que estendia a mão para puxar Chan mais para perto.
O noivo entendeu e virou de costas, se oferecendo para ser a conchinha menor. Nessa hora o coração de Minho quase saiu pela boca, era algo comum para eles, mas sempre dava nervoso sentir Chan assim tão perto.
— Eu amo a Nina, não tenho dúvida disso, eu só acho que a gente não deveria casar agora. Ela tava num momento muito bom da carreira dela, assinando peças que estavam sendo usadas em premiações importantes, quando nossas famílias começaram a pressionar a gente sobre isso do casamento.
Minho não respondeu de imediato, ficou apenas acariciando o braço do amigo.
Regina era uma designer de moda, por conta da influência da família ela começou a ganhar certa relevância, não podia mentir que ela não era talentosa, Regina sabia usar as redes sociais ao favor dela, sempre um pouco à frente das tendências ela começou a fazer o nome dela.
Minho sabia que durante esse período Chan e Regina haviam começado um processo bem singelo e silencioso de afastamento. Chan passou a dormir com Minho todas as noites, passavam praticamente todo o tempo livre juntos, e Regina com Changbin.
Chan não falava abertamente sobre isso, mas quando ela apareceu na casa de Minho para buscar Bang Chan na sua SUV azul caríssima, sabia que algo ia acontecer.
Quando foram se despedir, Chan quase havia beijado Minho na boca, se lembrava claramente de estar observando Regina pela janela encostada no carro caro e brilhante quando Chan o abraçou por trás e beijou seu pescoço.
— Obrigado por ter me abrigado, pensei que ela ia me largar de vez — Chan falou, rindo.
Minho se lembrava de ter dado um tapa no braço dele, o que só o fez rir mais ainda. Chan puxou o amigo pela cintura e começou a beijar o pescoço de Minho sem parar.
Afastou a cabeça e o encarou, os dois se encararam por alguns bons segundos, Chan beijou a bochecha de Minho, bem no canto da sua boca pelo que pareceram minutos intermináveis, até que ouviram a buzina alta do carro dela e se separaram.
Chan não falou nada, ele simplesmente virou as costas e pegou a mochila, desceu as escadas e apareceu na calçada, Regina não o abraçou, não o beijou, simplesmente entrou no carro quando o viu e esperou que ele entrasse também.
Cerca de uma semana depois desse episódio, Chan contou para Minho que estava noivo, que iam casar no próximo verão.
Mas nada mudou, quando podia, Chan estava dormindo na casa de Minho, com menos frequência, mas ele ainda aparecia, com os beijos sugestivos. Era quase insuportável, mas Minho sentia certo prazer naqueles momentos com o amigo, até porque não era idiota, sabia que os sentimentos sobre ele haviam se transformado dentro de si, mas preferiu ficar quieto e aproveitar enquanto Regina não o consumia por completo.
— Eu te apoio em tudo, sabe disso, não sabe? — Minho finalmente falou e ouviu Chan respirar fundo — Se quiser fugir comigo, eu pego um barco qualquer e a gente volta pro continente, vivemos na Europa pra sempre, eu sei falar espanhol.
Chan riu da sugestão do amigo e se aproximou ainda mais do corpo de Minho.
— É uma ótima ideia, não vou mentir.
— Chan, sei que ama a Nina, vocês são perfeitos um para o outro, mas não deveria casar se acha que não vai ser feliz com ela.
Chan não teve a chance de responder pois a campainha tocou; o jantar havia chegado. Chan se afastou e foi atender a porta, ele voltou com um carrinho cheio de comida.
— Eu ia pedir um vinho, mas não sabia se podia escolher lá na adega — ouviu Chan falando com o rapaz na porta.
— Posso trazer o que o senhor preferir, mas o senhor também pode retirar o que o senhor desejar na adega.
— Tudo bem, vou dar uma olhada depois, obrigado.
— Posso ir lá — Minho falou quando ouviu a porta se fechar e viu Chan aparecendo novamente.
— Ia ser perfeito, você sabe sempre qual o melhor vinho.
— O que você pediu? — o noivo abriu os pratos para mostrar a Minho, havia pedido salmão para o prato principal, Chan o conhecia tão bem — Já sei qual posso pegar, já volto.
Minho saiu do quarto e foi em direção à adega, os noivos haviam feito uma tour para seus convidados no primeiro dia que chegaram. Ele se identificou com o rapaz da recepção que sorriu e o deixou passar.
Correu em direção aos vinhos brancos e escolheu um de 2021, era uma boa safra, não tao cara para uma ocasião muito especial, mas também não era qualquer coisa.
Bipou o código de barras com o rapaz e saiu com seu Général De La Revolution Cuvée na mão. Ia passando pela sala de jogos para voltar ao quarto quando ouviu o nome de Chan na voz de Regina. Sua sorte foi que um dos funcionários do hotel passou bem ao seu lado e ela estava concentrada nas cartas da sua mão.
— Às vezes parece que a cabeça do Chan não está nesse casamento, por isso te digo que quero desistir de tudo.
Minho se esgueirou para trás da coluna ao invés de simplesmente seguir seu caminho de volta para o quarto.
— Para de besteira, Regina. Olha onde vocês chegaram, ele te ama — quem respondeu foi a voz de um homem, era Changbin, provavelmente estava jogando com ela.
— Changbin, você sabe que tudo isso não é nada mérito dele, eu tive que literalmente arrastar ele de volta pra casa porque ele tava querendo se mudar pra casa do Minho — nenhum dos dois falou por um tempo, seu coração estava disparado.
Minho ouviu barulho das fichas das apostas sendo empilhadas, ouviu o som de um gole e um cigarro sendo tragado.
— Você tem uma cisma com o Minho, deveria relaxar. É o seu casamento, você está numa ilha paradisíaca com o cara que você ama, aproveita isso cara.
— Quem disse que eu amo ele? — houve outro silêncio, mas esse foi mais curto, a risada dela irrompeu poucos segundos depois e a dele logo se juntou a dela.
— Voce é uma idiota, e ganhou de novo — o barulho das fichas caindo na mesa pode ser ouvido, Regina soltou uma risadinha.
— Eu sempre ganho.
Minho decidiu parar de ouvir depois disso, engoliu seco e tentou esvaziar sua cabeça para que nada do que ouviu acabasse escapando para Chan.
She floats down the aisle like a pageant queen.
— Minho, onde você tá? — A voz de Chan estava um pouco alterada, Minho imaginava que ele estava um pouco bêbado.
— Estou no meu quarto, por quê?
— Você não vai vir pra festa? Pedi pra colocarem caipirinha no cardápio do bar porque você gosta.
Minho sorriu sozinho, queria conter a emoção dentro do seu peito, mas era impossível. Ele não estava planejando ir para a tal festa, era um coquetel latino, apenas bebidas e música oriundas da América Latina porque foi onde os dois começaram a namorar.
— Eu já estou indo, vou só me trocar.
— Tudo bem, vida. Te espero aqui.
Desligou o telefone e largou o aparelho em cima da mesa do quarto. Ele correu para o banheiro, tomou um banho rápido, hidratou o corpo e passou um perfume bem extravagante, se não pudesse roubar a atenção da noiva no dia do casamento, tentaria roubar hoje pelo menos.
Vestiu apenas uma cueca e um conjunto de linho simples e amassou um pouco o cabelo loiro, ainda passou um pouco de maquiagem. Minho estava correndo contra o tempo naquilo, qualquer oportunidade que tivesse para roubar Chan de volta para si precisava ser agarrada com unhas e dentes.
Calçou apenas um chinelo simples, pegou seu celular e finalmente saiu do quarto. Sabia onde era a festa porque havia recebido o convite, então apenas deu passos confiantes em direção ao salão de festas externo do hotel.
O lugar estava lindo, não podia negar que Regina tinha bom gosto. Os coqueiros estavam decorados com luzes amarelas, que deixavam a iluminação baixa, tinha alguns bancos espalhados, mas a maioria das pessoas estava dançando na areia.
Tocava uma playlist de reggaeton latino, que Minho pessoalmente acreditava que deixava o clima ainda mais quente, como se realmente estivessem em uma noite de verão da América Latina. O garçom passou por Minho com alguns drinks na mão, ele pegou o que parecia ser uma caipirinha como Chan havia falado, e então seus olhos começaram a procurar por Regina, onde ela estivesse, Chan estaria.
Não foi difícil achar a noiva, entretanto. Regina estava no meio do salão com um vestido floral verde claro com branco que tinha o caimento perfeito no seu corpo, marcando sua cintura e parecendo que havia sido costurado sob medida.
Nina estava dançando comportadamente com Chan, ele a girava e o vestido fazia uma harmonia com os movimentos.
Por um segundo Minho pensou que não tinha como competir com ela, Regina chamava atenção como se fosse um imã, seu campo magnético arrastava as pessoas para ela.
Porém o que fez Minho mudar de opinião foi o olhar que Chan lhe direcionou quando o viu parado com seu drink na mão. Os olhos escuros brilharam de uma forma inocente, ele a puxou pela cintura e sussurrou algo em seu ouvido. Regina ergueu os olhos e olhou na direção do recém chegado, balançou a cabeça e eles se soltaram. Chan correu em sua direção sorrindo e Minho abriu os braços, abraçando o noivo.
Regina provavelmente estava com raiva de Minho, mas o rapaz de cabelos loiros sequer se importou com isso, o olhar dela era marcante, mas não o suficiente para que esquecesse de Chan.
— Oi, você veio — Chan falou no ouvido de Minho, mas logo se desvinculou do amigo — Já está bebendo? Quer mais alguma coisa?
— Estou, Chan, relaxa — Minho sorriu e bateu no ombro do amigo.
— Vem, quer sentar? — assentiu e sentiu a mão firme de Chan segurando a sua e o guiando em direção à mesa dos noivos.
Regina não estava sentada, mas a cadeira dela estava com a bolsa dela e um casaco pendurado no apoio, Changbin estava sentado ao lado da cadeira vazia, ele estava com um cigarro entre os dedos, Minho sabia que Chan odiava cigarros, mas seu amigo parecia bêbado o suficiente para não se importar.
— Por que está aqui sozinho, Changbin? — Minho perguntou e ele acenou com a cabeça.
— Não estou muito no clima para dançar, preciso estar sóbrio amanhã também — ele disse soltando um pouco da fumaça pelas narinas, era extremamente sexy, Minho entendia um pouco porque Regina gostava tanto dele.
— Dá pra acreditar que vai ser amanhã? Vamos nos casar — Chan falou e soltou uma risadinha fraca.
— Estou feliz por você, cara, pensei que ia enrolar a Regina pra sempre — Minho estava apenas acompanhando a conversa com os olhos.
— E eu pensei que ela não queria casar comigo.
— Para com isso, Chan, ela é louca por você, só tem um jeito peculiar de demonstrar sentimentos.
— Eu sei, eu sei — Chan passou a mão na nuca e deu um último gole na bebida.
— Oi Minho — a voz de Regina se fez presente na mesa, Minho virou os olhos e a viu, os cabelos claros caindo pelos ombros perfeitamente, as mãos dela nos braços fortes de Changbin.
— Oi Nina, está ansiosa?
— Sim, o normal, mas me preparei muito para esse dia — ela sorriu confiante e jogou os cabelos para trás.
— Não tenho dúvida disso.
— Amor, você vai voltar para a pista de dança?
— Estou um pouco tonto, meu bem, se importa se eu disser não? — Chan falou com todo cuidado do mundo, Minho observou uma rápida mudança de expressão no rosto dela, mas era quase imperceptível.
— Imagina, o Changbin pode me acompanhar, não é, dama de honra? — ela bateu nos braços dele, apertando seus músculos em seguida.
Changbin sorriu, ele se levantou em um piscar de olhos, ele deu de ombros como se não estivesse muito interessado na proposta, mas pela sua expressão corporal geral, era claro que estava empolgado.
— Com todo prazer, princesa — eles sumiram depois que ele falou isso, Minho franziu o cenho.
— Não era ele que não estava afim de dançar hoje? — Minho perguntou para Chan que soltou uma risada.
— Você não sabe que o Changbin faria qualquer coisa pela Nina? Até ser a porra de uma dama de honra no casamento dela?
— Você está com ciúmes — Minho levantou uma sobrancelha e Chan negou com a cabeça.
— Eu deveria fazer isso, é mais inveja do sentimento.
— E por que você não faz?
— Você sabe porquê.
— Porque você não a ama como ele — falou despretensiosamente, Chan respirou fundo.
Ele virou a cabeça para ver o casal de amigos, a noiva e o padrinho, dançando juntos enquanto sorriam um para o outro, Minho suspeitava que Changbin gostava dela, mas talvez Regina não soubesse.
— Eu a amo, só não sei se é o suficiente.
Chan ficou em silêncio por um segundo, observando os dois dançando, Minho sabia que Chan odiava pensar nessas coisas, odiava a responsabilidade do relacionamento dele com Regina, porque o noivado deles era muito mais sobre isso.
Em algum momento eles se amaram, ele sabia disso, esteve em todos os momentos deles, Regina havia o contado como foi o primeiro beijo, Chan havia lhe pedido conselhos sobre como deveria pedi-la em namoro, estava na festa de noivado, e estaria no altar do casamento deles, mas sabia que algo havia mudado na dinâmica do casal naquele período que Chan passou na sua casa.
O jeito que eles olhavam um para o outro havia mudado, como falavam um com o outro, como se portavam em público. Regina segurava o noivado como se sua vida dependesse disso, podava Chan, até porque como o casal queridinho das notícias, eles precisavam ter uma imagem pública perfeita.
— Chan, não diga sim, — Minho falou depois de um período em silêncio, sua mão buscou a de Chan e segurou seus dedos — Foge comigo, eu te compro umas passagens de barco, a gente volta pra Portugal e vai viajar na Europa enquanto tudo se acalma.
— Você é doido, Minho — Chan segurou firme a mão do amigo e soltou uma risada sem muito esforço — Tudo que eu queria era sair por aí com você como se não tivesse nenhuma preocupação, mas a Regina arrancaria a minha cabeça e a sua se fizéssemos isso.
— Você acha mesmo?
— Ela se esforçou muito para fazer tudo isso, ela pensou em cada detalhe. Não é justo com ela simplesmente abrir mão de tudo assim tão fácil.
— Não é justo com você abrir mão da sua felicidade por causa de um casamento de aparências, Chan — sentiu seu peito começar a apertar, tinha raiva que Chan às vezes se acomodava num lugar desconfortável apenas para agradar os outros — Você sabe que eu te amo, mais do que tudo, e faria de tudo para que você fosse feliz.
— Eu sei, eu também te amo, mais que tudo Min — Chan segurou a mão dele e o olhou nos olhos — Mas você sabe que não posso jogar tudo para o ar assim, olha pro tanto que meus pais e os pais da Nina gastaram nisso tudo, eu não posso desistir agora.
— Entendi — Minho se levantou, soltando a mão de Chan e respirando fundo para não deixar que as lágrimas tomassem conta de si — Eu te apoio em qualquer coisa que você decidir, sempre te apoiei e sempre vou. Se quiser ajuda, sabe onde me achar, se não, te vejo amanhã no altar.
— Minho… — Chan tentou chamar quando ele virou de costas, mas não queria ouvir nada.
Sabia desde o começo que Chan não desistiria daquela mentira que ele vivia. Era muito mais confortável viver o conto de fadas falso que os seus pais planejaram para sua vida do que tomar as próprias decisões. Ele entendia o lado do seu amigo, entendia mesmo, mas não quer dizer que se conformava.
Minho saiu do espaço da festa tão rápido quanto havia chegado, seus olhos estavam marejados, ele não conseguiu distinguir nada no seu campo de visão. Andou até seu quarto de forma automática e assim que abriu a porta, se jogou na sua cama, afundou o rosto no travesseiro e chorou.
Chorou de raiva de Chan, que era rendido demais à sua noiva e não enxergava o tanto que Minho o amava. Chorou com raiva de Regina, por ela ser insuperável, nenhum esforço que Minho fizesse superaria a princesinha perfeita, com seus olhos claros e cabelos brilhantes. E claro, com raiva de si mesmo por querer tanto alguém que nunca foi seu.
Ele chorou até cansar, até que seus olhos estivessem ardendo, que seu nariz estivesse seco, e que não aguentasse mais respirar. Seu travesseiro ficou encharcado com suas lágrimas. Levantou e tirou a sua roupa, tinha que tirar aquela ideia de que um dia Chan ia acordar para a realidade da sua cabeça se não continuaria sofrendo atoa.
Foi para o chuveiro e tomou um banho demorado, queria que a água levasse embora toda sua tristeza. Fez um skin care longo enquanto esperava o jantar, escovou os dentes e colocou um pijama confortável, decidiu que se colocaria em primeiro lugar a partir daquela noite.
Don’t say yes, run away now! I’ll meet you’re out of the church at the back door.
Na manhã seguinte, Minho era outra pessoa. Não estava feliz pelo casamento, mas havia começado a aceitar que as coisas seriam dessa forma.
Ele foi maquiado pela equipe que Regina havia contratado, vestiu sua roupa de padrinho, um smoking bonito com uma rosa branca no bolso. Changbin estava se arrumando no mesmo lugar que ele, reparou que o baixinho não saia do celular, provavelmente trocando informações com Regina.
Tudo correu como deveria, todos os envolvidos se arrumaram pela manhã. Regina estava na sua suite de noiva tendo seu dia de princesa, e Chan ainda não havia dado sinal de vida. A cerimonialista os levou para o lugar perto de onde ficariam até a cerimônia começar.
— Você está bem, Minho? — Changbin perguntou quando eles estavam sozinhos e virou a cabeça para encarar o outro padrinho.
— Claro, estou ótimo.
— Parece meio distraído.
— Eu acho que bebi demais ontem — soltou uma risada, viu Changbin franzir a sobrancelha.
— Você não ficou nem cinco minutos lá, quando voltei pra mesa seu drink ainda estava inteiro.
— Pensei que sua atenção estava focada na noiva, Seo.
A resposta ácida de Minho foi o suficiente para matar o assunto; Changbin respirou fundo, claramente incomodado que sua única companhia era Lee Minho, mas o padrinho do noivo não poderia se importar menos.
Depois de alguns minutos num silêncio fúnebre, a cerimonialista chegou com duas madrinhas, amigas de Regina, elas iam entrar com os padrinhos, então se posicionaram ao lado de cada um deles.
Tudo estava nos conformes, a cerimônia deveria começar ao pôr do sol, mas quando Minho checou seu relógio, percebeu que já deveriam ter começado a se posicionar. Notou uma movimentação incomum das cerimonialistas que estavam parecendo baratas tontas correndo de um lado para o outro, falando no rádio loucamente.
Como se fosse combinado, o celular de Changbin começou a tocar, ele franziu o cenho ao ler o nome na tela e saiu apressado para atender.
Algo estava acontecendo, Minho puxou seu celular do bolso apenas para se deparar com uma chuva de mensagens de Chan na sua tela.
Chan:
Minho
Pelo amor de Deus
Vem aqui no quarto do noivo
Eu to passando mal
Serio mesmo
Preciso de você
As mensagens haviam sido enviadas havia poucos segundos, então Minho se levantou apressado e correu até o quarto do noivo que Chan estava, havia indicado onde era nas mensagens e em menos de três minutos estava na porta batendo loucamente até ver Chan do lado de dentro com um olhar assustado.
O noivo o puxou para o lado de dentro rapidamente e o abraçou, os braços fortes dele ao redor do corpo de Minho, o segurando com força como se ele fosse fugir.
— Não posso fazer isso, eu não consigo. Pensei no que me disse ontem — Minho queria sorrir, mas se controlou, mesmo que Chan não pudesse ver seu rosto.
— Como assim, Chan? O que você quer dizer?
O noivo se afastou do amigo e segurou os braços de Minho, o olhar dele estava cheio de confusão, perdido, mas ele subiu suas mãos para a nuca do seu padrinho, Chan o puxou com firmeza e colou seus lábios nos dele.
Por um segundo Minho sentiu todo seu corpo formigando, parecia que estava sonhando. Ele lembrou de raciocinar quando sentiu suas mãos levantando para segurar cintura de Chan, parecia entorpecido, tudo o que sempre quis estava se tornando realidade naquele momento, sentia seu estômago embrulhando numa emoção estranhamente boa.
— Eu amo você, Minho. Eu queria ficar com você desde aquela época que você me abrigou na sua casa, me apaixonei por você, queria acordar do seu lado todos os dias, ver você preparando a comida dos seus gatos, sair para fazer compras com você — ele disse, uma lágrima escorreu pela sua bochecha — Eu fui covarde em concordar em voltar com a Nina quando ela foi me buscar, pensei que ela tinha desistido de mim, mas depois daqueles dias, nunca parei de pensar em você desse jeito. Parecia tão errado, você sempre foi meu melhor amigo, achei que nunca tinha pensado em mim desse jeito até ontem.
— Sempre fui completamente apaixonado por você, seu idiota — Minho disse soltando uma risada meio boba, não conseguia parar de sorrir — Só era muito bom em esconder meus sentimentos, não queria magoar você ou a Nina, mas desde que anunciaram o noivado eu senti que estava correndo contra o relógio.
— Eu sou seu — Chan o abraçou de novo, afundando o rosto no seu pescoço, deixando beijos exagerados, Minho soltou uma risada.
Parecia irreal, Chan havia realmente confessado, tudo o que fez para mudar o pensamento dele não havia sido em vão. Mas agora tinham uma bomba relógio nas mãos: o casamento.
— Você bem que poderia ter falado isso antes de deixar seus pais pagarem tudo isso, né? — Chan deu uma risada nervosa, e segurou o rosto de Minho.
— Eu já falei com a Regina, só preciso pegar minhas coisas. Você tem um plano de fuga?
— Claro que sim, já vou pegar as chaves do iate — Minho não conseguia parar de sorrir.
— Então te espero lá no porto quando tirar esse terno.
Minho assentiu e Chan o beijou de novo, eles ficaram naquele selar por alguns minutos, não queriam se separar, mas precisavam. O noivo se afastou um pouco e sorriu para Minho.
— Eu amo você.
— Também amo você, te encontro daqui a pouco.
Minho se afastou dele aos poucos, depois que saiu do quarto do noivo sentiu ar nos pulmões após respirar fundo, sabia que uma bomba estava por vir, eram as consequências dos seus atos. Regina poderia estar aceitando muito a contra gosto agora, mas a conhecendo como Minho a conhecia ela ia contra-atacar.
Estava estragando um casamento milionário, estava colocando o nome dos dois em evidência para a mídia, mas isso pouco importava no momento. Minho estava sentindo o peito explodindo de felicidade, finalmente ele tinha o que queria, poderia ficar com Chan sem nenhuma restrição daqui para frente.
