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Better Than Revenge

Summary:

Quando Chan e Minho arruinaram seu casamento, Regina acreditou que tudo o que precisava era se vingar dos dois. Ela elaborou seu plano com precisão: usaria Seo Changbin para atingir ambos de uma só vez. O que Regina não esperava era encontrar algo no caminho que valeria muito mais do que a satisfação de se vingar do ex noivo e ex amigo.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

I never saw it coming, wouldn't have suspected it

 

Regina nunca suspeitaria que Minho era a causa dos seus problemas com Chan, ela sabia que eles eram melhores amigos, mas nunca poderia imaginar que os dois alimentavam um amor secreto pelas suas costas.

Ela estava na janela do quarto da noiva, o lugar mais alto do hotel, podia ver Chan e Minho se beijando do lado de fora do carro dele, nenhum dos dois estava com a roupa do casamento, estavam com bermudas simples e camisetas de botão, como se estivessem prontos para curtir as férias de verão deles.

Ouviu passos, ouviu a porta sendo aberta e fechada em seguida, pelo cheiro fresco e cítrico podia dizer que era Changbin, não precisou virar a cabeça para descobrir isso.

— Oi, você tá bem? — ele perguntou e ela teve que respirar fundo para não explodir de raiva.

— Não estou, eu não esperava que isso fosse acontecer comigo, justo hoje — ela queria enfiar as unhas no seu vestido e rasgar, mas isso era um crime, era uma peça única e sob medida.

— Se serve de consolo, eu casaria com você agora se me pedisse — aquilo arrancou uma risada inconsciente dela, Changbin estava ao seu lado, ainda estava com o terno preto, estava lindo, como ela imaginou.

Regina sorriu para o amigo e colocou a mão no ombro dele, estava se segurando para não chorar, para não surtar de raiva e acabar com tudo ali.

— Amor, fez o que eu pedi?

— Eu avisei que não ia mais acontecer o casamento, que todos podiam aproveitar a festa, não expliquei nada pra ninguém, escondi seu celular em um lugar seguro.

Ele falou compassadamente e se arrumou ao lado dela, Changbin colocou a mão na cintura de Regina e fez um carinho por cima da renda. As mãos dele eram quentes, ela quase o puxou para um abraço.

— Obrigada — a voz dela saiu embriagada, os olhos se voltaram para Chan e Minho, os dois estavam terminando de colocar as malas no carro, seu ex noivo entrou no banco do passageiro e Minho no do motorista.

— Não estou te culpando, mas não entendo porque o deixou ir.

— Ele não era mais meu há algum tempo — ela sabia disso, mas pensou que teria solução — Eu queria acreditar que as coisas iam voltar a ser como eram antes, mas ele já era do Minho, eu só não sabia disso ainda. Hoje ele confirmou isso pra mim.

Changbin puxou o corpo dela para perto do seu e ela encostou a testa no ombro dele, finalmente sentindo a vontade de chorar a consumindo. Sentiu as lágrimas inundando os olhos, o nariz arder e toda a onda de ressentimento tomar conta de si.

— Ele não merece nem que você chore por ele, Nina — ele falou enquanto passava as mãos suavemente pelas costas dela.

— Não sei por que isso dói tanto — soltou um soluço por tentar prender o choro, sentiu as mãos de Changbin acariciando seu cabelo.

— Você o amava, é normal ficar chateada — Regina passou os braços ao redor da cintura dele e deixou que as lágrimas saíssem livremente. 

Não amava Chan, sabia que o que estava sentindo não era sobre ele — era raiva: ela sentia sua raiva queimando sua garganta. 

Queria gritar de ódio do mais novo casal, mas tudo o que conseguia fazer era chorar. Estava chateada com Chan, ele tinha tomado sua decisão tarde demais, a deixando em uma situação vexatória. Estava com raiva de Minho por ele ter tomado seu noivo como se ela não se importasse, como se as coisas que ela sentisse não fossem relevantes.

Changbin a abraçou por um tempo, se mantendo ali ao lado dela, segurando seu cabelo, passando a mão gentilmente nas suas costas.

— Vou me vingar deles — ela disse entre dentes, com o rosto ainda afundado no ombro dele.

— Nina… — Changbin chamou seu nome de forma complacente — Eu vou te apoiar em qualquer decisão que você tomar, sabe disso, mas realmente acho que você deveria deixar isso pra lá e seguir sua vida.

— Ele tem que saber que as coisas que ele faz tem consequências — ela se afastou do amigo, sua maquiagem estava intacta mesmo com as lágrimas escorrendo.

Changbin não respondeu, ele apenas limpou as lágrimas do rosto dela e respirou fundo. Ela o encarou por um momento, se ele quisesse, ela se casaria com ele naquele momento, pensou por um segundo, ele sempre havia sido o homem perfeito para ela, apesar de ser apenas seu melhor amigo, Changbin era muito mais presente que seu noivo. Piscou os olhos e voltou a consciência, não podia confundir seus sentimentos agora. 

— O que vai fazer? Quer ir embora agora? Posso adiantar nossas passagens para hoje a noite — ele perguntou, ainda segurando seu rosto com as duas mãos.

— Não sei pra onde vou, não quero ir para minha casa porque ainda tem tudo dele.

— Pode ficar na minha casa enquanto tudo passa, eu posso pegar algumas roupas pra você quando chegarmos na Coreia.

Regina não respondeu, mas pensou que quem deveria se esforçar tanto por ela não era seu melhor amigo, mas sim Bang Chan. Ele era o homem que deveria se certificar se ela estava feliz, estava grata que Changbin estava ali por ela de toda forma, se não fosse por ele provavelmente já teria surtado.

Assentiu devagar e colocou a mão no ombro do seu amigo, ouviram uma batida na porta, antes que qualquer um deles respondessem, a porta se abriu, era uma das madrinhas de Regina. 

— Tô atrapalhando alguma coisa? — Homura perguntou e Regina suspirou pesado, cruzando os braços em seguida.

— Não foi exatamente você que atrapalhou alguma coisa, né?

— Nina, não tenho culpa se seu ex melhor amigo roubou seu marido, então não vem descontar em mim, não. Tá bom? — Homura entrou no quarto e cumprimentou Changbin em silêncio com um aceno de cabeça.

— Eu vou fazer picadinho daquele filho da puta — Regina falou entredentes colocando as mãos na frente dos olhos.

— Qual dos dois? Espero que o Chan primeiro, nunca fui com a cara daquele playboy .

— Homura, você não tá ajudando — Changbin soltou um olhar de repreensão para ela, a madrinha deu de ombros.

— Eu não quero ajudar não, eu quero que o circo pegue fogo, tá todo mundo lá embaixo fingindo que tá tudo bem, mas todo mundo quer saber de você — Homura apontou para Regina.

— Eu não vou descer lá, eu não quero encarar esse tanto de gente e falar que meu noivo saiu correndo por causa de um cara.

— Ele podia ter te trocado por outra mulher, seria pior eu acho — Homura deu de ombros e Changbin a encarou com seu olhar afiado de novo.

— Eu sei. Que se foda. Eu vou me trocar e vou ficar no meu quarto, se alguém perguntar de mim, fala que eu me matei. 

— Nina… — Changbin chamou e ela respirou fundo.

— O que eu falo pro seu irmão? Ele me mandou vir aqui — a madrinha cruzou os braços e Regina negou com a cabeça.

— Não fala nada, não. Eu vou falar com ele mais tarde. 

Homura assentiu e se virou, Regina olhou para Changbin quando ela saiu do quarto.

— Me ajuda a tirar esse vestido, por favor — Changbin assentiu e estendeu as mãos para começar a ajudá-la a tirar todas aquelas coisas.

Regina sentiu as mãos de Changbin delicadamente tocando suas costas e tirando os botões que seguravam o seu vestido no seu corpo. Ela estava vestindo uma lingerie por baixo, então não se preocupou que ele visse seu corpo nu, e mesmo se não estivesse, Changbin era seu melhor amigo.

Tirou o vestido e colocou seu hobby, Changbin arrumou para que o vestido voltasse para o cabide sem danos, ela procurou uma roupa para vestir e colocou uma calça de moletom e um top para substituir o hobby. 

— Você pode ficar comigo aqui? — ela perguntou virando para o amigo, Changbin olhou para ela e sorriu, assentindo com a cabeça. 

— Qualquer coisa que você pedir, meu amor — ele disse tirando o blazer que ele estava vestindo. 

Às vezes Regina se pegava pensando que deveria ter encontrado Changbin mais cedo, talvez se tivesse se apaixonado por ele antes de conhecer Chan, não estivesse passando por tudo isso.

 


 

He had to know the pain was beating on me like a drum, he underestimate just who he was stealing from



— Você realmente vai fingir que nada aconteceu? — Olivia estava perguntando, Homura estava encarando a cena de braços cruzados.

Regina foi buscar um café na copa e quando se virou para sair viu as duas amigas e ex madrinhas a encurralando para que ela não saísse. 

— Como assim, Oli? Não aconteceu nada, — ela tentou sair, mas as duas a pressionaram ainda mais. — Se vocês não saírem da minha frente eu demito as duas do editorial da semana que vem.

Nenhum movimento, Homura continuou de braço cruzados e Olivia a encarou com seus olhos gigantes procurando por respostas.

— Regina, não vamos sair daqui, eu sei que contou algo pra Homura, mas precisamos saber o que está acontecendo com você, você tá bem?

— Eu estou bem, só estou pensando em umas coisas, Oli, satisfeita? Meu noivo fugiu com meu melhor amigo.

— Pensei que seu melhor amigo fosse o Changbin — Homura perguntou finalmente descruzando os braços. 

— O Minho também era meu melhor amigo, ok?

— Sinto muito que tenha que passar por isso, Nina. Deve ter sido péssimo — Olivia colocou as mãos sobre os ombros de Regina e ela sorriu para a amiga.

— Não se preocupa, eu vou fazer ele provar do próprio veneno — balançou o café e deu um gole, as suas duas funcionárias e amigas pararam de andar.

— Como assim? — foi Homura quem perguntou e ela deu de ombros.

— Não sei, mas se eles dois pensam que vão sair dessa impunes, eles estão muito enganados — Regina bufou de raiva só de pensar no quanto estava puta com o novo casal.

— Você é o diabo — Homura falou e passou a mão no cabelo — Bem, eu consegui entregar o que pediu antes do almoço, quer ir naquele restaurante com a gente? 

— Não posso hoje, vou sair com o Changbin, mas obrigada, Mura! — ela sorriu para sua amiga e andou em direção a sua sala.

Regina sentou na sua cadeira e viu sua tela lotada de notícias que ela havia clicado, fotos de Minho e Chan juntos nas chamadas dos sites, milhares de postagens sobre como a incrível Regina Kang foi largada no altar pelo seu noivo perfeito para Bang Chan viver seu verdadeiro amor ao lado de Lee Minho.

Foda-se Lee Minho e Christopher Bang, eles podiam morrer sufocados com o amor perfeito deles, mas Regina não ia soltar o osso tao fácil, ela sabia os pontos fracos de cada um deles, sabia que Chan era uma pessoa de cabeça vazia que não tinha opinião própria, que preferia qualquer coisa do que ser odiado pela massa, e sabia que Minho era um tolo idiota de achar que um homem que largou a noiva no altar seria bom para ele.

Ela sabia exatamente onde atacar e o que fazer, só precisava da ajuda de Changbin, seria perfeito. 

Se Chan achasse que ela estava o traindo antes, plantaria uma semente de dúvida na cabeça dele, logo com Changbin — o cara que sempre esteve ao redor, em quem ele mais confiava.

Quando Chan ficasse incomodado o suficiente, ele a procuraria para entender a situação, seria quando ela conseguiria atingir Minho, o fazendo perceber que se ela quisesse Chan de volta a qualquer momento, ela poderia tomá-lo. 

O castelo de cartas estava armado dentro da sua cabeça, sabia bem que podia contar com a ajuda de Changbin para isso, ele nunca dizia não para o que ela pedia. Porém, tinha um plano B na cabeça se Changbin não aceitasse.

Abriu o aplicativo de mensagens e mandou uma mensagem para Changbin.

nina: 

meu amor, você está livre na hora do almoço? pensei na gente comer juntos naquele restaurante que você gosta perto daqui. quero te pedir um favor, então tenha em mente que é por minha conta ;)

Não demorou muito para receber a resposta do seu amigo.

bin:

claro meu amor, qualquer coisa que você quiser <3

estarei no estacionamento às 12h em ponto.

 

Ela suspeitava que Changbin podia ser apaixonado por ela, era incrível como podia pedir qualquer coisa para ele, desde um doce que estava com vontade até esconder o corpo de alguém que ela matou, seu amigo estaria de prontidão com seu sedan preto, sempre disposto a ajudá-la.

Não se importaria nem um pouco se fosse verdade, Changbin era um homem incrível, bonito, ia pra academia, tinha bons hábitos alimentares, era gentil com mulheres e crianças, seu único defeito era algo que nem era culpa dele; ele era alérgico a animais, mas mesmo quando sua gatinha era viva, ele tomava vários anti alérgicos para visitar sua casa e fazer carinho nela.

Ele era o homem perfeito, a amizade deles havia começado na faculdade, quando Regina estava fazendo algumas matérias de moda masculina, ela já tinha visto Changbin pelos corredores antes, ele fazia algumas matérias de artes porque cursava música. Ela o abordou sem nenhuma vergonha na cara, na época ele não tinha o corpo que construiu, mas já era muito bonito.

— Oi, posso falar com você um minuto? — Ela falou, tocando no seu braço e sorrindo, Changbin — sorriu de volta.

— Oi, claro. O que deseja? — ele virou para ela.

— Eu estou fazendo um trabalho para minha aula de moda masculina, o professor pediu para arrumarmos um modelo para confeccionar a peça direto no corpo. Eu sei que sou cara de pau por te pedir isso sem nem te pagar uma refeição, mas se você tiver disponibilidade, eu queria você. Acho seu corpo muito bonito, para um modelo, claro.

Changbin poderia tê-la achado uma doida, falando sem parar coisas sem sentido nenhum, pedindo para que ele ficasse apenas de roupa íntima na frente dela, mas ele apenas soltou uma risada e concordou.

— Seria uma honra ser seu modelo, sendo honesto. E se você estiver livre, você pode me pagar um almoço agora — ele olhou as horas no relógio do seu pulso — Por sinal, eu sou Seo Changbin.

— Eu sei, todo mundo fala sobre você. Prazer, Changbin, meu nome é Regina Kang.

— Seria maluco de não te conhecer, Regina. Você é a pessoa mais famosa desse campus — ele sorriu e os dois saíram para almoçar juntos, depois daquele dia eles nunca mais pararam de se falar.

Parando para pensar, Changbin sempre esteve disposto a ajudá-la muito antes de serem amigos de verdade. Teria pedido a Chan para ser seu modelo, ou até mesmo para Minho naquela época, mas Minho recusou até a morte e Chan disse que não ia se sentir confortável.

Changbin foi o melhor modelo que ela poderia ter arrumado, ela tirou nota máxima naquele trabalho, foi chamada para um internato em uma marca de luxo pela peça que modelou no corpo de Changbin. E havia ganhado um álibi de brinde.

Trabalhou pensando nele naquele dia, sempre foi extremamente focada em peças para corpos femininos diversos, mas de vez em quando costurava peças exclusivas para ele, ele frequentemente modelava para seus editoriais. 

Tinham uma parceria de sucesso e uma amizade muito bem consolidada. Óbvio que teve seus momentos de atração repentina por ele, mais de uma vez, mas seu relacionamento com Chan era o seu freio, e também não sabia como ele se sentia em relação a ela.

Quando chegou a hora do almoço ela pegou sua bolsa e seu celular e saiu como um furacão do escritório, não esperou o elevador e desceu as escadas correndo com seus saltos batendo e fazendo um barulho infernal, ela chegou ao estacionamento e viu o carro de Changbin estacionado ao lado do seu e sorriu.

Arrumou o cabelo e andou até a porta do passageiro como se não tivesse corrido uma maratona para chegar até ali. Changbin estava esperando do lado de fora do carro, abriu a porta para ela quando a viu.

— Você está linda — sorriu e segurou sua mão, beijando seus dedos antes de a deixar entrar no carro.

— Obrigada, Bin. 

Ela se sentou no banco do passageiro e ele foi em direção ao lado do motorista. Regina amava dirigir, mas não negava ser a passageira quando ele se prontificou a ser o motorista, era ótimo ver os braços musculosos dele manuseando o volante.

— Então, o que você quer? — ele perguntou dando partida no carro e saindo do estacionamento do prédio onde ela trabalhava.

— Você não vai esperar nem chegar no restaurante? — ela perguntou colocando a sua bolsa no chão do carro e tirando os sapatos de salto um instante.

— Regina, nunca é coisa boa quando você se oferece para pagar a comida, fala logo que a gente vai discutindo os detalhes.

— Quero que finja ser meu namorado para fazer ciúmes no Chan — Changbin parou o carro no semáforo quando ela falou isso, ele a olhou sério.

— Você ficou louca? O que você ganha com isso? 

— Quero que o Minho veja que o Chan não é a pessoa perfeita que ele acha que é, quero que ele entenda isso.

— Não é seu dever fazer isso, com o tempo ele vai perceber os defeitos do Chan, você não precisa se meter.

— Mas não é só isso, eu quero me vingar deles! — Regina falou e ele suspirou, Changbin virou para frente a tempo de ver o sinal verde.

— Pra quê? Você não vai ganhar nada com isso, Nina. 

— Quero que ele sinta o que eu senti quando o Chan estava me deixando. Ele acha mesmo que não tem consequências? Que ele pode fazer o que ele quiser comigo?

Changbin não respondeu imediatamente, ele continuou dirigindo em silêncio por mais alguns quarteirões e suspirando de vez em quando.

— E se por acaso eu aceitasse isso, qual o seu plano? — Ele falou depois de um tempo e Regina sorriu, ela sempre o tinha na palma da sua mão mesmo — Você acha mesmo que o Chan vai ficar com ciúme de mim? Ele sabe que somos amigos.

— Por isso temos que fingir que estamos juntos, fazer coisas além do que fazemos.

— Quer que eu durma com você? 

— Não precisamos dormir juntos, mas ele tem que acreditar que estamos fazendo isso. Posso ir morar na sua casa ou você pode vir para a minha.

— Você praticamente mora lá em casa já depois de tudo que rolou — Changbin bufou, mas era verdade. 

Desde que foi abandonada, Regina se recusava a ficar sozinha no apartamento que dividia com Chan. Ela levou a maioria das suas coisas para o apartamento de Changbin e estava dormindo no quarto de hóspedes dele. 

— Sim, já temos uma vantagem nisso. Então o que eu pensei foi só agir como se a gente namorasse até o Chan acreditar que estávamos tendo um caso antes, ele ia me procurar e eu ia mostrar pro Minho que ele estava atrás de mim.

— Como tem tanta certeza que ele vai te procurar?

— Eu o conheço o suficiente para saber que sim.

— Vamos precisar nos beijar?

— Bem, se for necessário sim. Pegar na mão, andar juntos, fazer as coisas que fazemos, só que mais. Postar fotos juntos, tudo mais.

— Você vai me assumir publicamente?

— Se você quiser sim, não tenho problema com isso.

Changbin a olhou com uma expressão estranha, ele parecia com uma expectativa, mas ao mesmo tempo com receio.

— Só me promete que isso não vai afetar nossa amizade.

— Nunca, isso eu prometo. Ah, você não pode dormir com outras pessoas enquanto estivermos fazendo isso, já basta acharem que fui largada no altar, ser corna duas vezes é demais.

— Como vou dormir com outras pessoas se você não larga do meu pé mais? — ele riu finalmente, estacionando no restaurante onde iam comer.

— Se quiser, podemos dormir juntos também, como parte da sua recompensa — ela falou e ele riu, balançando a cabeça.

Changbin saiu do carro e abriu a porta para ela, Regina calçou seus sapatos novamente e segurou a mão dele. Mas ao invés de soltar imediatamente quando desceu do carro, ela entrelaçou os dedos aos dele e sorriu.

— Já estamos namorando? — ele perguntou e Regina assentiu.

— Precisamos ser muito convincentes, então temos que treinar.

— Nesse caso…

Changbin soltou a mão dela e passou a mão pela sua cintura, ele deixou a mão dele no quadril dela, mantendo os corpos juntos enquanto andavam para a entrada do restaurante.

Regina não estava convencida que seu plano daria certo, ela não tinha certeza se Chan se importaria se eles estavam juntos ou não, mas precisava tentar recuperar o pingo de dignidade que ainda lhe restava. Nada melhor do que aparecer com um cara musculoso e bonito ao seu lado.

 


 

He looks at me like i'm a trend and he's so over it, i think his ever present frown is a little troubling

 

— Eu preciso que você esteja pronto pra nossa primeira sabotagem hoje — Regina falou para Changbin, abrindo a porta do quarto dele de uma vez, ele estava com uma toalha na cintura, a parte de cima do corpo exposta.

— Que porra, Regina! Bate antes de entrar! — ele falou e colocou a mão para segurar a sua toalha.

— Como se eu nunca tivesse te visto nu — ela deu de ombros e se sentou na cama dele com o tablet na mão, estava desenhando um vestido.

— Não é esse o ponto — ele vestiu uma cueca e tirou a toalha da cintura, procurou uma calça para cobrir suas pernas e se sentou ao lado dela depois de vestir.

— Então, o Jisung chamou todo mundo pro aniversário dele hoje, o pessoal vai jantar e depois vamos pra uma festa, a gente precisa começar a agir. 

— O que você está pensando? — ele colocou o braço ao redor dos ombros dela.

— Precisamos chegar lá e fazer o que for necessário, mas realmente espero que a gente seja convincente — Regina virou o rosto para ele — Acha que precisamos treinar?

— Treinar o que?

— Beijar, sei lá.

— E quem vai avaliar se a gente foi bem?

— Tá bom, só esteja pronto para fazer se for necessário, tudo bem? — Changbin tirou o tablet do colo dela e segurou seus braços, a deitando na cama.

Regina sentiu o coração disparando, ele estava com o olhar diferente, seus olhos estavam afiados, ele segurou o rosto dela com as duas mãos e sorriu.

— Fica de boa, vou te beijar e você diz o que eu preciso melhorar, tá bom? — ela apenas assentiu, Changbin se aproximou e eles se beijaram.

Os lábios deles tocaram os seus de forma suave, Regina levou uma das mãos até a nuca dele e o segurou pelo pescoço. Changbin tinha gosto de menta, talvez por ter acabado de escovar os dentes. 

O beijo foi calmo, ele movia os lábios devagar, Regina sentia o coração que antes estava agitado agora estava se acalmando. Ele não tirou as mãos do rosto dela, mas não aprofundou o beijo para mais do que aquilo, levantou o rosto depois de alguns segundos e a olhou nos olhos.

— Assim está bom para você? — ele perguntou com sua voz rouca, ela assentiu e respirou fundo — Vai se arrumar, a gente precisa sair.

— Temos que chegar depois do Minho e do Chan — ela raciocinou e falou a primeira coisa que veio à sua cabeça.

Ainda estava sentindo o peitoral dele pressionado contra o seu corpo, não conseguia tirar os olhos do rosto dele. Ela não estava acreditando que queria mais, que queria beijá-lo até sentir seus lábios ficando dormentes.

— O que foi? Você não gostou? — Changbin perguntou e ela soltou uma risada, finalmente encontrando forças para sair de perto dele. 

Regina levantou da cama e ficou de pé, andando para a porta.

— Eu vou terminar de tomar banho e me arrumar, coloca uma roupa legal, tá?

— Você tá dizendo que minhas roupas não são legais? — ela fechou a porta antes que ele cobrasse uma resposta dela.

 

Changbin estacionou o carro, mas não saiu imediatamente. Ele a encarou enquanto ela pegava suas coisas e colocava dentro da bolsa.

— Nina, você sabe que a gente precisa conversar melhor nossos termos sobre essa coisa toda, não sabe? — ele falou e Regina virou os olhos para ele.

— Claro que sei, e se você não quiser continuar com isso, pode me falar — ela pousou a mão no braço dele.

— Não é isso. Você sabe que estou disposto a fazer qualquer coisa por você, mas quanto tempo vamos ter que levar isso adiante?

— Por quanto tempo for necessário. 

— E se forem necessários anos. 

— Então a gente vai namorar por anos.

— Mesmo sem você me amar dessa forma? E se eu me apaixonar por você? E se você se apaixonar por mim? Como nossa amizade vai ficar?

— Isso não vai acontecer, Bin. Relaxa, tá?

— E se por acaso eu já for apaixonado por você?

Regina ficou em silêncio, ela o encarou por um momento e viu que ele não estava brincando, ela soltou uma risada. Era claro que era brincadeira, certo?

— Para com isso, Changbin. Sério — ela falou ainda rindo e virou para abrir a porta sozinha, mas ele segurou seu braço. 

— E se eu tiver falando sério? — Os olhos dele não transpareciam nenhum traço de que ele estava mentindo, Regina sorriu e encostou a mão no rosto dele.

— Você não está, mas eu não me importaria em me apaixonar por você, você é literalmente o melhor homem do mundo. 

Regina sorriu, ela encostou a mão no rosto dele devagar, Changbin pressionou a cabeça contra o toque dela, como se fosse um cachorrinho carente de atenção. Não estava mentindo, não se importaria de se apaixonar por Changbin, não era uma tarefa difícil se ela se permitisse. 

— Precisamos ir — ele falou e segurou o pulso dela, aproveitando o toque para beijar sua mão — Não sai do carro, vou abrir a porta pra você. 

— Como se você deixasse eu sair por conta própria — ele sempre fazia isso, ela já estava acostumada.

Changbin saiu do seu lugar e foi até a porta dela, abriu e ofereceu a sua mão como apoio para que ela saísse do carro. Era algo tão normal para ela que, às vezes quando estava com Chan e ele não o fazia, ela ficava minutos a fio no carro esperando que ele abrisse a porta.

Seu amigo não a deixou pensar muito nisso, no entanto. Ele a puxou pela cintura e os dois andaram grudados até a entrada do restaurante, Regina envolveu um dos seus braços ao redor dele, sentindo os músculos definidos das suas costas.

Os olhares se voltaram para eles imediatamente, apesar da pouca estatura dos dois, eles eram chamativos, o tecido do vestido dela se movia como os tentáculos de uma água-viva com o vento, contrastando com a roupa escura que ele estava usando.

— Mentira! — Yuqi surgiu ainda no hall de entrada do restaurante, ela sorriu ao ver os dois abraçados — Vocês estão de sacanagem? Mentira que vocês estão juntos.

— A gente sempre esteve junto, Yuqi, seja mais clara — Regina falou, colocando o braço no ombro de Changbin, ele a puxou ainda mais para perto.

— Tipo, juntos. Juntos. Você sabe, Nina! — a loira colocou a mão na boca e soltou uma risada — Eu não acredito mesmo, eu nunca imaginei que vocês um dia iam parar de ser idiotas, mas aconteceu. Eu não posso te culpar, depois do-

— A gente pode só pular essa parte? — Changbin perguntou sorrindo e Yuqi assentiu.

— Desculpa, mas eu realmente estou feliz por vocês — a mulher abriu os braços e abraçou os dois ao mesmo tempo — Vocês formam um casal lindo.

— Obrigada, amiga — Regina disse quando ela se afastou.

— Como isso aconteceu?

— Em resumo, depois que voltamos de Portugal, não conseguia ficar sozinha no meu antigo apartamento, pedi para o Changbin para ficar com ele alguns dias, e uma coisa levou a outra… 

Não era mentira, até certa parte, mas Yuqi não sabia disso. Ela sorriu empolgada.

— Muito feliz por vocês, sério. Eu sempre fui team Changbin, sendo sincera — ele soltou uma risada sincera com a frase da amiga e balançou a cabeça.

— Eu também — falou apertando a cintura dela e Regina sorriu.

Mentir era estranho, seu coração estava batendo rápido, com medo de não parecer convincente o bastante, mas o sorriso no rosto de Yuqi parecia sincero o suficiente.

— Vem, vamos entrar! 

Yuqi puxou a mão de Regina, ela tirou o braço que estava ao redor do ombro dele e segurou a mão de Changbin. Eles três entraram no salão principal do restaurante e podiam ver de longe o grupo de amigos.

Todos estavam lá no casamento: os amigos em comum de Chan e Regina. Jisung e Hyunjin estavam contando histórias alto demais, completando as frases um do outro enquanto os outros riam, Homura estava sentada perto de Felix e Seungmin, Jeongin em seguida ao lado do casal do ano, Minho estava no banco acoplado a parede e Chan ao seu lado com os braço ao redor dos ombros do loiro.

Shuhua, a namorada de Yuqi estava rindo silenciosamente, segurando um copo na frente do rosto. Yuqi soltou a mão dela e correu para a mesa, foi quando todos voltaram os olhares para o “casal”. Regina conseguia sentir seu sangue sendo bombeado com mais força pelo seu corpo, ela teve a impressão de apertar a mão de Changbin com mais força, tanto que ele se aproximou mais dela.

Os olhares dos amigos eram diversos, mas a maioria parecia estar no mesmo estado: em choque. Chan e Minho estavam incrédulos, o mais velho parecia ter se engasgado com a própria bebida e Minho estava com aquele olhar estranho de inveja e choque.

— Que porra é essa? Vocês tão ficando? — Jisung falou alto e Changbin respirou fundo, puxando uma cadeira para Regina sentar. 

Por incrível que pareça, os únicos lugares disponíveis na mesa eram perto de Minho e Chan. Changbin rapidamente se sentou ao lado dela e passou os braços ao redor dos ombros dela, da mesma forma que Chan estava em Minho.

— A gente não vai responder nenhuma pergunta hoje — Regina falou, entrelaçando seus dedos com a mão de Changbin que estava no seu ombro.

— Não é possível! Vocês tão ficando mesmo! — Hyunjin que falou dessa vez, parecia que ele estava cada dia mais parecido com Jisung. 

— Bem, não me surpreende, se é pra falar a verdade — Felix falou e deu um olhar rápido para Chan — Com todo respeito, é claro. Dado as circunstâncias. 

— Não vamos falar sobre isso, né? — Chan quem interrompeu o assunto, dando aquele sorriso pacificador e tirando o braço de Minho. 

Regina queria quebrar os pratos todos da mesa na cabeça dele, queria enfiar os garfos na língua dele para que ele parasse de agir como se as coisas fossem simples, mas ela apenas sorriu e concordou.

— É, gente. Imagina. As coisas que aconteceram deveriam acontecer, né, meu bem? — Virou o rosto para Changbin enquanto colocava um sorriso forçado no rosto e ele sorriu de volta.

Pareceu a deixa perfeita, ele levantou as sobrancelhas e ela piscou um olho que não estava no campo de visão dos amigos, Changbin se aproximou e selou seus lábios rapidamente. Jisung, Hyunjin e Jeongin começaram a bater palmas e a bagunça foi generalizada depois disso, naquele ritmo eles não demorariam muito para serem expulsos do restaurante, mas não importava muito.

A primeira parte do plano de Regina estava em andamento. Se Chan acreditasse que tinha a possibilidade de Changbin e ela estarem juntos antes que ele fugisse com Minho, tudo correria bem como ela queria, ele só precisava morder a isca, ela atingiria Minho e Chan de uma vez só.

 


 

He's not a saint, he's not what you think

 

— Que porra sério. — Homura falou enquanto Regina dava um gole no seu café.

Era sábado de manhã, ela, Homura e Olivia estavam tomando café perto da casa de Changbin depois da revelação do novo casal na noite passada.

— Não é real, mas vocês não podem contar pra ninguém — Regina explicou e Homura soltou uma risada.

— Você tá maluca, Regina? O que você vai ganhar com isso? — Olivia perguntou.

— Sei lá, eu só quero ver o Chan mostrando quem ele é de verdade pro Minho, que ele não é esse querido perfeito que ele acha! — as duas amigas respiraram fundo ao mesmo tempo, parecia até que era combinado.

— Você sabe que você vai acabar magoando alguem no meio disso, não sabe? — Olivia perguntou.

— Mais especificamente o Changbin — Homura complementou a amiga.

— Por quê?

— Só você é cega o suficiente para não enxergar o quanto o Changbin é louco por você, ele pode ter escondido isso muito bem até agora, mas não tendo mais o Chan no caminho dele e com você dando total acesso para ele agir do jeito que ele quiser, é tudo o que ele queria — Homura falou devagar, Regina suspirou. 

— Eu não me importo, sendo honesta. O Changbin sempre foi o meu tipo ideal de homem, se a gente começar a namorar de verdade no meio disso eu até vou gostar.

— Mesmo sem você gostar dele? Com sua cabeça focada em usar o amor do menino para enfiar o dedo na ferida do seu ex? — Olivia perguntou, Regina ficou em silêncio — Toma cuidado com essas coisas, Nina. Sério. Não brinca com o sentimento dos outros, você sabe o quanto é ruim ser tratada como se você não tivesse coração.

Regina ponderou um pouco, mas estava realmente disposta a dar uma chance para Changbin, sabia que tinha um sentimento agridoce sobre ele no seu coração adormecido há um tempo, mesmo com sua cabeça focando em arruinar a reputação perfeita de Chan.

Ela pegou o celular, embaixo da mensagem de Changbin havia uma notificação de uma notícia de um portal de fofoca, falando sobre a foto que ela havia postado com Changbin na noite anterior. Os comentários eram diversos, a foto não era nada diferente do que ela postava com Changbin anteriormente, mas um pouco mais sugestiva. 

Mas o tempo de apreciação das notificações na tela durou pouco, apareceu uma notificação que ela estava esperando: uma mensagem de Chan.

— Chan mandou mensagem — ela anunciou para as amigas enquanto colocava um pedaço de croissant na boca.

— Falando o que? — Homura perguntou, Regina deu de ombros, clicou na notificação e começou a ler.

— “Oi Nina, espero que esteja bem. Posso te ligar? É rapidinho.” — ela leu a mensagem enquanto Olivia franzia o cenho.

— O que ele quer? — perguntou e Regina deu de ombros, digitando no celular uma resposta para ele.

— Não sei — não demorou muito para o telefone começar a tocar, Regina esperou dar o terceiro toque para atender.

Oi Nina! Como você tá? — a voz dele parecia empolgada, pelo que ela o conhecia ele provavelmente estava sorrindo.

— To bem, Chan e você? — ela respondeu terminando de comer seu croissant.

De boa, real. feliz que você ta bem... então, queria combinar com você de pegar algumas coisas no seu apartamento, me fala um dia que você tá livre pra eu passar lá. 

— Tudo bem, a gente pode combinar um dia de ir junto, também preciso buscar algumas coisas — ouviu um som que não consegui distinguir do outro lado.

Você não tá morando lá? Onde você tá? 

— Tô na casa do changbin, na verdade — silêncio, ouviu um suspiro, ela sorriu.

Então você e o Changbin né? Vocês realmente estão juntos? Tipo, é sério o lance de vocês? — Não conseguia detectar sarcasmo na voz dele, mas sabia que ele estava a cutucando.

— Na real, não sei se ainda é tão sério assim, faz pouco tempo então ainda estamos entendendo nossos sentimentos, mas sim, estamos juntos — ela deu de ombros.

Foi um choque pra mim saber ontem, sendo sincero, eu não sabia que se sentiam assim sobre o outro. desde quando estão juntos?

— Foi um choque pra gente também, desde o fim do nosso casamento, comecei a morar com ele e as coisas andaram.

Foi bem rápido então, né? — ele soltou uma risadinha e ela bufou.

— Só não foi mais rápido que você e o Minho que nem esperaram eu tirar o vestido de noiva — foi a vez de Regina rir, ele ficou em silêncio — De toda forma, Chan, quando você quiser pegar as suas coisas me avisa.

Tudo bem, Nina. A gente vai se falando.

— Claro. Tenha um bom dia, fala pro Minho que mandei um abraço. 

Melhor se ele não souber que a gente teve essa conversa — ele soltou uma risada pelo nariz e Regina franziu o cenho — De toda forma, bom dia. Foi bom falar com você

Ela desligou a ligação sem falar muito, sentia um vazio no seu peito que só podia ser preenchido por uma tarde com Changbin. Queria que ele a abraçasse e a dissesse que ela era incrível apesar das suas escolhas erradas com Chan.

— Você tá bem? — Olivia perguntou e ela assentiu.

— Eu só quero ir pro Changbin agora, tô com saudade dele — Puxou a carteira e entregou algumas notas de dinheiro para suas amigas.

— Você gosta dele né? Vocês dois tavam doidos pra ficarem antes desse noivado acabar, maior tensão sexual entre um peitudo e uma menina da bunda grande — Olivia cobriu a boca para abafar uma risada com a fala de Homura.

— Vai se foder, Kojima — Regina se levantou, apertou o ombro de Olivia e andou em direção à saída. 

Ela caminhou de volta para casa pensando sobre tudo que estava sentindo, sobre Chan ela não tinha nenhum sentimento muito intenso, sendo sincera, tinha pena dele, mas não muito mais que isso, sabia que com ele tinha feito o que podia, mas não podia salva-lo.

Sobre Changbin, era confuso. Ela queria entrar dentro da pele dele e morar lá para sempre, toda vez que se abraçavam ela não queria soltar nunca mais, sempre queria mais. Sabia que sentia algo nebuloso além de amizade por ele há um tempo, mas tentava reprimir por causa do seu ex noivo.

E no fim tinha Minho, o sentimento mais doloroso que todos os outros dois. Era muito difícil aceitar que ele havia escolhido Chan ao invés dela, ele costumava ser a pessoa que ela mais amava e confiava no mundo, ele era seu melhor amigo, quase um irmão. Eles faziam tudo juntos, mas agora ele olhava para ela como se Regina estivesse pisando no seu calo o tempo todo.

Ela suspirou, queria que as coisas não fossem complicadas, queria ter conhecido Changbin antes de se apaixonar por Chan, então o caminho dele estaria livre para Minho e nada disso teria acontecido. 

Quando ela chegou em casa, sentiu cheiro de café fresco, deixou a bolsa e os sapatos na entrada e andou diretamente até a cozinha, Changbin estava de costas, sem blusa, apenas com o short que ele usava para dormir, estava tocando uma música baixinha enquanto ele estava cozinhando seu café da manhã. 

Ela o observou em silêncio por um tempo, pensando que se fosse ele desde o começo, sua vida teria sido mais fácil, seu coração não teria sido partido. Changbin tinha defeitos, ela sabia disso, ele estava longe de ser um cara perfeito, mas ele sabia como tratá-la bem. Se ele fosse seu noivo, teriam se casado depois de um ano, não teria perdido tempo noivando tanto tempo porque ele teria certeza do que ele queria.

Eles teriam comprado uma casa para morar, Regina estaria em um patamar da sua carreira bem mais avançado provavelmente, porque não teria perdido tempo cuidando dele como se ele fosse seu filho, não teria perdido noites chorando por pensar que talvez estivesse sendo traída com seu melhor amigo.

Eram possibilidades, não sabia se Changbin realmente teria agido dessa forma se estivessem juntos, mas ela sabia que seu amigo sabia levar uma mulher a sério. 

Regina entrou na cozinha e ele finalmente levantou os olhos para ela, sorriu. O sorriso dele era perfeito, parecia um raio de sol entrando pela janela.

— Oi — ele disse e soltou o prato na pia para ir até Regina, segurou seu rosto e deixou um beijo na testa dela — Como foi com as meninas?

— Foi tudo bem, o Chan me ligou — Changbin franziu o cenho.

— E o que ele disse? 

— Ele queria ir no meu apartamento pegar as roupas dele, perguntou sobre eu e você. 

— Então funcionou, né? — Changbin virou de costas e pegou sua comida, indo até a mesa de jantar.

— Mais ou menos — Regina deu de ombros enquanto se sentava à mesa junto com ele.

— Por que está com essa cara de quem comeu e não gostou?

— Ai Changbin, sei lá, as coisas seriam muito mais fáceis se tivesse sido você desde o começo — suspirou, Changbin não respondeu na hora, ela viu que ele engoliu seco.

— Como assim, Nina?

— Se eu tivesse me apaixonado por você desde o começo, se tivesse sido você, eu sei que eu não estaria passando por nada disso porque você me faria feliz.

Changbin deu um sorriso de lado, não estava olhando diretamente para ela, os olhos dele estavam fixos na comida. 

— Tinha que ser assim.

— Por que? Eu tinha que sofrer tanto?

— Se você não tivesse passado por isso, não saberia o quanto é ruim não me ter como namorado, mesmo que a gente esteja namorando de mentira — ele falou serio e deu um gole no café antes de continuar — Se a gente tivesse namorado desde o primeiro momento que a gente se conheceu, você não ia me valorizar, seus padrões iam ser altos desde o começo, é fácil te satisfazer porque o Chan deixou suas expectativas muito baixas.

Regina soltou uma risada, mas o que ele estava falando fazia total sentido. 

— Eu te odeio, é sério — Regina soltou uma risada enquanto Changbin exibia um sorriso orgulhoso.

— Eu te amo, gatinha — Changbin segurou uma das mãos dela e soltou um beijo no ar.

Talvez Regina já fosse apaixonada por ele e não sabia disso, talvez ela sempre foi, só não podia externalizar. A cabeça de Regina estava uma bagunça, mas honestamente não seria um problema, a única situação que ela sairia magoada de um relacionamento com Changbin, seria se ele não gostasse dela de volta.

 


 

He was a moth to the flame, she was holding the matches

 

Regina estava dobrando suas roupas e colocando em cima da cama, já havia embalado todas as suas coisas menores e colocado dentro de caixas. 

Não ia mandar suas coisas para a casa do Changbin, não queria ser um estorvo na vida dele, ocupando o espaço dele com suas coisas, precisava decidir o que queria da sua vida primeiro, conversar com ele, acertar tudo.

O som da fechadura eletrônica soou, mas ela ficou onde estava, dobrando suas roupas, o perfume que dominou o local não era de Changbin. Era um perfume forte, amadeirado. Chan.

— Regina? — A voz dele soou quando fechou a porta.

— No quarto — Anunciou e ouviu os passos dele.

A figura dele se materializou na porta, ele estava como o habitual, como Regina se lembrava, a presença dele não despertou nenhuma emoção estranha, seu coração não acelerou, não sentiu as mãos gelando, Chan não despertava emoções nela há tempos.

— Oi, tudo bem? — ele sorriu, Regina acenou como a mão. 

 — Tudo bem, Chan. E você, querido? — eles dois deram um abraço rápido e ele continuou sorrindo para ela quando se separaram.

— Tudo ótimo, Nina. Alguma novidade?

— O de sempre, mas que está funcionando, o Minho tá bem? — Chan assentiu, colocando a chave do carro no bolso da sua calça. 

— Do jeito dele, você sabe. Essas são as minhas coisas? — Ele apontou para as caixas que Regina havia empacotado, ela negou.

— Na verdade, não mexi em nada seu, estou separando minhas coisas para fazer a mudança definitiva pro Changbin — mentiu, a expressão no rosto dele vacilou por um instante. 

— É serio mesmo esse seu lance com ele, não é? — Chan parecia triste, mesmo ele não tendo o direito — Desde quando tem sentimentos por ele?

— Isso importa? — Regina soltou suas roupas onde estavam e cruzou os braços — Desde quando você tinha sentimentos pelo Minho?

— Regina, é complicado. 

— Eu sei, Chan, mas não precisava ter mentido pra mim. Não precisava ter fingido que me amava, que queria casar comigo, a gente podia terminar, eu ia entender. O que eu não entendo é você ter surtado de última hora.

Chan respirou fundo e sentou na ponta da cama que eles dois costumavam dormir juntos. A respiração de Regina estava acelerada, não queria confrontar Chan daquela forma, mas as palavras estavam saindo involuntariamente. 

— Me desculpa, Nina, de verdade. Eu não queria machucar você, mas sempre me senti tão sufocado com a nossa vida, parecia que eu tinha que mostrar sempre alguém que eu não era.

— Chan, eu era sua amiga, além de sua noiva, você podia ter falado comigo — ele afundou os dedos no próprio cabelo e respirou fundo.

— Não é como se eu não te amasse — ele falou sem olhar para ela, Regina parou onde estava — É que é complicado, nossa relação parecia mais uma vitrine, mas eu gosto de você, Nina. Não pensa que as coisas que a gente viveu não foram reais.

A mulher ficou paralizada com a confissão. Chan também não se moveu.

— E o Minho?

— Por isso é complicado — Chan levantou a cabeça e respirou fundo — Você estava me traindo?

— Você estava?

— Não. 

— Não também. 

— Ainda sente que podemos concertar as coisas? — ela engoliu seco, não esperava que Chan fosse fazer isso, era ainda pior do que ela imaginava.

— Claro, podemos ser amigos, encarar nossas diferenças e deixar isso tudo pra trás-

— Não estou falando nesse sentido.

— Não acho que seja possível — ela engoliu seco e deu um passo para trás, apoiando as costas na cômoda — Eu não quero mais tentar algo que esteja fadado ao fracasso, tivemos chances demais. Você e o Minho merecem ser felizes, e eu estou bem com o Changbin, eu gosto dele, de verdade. 

Chan se levantou, ele assentiu com a cabeça e tentou dar um sorriso. Ela sabia que ele era cínico, mas não nesse nível. 

— Vocês meio que estavam destinados a ficar juntos, né? Sempre senti ciúmes de como ele estava disposto a fazer qualquer coisa por você. 

— Era só você ter me falado — Regina cruzou os braços, estava começando a se chatear com aquela conversa. 

Se Chan tinha problemas comunicar sobre a relação deles, por que diabos ele não comunicou? Regina poderia resolver, quando ainda queria ter feito isso, mas agora? Quando ela já sabia que não valia mais a pena? Chan não ia mudar nunca.

Regina respirou fundo e voltou a dobrar suas roupas tentando não pensar muito, discretamente ela parou a gravação que tinha colocado para começar antes de Chan entrar no quarto e enfiou o celular no bolso.

— Amor? — Era a voz de Changbin, eles não tinham ouvido ele entrando.

— No quarto — ela respondeu e em questão de segundos o homem de ombros largos apareceu e encarou Chan por um momento.

Changbin e Chan costumavam se dar bem antes de tudo acontecer, agora parecia que Changbin estava constantemente prestes a dar um soco em Chan.

— Oi — Chan falou, pegando uma caixa e começando a colocar suas coisas que estavam espalhadas pelo quarto.

Changbin se virou para ela, como se tivessem o poder de se comunicar telepaticamente, ela entendeu que ele estava se perguntando se ela estava bem só pelo jeito que ele a olhou, Regina assentiu e sorriu.

— Estava na academia, passei pra ver se você já tinha terminado — ele colocou uma mão no rosto dela e a puxou para um beijo casto.

— Já já, vida. Vou esperar o Chan pegar as coisas dele pra trancar tudo antes de sair.

— Se quiserem ir e você já tiver terminado, pode deixar que eu tranco com a minha chave que ainda tenho, depois eu te devolvo — Chan falou e Changbin o encarou com o cenho franzido.

— Acho uma ótima ideia. Não vou levar tudo isso hoje. Amor, pode me ajudar a levar algumas caixas?

— Claro, meu bem — Changbin sorriu e pegou a primeira caixa que Regina apontou com a cabeça, os dois saíram do apartamento, deixando Chan para trás. 

— E aí? Aconteceu algo? — Changbin perguntou assim que eles saíram no corredor, Regina soltou uma risada.

— Na real sim, ele quase pediu pra voltar comigo, mas dei o fora nele. Gravei tudo.

— Você vai mesmo mostrar pro Minho? — Changbin perguntou, seu tom de voz havia mudado um pouco.

Regina parou quando eles chegaram ao elevador, ela respirou profundamente e pensou. Valia a pena? Não sabia. 

— Eu não sei ainda.

— Te apoio em qualquer decisão que você tomar, você sabe, mas sinceramente, acho que você deveria deixar o Minho descobrir sozinho quem o Chan é de verdade — ele deu de ombros, mas seu olhar estava perdido em algum ponto — Não que eu esteja reclamando de te beijar e fingir que você é minha namorada, mas acho que você não precisa gastar energia com isso.

Regina virou o rosto para ele, Changbin tinha um meio sorriso nos lábios. Ela o amava, de fato. Cada dia que passava ao lado dele tudo sobre Chan e Minho ficava mais insignificante na sua vida.

— Namoraria comigo de verdade? — ela perguntou, o elevador abriu as portas e eles entraram.

— Se você prometer deixar esses dois pra lá, sim — ele sorriu, Regina sentiu o rosto esquentando. 

Se sentia uma adolescente perto dele às vezes, os segredos sobre os sentimentos, a expectativa no que viria a seguir pois tudo era novo e imprevisível.

— Vou pensar no seu caso, então — ela sorriu de volta e ouviu a risada dele.

 


 

No amount of vintage dresses gives you dignity

 

Regina estava sentada na sua mesa, encarando os desenhos dos vestidos da coleção passada, pensando em ideias que poderia ter, mas nada estava vindo. 

A única coisa que estava na sua cabeça era Seo Changbin, ele estava em casa, provavelmente trabalhando no sofá com o computador no colo, ela daria qualquer coisa para sair daquele escritório e se jogar no colo dele e dizer o quanto ela queria ficar com ele, mas como ela faria isso?

Sentia uma trava na garganta toda vez que pensava em falar o que sentia para ele. Sua mente não estava em funcionamento normal, estava travada, se sentia ansiosa toda vez que ia ver ele, todos os dias quando estava chegando em casa, sentia o cheiro da comida que ele pedia para eles.

Balançou a cabeça e tentou focar nas coisas que precisavam da sua atenção naquele momento, começou a anotar as demandas do dia em um papel, mas uma mensagem de Changbin tirou toda sua concentração de novo.

binnie: 

oi linda, quer sabotar um casal hoje a noite? hyunjin tá chamando pra uma festinha na casa dele, certeza que o tico e o teco vão estar lá.

Ela sorriu, as “festinhas” do Hyunjin nunca eram só festinhas simples, ele conhecia as melhores pessoas para sempre fazer um evento enorme.

nina:

always up to 

qual o dress code?

binnie:

não sei ainda, mas qualquer coisa que você usar você vai ficar linda.

Travou o celular e colocou a tela para baixo, voltando a anotar suas coisas, mas agora com um sorriso no rosto. 



Regina estava tonta, mas ainda estava consciente. O suficiente para pensar em um discurso elaborado para contar a Minho sobre o que ela estava pensando, sobre as coisas que tinha no seu celular, havia zipado os arquivos em uma pasta, os prints de conversa, os áudios e tudo que ela juntou desde a separação. 

Podia montar um e-mail grande explicando toda a situação para ele, poderia mandar uma mensagem de texto. Eram muitas possibilidades, queria que Minho enxergasse a realidade.

Estava tão perdida em pensamentos que não enxergou quem estava vindo na sua direção, a pessoa estava de cabeça baixa e esbarrou diretamente com ela. Quando olhou para frente, viu Lee Minho a olhando como se ela fosse um chiclete que havia grudado no seu sapato.

— Minho — ela chamou seu nome pela primeira vez depois do seu casamento, o rapaz a encarou com uma expressão de tédio. 

— Oi Nina — ele virou para sair de perto dela, mas ela teve um súbito, precisava falar.

— Espera, eu- — Regina sentia as palavras vindo ate sua boca e a sufocando — Eu preciso te contar uma coisa.

Ele não respondeu, apenas tirou o braço da mão dela e os cruzou. 

— Fala.

— É sobre o Chris. Ele me procurou — engoliu seco e desviou o olhar para suas mãos, não conseguia olhar no rosto dele diretamente — Ele me ligou, pediu pra eu não te contar, disse que queria buscar as coisas dele no meu apartamento, quando estávamos lá ele falou que queria pensar na possibilidade de tentar de novo comigo, acho que você deveria saber.

Minho ficou em silêncio, a respiração dele estava ficando mais intensa com os segundos que se passavam.

— Você não vai conseguir — ele disse depois de algum tempo, Regina levantou a cabeça franzindo o cenho — Se sua intenção é fazer eu terminar com ele para vocês voltarem, não vai conseguir.

— Não, Minho… Eu-

— Eu entendo estar com raiva de mim, Regina, eu realmente entendo. Me desculpa por ter feito isso, mas eu tô feliz com o Chan, nos amamos de verdade. Ele é meu melhor amigo, só eu sabia o quanto o seu casamento com ele o sufocava, então não, eu não vou acreditar nisso, desculpa. 

— Minho, você não está entendendo — ela tentou explicar, mas o homem colocou a mão na frente do seu rosto.

— Não, está tudo bem, eu já entendi tudo. Se está chateada, não vou exigir que fique perto de mim quando saímos com nossos amigos, — Meus amigos, que eu te apresentei, ela pensou, mas estava chocada demais para falar — Mas, por favor, não tenta mais falar sobre isso comigo, tudo bem? Eu não vou terminar com o Chan.

Regina ia falar, mas Minho virou de costas e saiu de perto dela, ficou parada por alguns segundos antes de sentir a cabeça latejando com a informação. Minho estava cego. Ele estava cego de amor por Chan, ele não ia enxergar um elefante laranja bem na frente dele, era claro. Por que diabos ela achou que isso funcionaria?

Sentiu as lágrimas se acumulando no seus olhos, a raiva e a frustração estava dilacerando seu peito, fazendo sua garganta queimar. Ela deu passos para frente e sentiu sua cabeça girando, mas ela se forçou a andar para fora daquele corredor, estava começando a sufocar.

— Regina — Ouviu uma voz chamando, era Changbin, virou o rosto e viu seu amigo lhe oferecendo a mão — Está tudo bem? 

— Está — deu um meio sorriso e abriu os braços, Changbin entendeu e apressou os passos para alcançar seu corpo, puxando seu braço para perto dele.

Não falou nada enquanto abraçava Changbin, mas quando o perfume dele atingiu suas narinas, ela tomou a decisão de deixar todo aquele assunto para trás. Não falaria mais nada com Minho sobre isso, não tentaria convencê-lo de que Chan era uma escolha errada. Precisava botar uma pedra naquele assunto e seguir sua vida.

— Ei, o que aconteceu? — Changbin perguntou quando ela se afastou, ele segurou seu rosto com as duas mãos, estava sorrindo.

— Nada, amor… Eu só pensei que- — Ela viu Chan se aproximando no fim do corredor de canto de olho, engoliu seco e olhou nos olhos de Changbin — Eu só estava pensando que eu quero deixar toda essa história de vingança de lado e quero você. 

Changbin levantou uma sobrancelha e sorriu, segurou seu rosto mais firme.

— É sério? 

— Sim, eu gosto de você. Passar esse tempo do seu lado me fez perceber o quanto você é incrível, eu seria louca de não tentar.

— Que bom, meu bem. Porque eu sempre fui obcecado por você — ele sorriu e selou seus lábios. 

— Eu sei — ela disse de olhos fechados e de repente não sentiu mais o contato dos lábios dele nos seus.

— Você sabia? — perguntou incrédulo, Regina soltou uma risada.

— A Homura e a Olivia me contaram — ela olhou para ele, deu um breve olhar no corredor e viu Chan dar meia volta, respirou fundo aliviada.

— Eu vou matar as duas — ele disse enquanto revirava os olhos.

— Não precisa.

Notes:

olá!! não sei se alguém vai ler isso, mas se ler, muito obrigada <3

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