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O namorado do papai

Summary:

Nanami Kento nunca foi do tipo que chegava feliz de seu trabalho. Ele não cantarolava, não saltitava, nunca pareceu tão iluminado quando chegava do trabalho. Nobara estava acostumada com isso.

Tamanha foi a estranheza quando o homem começou a parecer tão feliz quando entrava na porta de casa após horas longas a cansativas de trabalho.

Notes:

Confesso que NanaIno não é lá o meu shipp favorito, mas foi legal escrever sobre eles.

O ponto de vista vai ser em terceira pessoa mas focado na Nobara. Porque ela é filha do Nanami. E ela é lesbica. E namora A Megumi, sua menininha, linda menina.

Enfim, boa leitura!

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Parte Um

Chapter Text

Desde que seu pai chegou do trabalho, há três dias atrás, e disse que queria fazer uma reunião em família na sexta-feira para apresentar uma pessoa querida, Nobara estava ansiosa. 

 

Ela poderia dizer o que quisesse. Poderia dizer que estava bem, que não sentia medo. Poderia contar mentirinhas sobre como toda a situação é legal, até porque as reuniões só aconteciam em eventos importantes ou quando tinham algum comunicado importante, o que não acontecia desde a separação dele e de sua mãe. 

 

Isso foi há cinco anos e não foi nada estressante, então Nobara não sabia o porquê de estar tão nervosa pra essa tal reunião. 

 

Sentada na janela do quarto – muito bonito e grande – da namorada, a ruiva observava o cenário do lado de fora – algumas árvores, um canteiro gigante de flores, um lago de carpas. 

 

— Juro que consigo ouvir seus pensamentos daqui. — a voz desprovida de emoções da namorada dissipou o silêncio do quarto e Nobara virou o rosto para ver a figura alta da menina entrando no quarto. A garota tinha uma bandeja em mãos repleta de docinhos, salgadinhos e um suco. Ela colocou lentamente a bandeja na mesinha e se aproximou da ruiva. — O que tanto te chateia?

 

Nobara piscou os olhos, suspirando.

 

— Meu pai quer fazer uma reunião hoje de noite para apresentar alguém e- bem, isso me apavora. — ela disse em voz baixa e trêmula, evitando olhar diretamente para a menina na frente dela. Não que ela fosse do tipo que evitava confrontos quando estava sendo vulnerável, mas toda a questão de sua namorada ser alguém tão importante a deixava estranhamente tímida em relação a ela. 

 

Estava muito além do que Nobara poderia achar. 

 

— Bem, você deveria conversar com ele então. Apaziguar toda a situação. — a menina de cabelos pretos deu de ombros e colocou uma mão cuidadosa no rosto angustiado da Kugisaki. Um dedo muito suave contornou a bochecha quente da ruiva e parou bem abaixo da orelha vermelha, deixando um carinho ali. — Eu tenho certeza que Nanami-san entenderia. 

 

Outro suspiro escapou dos lábios de Nobara antes que ela descesse da janela e caminhasse até a cama macia da outra. 

 

Ela sabia muito bem o quão compreensível e cuidadoso com as emoções dos filhos seu pai era. O homem estava sempre disposto a entender a situação antes de um veredito final, optando pela solução em que ambos os irmãos tivessem vantagens e direitos iguais ou uma situação menos estressante para eles. 

 

Ele era simplesmente o melhor pai que Nobara poderia ter e ela sabia que podia contar com ele pra tudo. 

 

Mas havia algo nas emoções de Nanami quando ele lhe comunicou sobre a reunião e era isso que a deixava com medo. 

 

Já fazia um tempo que seu pai vinha tendo picos de energia e um brilho revigorante nos olhos. Ele parecia menos cansado e praticamente brilhava pela casa enquanto cantarolava suas músicas favoritas e cozinhava para eles. 

 

Certo que ele havia conseguido uma promoção no trabalho, mas Nobara sentia que estava além disso. 

 

— Megs, acho que meu pai está namorando e essa namorada tá grávida. — Nobara se sentou na cama, arregalando os olhos para a menina de cabelos pretos que cruzou os braços e franziu a testa. Megumi nunca havia se acostumado com as conclusões inusitadas de Nobara. 

 

— Agora, de onde tirou isso? — Megumi perguntou, claramente desacreditada. Ela achava que Nanami não pensava em aumentar mais a família. 

 

Claro, ele poderia sempre mudar de ideia, mas Nanami não era do tipo que mudava de ideia. 

 

— Ele chega do trabalho cantando, Megs. O papai odeia o trabalho dele! — a ruiva choramingou, jogando as mãos dramaticamente para cima e se jogando novamente no colchão, gemendo. — Ele brilha, e dança pelos cantos, e tá sempre sorrindo e- e… ele tem saído com frequência há quase uma semana inteira! 

 

Megumi descruzou os braços em um suspiro cansado. 

 

— Desde quando você é a mãe do Nanami, Nobara? — a morena perguntou em um tom de piada, se ajoelhando entre as pernas de Nobara e pairando sobre o corpo da namorada para olhar diretamente no rosto franzido em irritação. 

 

Nobara grunhiu, esfregando os olhos com os punhos com força, gemendo com a dor repentina que sentiu no braço. Megumi havia dado um tapa na pele, parando a namorada para evitar que se machuque. 

 

— Amor, — a mais nova chamou, soprando a franja dos olhos da ruiva com cuidado e se inclinando para roçar a ponta do nariz ao da amada em um beijo de esquimó bastante terno e carinhoso. Nobara abriu os olhos para a demonstração de afeto, encontrando profundos olhos de um céu cheio de estrelas que brilhavam em inúmeros sentimentos reconfortantes. — Oi. 

 

Se inclinar e beijar Megumi foi inevitável.

 

Nobara sempre foi muito – completamente – apaixonada por Megumi desde o dia em que começou a compreender suas emoções e o significado de gostar de alguém. Sua mãe, Shoko, havia explicado bem o significado da emoção e o porque de Nobara sempre sentir vontade de bater naquele garoto abusado que sempre entregava doces e flores para sua amada amiga Megumi. 

 

Ela não gosta muito de Noritoshi até hoje, mesmo quando ele namora Mai e superou seu crush ridículo por Megumi.

 

Haviam certas coisas na vida de Nobara que ela sentia que não podia mudar e seu amor por sua namorada era uma delas. Seu ciúme por ela também. 

 

Deslizando as mãos pelas laterais de Megumi e segurando firmemente a cintura da amada, Nobara se afastou, deixando um selinho estalado antes de falar: 

 

— Você deveria vir comigo! — ela exclamou com os olhos brilhando de orgulho e Megumi imediatamente fez careta.

 

— O que- Claro que não! — a menina de cabelos pretos levantou, arrumando a saia que havia subido para sua cintura, exibindo o shorts preto que usava por baixo. Olhando mais atentamente, Nobara percebeu que Megumi estava completamente e lindamente arrumada. — É uma reunião em família. Você, Nanami-san, Yuji e seu convidado. 

 

Nobara bufou.

 

— Qual é, Memi-chan. Você é praticamente da família! — a ruiva choramingou, tentando agarrar a namorada pelos quadris e sendo afastada por tapinhas gentis. Sua namorada maravilhosa agora caminhava até a penteadeira bem arrumada, abrindo a caixinha de joias que Nanami a havia presenteado em seu aniversário de quinze anos. Um sorriso enfeitou seus lábios. — Papai te adora como uma filha e estamos namorando desde os onze anos! 

 

— Treze, Nobara. A sua descoberta sobre seus sentimentos por mim e o início de sua paixão desenfreada não contam como namoro. — Megumi corrigiu, olhando para seu reflexo no espelho antes de olhar para a ruiva com uma sobrancelha levantada e dois brincos diferentes em cada mão. — Qual? 

 

As duas opções eram as favoritas de Megumi e ela as exibia com incrível orgulho. O brinco da mão esquerda era uma argolinha de ouro rosé e o da mão direita era um pouco mais comprido, com uma pedrinha azul no final.

 

Ambas brilhavam. 

 

— O azul. Combina com seus olhos. — a ruiva murmura, chutando as pernas para fora da cama. — E você está certa, mas não muda o fato de você ser da família. Não quando meu pai literalmente viu você nascer. 

 

Os olhos azuis de Megumi se estreitaram para a garota mais velha que agora resmungava sobre seus pais serem amigos da época da escola e todos terem crescido juntos. Megumi sabia que a namorada estava arrumando uma desculpa para levá-la na reunião e apaziguar o medo que sentia, pois, segundo Nobara, sua presença lhe fortalecia e ela sentia que era invencível. 

 

Megumi a convenceu a ir à um psicólogo e fazer terapia. Muita coisa mudou, mas alguns hábitos nunca mudam.

 

Terminando de colocar as joias nas orelhas e fechando a caixinha de jóias, Megumi levantou e caminhou até a namorada, deixando um beijo demorado no beicinho trêmulo da outra. Sua bolsa bateu contra a mão da ruiva.

 

— Amor, eu sei que sente medo e que está ansiosa. Em outra oportunidade, eu adoraria jantar com você e sua família, você sabe. — a morena colocou uma mão delicadamente na nuca de Nobara e beijou seu queixo, encostando a testa na bochecha fria. — Mas você tem que resolver isso sozinha, okay? Vai ver não é nada demais e você está surtando atoa. 

 

Nobara choramingou, enterrando o rosto no pescoço pálido de Megumi e a abraçando com força. A mais nova retribuiu prontamente, dando tapinhas carinhosos no topo de sua cabeça. 

 

— Eu te amo tanto, Memi. — com um beijinho no pescoço que arrepiou todo o corpo de Megumi, Nobara se afastou e beijou-a novamente, limpando o batom borrado com cuidado. 

 

Megumi suspirou com a confissão, sorrindo timidamente com as bochechas coradas. 

 

— Eu te amo mais. — a morena segredou contra os lábios macios da namorada, pulando para longe das mãos esperançosas de Nobara com um grito. — Agora deixa eu ir antes que Riko-chan me chute as canelas! Tchau, amor! 

 

Com um tchau desanimado, Nobara acenou, encarando a porta fechada do quarto de Megumi com os braços esticados ao lado do corpo e os ombros caídos. 

 

Sua menina era uma patinadora artística e teria um jantar com sua treinadora – e tia – Amanai Riko e alguns colegas e investidores. Ela havia contado meio desanimada sobre o encontro há três dias atrás e Nobara havia esquecido completamente. 

 

Megumi provavelmente chegaria apenas de noite, quando a sua própria reunião começasse. 

 

Com um gemido angustiado, Nobara marchou até a saída, acenando para a gentil governanta que montava um quebra-cabeças com Mimiko na sala. 




Chegar em casa e ver seu pai cozinhando não aliviou o coração agitado de Nobara como sempre acontecia quando Nanami cozinhava ou simplesmente chegava em casa. O homem loiro era sempre tão carinhoso com ela, perguntando sobre seu dia ou dando tapinhas leves no topo de sua cabeça para demonstrar seu afeto a ela, querendo dizer que ele estava ali e que estava tudo bem agora. 

 

Desde muito nova ela sempre foi grata a presença de seu pai em sua vida e gostaria de estar sempre com ele. Tamanho foi o impacto de não sentir mais o mesmo apenas porque se sentia ansiosa. 

 

— Querida, está aí há muito tempo? Juro que não ouvi você chegar. — Nanami direcionou um olhar preocupado para ela e rapidamente enxugou as mãos no guardanapo em seu ombro para se aproximar da filha. Nobara tinha uma carranca pensativa no rosto e Nanami sempre se preocupava quando ela ficava assim, já que sua filha só ficava pensativa quando tinha algo errado. — Aconteceu alguma coisa, Nobara? 

 

Piscando os olhos para o mais velho, Nobara sentiu toda a ansiedade piorar com as pupilas contraídas em preocupação ou susto de Nanami. Ela sabia que era errado ela estar tirando toda aquela felicidade e leveza de seu pai estando tão estranha em relação a ele, mas ela não podia mais aguentar sua angústia. 

 

Ela era egoísta assim, culpe Nanami por preferir priorizar os filhos do que ensiná-los sobre compreensão. 

 

Nanami os ensinou a serem compreensivos, mas ele também sempre colocava as emoções e escolhas deles acima de qualquer coisa, principalmente sobre os próprios sentimentos. Yuji era o mais compreensivo e sensível, já ela era o completo oposto – apesar de ela ter seus momentos.

 

— Não é nada. — ela dispersou, forçando um sorriso e levantando o polegar no rosto do homem. Nanami suspirou com o comportamento, abaixando a mão da filha com uma repreensão suave e voltando às suas panelas. Sendo o pai de Nobara e tendo participado ativamente de seu crescimento e criação, ele sabia quando não podia persistir e o quanto sua menina adorava manter a fachada de super forte, então não adiantaria de nada ele tentar persistir. — Você viu Yuji? 

 

— Deve estar brincando no quarto. Choso trouxe presentes pra ele hoje. — Nanami disse, cortando algumas coisas verdes que Nobara jamais saberia o nome. Jamais era uma palavra forte e mentirosa – ela iria aprender um dia, mas, por enquanto, ela queria continuar sendo a filhinha de papai que não sabia de nada útil. — Aproveita que está indo lá e peça para ele ir tomar banho, okay? 

 

Nobara caminhou até as escadas, parando no terceiro degrau para olhar seu pai mexer em uma panela enquanto cantarolava. Os óculos do homem estavam um pouco embaçados pela fumaça.

 

Um botão de calor surgiu em seu peito e talvez, apenas talvez, Megumi estivesse certa sobre ela estar surtando atoa.

 

— Pai. — ela chamou, vendo-o deixar a colher na panela e se virar completamente para ela, esperando em silêncio que ela prosseguisse. Nobara sorriu. — Eu te amo. 

 

Quando Nanami suavizou o olhar e abriu um sorriso, Nobara sentiu todo o seu peito queimar de pura alegria. Seu pai era a pessoa que ela mais admirava e amava no mundo todo e vê-lo sorrir por coisas simples como uma declaração carinhosa a deixou menos ansiosa e mais contente. 

 

Seu pai merecia apenas a felicidade e nada mais que a felicidade. Talvez a lua, o sol, as estrelas e o universo todo, mas se ele estivesse feliz valeria por tudo isso. 

 

Não esperando uma resposta do homem, Nobara correu escada acima, atravessando o corredor em passos rápidos até o quarto de Yuji e gritando para ele tomar banho porque ele fedia mais que peixe morto. Nanami a repreendeu por correr nas escadas e chamar seu irmão de fedido, mas a ruiva apenas ignorou, alegando que "quanto mais rápido Yuji soubesse a verdade, melhor seria para o nariz dela”.

 

Yuji entrou no quarto dela e se jogou por cima da garota, tentando enfiar a cabeça dela debaixo de suas axilas que cheiravam a um bebê azedinho. Ela fingiu morrer com o cheiro e Yuji apenas riu. 

 

Apesar de Yuji ter seus sete anos completos, ele ainda tinha um cheirinho e o calor reconfortante de um bebê e seu rostinho redondo, de bochechas gordinhas e quentes, apenas o deixava com a imagem mais fofa do mundo. Ele era realmente um bebê – o bebê dela. 

 

Abrindo os olhos e puxando o corpinho menor para um abraço, Nobara passeou os dedos finos entre os fios rosados e suspirou, sentindo o coração do menor bater acelerado contra sua barriga pela brincadeira de antes. Ela cutucou as bochechas de Yuji para afastá-lo dela.

 

— Chega, chega. Vai tomar um banho que está quase na hora do jantar e teremos convidados para hoje. — ela o chutou para fora, rindo quando a criança caiu no chão em um baque mudo. 

 

Yuji pulou, olhando para ela com olhos arregalados. 

 

— Convidados?! — ele deu pulinhos, correndo até a porta dela e batendo a porta com força, retornando rapidamente para pedir desculpas, fechando novamente com mais calma. 

 

Nobara apenas riu, balançando a cabeça com a energia de seu irmão. Yuji era aquela criança ligada no duzentos e vinte e que amava socializar, receber visitas e conhecer pessoas. Todos na vizinhança eram amigos dele e amavam sua energia – exceto a mulher que morava no fim da rua que sempre fechava a porta de sua casa na cara de Yuji e cuspia coisas ruins sobre seu irmãozinho. 

 

Nobara a odiava tanto quanto aquela velha odiava seu bebê. Talvez até mais.

 

Olhando para o teto do quarto e pensando sobre como tudo estava bem, Nobara não notou quando caiu no sono.