Work Text:
mayflower pub. londres. 23h12.
— gente, vocês não estão me entendendo. ele é tão cheio de vida que é impossível resistir. vocês têm que me ouvir! eu nunca vou esquecer ele!
os amigos de mark não aguentavam mais. todo dia, fosse na faculdade, no estágio ou até em pubs, como agora, minhyung só tinha um assunto: lee donghyuck. o estudante de geologia recém transferido, havia capturado a atenção de mark com seu sorriso estonteante e um jeito de andar tão-só dele, como dizia o canadense. eles tinham a mesma idade e ficaram em uma festa qualquer da bioquímica, curso do irmão mais velho do canadense, johnny. o lee nunca mais foi o mesmo desde aquele dia. e como o destino brinca com as pessoas, pegaram, para o azar de qualquer um que convivia no círculo de mark, a mesma eletiva de química medicinal. até onde um universitário iria por horas extras? talvez nem ele mesmo saiba, afinal de contas, um engenheiro civil fazendo estágio em um aeroporto, pegando eletiva de química, está chegando próximo de descobrir o que os loucos sabem… essa ideia maluca veio de johnny que queria uma oportunidade de agradar o monitor da matéria, seu olhante jaehyun. achou que se falasse bem da matéria e contasse com uma ajudinha do irmão, conseguiria uma chance com o bonitinho, mas não sabia onde estava se metendo, pois desde o primeiro dia de aula, estava ouvindo sobre o tal menino lindo e que cheirava a mentos de melancia que minhyung estava obcecado. realmente, ninguém aguentava mais.
— mark, chega. não dá! vai lá e fala com ele então. por favor. o mais difícil você já conseguiu, é só chegar nele de novo. — jaemin implorava. seus amigos realmente não sabiam mais o que fazer.
era uma saída comum de sexta, johnny, jaemin, mark e lucas estavam tentando liberar as energias depois de mais uma semana. era difícil o suficiente estar na faculdade, sem contar o fato de serem intercambistas. assim, ficar ouvindo um homem formado - seu lóbulo frontal já era desenvolvido, então, sim, um homem - falar como se fosse um adolescente obsessivo, era de dar pena.
— eu não consigo. ele é demais pra mim. quem garante que ele sabe quem eu sou? talvez, ele estivesse muito louco e nem lembra que a gente ficou. e se ele me odiar? achar que sou um banana? ou pior, eu beijo mal e traumatizei o amor da minha vida? tô ficando tonto. ai minha cabeça tá doendo.
além de fraco no amor, mark lee era fraco pra bebida. era a terceira rodada de cerveja e ele já estava quase chorando só de falar em donghyuck. patético. ele sabia.
— vai ao banheiro mano. aproveita e tenta se afogar na pia, pra ver se entrando água nesse seu cabeção, entra noção também — lucas dizia, ainda que se compadecesse do amigo, após testemunhar essa humilhação, não só ele, mas o pub todo, decidiu que era melhor mandá-lo tomar um pouco de vergonha na cara. e quem sabe ele se tocasse de quem estava assistindo a esse show de dar dó.
meio manco, meio troncho e em meio às lágrimas, minhyung foi tentar achar o banheiro em meio a um mar de gente. quando enfim encontrou, demorou alguns minutos para entrar já que teve de encarar a maçaneta até lembrar que era pra baixo e não pra cima que abriria a porta. enquanto lavava as mãos, viu de relance outra pessoa entrando no banheiro. nem se importou, afinal, só tinha olhos para seu docinho. era um romântico incurável, o que poderia fazer? tentou lavar o rosto e, realmente, quase se afogou em seus pensamentos e lamentações.
— mark lee. se concentre. não quero ver ninguém perdendo a linha quando ele passar! você é um homem ou um saco de batatas? acho que um saco de batatas…
e foi durante essa sessão estranha de autoajuda de uma mente completamente embebedada que o pior - pra ele - aconteceu.
— opa, tudo bem aí? tá precisando de ajuda? - disse uma voz repentina. e claramente mais sóbria que a de mark. ainda que ele tentasse ajudar, o pulo e o grasno que o canadense deu, fez com que fosse incapaz para o homem não rir. - desculpa, cara. não quis te assustar, foi mal.
o loiro estava espantadíssimo. concluiu que estava vendo coisas. como era possível alguém se parecer tanto com donghyuck? seria um sósia? seus amigos estavam lhe pregando uma peça, só podia. uma mente bêbada é oficina das ideias mais mirabolantes já vistas, daquelas que nunca, jamais você faria se estivesse sóbrio. minhyung sofria muito das péssimas impressões de um bêbado, desde nadar na fonte do campus até fazer uma tatuagem, daquelas cheias de penas escrito carpe diem em fonte de letra cursiva. e dessa vez, não foi diferente.
— cara, você pode me ajudar sim! por favor.— ele dizia, enquanto tentava secar o rosto. obviamente, era sim lee haechan que estava ali, em sua frente, mas jamais que mark perceberia. donghyuck estava rindo e extremamente interessado em saber o que ele pediria. diferente de do engenheiro, ele não era bobo nem nada e já tinha percebido as encaradas e as bochechas vermelhinhas quando pegava o outro no flagra. o lee mais novo sempre achou o engenheiro bonitinho: o cabelo grande, ondulado e descolorido era de chamar atenção. ele era gentil e não viu porque não chegar no canadense naquela festa do começo do semestre. mas diferente do que pensou, mark sumiu e só foi encontrá-lo novamente no início das eletivas. até pensou flertar para conseguir um replay ou mais alguma coisa, mas uma vez tentou falar com ele e sentiu que o coitado teria um ataque, então decidiu dar tempo ao tempo. mas após dois meses, já estava se cansando. coincidentemente, decidiu sair aproveitar a sexta-feira com seu grupo de amigos e viu o lee mais velho com os amigos de longe. demorou um shot e uma coerção de jaehyun para decidir que seria uma noite de sorte. teve convicção plena ao ver o lee saindo e logo foi tentar dar o bote, só não contava com o fator álcool tão alto no sangue. mas quis ver aonde até ia.
— pode falar, então, fico feliz em ajudar.
— você me lembra muito um cara que eu sou obcecado, sabe. não obcecado, mas eu gosto muito dele, muito mesmo. a gente ficou uma vez só, mas você tinha que ver ele. ele tem uma personalidade única, é lindo, fofo e eu gosto tanto do rosto dele, das meias que ele usa no verão e até das marquinhas das pintinhas que ele tem! tenho certeza que se a gente ficasse junto eu faria ele muito feliz! quando ele vai passando parece que saem faíscas e sei lá, sinto que uma dose, ainda que muito forte, dele, não é o suficiente. você me entende?
donghyuck estava absolutamente boquiaberto. ninguém nunca havia o descrito daquela forma. se sentiu tão feliz em saber que o cara que falava sobre com seus amigos estava tão afim quanto ele, se não mais! admitia que ficava sonhando acordado com seus amigos e falando sobre o lindinho da engenharia, que se sentia seguro perto dele e como se sentiu todo engraçado por dentro quando ficaram de casal e ele o disse que tinha “um gosto incrível” e como esqueceu todas as preocupações do dia todo estressante que teve ao olhar naqueles olhinhos de leão, tão brilhantes e que pareciam adorar qualquer movimento que fazia. ficou pensando se ele não estava sendo emocionado demais, ficaram realmente só uma vez e o perdido que tomou depois o fez ficar se sentindo meio abandonado. mas aos poucos foi entendendo que o jeito apavorado e tímido de seu futuro amado era um charminho que teria que passar por cima se quisesse dar uma chance a ele. então, naquele banheiro porquinho, decidiu tentar novamente com o canadense.
— eu entendi sim… e você já pensou em falar pra ele como você se sente? — haechan decidiu ir com calma, não queria perder a oportunidade que o destino tinha jogado em suas mãos.
— aí que tá moço, eu não consigo! ele é todo perfeito na dele e eu fico com medo. quem garante que ele já não arranjou outro ficante pra ficar de chameguinho com ele e já me esqueceu? eu não esqueci, acho que nunca vou conseguir esquecer aquele homem.
hyuck riu, porque no fim das contas ele tinha esquecido, sim, ou então não estariam tendo essa conversa de maluco.
— mark, eu acho que você deveria falar a ele como se sente… e se for recíproco? se continuar desse jeito ele nunca vai saber e vai viver com essa dúvida pra sempre. o que você faria se ele também quisesse?
— nossa, eu levaria ele daqui e faria ele esquecer de tudo! acho que faríamos o casal mais incrível de toda a faculdade. quer saber, eu vou é ligar pra ele! — e antes que o geólogo conseguisse reagir, o lee tinha saído em disparada do banheiro buscar seu celular que havia largado na mesa.
— que isso canadá, a gente tava quase indo ver se você tinha rodado na privada. e por que você tá correndo? — lucas tentava entender a situação, até que avistou um donghyuck vindo atrás. ele decidiu não intervir, porque ou ririam muito em um futuro próximo, ou precisaria comprar uma garrafa de uísque para o lee mais velho afogar as tristezas. deixou mark cuidar do próprio caminho, mas se ficasse muito humilhante ia ajudar. ou não.
— me dá meu celular, xuxi. rápido! o homem do banheiro me convenceu a me confessar pro haechan! você tinha que ver, ele era gente boa demais e até parecia meu amorzinho. mas não era tão bonito… anda dá logo o telefone.
ele tinha, realmente, decidido não intervir. mas não era possível alguém ser tão idiota.
— mark, você é burro? aquele é o donghyuck.
não é possível. minhyung se virou bem devagarzinho, se sentia humilhado - e tonto - demais pra conseguir encarar a cara do homem que acabara de se confessar, indiretamente. era ele mesmo. lee donghyuck, seu futuro namorado em sua cabecinha. como lidar com isso? bom, decidiu encarar plenamente a situação.
mark lee, engenheiro e estagiando de uma das melhores faculdades de londres, saiu correndo. corria loucamente. mas estava claramente alterado, era óbvio que não chegaria longe. conseguiu chegar até à baía do rio Tamisa, mas logo já caiu sentado. rapidamente hyuck o alcançou e o encontrou sentadinho vendo o rio passar. decidiu se aproximar devagar, mas queria mesmo era rir daquela situação ridícula: aos 25 anos jamais se imaginou correndo atrás do cara que gostava, como se estivesse buscando por seu crushzinho de escola, mas algo em mark lhe dava aquela sensação de casa quando ele estava presente. era quentinho e bom.
— minhyung! o que você tá fazendo? por que correr? achei que você gostava de mim.
— é humilhante…
— o quê? gostar de mim é humilhante?
— ter me confessado pra você todo bêbado, em um banheiro e sem nem ter percebido que era você que tava na minha frente! deus, eu decorei até qual o lado da pintinha na sua bochecha e eu não te reconheci! eu não poderia estar mais humilhado… donghyuck, se você não quiser ter nada comigo, eu vou entender, de verdade. depois dessa então. acho que nem eu quero mais ter nada a ver comigo.
— mark lee, você é o homem mais boboca que eu já conheci! é óbvio que eu quero ficar com você! larga de ser dramático e vem aqui me dar um beijo.
e mark foi. e eles se beijaram por um tempo considerável até a brisa geladinha do rio os obrigarem a voltar para o pub. afinal, todos os seus amigos ainda estavam lá esperando, ou algo parecido. ao entrarem de novo no recinto, encontraram johnny e jaehyun no maior namorico, e o resto dos amigos conversando. o que eles teriam em comum? bom, meio que eles tinham todos os pontos de vista da história dos maiores arregões de todo o reino da grã-bretanha. e às vezes isso é o suficiente.
