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A última coisa que Todd queria na sexta-feira à noite era ir a uma festa. Se fosse uma festa com karaokê e filmes antigos, menos mal. Mas as festas de Charlie Dalton com certeza não eram assim.
Bebidas e música alta não eram a praia de Todd, e era por isso que, ao se ver sentado no sofá da sala de estar de Charlie, ele se perguntou o que estava passando em sua cabeça para vir.
E então ele o viu.
Não, a razão pela qual Todd veio a festa não foram as bebidas, música ou para ficar com alguém. A razão pela qual Todd veio tinha um nome. Neil. Neil Perry.
Neil e Charlie eram melhores amigos desde sempre, e Todd tinha certeza de que Neil não perderia a festa de seu melhor amigo.
Na verdade, ninguém perderia a festa de Charlie. As festas dele eram as melhores, e não era fácil conseguir um convite. E foi apenas pelo convite que Todd veio.
Quando Neil aproximou dele no corredor, depois da aula de inglês, Todd não sabia o que o garoto queria. Ele sempre observava Neil a distância, mas eram raras as vezes em que eles conversaram. Em partes porque Todd era tímido para iniciar uma conversa, e quando Neil tomava a iniciativa, Todd sempre arrumava uma desculpa para sair e não estragar as coisas com Neil.
E ali estava Neil. Com seu cabelo castanho e um copo vermelho nas mãos, as luzes da pista de dança iluminando seu rosto, Todd nunca o havia visto mais bonito. A menos depois da aula de Educação Física, quando seu cabelo ficava todo molhado e suas bochechas ruborizaras.
Todd se perguntou se deveria ir até lá e começar uma conversa, ou só observá-lo de longe. Ele decidiu que não. Observar Neil dançar era melhor que nada, e valia todo o esforço de ter vindo até ali e ficar vendo pessoas se beijarem.
Não durou muito tempo. Todd devia estar encarando Neil de um jeito bem... peculiar, pois ele saiu da pista de dança e foi se sentar ao lado de Todd.
De repente, Todd não sabia como respirar. Ter Neil Perry ao seu lado, tão perto... ele respirou fundo e tentou não transparecer tudo o que estava pensando naquele momento.
— E aí, Todd? Como vai?
Todd arregalou os olhos, tentando não embaralhar as palavras.
— Eu estou m-muito bem, obrigado. — um silêncio desconfortável se seguiu, enquanto Todd tentava pensar em algo para dizer. — Festa legal, né?
Neil sorriu. E que sorriso, Todd pensou.
— Muito legal. Mas você não parece estar gostando muito.
Todd deu os ombros. Ele não queria, de jeito nenhum, que Neil pensasse que ele era um bicho do mato, que só sabe ficar em casa.
— Claro que eu estou gostando! Estou acostumado. Sabe, já fui em várias festas, bebidas, garotas e coisas do tipo.
Neil arqueou a sobrancelha, como quem sabe que tem alguma coisa estranha.
— Ok, eu não vou a festas. Não porque eu não gosto, mas não sou convidado para muitas, e normalmente é na véspera de provas. Você sabe, tenho que estudar para tirar notas boas e tal.
Neil riu, negando com a cabeça.
— Todd Anderson, você é a pessoa mais inteligente que eu já conheci. Duvido que conseguiria tirar um bota ruim, mesmo que quisesse.
Naquele momento, Todd tinha certeza que estava vermelho igual a um tomate. Conversar mais que duas palavras com Neil (ainda que gaguejando) era um avanço enorme, e ele tinha sido elogiado!
— Então, o que está bebendo? — Todd perguntou, para não deixar o assunto morrer.
— Ah, nada demais. Alguma das coisas que Charlie colocou para mim que eu definitivamente não deveria beber. — ele fez uma pausa. — Me ajuda a entrar no clima e esquecer meus problemas.
Todd se perguntou que tipo de problemas Neil poderia ter, afinal, ele era um dos caras mais populares da escola toda. Mas antes que Todd pudesse falar mais qualquer coisa, Neil se afastou, com a desculpa de falar com Knox.
Todd não estava certo sobre o que fazer. Ele sabia que tinha uma queda por Neil desde o ano passado, mas essa foi a primeira vez em que eles haviam realmente conversado. O coração de Todd bateu super rápido? Sim. Ele gaguejou algumas vezes? Sim. Mas foi a primeira vez. E, se ele tivesse sorte, não seria a última.
•
Algumas horas haviam se passado, e Neil estava exausto de tanto dançar e jogar tênis de mesa. Um lugar para se sentar era tudo que ele queria. De preferência, um lugar sem vômito e pessoas se beijando.
Ele finalmente achou uma cadeira em um canto isolado da cozinha. A música ainda estava alta, mas pelo menos ele estava sentado.
Neil deu uma espiada em seu copo; ele estava bebendo alguma coisa marrom, mas não tinha ideia do que. Ele se lembrava de Meeks colocando alguma coisa em seu copo, mas estava tudo tão confuso...
De repente, ele sentiu uma mão em seu ombro.
— Caramba, cara, por onde você andou? Estou te procurando há uns cinco minutos!
Neil ergueu seu olhar lentamente. Sua visão não era nada boa; um Charlie bravo estava na sua frente, e logo começou a empurrar ele da cadeira.
— O que... o que diabos você está fazendo, Dalton?
Charlie revirou os olhos.
— Estou te levando ao amor da sua vida. Agora anda, ele não vai esperar por muito tempo.
Neil esperou sua visão se focar novamente, e seguiu Charlie por um caminho que reconheceu como sendo até o quarto do rapaz.
— Charlie, é sério, para onde estamos indo? — Neil já estava começando a ficar irritado; dois casais se beijando já haviam esbarrado nele, e ele tinha certeza que estaria melhor se estivesse sentado naquela cadeira, onde ninguém o incomodaria.
— Ah, Neil, você vai me agradecer tanto por isso! — Charlie parecia animadíssimo, e Neil estava receoso sobre o que ele poderia ter feito.
Charlie abriu a porta do seu quarto, e Neil percebeu que eles não estariam sozinho.
Sentados em um semicírculo, estava Knox, Meeks, Cameron e Pitts.
— Finalmente, Charlie! — falou Knox. — A gente achou que você tinha caído da escada e desmaiado.
Charlie deu os ombros.
— Não é culpa minha se o sr. Gay Não Assumido não queria vir.
— Quantas vezes eu vou ter que falar que não sou gay, Charls? Ser gay não é a mesmo coisa que ser bi.
Charlie revirou os olhos.
— Tanto faz, Neil. Agora entra no armário.
Neil franziu a testa.
— Armário? Eu achei que o objetivo era sair do armário. — ele deu uma risada fraca.
— Tem alguém te esperando lá dentro. — Charlie falou abrindo a porta. — Anda, seus sete minutos no céu começam agora.
Neil não tinha nenhuma ideia do que estava acontecendo. Mas, se tivesse, provavelmente não daria dado o passo que mudou a sua vida.
•
Todd estava confuso. Melhor, Todd estava completamente perdido— ele estava prestes a ir embora, porque não tinha visto Neil desde de sua breve conversa no sofá. Já tinha até se despedido de algumas pessoas quando Knox se aproximou dele. Ele tentou puxar papo, mas para Todd estava visível que tinha alguma coisa a mais. E realmente tinha.
Era isso, ele tinha que aprender a dizer não para as pessoas, dizer "não, eu não quero entrar em um armário na casa de alguém que não conheço, obrigado" e simplesmente ir embora. Ele precisava dormir, de qualquer jeito.
Infelizmente, ele não sabia dizer "não", principalmente quando Knox deu a entender que Neil estaria no meio da história— céus, Todd estava caidinho demais para seu próprio bem. Era para ser só um crush e nada mais, alguém para usar de inspiração nos seus poemas, mas agora ele estava realmente se apaixonando por alguém que deu oi o quê, três vezes? Era vergonhoso.
Ele esperou dentro do armário. Era quase um closet pelo tamanho, caberiam três pessoas lá dentro se apertassem bem. Ele considerou ligar a luz para entender melhor o ambiente, e depois desistiu, não queria que Charlie pensasse que estava fuçando em suas coisas. Mas também, ele não havia entrado ali por vontade própria, havia quase sido coagido. Ele teria uma desculpa boa.
Depois de poucos minutos, ele escutou vozes, e reconheceu Knox, Cameron e Pitts.
— Todd? — chamou Knox.
— Sim?
— Tudo certo aí?
Todd pensou em como dizer "que porra eu estou fazendo aqui" com educação.
— Hã... eu ainda não entendi o propósito disso.
Os meninos riram, e Todd sentiu como se fosse parte de uma piada que todos conheciam.
— Calma, o Neil já vai chegar, ele vai te explicar tudo.
Ok, Todd não conhecia muito sobre adolescentes, mas isso estava muito parecido com uma pegadinha. Ele não pensava que Neil teriam amigos desse tipo, ou que o próprio Neil fosse assim, mas seria um jeito definitivo de acabar com sua afeição. Ele não teria afeto por alguém que fizesse gracinhas com ele a troco de nada.
O certo a fazer, o que ele queria fazer, era abrir a porta do armário e sair dali, ir embora e dizer que não era engraçado. Ainda assim, uma parte de si esperava que fosse algo bom, tinha esperança que não seria uma experiência completamente ruim.
Alguns minutos se passaram, os meninos estavam falando entre si baixo o suficiente para Todd não entender nada. Isso definitivamente não ajudou com o nervosismo. Logo ele escutou a porta sendo aberta, e Charlie entrou, falando com Neil. Neil estava ali. O pensamento foi o suficiente para aumentar a pressão de Todd, e o sangue estava latejando em seus ouvidos, alto o suficiente para ele não conseguir escutar nada.
De repente, a porta foi aberta e Neil foi praticamente jogado lá dentro. Todd ainda não estava entendendo a situação, mas Neil estava tão atraente que ele mal se importava.
•
— Sete minutos, hein! Estamos cronometrando! Nem tente passar disso! — e com isso a porta do quarto foi fechada, e Neil entendeu que era só ele e Todd ali. Em um armário pequeno demais para eles ficarem afastados decentemente.
Porra, se os meninos tivessem contado sobre esse plano, ele não teria se deixado embebedar tanto. Ou talvez foi exatamente por isso que encheram o copo dele com tanto lixo; acharam que bêbado ele estaria mais solto. Bobagem, estar perto assim de Todd já era o suficiente.
Ele estava obviamente perdido, encarando Neil quase com espanto, e Neil conseguia ver as bochechas rosadas pela pouca luz que entrava pelas frestas da porta. Ele estava adorável, pra caralho.
— Então... — começou Neil.
— Eles só me jogaram aqui. — disse Todd, rapidamente. — Eu não... eu não sei qual a intenção.
Neil riu.
— Ah, não tem muita coisa na lista de possibilidades, né? Festa, armário, organizado por amigos...
— Eu não vou em festas.
— É verdade. — se Neil estivesse pensando mais claramente, talvez ele teria sido mais sutil, mas ele estava com dor de cabeça e seus amigos já tinham fodido com tudo mesmo, não tinha como piorar. — É um jogo. Quase, não exatamente. Chama-se Sete Minutos no Céu.
— E o objetivo é...?
— Bem, geralmente é um passe livre para pegação. — ele riu pelo leve arregalar de olhos de Todd. — Sabe, adolescentes, hormônios e tal. Fiz isso com o Knox recentemente, acho que ele quer me dar o troco.
— Então, você... e eu...
— Sim? — ah, Neil queria muito ver como aquilo terminaria. Poderia não dar em nada, só ver Todd gaguejando sobre a possibilidade de eles ficarem era suficiente para valer a pena.
— Por quê eles pensariam isso? Quero dizer, você é... você.
Neil arqueou a sobrancelha.
— Algum problema com isso?
— Não! Não. É só que... você e-e eu? — Todd o olhou nos olhos pela primeira vez desde que começara a falar. — Eu não sou o seu tipo.
— Como você poderia saber disso?
Todd ainda não tinha quebrado contato visual, e isso estava fazendo Neil gostar ainda mais da interação.
— Eu sei o tipo de pessoas com quem você fica. O tipo de garotas. Acho que já é... bem explícito por si só.
Ok, Neil não poderia estar entendendo isso errado. Todd não estava dando motivos sobre si próprio, ele estava falando de Neil apenas. Isso era quase uma demonstração de interesse, certo?
— Eles não teriam feito isso se não soubessem do meu interesse por você. — Neil disse, tentando ser o mais direto possível. Ele não podia desperdiçar a chance. — Acho que falei de você vezes o suficiente para notarem alguma coisa.
Todd ficou ainda mais vermelho, e Neil sorriu com isso. Ele deveria ter conversado com o garoto mais cedo, ter ido atrás dele antes, porque era incrível tê-lo ali perto.
— V-você fala de mim?
— Falo. — Neil decidiu ser mais ousado, e apoiou seu corpo em uma mão na parede ao lado da cabeça de Todd. Se eles estava próximos antes, agora eles estavam praticamente colados.
— I-isso é bom. — Todd engoliu em seco, mas Neil podia perceber seu olhar. Ele definitivamente estava interessado. — Então... como esse jogo funciona?
Neil sorriu de lado. Flerte. Ele era bom nisso.
— Temos sete minutos ininterruptos para fazermos o que quisermos. Nós podemos só conversar, claro. Não precisa ser nada demais.
Todd assentiu com a cabeça, e Neil não conseguiu evitar de olhar para sua boca.
— Bom. Conversar é bom. Mas acho que isso é ir contra o propósito do jogo, não? Não deveríamos fazer... coisas mais apropriadas?
Todd imediatamente se repreendeu por dizer aquilo. Quem ele pensava que era? Não podia ser tão explicito assim. Sua cabeça estava leve e ele imaginava que estar bêbado seria assim.
— Ah é? Tipo o quê? — céus, Neil estava adorando o olhar que Todd lhe dava. Ele estava literalmente arrepiado, só de estarem tão perto.
Todd lhe fitou por um momento, abriu a boca para dizer algo, e então desistiu. Neil estava pronto para dizer que eles podiam sair, não precisavam esperar dos sete minutos, quando Todd colou seus lábios aos dele.
•
Todd não conseguia pensar em outra coisa além de "eu estou beijando Neil Perry". Ele estava totalmente maluco, claro, ninguém em sã consciência faria isso, mas valia tanto a pena. Ele estaria mentindo se dissesse que não tinha pensado sobre isso antes, mas definitivamente não achou que seria assim. Todd Anderson, navegando por mares nunca antes navegados? Pfft, não, obrigado.
Mas ali estava ele. E ali estava Neil, com uma mão em seu pescoço e colando seus corpos, e de repente era menos um beijo e mais uma pegação, ou ao menos o que Todd achava que contava como pegação.
Sendo 100% honesto, não era seu primeiro beijo. Ele tinha beijado uma menina durante o pique-esconde do acampamento de igreja anos antes, mas não tinha sido um beijo beijo. Mais como lábios colados por alguns segundos e só. Mas serviu para Todd saber o que fazer com as mãos, enquanto Neil explorava seu pescoço, ele firmou sua mão na cintura do garoto e apertou de leve. Céus, ele não sabia de onde estava tirando essa coragem toda.
Neil se afastou para recuperar o fôlego, e Todd aproveitou para observá-lo melhor. Seu rosto estava corado, e mesmo na pouca luz Todd percebeu que seus olhos estavam reluzindo. Ele estava gato pra caralho. E ele estava beijando Todd. Todd mal conseguia compreender.
— Tudo certo? — Neil perguntou com um sorriso de canto, e olhou rapidamente para a mão de Todd, ainda escorada em sua cintura. Todd reprimiu a vontade de tirá-la de lá.
— Sim. Tudo certo. — melhor que nunca, Todd queria dizer. Isso era loucura. Ele não podia deixar acabar.
Todd se aproximou para continuar o momento, e Neil lhe encontrou no meio do caminho. O beijo dessa vez já começou profundo, e Todd gemeu quando Neil chupou sua língua. Ok, não teria como ficar mais vergonhoso que isso. Valia a pena, mas Todd não sabia como poderia encará-lo na escola depois.
A pele de Neil estava quente debaixo da mão do loiro, e Todd se deixou aproveitar os sentidos. O calor da pele de Neil, a vontade dos seus lábios... e o álcool.
Ah, não. Todd não tinha percebido antes. É claro que isso estava bom demais para ser verdade. Agora que Todd tinha reparado, não conseguia prestar atenção em mais nada: o gosto de bebida estava forte, e era claro que Neil não estava em seu melhor momento. Talvez seja por isso que ele esteja comigo, ele pensou.
Todd afastou seu rosto, levando a mão ao peito de Neil para impedi-lo de se aproximar mais.
Neil lhe olhou confuso.
— O que houve?
Todd não sabia responder. Quer dizer, ele sabia, mas sua língua parecia presa. Neil estava com uma expressão tão confusa que tudo que Todd queria era voltar a beija-lo.
— Isso... Neil, eu... não. Eu tenho que ir.
Ele deu uma última olhada, e saiu pela porta sem olhar para trás. Por sorte não encontrou nenhum dos meninos envolvidos até sair da casa, e só parou para respirar quando já estava a três quarteirões da festa. Ele tocou sua boca; seus lábios ainda sentiam a pressão de Neil.
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Faziam cinco dias desde a festa e eles tinham tido três dias de aula desde então, e Todd fingia que nada havia acontecido. Se ele desviava o caminho quando via Neil ou se chegou mais cedo para não encontrar Charlie no caminho até a escola, bem, essas eram mudanças que qualquer um poderia fazer por qualquer motivo.
A verdade é que o estômago de Todd se contorcia cada vez que ele via Neil, e ele sabia que era pelo que tinha acontecido na festa. Antes, quando eles se esbarravam pelo corredor Todd ficava com o coração quente, mas só. Agora ele sentia que poderia explodir.
Ele tentou se convencer de que foi só um beijo e nada demais, que Neil nem havia ligado tanto assim. Um dos motivos para não querer encará-lo era esse: ele não sabia se era pior Neil não se lembrar do ocorrido, ou se lembrar e não se importar. A melhor opção era não saber.
No fim das contas, não adiantou ele se esconder, porque no sexto dia após a festa Neil apareceu do seu lado enquanto Todd caminhava até sua casa, parecendo tão calmo quanto sempre. Todd, por outro lado, já sentia o resto arder.
— Oi, Todd. Se importa se eu acompanha-lo até sua casa?
Todd o olhou de soslaio.
— Mas... a sua casa é na outra direção.
Neil deu os ombros.
— Uma caminhada a mais não faz mal para ninguém.
Todd não protestou, e Neil ficou calado por mais alguns momentos até dizer:
—Você esteve me evitando a semana inteira, né?
— Não. — se Todd não estava corado antes, agora ele com certeza estava.
— Tudo bem. Não tem problema. — ele inspirou fundo. — Eu sinto muito pelo que aconteceu na festa. Eu não deveria ter te forçado, e os meninos foram muito idiotas também. Eu já briguei com eles.
Todd olhou para Neil por alguns instantes, e percebeu que ele estava sério demais para se tratar de alguma brincadeira.
— Você não precisava. F-foi legal.
Neil riu com escárnio.
— Fala sério, Todd. Não tem problema. Você basicamente fugiu.
Tudo que Todd queria era se enfiar em um buraco.
— Sim! Eu sei. Mas é porque você obviamente não estava pensando direito. Você... você estava muito a fim, e eu conseguia sentir o álcool. Não estava certo.
Neil franziu a testa, e ficou alguns segundos processando a informação. Todd não havia dado nenhum motivo pessoal para ter ido embora.
— Ok, eu entendo porque o álcool foi um problema, mas qual o problema de eu estar muito a fim? Eu estava aproveitando o momento.
Todd se segurou para não revirar os olhos.
— Fala sério, Neil.
— O quê? — Neil sentia que não estava entendendo mais nada, e ficava ainda mais difícil porque Todd se recusava a olhar em sua direção.
— Não tinha como você estar aproveitando.
— Por quê não? Eu não estava tão bêbado assim. Além disso, eu gosto de você.
Todd parou de andar, surpreso demais para fazer qualquer outra coisa.
— Você gosta? Tipo, mesmo? — ele perguntou, dessa vez olhando Neil diretamente nos olhos.
Dessa vez, era Neil quem parecia querer se enfiar em um buraco. Ele encolheu os ombros antes de responder:
— Sim , claro que sim. Não era óbvio?
— Não! — os olhos de Todd estavam levemente arregalados, que nem quando no momento do beijo. A lembrança fez Neil sorrir.
— Desculpa, eu achei que gaguejava suficiente quando falava com você para você perceber e tinha te beijado com paixão suficiente.
Todd riu, e Neil estava sorrindo também.
— Faz sentido.
Os dois estavam parados na calçada, ambos de repente com vergonha.
— Então... eu gostaria de, sei lá, ir ao cinema pra gente se conhecer melhor ou algo do tipo. — Neil disse.
— Eu adoraria. — Todd sorria tanto que sua bochecha doía.
— O único problema é que meus pais não são muito, hm, compreensíveis, sabe? Então eles não sabem sobre... eles são muito conservadores.
Todd colocou uma mão no antebraço de Neil, e apertou levemente.
— Não tem problema, Neil. Ninguém precisa saber. Meus pais também... eles querem que eu seja que nem meu irmão, e não aceitam que eu tenha, como eles falam mesmo? Distrações.
Neil sorriu fraco.
— Acho que nós dois temos mais em comum do que imaginamos. — ele encarou Todd, cabeça inclinada para o lado. — Então, é um encontro?
Todd riu e assentiu.
— É um encontro.
