Chapter Text
O calor abrasador do deserto fazia Ray sentir cada centímetro de sua pele cozinhar sob seu casaco peluciado enquanto caminhava em direção ao galpão montado no coração do festival. As estruturas improvisadas e coloridas ao redor dele tremeluziam com a luz do sol, como se o cenário fosse parte de um sonho febril.
O Mirage Fest , com sua energia pujante e artística, tinha um foco pesado na música e nas interações humanas — as quais Ray preferia evitar sempre que possível. Para ele, apenas a música podia conectá-lo com o mundo; fora do palco, o som ensurdecedor e constante da sociedade fazia sua cabeça doer.
Sua banda, Sunset , estava programada para tocar logo após o pôr do sol do segundo dia, mas ele já podia sentir a ansiedade crescendo no peito. Seus amigos — os mesmos desde a faculdade, quando fundaram a banda, cinco anos atrás — estavam empolgados, e Ray tentava acompanhar a energia dos três o melhor podia, com direito a brincadeiras e um pouco de baderna. Eles tinham ensaiado incansavelmente, porém o peso de estar ali, num festival tão grandioso, o sufocava. Pior ainda, ele sabia que Sand Suwaratt também estaria lá.
Sand, o solista arrogante que parecia ser o exato oposto de Ray, já tinha se tornado uma presença incômoda em sua vida, mesmo que seus caminhos quase nunca se cruzassem. Sand era famoso pelo gutural e por sua habilidade com a guitarra, mas também por sua personalidade expansiva e seu jeito casanova que Ray achava particularmente desagradável. Em contrapartida, o solista parecia ter um desprezo particular pela pessoa de Ray, ainda que os dois jamais tivessem tido uma conversa franca.
De todo modo, não era segredo para o público geral que o roqueiro e o vocalista indie se detestavam, embora ninguém soubesse exatamente o motivo. E enquanto Ray parecia ignorar a existência de Sand, o roqueiro não perdia a oportunidade de fazer alguma menção sarcástica e provocativa ao tenor, fosse numa roda de artistas do meio ou em suas redes sociais.
À tarde, enquanto Ray se concentrava nos últimos ajustes de seu equipamento antes do ensaio, ele ouviu uma gargalhada familiar. Lá estava Sand, de pé, cercado por um grupo de fãs e outros músicos. O sorriso do solista era galante, e ele parecia perfeitamente à vontade, como se o festival fosse sua festa particular. Ray fez questão de desviar o olhar, mas pelo visto o diabo tinha outros planos.
“Olha só, se não é sua alteza, o vocalista da Sunset ,” a voz de Sand interrompeu seus pensamentos, soando casual e ao mesmo tempo provocativa, ao passo em que o mais alto cruzava os braços sobre o peito com um sorrisinho de canto. “Não te vi na cerimônia de abertura.”
Ray ergueu os olhos com irritação mal disfarçada, mordendo a língua para controlar minimamente sua expressão facial. “Eu costumo ter sorte pela manhã,” respondeu, sem muita emoção.
Sand deu de ombros, a guitarra pendendo descuidadamente em suas costas enquanto ele se aproximava. “Ouvi que vocês estarão no palco principal de amanhã. Nada mal pra uma banda retrô, mas… parece que vocês não conseguem sair da zona de conforto.”
A tensão no ar ficou palpável. Ray, já acostumado a críticas, sabia como lidar com elas, mas o tom arrogante de Sand sempre o atingia de maneira diferente, como se o babaca soubesse exatamente onde pisar para fazê-lo titubear. Ele cerrou o punho ao lado do corpo, sentindo o sangue ferver.
“Pelo menos nossa música tem alma. Não é só gritaria e voice tunes ,” o mais baixo retrucou, sentindo o pequeno demônio em seu ombro direito soltar fogos de artifício.
Embora Ray soubesse que pessoas como Sand adoravam uma audiência para suas pequenas demonstrações de ego e que o melhor a fazer era ignorar, a ideia de deixar Sand levar a melhor, justo naquele dia, corroía suas entranhas como fogo grego. O tenor ergueu ligeiramente o queixo, seus olhos pretos dançando com os do mais alto como em um faroeste.
A resposta de Sand foi um riso baixo, como se estivesse gostando do circo. “Alma? Claro, cara. Só não esquece que armário velho atrai mofo e traças,” disse o roqueiro, a voz trocista e sugestiva. Então ele se inclinou um pouco, quase invadindo o espaço pessoal do vocalista. “Fica de olho, enquanto você ainda dá pro gasto,” Sand piscou, o que só deixou Ray ainda mais furioso.
Antes que pudesse responder, uma multidão já se reunia em volta dos dois, percebendo a tensão que rapidamente escalava. Um empurrão aqui, uma palavra ácida ali, e logo a discussão virou um espetáculo em si, até que um dos organizadores do festival — um homem jovem e excêntrico, com roupas de paetê e óculos de sol enormes — posicionou-se entre os dois músicos.
“É o primeiro dia e já estamos assim?” O homem interveio, então olhou para Ray e Sand com um sorriso divertido, gesticulando teatralmente com as mãos. “Acho maravilhoso que vocês estejam tão animados, mas seria ainda melhor se essa energia fosse canalizada na direção certa, não acham?” Antes que qualquer um dos dois pudesse reagir, o organizador tirou um par de algemas prateadas de um dos bolsos e, com um movimento preciso, prendeu-a nos pulsos dos dois músicos.
“O que pensa que está fazendo?” Ray sibilou, instintivamente puxando o braço — e puxando o de Sand no processo.
“Vocês estão oficialmente presos um ao outro até o fim do festival,” o organizador anunciou, para o deleite da multidão que aplaudia. “‘Conexão humana’ é o tema deste ano. Sintam-se honrados por serem nossos mártires.”
Os dois músicos se entreolharam, incrédulos.
Sand, é claro, foi o primeiro a rir. “Isso vai ser divertido.”
Ray, no entanto, empalideceu imediatamente.
Com o espetáculo em desfecho, a multidão começou a se dispersar, rindo e comentando sobre o novo ‘precedente’ que fora adicionado ao festival. Enquanto Ray tentava processar a situação absurda, Sand aproveitava para provocar, tirando selfies e fotos das algemas para postar em suas redes sociais. Ao perceber, Ray bufou, puxando o braço numa tentativa inútil de se afastar, mas Sand apenas acompanhou o movimento com um sorriso despreocupado.
“Relaxa,” disse Sand, sorrindo. “Nunca ouviu falar sobre fazer limonada quando a vida te dá limões?” Ele puxou Ray suavemente, como se estivesse convidando-o para uma dança.
O gesto, no entanto, não ajudou em nada a acalmar o vocalista, que apenas revirou os olhos, ignorando o parasita que agora estava preso a seu braço enquanto tentava não surtar. O som metálico das algemas ecoava sob o barulho do festival e o burburinho das pessoas, misturando-se ao calor sufocante do deserto e à ansiedade que só aumentava. Ele viu seus amigos da Sunset já em disparada, correndo atrás do organizador que havia criado aquela cena ridícula.
“Ei! Volta aqui! Você não pode sair algemando as pessoas assim!” gritou Boston, o baterista da banda, enquanto tentava agarrar o cachecol de paetê do sujeito.
Fai, a baixista e também a única mulher da banda, soltou um suspiro angustiado. “Isso vai dar muita merda,” murmurou, já prevendo o caos que estava por vir. Ela correu atrás de Ton enquanto Jout, o guitarrista, seguia logo atrás.
Ray, apesar da irritação crescente, começou a correr no encalço dos amigos, mas a corrente curta e o peso de Sand do outro lado tornavam cada passo um teste de paciência. “Dá pra correr mais rápido?” Perguntou, enquanto tentava arrastar o solista.
O outro, para seu total desgosto, não parecia minimamente preocupado. Pelo contrário, ele ria enquanto era arrastado, claramente entretido com o caos. “Cara, relaxa! Você tá me matando aqui,” disse ele, tropeçando um pouco cada vez que Ray o puxava como se ele fosse uma mula empacada.
“Eu juro por tudo que é sagrado. Se você não colaborar, eu vou te enforcar com essa corrente,” Ray ameaçou, olhando para o mais alto com uma expressão assassina.
Sand levantou as mãos em sinal de rendição, embora ainda rindo, sem nenhuma sinceridade. Ray rolou os olhos, puxando o solista com mais força enquanto Boston e Jout já alcançavam o organizador ao longe.
O homem excêntrico, com seus óculos de sol extravagantes e um rabo de cavalo longo esvoaçando ao vento, virou-se lentamente, como se estivesse em uma cena dramática de filme B . “Ah, meus queridos,” ele começou, sua voz doce e vagamente teatral. “Vocês não entendem a arte por trás da minha intervenção. Isso aqui é sobre… metáforas da vida. O modo como estamos presos às nossas escolhas e às pessoas com quem cruzamos.”
“Isso não é arte, é uma palhaçada!” exclamou Jout, agitando as mãos no ar. Ele costumava ser o mais dramático do grupo, mas dessa vez tinha razão. “A gente tem uma apresentação pra fazer! Como o Ray vai performar com esse… cara pendurado nele?!”
“Isso faz parte da experiência!” insistiu o organizador, a voz vibrando de empolgação.
Fai, que até então estava calada, tentou uma abordagem mais calma. “Olha, entendemos o seu ponto. Mas nosso vocalista e o Sand não se dão bem. Tipo, de jeito nenhum. Isso vai ser um desastre.”
O organizador inclinou a cabeça, como se realmente considerasse o ponto, mas depois sorriu largamente, batendo palmas de leve para encerrar a discussão. “Confia no processo. Isso vai ser épico.”
Boston e Jout trocaram olhares exasperados, enquanto Ray sentia o peso da situação cair sobre ele com força total. As próximas palavras do organizador foram a cereja do bolo: “Sete dias, meus amigos. Sete dias de pura conexão,” o organizador sorriu e fez os infames chifrinhos do rock com as mãos antes de desaparecer na multidão acalorada do festival.
“Isso só pode ser um pesadelo,” Ray murmurou, olhando para o céu azulado em busca de alguma salvação divina que obviamente não viria.
“Sete dias?!” Jout berrou, incrédulo. “Como a gente vai sobreviver uma semana com você preso a esse babaca?”
O vocalista não respondeu, mas sua expressão dizia tudo. Enquanto seus amigos discutiam acaloradamente o que fazer, ele olhou de soslaio para Sand, que o observava com um sorriso malicioso, divertindo-se sem reservas.
“Bem-vindo ao festival, Ray,” disse o solista, com uma piscadela. “Vai ser uma viagem e tanto.”
Aqueles sete dias já anunciavam ser uma pequena eternidade no inferno.
…
O suor escorreu pela nuca de Ray enquanto ele tentava, mais uma vez, forçar as algemas. Boston, Fai e Jout já tinham tentado de tudo: bateram com uma pedra, procuraram por um alicate nas barracas próximas, até pediram ajuda a um dos seguranças do festival — mas nada funcionava. As algemas pareciam ter saído de um livro de fantasia medieval, seu metal prateado reluzindo à luz do fim da tarde como se contasse vantagem. Se alguém dissesse que as algemas eram feitas de mithril , Ray acreditaria. Aquela coisa era inabalável — assim como seu mau humor crescente.
“Essa porcaria foi forjada nas profundezas de Mordor?” Jout resmungou, frustrado após mais uma tentativa fracassada com o alicate.
“Já sei. A gente podia jogar o lado do Sand no fogo pra confirmar,” Boston propôs, a voz gotejando sarcasmo, enquanto limpava as mãos suadas — a que o solista respondeu com um ‘Ha ha ha’ forçado.
Fai, sempre a mais pragmática, suspirou e cruzou os braços. “A gente tem que pensar em outra coisa,” disse a cacheada. “O palco improvisado só será nosso por duas horas. Temos que aproveitar esse tempo para ensaiar o máximo possível.”
Ray olhou para o céu, que começava a se tingir de tons de laranja e lilás enquanto o sol descia no horizonte. O tempo estava, de fato, contra eles. Outras bandas já tinham subido ao palco improvisado para repassar as marcações e preparar o equipamento de som, e logo seria a vez da Sunset . A apresentação para a qual estavam se preparando era a grande chance pela qual ele e seus amigos tanto esperaram, desde que formaram a banda. Eles tinham tocado em festivais menores, abrindo o show de alguns artistas grandes, mas nada se comparava àquilo. O palco principal significava reconhecimento, uma chance de expandir seu público e, para Ray, uma oportunidade de provar a si mesmo que seu esforço, sua dedicação e seu talento valiam a pena.
Mas agora, com Sand algemado a ele, aquele sonho parecia prestes a virar um pesadelo.
“O que você pretende fazer?” Ray se virou abruptamente para o solista, que estava sentado na borda de um banco improvisado, observando tudo com uma expressão relaxada, como se não tivesse nada a ver com a situação. Ele não parecia sequer minimamente afetado, o que só deixava Ray ainda mais irritado.
Sand deu de ombros, balançando a pequena corrente que os ligava com um gesto a esmo. “Eu? Vou aproveitar meu ingresso super VIP , é claro,” respondeu, mal contendo o cinismo em sua voz.
Ray cerrou os dentes, recitando mentalmente um mantra budista para controlar a vontade de estrangular o babaca, que arqueou as sobrancelhas provocativamente. Os olhos castanhos de Sand dançaram com os do vocalista enquanto a tensão entre eles escalava lentamente como um crescendo de violoncelo.
Felizmente, antes que Ray pudesse responder e piorar ainda mais a situação, Nick — o agente de Sand — apareceu com seu típico maneirismo profissional, mas pelo menos aparentando estar preocupado com a situação.
“Tenho péssimas notícias, pessoal,” disse Nick, uma das mãos passando pelo próprio rosto para enxugar o suor que escorria em suas têmporas. “Eu procurei por toda parte, mas parece que o cara com as chaves simplesmente evaporou. Eu realmente não sei o que mais podemos fazer.”
Ray sentiu um nó se formar na garganta. O peso sobre seus ombros se intensificava, junto com a culpa que começava a corroer seu estômago por dentro. Se ele ao menos tivesse ignorado aquele imbecil presunçoso, como sempre fez, nada disso teria acontecido.
“Isso não é possível. Tem que ter um jeito,” ele murmurou, sua voz subitamente suave e um pouco trêmula. Ele olhou para Nick, que apenas deu de ombros, com uma expressão apologética.
“Sei que é uma merda,” o agente respondeu, olhando de Ray para Sand. “Mas vocês vão ter que fazer isso funcionar. E, pelo menos, o Sand é um cara... flexível.”
Sand deu um sorriso malicioso, levantando-se devagar. “Oh, eu sou super flexível .”
Ray fechou os olhos, ignorando as provocações infantis do solista e jurando para si mesmo que quando tudo aquilo acabasse ele faria méritos no templo budista de seu bairro. A cada segundo que passava, sua ansiedade só aumentava, e o calor do deserto não estava ajudando — ainda mais agora, com as malditas algemas impossibilitando que ele tirasse seu casaco peluciado.
Ray começou a andar de um lado a outro, forçando Sand a segui-lo, o que claramente irritava o outro músico.
“Dá pra parar de me arrastar assim?” o roqueiro reclamou, arrastando as botas ao andar.
“Se você colaborasse, eu não teria que te arrastar,” Ray retrucou, sem paciência.
Sand firmou os pés no chão improvisado de madeira, interrompendo a andança do vocalista abruptamente. Pela primeira vez desde que a confusão começou, seu olhar despreocupado ficou sério, a ponto de quase parecer frio. “O que espera que eu faça, Vossa Alteza Real ? Quer que eu quebre essas algemas com o poder da minha mente?”
Ray o encarou de volta, estupefato, sentindo-se ultrajado pela mudança de tom do solista. Sim, ele sabia muito bem que havia muito pouco que qualquer um deles poderia fazer. E embora assumisse sua parcela da culpa, foi Sand quem começou toda aquela merda, e nem sequer moveu um músculo para ajudar. Agora o idiota ousava falar grosso?
Furioso, o vocalista deu um passo à frente, sentindo o sangue borbulhar em suas veias. “É, tem razão. Não dá pra esperar nada vindo de você,” Ray rebateu, com um tom de voz ácido que não era de seu feitio. A ninfa em seu ombro esquerdo sussurrava que ele provavelmente iria se arrepender disso depois, mas aquele era claramente o dia do demônio. “Não é à toa que você acabou solo.”
Sand também deu um passo à frente, seu corpo alto forçando o desconforto da proximidade sobre o mais baixo. “E o que você fez, além de surtar a cada cinco minutos? Não me parece que deu algum resultado,” disse o solista, os lábios se estocando em um sorriso trocista que alimentava ainda mais a vontade de Ray de lhe dar um soco.
“Ai’Sand—” Nick tentou intervir, mas Ray foi mais rápido.
“Eu tentei o que pude, até esgotar as minhas possibilidades, então me processe se eu fico puto por ainda estar algemado a um idiota folgado,” o tenor disparou, a voz reverberando no pequeno espaço do barracão que o grupo ocupava. “Tudo o que você faz é tirar sarro das coisas, flertar, e se divertir, como se isso aqui fosse apenas uma maldita festa.”
“Você nem me conhece, Ray,” o solista respondeu seriamente, sua mandíbula visivelmente retesada. “Eu posso ser muitas coisas, mas não sou um cara que joga oportunidades de trabalho pela janela.”
Um silêncio quase tenebroso caiu sobre Ray e Sand, cujos olhares cruzados parecia acender faíscas no ar seco do deserto. Os que estavam em volta temeram que os dois fossem partir para a agressão física a qualquer momento. Porém, ao contrário do que se esperava, a tensão subitamente começou a desinflar ao atingir o pico, dando lugar a uma calma repentina, embora tênue.
Ray soltou o ar que prendera inconscientemente, sentindo as amarras em volta de seus pulmões afrouxando, e a respiração tornando-se menos rasa em comparação às últimas horas. Similarmente, também foi um alívio para Sand poder dar aquele merecido descanso para suas bochechas, além do fato que, pelo menos, ele não estava mais sendo arrastado de um lado a outro feito um lacaio.
Uma pequena parte de Ray pensou que Sand parecia mais suportável quando não estava sorrindo e flertando feito um pateta, mas o tenor rapidamente deixou aquele pensamento em último plano. Ele não tinha tempo para distrações triviais.
Conforme a noite começava a cair e as luzes do palco principal se acendiam no horizonte, a iminência da performance tornava-se cada vez mais real. Ray e os amigos estavam ali, no Mirage Fest , prestes a apresentarem sua música para milhares de pessoas de todo canto do mundo. No momento, apenas isso importava. Tudo tinha que ser perfeito.
Enquanto Ray colocava seus pensamentos em ordem, Boston e Jout se aproximaram a passos largos, quebrando a pequena bolha que tinha se formado em volta dos dois rivais.
“Um staff veio chamar a gente,” disse Ton, um pouco ansioso. “O palco de ensaio será nosso em cinco minutos.”
Ray passou a mão pelo cabelo, fechando os olhos e respirando fundo por um momento, antes de tomar uma decisão. “Certo. Vamos fazer isso. Mesmo com essas malditas algemas.”
Os olhos dos amigos se acenderam com um brilho que refletia a determinação de Ray, e Fai assentiu, confiante. “Conta com a gente.”
Ao lado do vocalista, Sand sorriu novamente. Ele balançou a cabeça para os lados, entretido com a virada repentina no humor do tenor. Agora, mais do que nunca, Sand estava interessado em saber como as coisas iriam se desenrolar.
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