Work Text:
Já era início da noite quando Changbin, finalmente, chegou na própria casa. Cansado após um intenso dia de trabalho. Assim que adentrou o ambiente, seguiu em direção a bancada que dividia a sala da cozinha, deixando sobre a mesma, a embalagem branca que carregava consigo.
Aquele dia era um dia especial para ele, ou ao menos era o que deveria ser, já que naquela data em específico ele completava mais um ano de vida e, por causa disso, no caminho de volta para casa, decidiu-se parar em uma padaria e comprar para si um pequeno bolo enfeitado em comemoração ao seu dia.
Entretanto, ao chegar em casa, não havia ninguém além dele mesmo para comemorar aquele dia com ele; nenhum familiar, nenhum amigo, ou conhecido, era apenas ele e seu gatinho de estimação, chamado Lino — o qual, inclusive, havia sido adotado há poucos meses com o intuito de, não só dar um novo lar para o bichano, como também fazer com que o Seo não se sentisse mais tão sozinho assim. Pois, antes da chegada de Lino naquele apartamento mediano, a maior companhia de Changbin era a solidão, essa que, o jovem rapaz às vezes tratava como uma amiga, ou às vezes como um fardo.
Ele não tinha problemas com estar só, pois sabia o quão importante era poder conseguir aproveitar a própria companhia, em certos momentos. Todavia, o sentimento de se sentir solitário era diferente. Para o Seo, criar novos laços com outras pessoas era um tanto quanto difícil, não só isso, como, principalmente, manter a existência desses laços por tempo indeterminado também.
Para aquele jovem adulto, ver as pessoas passando por sua vida, enquanto lhe deixam marcas representando que um dia estiveram ali, era algo meio doloroso, ainda mais quando ele parecia continuar carregando milhares de lembranças de cada um consigo — fossem boas ou ruins —, enquanto isso, ao contrário dele, as pessoas pareciam apenas terem seguido em frente, sem nem parecer que um dia foram tão próximos. De certa forma, pode-se até dizer que ambos os lados haviam se tornado estranhos um para o outro com o passar dos tempos.
Por causa disso, o Seo se sentia sozinho, logo além de não ter mais nenhum amigo o qual ele pudesse contar para qualquer coisa, ele também não tinha a família, essa que, ao invés de lhe dar apoio e segurança, lhe deu muitos traumas no decorrer da sua infância e, até o momento em que ele finalmente saiu da casa dos pais para ir morar sozinho.
Foi um enorme alívio conseguir ter feito isso, o quão feliz ele se sentiu contando a respeito para a própria psicóloga. Todavia, dentro desse processo todo, Changbin percebeu outras coisas, as quais eram difíceis de lidar sozinho; o sentimento de tristeza ficava em seu próprio peito, junto do desejo de poder ganhar um abraço ou um colo para chorar e aliviar suas próprias dores. Porém, ele só tinha a si mesmo.
E, mesmo que ele se desse muito bem com os colegas de trabalho, eles não passavam disso, pessoas com quem ele interagia por causa do ambiente e que o faziam esquecer, por um pequeno momento, de que ele não era tão solitário assim. Ele poderia se aproximar mais daquelas pessoas? Poderia permitir que uma ou outra entrassem em sua vida? Sim, ele poderia, porém o medo de se machucar novamente o deixava bastante receoso.
O Seo tinha medo de que as pessoas o julgassem de forma errada, ou que em algum momento acabassem se cansando de si. Devido a esses pensamentos, o jovem adulto tinha muita dificuldade em se abrir com outras pessoas. Não só isso, como achar que nunca seria o suficiente para algo, dentre esses e tantos outros pensamentos, Changbin, no fim, acabava sempre se afastando das pessoas.
Com isso, pode-se perceber que não havia sido só o tempo que havia afastado ele daqueles que um dia foram importantes para si em sua vida, ele também havia feito isso, infelizmente mais do que gostaria de ter feito. E por isso, agora ele assim, sentado no banquinho da bancada de casa, encarando o bolo que havia comprado, enquanto ao lado da geladeira, Lino comia da ração que o Seo havia colocado para si.
As pequenas velas foram colocadas no bolo, um suspiro foi soprado pelos lábios de Changbin, esse que em seguida acendeu as velas. Não houve um parabéns cantado, somente mais um outro suspiro, seguido do pedido feito de olhos fechados.
“ Eu desejo que as coisas possam melhorar, e que futuramente, eu não me sinta mais tão sozinho assim ”, foi o que ele pediu, sem proferir palavra alguma. Um pedido que vinha do fundo do coração.
Dessa forma, com as velas agora apagadas, o Seo cortou o bolo, tirando em seguida um pedaço para saboreá-lo vagarosamente, na tentativa de ignorar todos os pensamentos negativos que tentavam surgir em sua mente.
Depois de finalizar o doce, Changbin levantou-se e seguiu em direção ao sofá da pequena sala. Sentou-se, analisando cada canto possível do próprio apartamento para, em seguida, deitar com a cabeça no encosto do móvel.
— É, Seo Changbin, parabéns pra você, não é mesmo — proferiu cansado. — Mais um ano de vida, e mais um aniversário em que você se sente sozinho…
— Miau! — o bichano miou, chamando a atenção do dono, após subir em cima do sofá.
— Claro, Lino, desculpa — pediu, acariciando os pelos macios do gatinho. — Você é a melhor companhia que eu poderia ter, obrigado por sempre melhorar o meu dia, mesmo que minimamente.
— Miau!
— Sim, você é incrível — disse, deixando um beijo na cabeça do bichano, esse que em seguida aconchegou-se no colo do Seo.
Dito isso, a casa voltou a ficar em silêncio, sendo possível momento ou outro ouvir o ronronar de Lino, o que fazia com que Changbin, pela primeira vez no dia, desse sorrisos verdadeiros, mesmo que eles fossem apenas pequenos levantar de lábios.
O dia havia sido cansativo, ninguém do trabalho lembrou de seu aniversário, e por mais triste que pudesse ser, no final do dia, ele sabia que alguém o amava incondicionalmente, mesmo que esse alguém tivesse quatro patas e pelos alaranjados.
