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Christmas Tree Farm

Summary:

Há 10 anos, Rachel Roth tomou a decisão mais importante de sua vida: seguir seu sonho. Para isso, precisou deixar a equipe para trás, incluindo Garfield Logan, o namorado que amava profundamente. Desesperado para mantê-la por perto, Garfield cometeu erros impulsivos e imprudentes na esperança de impedi-la de ir para o outro lado do mundo. Agora, o espírito natalino era apenas cinzas apagadas no coração desses dois, incapaz de reacender sob o peso de suas mágoas. Será que o bom velhinho guarda uma surpresa especial para reacender a magia deste Natal e, quem sabe, unir novamente esses destinos entrelaçados?

Chapter 1: A coisa mais corajosa que eu já fiz foi correr

Notes:

Olá, amores! ❤️

E hoje venho com a minha estreia no @swiftieproject, um perfil de projetos do Spirit baseados em músicas da Taylor Swift, com essa história que é a realização de um sonho antigo, de escrever uma fanfic natalina nos Titãs (coisa que ainda não havia explorado nesses quase 10 anos escrevendo para esse fandom). Essa história será divida em 3 (no máximo, 4) capítulos e as músicas da Tay-Tay que me inspiraram são: Better Man; Back To December e Christmas Tree Farm.
E esse comecinho de história também teve inspiração no filme "Nosso segredinho", com a diva da Lindsay Lohan, que estreou esses dias na Netflix.
Também gostaria de agradecer a minha grande amiga, @fayh_diangel por ter sido minha leitora beta e sensível. Você é incrível, amiga! ❤️

Admito que utilizo o ChatGPT para revisar e me ajudar a desenvolver pontos dessa história. Não sei se é uma informação muito útil, mas acho que vocês tem o direito de saber.

Fanfic disponível (em português e inglês) aqui no AO3, em ambos os idiomas no Wattpad sob minha conta Pinkie_Bye, e nos sites brasileiros Spirit e PlusFiction, disponível apenas em português, sob meu nome de usuário Angel45 e Pinkie Bye, respectivamente.

Espero que gostem e até mais! ❤️

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

“Às vezes, no meio da noite, eu consigo te sentir novamente

Mas eu só sinto sua falta e só queria que você fosse um homem melhor

E eu sei porque tivemos que dizer adeus como a palma da minha mão

Mas eu só sinto sua falta e só queria que você fosse um homem melhor

Um homem melhor”

(Better Man – Taylor Swift)

 

RACHEL ROTH estava decidida.

Assim que recebeu aquela ligação, duas semanas antes do Natal, pulou de alegria ao saber que passou no processo seletivo e começaria a estudar Criminologia e Justiça Criminal na UCL – University College London – no primeiro semestre do ano seguinte. Por consequência, ela teria de largar a vida de super heroína e focar em sua nova carreira, o que não era exatamente um problema.

Aquela era a oportunidade perfeita de poder viver uma nova vida, uma sem turbulências, sem ter vilões psicopatas para enfrentar, que ameaçam seu bem estar semanalmente, e, principalmente, sem ter que reprimir seus sentimentos por causa do seu pai terrível – que havia sido derrotada na grande batalha do seu aniversário de 17 anos...

Houve um tempo em que Rachel se sentiu bem, encontrava paz quando estava na Torre T, um lar, apesar de ainda se sentir incomodada consigo mesma. Mas tudo mudou há cerca de 6 meses...

Era de madrugada quando recebeu um sinal de Azar, o monge que cuidou dela a infância inteira em Azarath. Ele anunciou a notícia que sua mãe havia se suicidado. O motivo era que Angela não se via mais capaz de lidar com os traumas e sentimentos negativos, que sua herança demoníaca e escolhas erradas ao se casar com um demônio interdimensional causou. Como se seu passado estivesse disposto a assombrar sua alma e a impedir de aproveitar tudo de bom que a vida pudesse oferecer. Não permitindo um momento de paz.

Aquele foi o estopim.

Rachel estava disposta a utilizar seus poderes sobrenaturais para o bem e quebrar aquele ciclo de tormento. Como sempre fora boa em desvendar mistérios, via a carreira de investigadora criminal perfeita para si.

Seus colegas de time sabiam disso, Victor e Richard, que eram como seus irmãos mais velhos, a apoiaram desde o início e a deram conselhos de como passar na seleção do vestibular – afinal, Rae nunca frequentou uma escola tradicional – e como aprender a lidar melhor com as pessoas.

Kory também não ficou atrás e aproveitou ao máximo as últimas semanas ao lado da amiga para fazer uma programação especial das garotas. Além de lhe ensinar dicas para como sobreviver sozinha, sendo uma mulher independente, nas ruas violentas de Londres.

Garfield, por sua vez, foi o mais difícil. Eles estavam namorando há quase 2 anos. Após derrotar o seu pai e se permitir sentir sentimentos, ela se viu encantada e apaixonada por ele, e logo engataram um relacionamento. Mas agora, Rachel se perguntara se não havia sido impulsiva e egoísta em se aproximar dele naquela forma. Mas com 17 anos você não sabe de nada, apenas deixa o seu emocional falar mais alto e só depois pensa nas consequências e nos impactos que causa na vida de outras pessoas.

Obviamente, Garfield nunca afirmaria em voz alta, mas ele era péssimo em disfarçar. Ele não a queria longe de si, se sentiria completamente perdido sem ela. Ela era a sua bússola dourada em meio a tempestade de turbulências que era sua vida.

Sem contar que, ele nunca teve tantas perspectivas para o futuro, e no fundo, talvez por inveja ou por medo de perdê-la pela falta de contado, o perseguisse, ele não conseguia encontrar alguma parcela de felicidade dentro de si ao vê-la partir em busca de seus sonhos.

Namoro à distância estava fora de cogitação, as probabilidades de darem certo eram mínimas em sua concepção, então haveria de partir para outros meios.

Imaturo!

Garfield até mesmo elaborou longos discursos para convencê-la de deixar seus sonhos de lado e até mesmo tentou prejudicá-la, mentindo que havia enviado a carta de inscrição. Por sorte, ela conseguiu saber a tempo e enviá-la por conta própria.

E claro, ela o perdoou, mesmo não merecendo.

— Infelizmente garotos de 20 anos são assim, amiga — Kory disse para ela, um dia, quando estavam preparando os aperitivos para a Noite das Garotas. — Parecem agir feito adultos, mas não agem. Homens demoram tanto para amadurecer e parecem estar sempre dispostos a só olhar para o próximo umbigo. Experiência própria.

— Bom, ele deveria aprender a lidar com isso, se quer me acompanhar pelo resto de sua vida. Ele está sendo egoísta.

— Ou talvez seja a hora de cada um seguir seu rumo. — Kory afirmou. E Rachel sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. — Você claramente está passando por uma dependência emocional. Seja o que já foi o relacionamento de vocês, agora, não é saudável. Acredito que se afastar é mesmo a melhor opção.

Ela sabia que a amiga estava certa. Era a decisão mais sábia a ser tomada. Contudo, sentiu seu coração se quebrar. Não queria desistir daquela história de amor tão fácil assim...

 

24 de Dezembro de 2014

A sala da Torre Titã estava uma verdadeira obra-prima natalina, repleta de cores, luzes e o calor acolhedor do espírito de Natal. No centro, uma imensa árvore de Natal se erguia até quase tocar o teto alto da sala. Seus galhos estavam enfeitados com bolas brilhantes em tons de vermelho, dourado e prateado, entrelaçados por um cordão de luzes piscantes em cores suaves. Pequenas figuras de super-heróis em miniatura – como o Batman, o Superman e a Mulher-Maravilha – e flocos de neve de vidro pendiam dos ramos, junto com enfeites que pareciam feitos à mão pelos próprios Titãs.

Guirlandas e fitas decoravam as paredes, enquanto o sofá e as poltronas estavam cobertos com almofadas em formato de presentes e estampas temáticas. Sobre a lareira, meias personalizadas com os símbolos de cada Titã estavam penduradas. A mesa central estava decorada com um candelabro em forma de coroa, com velas aromáticas que exalavam um leve perfume de pinho e canela.

Os corredores da Torre estavam igualmente enfeitados, com cordões de luzes e ramos de pinheiro artificial trançados pelas paredes e corrimãos. Pequenos enfeites brilhantes, como estrelas e sinos dourados, balançavam ao longo do caminho, emitindo um som suave quando alguém passava.

Da cozinha acoplada à sala, o cheiro irresistível de comida típicas natalina se espalhava pelo ar. Ali, Kory e Galfore se dividiam e discutiam sobre o melhor modo de preparação dos assados. O aroma doce de biscoitos de gengibre competia com o cheiro salgado de um peru assando no forno e o perfume quente do chocolate quente que fumegava em uma jarra na bancada.

Era quase 19 horas, e Rachel, sentada em uma das poltronas perto da janela, lendo o seu livro, desviou da leitura e olhou para fora. As grandes janelas de vidro revelavam a cidade de Jump City, que estava um espetáculo de luzes. Prédios altos estavam decorados com luzes brancas e coloridas, formando silhuetas brilhantes contra o céu escuro. No horizonte, as ruas pareciam rios de luz, enquanto árvores de Natal gigantes enfeitavam praças. O contraste entre o brilho da cidade e o reflexo das luzes da própria sala criava um ambiente mágico. Ela deixou escapar um raro sorriso, absorvendo o calor e a alegria do momento.

A jovem mulher usava um vestido strapless azul escuro e brilhante, que se ajustava perfeitamente em sua silhueta, era de um tecido que refletia a luz de maneira suave. A parte inferior, na barra, e as extremidades das mangas eram adornadas com uma linha de algodão fofinho, que lembrava neve macia. Seu rosto estava suavemente maquiado, com uma maquiagem leve que realçava sua beleza natural. O batom roxo acrescentava um toque ousado, enquanto seus cílios longos destacavam seus olhos. A sombra preta nas pálpebras criava um olhar misterioso, complementado pelo pó de arroz que deixava suas bochechas com uma leveza de porcelana.

No braço esquerdo, ela usava uma pulseira dourada, simples e refinada, que brilhava sob as luzes da sala. Na mão direita, um anel de namoro reluzia, discreto. Nos pés, seus saltos altos pretos adicionavam um ar de sofisticação, e o som dos passos ecoava de forma elegante pelos corredores. Para completar o visual, suas orelhas estavam adornadas com brincos banhados a ouro em formato de estrelas, que brilhavam sutilmente a cada movimento.

Tudo parecia estar dentro dos conformes, até que, reparou a ausência de alguém.

— Onde tá o Garfield? — perguntou para Kory, que estava indo tomar banho para se arrumar. Haviam finalmente terminando de preparar o banquete.

— Ele não foi junto do Vic e do Dick buscar a Karen no aeroporto? — Galfore perguntou.

— Na verdade não. Eles foram sozinhos. — Kory respondeu. — Eu vi o Gar saindo com os meninos agora de tarde e ainda não voltaram.

— Que rapazes? E quando foi isso?

— Garth, Wally e Roy. Acho que foi há umas duas horas atrás. Eles sugeriram porque perceberam que o Gar tava meio estressado.

— Ai, isso não é nada bom! Você sabe para onde eles foram?

— Pior que não, posso mandar uma mensagem pro Garth se quiser, perguntando.

— Sim, isso seria ótimo.

Com isso, Kory pegou seu celular e discou para Garth.

— Respira fundo, Rae, deve tá tudo bem — Galfore tentou acalmá-la.

— Eu sei que o Garfield é bem grandinho e pode se cuidar sozinho é só... que ele não pode ter uma nova recaída na bebida. Se não, meses de tratamento vão pro ralo e ele me prometeu que nunca mais iria ingerir um gole de bebida alcoólica na boca. Ainda mais hoje, que é uma noite muito especial para mim.

— Por favor, não se preocupe antecipadamente. — Galfore orientou, tocando o ombro da garota. — Sei que não é um dos momentos mais fáceis para ele, mas Garfield é forte e está focado em sua jornada. Sei disso porque o acompanho toda segunda-feira nos encontros dos alcoólicos anônimos.

— Obrigada. — Ela disse, apertando a mão do mais velho.

Fazia cerca de três meses que Galfore havia vindo para a Terra. O antigo grande governante de Tamaran decidira abdicar temporariamente de suas responsabilidades para tirar férias e aproveitar um tempo ao lado de sua filha, Kory. Ele trouxera consigo o pequeno Ryan, seu filho caçula de 7 anos, e ambos estavam hospedados na Torre Titã. Apesar de estar em um período de descanso, Galfore era de grande utilidade na equipe. Suas vastas habilidades em medicina e sua sabedoria, frutos de uma vida marcada por guerras e conflitos, faziam dele um conselheiro inestimável.

Ryan, por sua vez, acabara de sair do banho e, com o cabelo ainda úmido e despenteado, correu para a sala de estar. Embora não tivesse muito interesse em videogames, seus olhos brilhavam ao ver na TV o programa dos Pegasus é Fofo Demais, que rapidamente capturou sua atenção. Ele se acomodou no sofá, rindo das aventuras dos pôneis coloridos.

— Ryan, essa televisão está muito alto! Cuidado, isso pode prejudicar sua audição! — Kory advertiu.

— Tudo bem, capitã! — respondeu, batendo continência e abaixando o volume no controle.

— Amiga, novidades. — Kory se aproximou, depois de desligar a ligação. — O Garth me disse que eles estão na Wildfire. Um pub conhecido no centro. E... quanto ao Garfield... ele disse que era melhor você ver com seus próprios olhos.

Rachel suspirou.

— Que maravilha, era só o que me faltava! — Ela massageou a glabela.

— Quer que eu te dê uma carona até lá?

— Não, não precisa, consigo ir sozinha.

— Ok, sinto muito, amiga. — Kory tocou seu ombro. — Agora vou ter que ir tomar banho mesmo, se não me atraso demais, se precisar de qualquer coisa...

— Tudo bem, não se preocupe.

Após dizer aquelas palavras, Rachel respirou fundo, fechou os olhos, esticou seus braços e concentrou toda a sua energia. De repente, um grande portal, escuro, variando de tons pretos e azuis escuros, surgiu em sua frente.

— Que daora! — Ouviu Ryan exclamar, e ouviu Kory o repreendendo em seguida.

Ainda concentrada, Rachel o atravessou. Do outro lado dava um beco, que ficava do lado da frente da fachada do pub Wildfire. A calçada estava barulhenta e com várias pessoas bêbadas, cantando e conversando.

E para sua infelicidade, ao entrar na zona VIP do pub e encontrar o quarteto, numa mesa próxima ao balcão, entendeu a constatação que Garth deu a Kory pelo telefone. Rachel suspirou, cansada e se segurou para não deixar as lágrimas escorrerem de seus olhos marejados. Definitivamente não esperava encontrá-lo assim depois de tudo. Garfield havia feito uma promessa, e a quebrado, sem pensar muito, na primeira oportunidade...

— Oi Rae. — Garth veio em sua direção.

— Oi. — Ela deu um meio-sorriso.

— Eu disse para eles que não era uma boa ideia.

— Tudo bem, isso não é culpa sua.

Wally e Roy estavam visivelmente alterados também batendo palmas e assobiando, mas nem era comparável a Garfield. Que estava até mesmo puxando uma canção natalina junto da garçonete, foi a versão de “All I Want for Christmas Is You” mais desafinada que já ouvira, Mariah Carey se sentiria ofendida se ouvisse aquilo.

Rachel sentiu seu coração se apertar. Havia se aberto uma rachadura dentro de si. Era sua confiança, estilhaçando-se silenciosamente. Apertou suas mãos até os nós dos dedos ficarem brancos. Sentia raiva. Aquilo era injusto. Ela havia o ajudado tanto...!

As risadas ecoavam como marteladas, e os gritos desafinados de Garfield, agora subindo numa cadeira, pareciam distantes, abafados pelo barulho ensurdecedor de sua própria mente.

— Isso é uma catástrofe! — Rae disse, balançando a cabeça e escondendo o rosto com a palma da mão.

— Realmente sinto muito por isso. Foi tudo ideia do Wally. Disse que não era uma boa ideia. — Garth se desculpou, tocando os ombros desnudos e pálidos da Roth.

— Tudo bem, olha, não se culpe… só preciso de ajuda para levá-lo pra torre. Você está sóbrio, certo?

— Sim, totalmente.

— Ok, olha, é muito importante para mim que ele esteja lá, mesmo sob essas circunstâncias.

— Estou totalmente à sua disposição. Posso dar uma carona.

— Valeu. — Ela sorriu, seus olhos ficando fixos por um bom tempo. Logo, desviou o olhar e se encaminhou até o namorado. — Gar, vamos, por favor, nossos amigos estão nos esperando pra ceia! E você ainda nem tomou banho!

— Os pombinhos aí pararam de conversar? — Garfield praticante gritando, entornando um shot de uísque.

— Pare de graça! Olha só que problemão você nos arrumou.

— Duvido muito que esse aí esteja sobrecarregado. Alguém te falou que foi ideia dele? — Garfield acusou.

— Chega! — Ela tentou pegá-lo pela cintura, para conduzi-lo até a saída. Garth estava tentando convencer Wally e Roy que era hora de voltar.

— Eu não quero. Me solta! — Garfield exclamou. Deixando o seu copo de bebida cair no vestido novo de Rachel.

Ela respirou fundo, sentindo uma veia saltar de sua testa.

Wally riu com a situação. Gritando “Nossa! Alguém vai amanhecer com a boca cheia de terra por aqui!”, sendo seguido por um “ai!” ao receber uma cotovelada de repreensão de Garth. Graças a isso, chamou a atenção de todos no pub.

— Você acabou com o meu vestido novo! — Rachel respirou fundo, sentindo sua cabeça doer. — Está feliz agora? Não basta destruir a sua noite, agora também quer destruir a minha?

A única reação de Garfield foi rir e voltar a cantarolar.

— Já chega! — Os dois olhos de Rachel se transformaram em quatro olhos finos e vermelhos. Em um piscar de olhos, os dois foram envolvidos por uma áurea negra e desapareceram do bar.

Deixando pessoas curiosas para trás.

 


 

Ao retornarem para a sala de estar da Torre, Victor, Dick, Karen e Galfore conversavam, sentados no balcão, onde Karen contava dos imprevistos que aconteceram durante seu voo, enquanto Ryan, de fininho, estava prestes a roubar um biscoito quando Rachel chegou com seu teletransporte, pegando todos de surpresa.

— O que aconteceu? — Victor perguntou, reparando em seu vestido e nos seus olhos vermelhos. Também, foi inevitável não sentir o cheiro de álcool saindo de Garfield.

Todos no recinto ficaram em choque e em silêncio. Dick balançou a cabeça, decepcionado. Galfore apenas olhou para o chão e Karen encarou um por um os rostos presentes no recinto, tentando decifrar o que estava acontecendo.

O único feliz dali era Ryan, que havia conseguido roubar um punhado de biscoitos, antes de retornar pro seu quarto.

— Pergunta pro seu, brother? — Rachel rebateu, sumindo no corredor e se encaminhando, em passos apressados e pesados, até o quarto da Anders. Que, depois de dar três batidas na porta, a amiga fora atendê-la com a toalha enrolada no cabelo ruivo.

— Amiga, o que aconteceu com seu lindo vestido? Sua maquiagem está toda borrada.

— Você estava certa. — Ela fungou. — Nós devemos terminar. Ele não é maduro para mim!

— Oh, amiga. — Kory esboçou um semblante solidário e abriu espaço para a amiga entrar. — Vamos dar um jeito nesse vestido e nessa maquiagem.

 


 

Rachel estava visivelmente mais calma quando retornou para festa, quase uma hora depois. Ela estava usando um suéter amarelo, uma calça jeans branca e all star cinza – as únicas roupas de Kory que não ficavam gigantes em si. Mas era melhor que nada.

Os demais convidados haviam chegado e estavam ouvindo música e comendo os aperitivos. Mesmo assim, conseguia sentir uma áurea pesada vindo das emoções de todos, mesmo que não externassem, a recaída de Garfield com a bebida os abalou.

— Oi, Rae! — Sentiu alguém a chamar atrás de si.

— Oi, Garth! Tudo bem? Você e os meninos voltaram bem pra casa? — Ele usava smoking, uma gravata tradicional vermelha e sapatos pretos, bem engraxados.

— Bom, o Wally vomitou numa planta e o Roy bateu a testa numa parede de mármore, mas digamos que sim. — Os dois riram. — Mas preferiram passar o Natal em casa dormindo, de ressaca.

— Entendo. Você tem muita paciência.

— É o jeito. — Deu de ombros. — E sinto muito pelo seu vestido.

— Tudo bem, a Star já deu um jeito nisso.

— Ela é maravilhosa.

— Sim, ela é.

— E como vai você e o Logan?

Rachel suspirou fundo.

— Eu não sei... — Forçou um sorriso e desviou o olhar. — Mas creio que nós vamos ficar bem... um dia.

— Tudo bem. Feliz Natal pra você. — Ele a abraçou, pegando-a de surpresa.

— Feliz Natal!

Logo se separam e ela o viu se afastar. Voltando para si, Rae se aproximou de Kory, que estava conversando com Karen.

Kory usava um vestido roxo cintilante. O modelo abraçava sua silhueta com perfeição, deixando a lateral de suas pernas à mostra de maneira ousada. Babados luxuosos adornavam a peça em camadas que se moviam suavemente. Cada detalhe parecia combinar: o brilho delicado nas bordas, as alças finas cruzadas nas costas, os drapeados que destacavam sua cintura. Seus longos cabelos ruivos estavam sedosos e ondulados, caindo como um rio flamejante por suas costas. Nos pés, saltos vermelho-rubi, tão reluzentes que pareciam feitos de puro fogo. A maquiagem em tons de verde realçava em sua pele negra, harmonizando com seus olhos esmeraldinos.

Ao lado dela, Karen exalava frescor e imponência com sua beleza natural. Seu vestido amarelo curto, de um tom quente e radiante, destacava-se pela leveza do tecido e pelo corte impecável. A barra terminava um pouco acima dos joelhos, revelando pernas longas e elegantes, enquanto alças finas sustentavam o vestido com graça. Seu cabelo, um deslumbrante black power, era uma coroa que lhe dava um ar de realeza, moldando seu rosto de forma arrebatadora. Os saltos altos, no mesmo tom amarelo, alongavam ainda mais sua figura, dando-lhe uma postura de confiança tranquila. A maquiagem de Karen era leve em sua pele negra, com sombras rosadas e um brilho translúcido nos lábios.

— Sabe eu já namorei com um cara da Inglaterra, não tem nada mais excitando do que o sotaque britânico. — Karen compartilhou, dando uma piscadela.

— Pelo visto, você aproveitou muito. — Kory constatou, dando um gole em seu uísque.

— É claro. Só se vive uma vez. Mas por favor, não contem nada pro Vic, ele iria ficar muito enciumado se soubesse. Sem contar que isso foi tipo, um ano antes da gente se conhecer.

— Pode deixar que nada vai sair daqui, não é Rae?

— Sim. — Roth concordou apenas.

— Sinto muito pelo seu vestido. — Karen comentou. — Ele era tão lindo.

— Tudo bem. Já passou.

— Se quiser, pode te passar o número da minha estilista favorita, o nome dela é Kole Weathers e ela mora em Londres. — Ela disse, compartilhando o número via WhatsApp.

— Muito obrigada.

— Vocês dois não estão no seu melhor momento, não é?

— Infelizmente não.

— Tenho fé que logo irão voltar a ter a magia que tinham.

— Obrigada, Karen. — Rachel sorriu.

— E quanto você e o Asa Noturna? — Karen se virou para Kory.

— Terminamos.

— Sério? — Ela arregalou os olhos. — Quando?

— Quando eu descobri que, numa viagem a Gotham, para ajudar o pai dele a decifrar um jogo do Coringa, ele me traiu com a Barbara Gordon.

— Nossa, que babaca! E ela é tão...

— Desonesta? — Rae arriscou.

— Brega. — Karen completou.

— Nisso vou ter que concordar. — Kory riu, dando mais um gole no seu uísque.

— É... relacionamentos são tão complicados. — Rae disse por fim, suspirando fundo.

Nesse momento, Ryan passou correndo por elas, brincando com seu aviãozinho de plástico que havia acabado de ganhar de Victor.

— Ryan, por favor, não corra! — Galfore pediu, logo atrás.

Perto do freezer das bebidas, do outro lado da sala. Victor Stone soltou uma risada alta. Sua armadura era o seu melhor traje.

— Eu adoro ver crianças felizes. — Ele comentou.

— Pelo menos alguém tem que estar feliz hoje. — Garfield disse, bebericando uma caneca com café Expresso forte.

— Parece que você e a Rae não estão muito bem hoje. — Victor disse, mostrando com o indicador, que ambos estavam em lados opostos do salão.

— É, parece que sim… — Ele disse, dando uma bebida em seu suco.

— Alguém quer? Meu pai fez questão de trazer a melhor safra de Madrid. Essa belezinha tem mais de 100 anos. — Dick ofereceu, erguendo a garrafa de vinho importada. Ele usava roupas formais: Smooking, gravata borboleta vermelha e seus cabelos, ao contrário do desmanchado tradicional, estava perfeitamente abaixado no gel.

— Valeu, mas terei que recusar, hoje já passei demais da conta.

— Ok.

— Eu vou querer! — Victor interveio, erguendo seu copo na direção de Dick, para que o servisse.

— Acho que nós dois somos terríveis em fazer escolhas. — Dick disse, após entornar uma taça de vinho de uma vez.

— Será que há possibilidade de vocês voltarem algum dia? — Garfield perguntou.

— Acho que não, a Star tem um gênio difícil, se pisar na bola com ela uma vez... já era.

Garfield concordou com a cabeça e tocou no ombro do amigo.

— Entendo como se sente.

Suspirou fundo e deixou seu café repousando sobre a mesa, com a cabeça baixa.

— Acho que vacilei legal hoje. Tenho vacilado demais ultimamente. E minha cabeça tá doendo tanto. Será que a Rae vai me perdoar?

— Se você realmente decidir mudar, acho que sim. — Vic disse. — Mas o primeiro passo de tudo é pedir desculpas. Você acabou com o vestido dela. E também quebrou sua confiança.

— Foi um acidente!

— Ter uma recaída no álcool também foi? — Dick perguntou.

— Falou o cara que acabou de me oferecer uma bebida em menos de 10 minutos. — Gar rebateu.

— Coerência nunca foi muito o forte dele. — Victor respondeu.

Dick mostrou-lhes o dedo do meio.

— E respondendo a sua pergunta. Sim, foi culpa do Garth! — Gar começou a alterar o tom de voz. — Que agora resolveu pagar de puritano pra cima dela. E ela prefere acreditar nele do que em mim!

— Você também dá motivos. — Vic ressaltou.

— Também não confiaria em você. — Dick afirmou.

— Estão do lado de quem mesmo?

— Olha, maninho, não me leve s mal é só que... desde que a Rae disse que iria se mudar para outro país, você mudou. — Vic começou. — Você ficou mais possessivo, nervoso.

— Egoísta. — Dick acrescentou.

— Sim. Egoísta principalmente. Você parece só estar disposto a ver a sua própria dor e esquece de ver pelo lado da Rae. Ela te ama! Mas ela também tem os seus sonhos e depois de toda essa barra pesada com a mãe dela. Você deveria apoiá-la e dizer que está com ela acima de qualquer coisa. Entende? — Vic discursou, deixando a bebida de lado.

— E tem que parar de agir feito um babaca frio que parece não estar nem aí com nada. Tente ser o cara que a Rae precisa no momento e pare de agir feito um moleque mimado. Vai por mim. Você vai se arrepender muito dos seus atos depois que ela for embora. — Dick disse, olhando disfarçadamente para Kory.

— Só tem que aguentar firme, cara — Vic tocou o seu ombro. — Aguentar o que for preciso e seguir seu coração. Você e a Rae têm tudo para ir longe. Eu os aconselho e os acompanho desde que começaram a namorar e posso te garantir que fazia tempo que não vejo um amor verdadeiro e lindo como esse. Então, por favor, faça alguma coisa, vá lá, peça desculpas e diga palavras bonitas. Não seja o babaca que você foi hoje no pub. A nossa Rae merece mais que isso.

— Valeu, Vic. Já sei exatamente o que fazer. — Garfield sorriu. Abraçou rapidamente os dois amigos e tomou o restante de seu Expresso de uma vez para pegar coragem.

Passou cambaleante em meio aos convidados, cumprimentou alguns rostos conhecidos e ao chegar perto de Rachel, quase a derrubou sem querer, o que resultou numa revirada de olhos da garota, que cruzou os braços depressa.

— Você realmente não deveria ter exagerado na bebida.

— É, também acho isso.

— Precisa de alguma coisa?

— Você tá brava comigo, né?

— Jura?

— Bom Rae, eu não consigo entender o que eu fiz de errado, se você não me falar.

— Por que você não tenta adivinhar?

— Ah tá, eu posso tentar. Toda vez que você tem uma veia saltando na sua testa é sinal de que está estressada. Como agora. sua linguagem corporal me diz que que isso não é bom pra mim.

— Você tá bêbado e na nossa última noite juntos você tá assim. E ainda me humilhou e quase acabou com a minha noite. É Natal, caramba! Meu último Natal como uma Titã!

— Já pensou que o fato de você ir embora é o que me fez beber?

— Ah, então a culpa é minha?!

— Olha, me desculpa, eu vacilei, não deveria ter manchado o seu vestido e nem ter te constrangido na frente dos nossos amigos e de desconhecidos, é só que...

— Logan, você ao menos sabe onde você está agora?

— Na sua festa de despedida.

Rachel revirou os olhos, de novo.

— Você bebeu tanto que está difícil de respirar com o seu bafo de vodka. — Ela pontuou. Ameaçando dar meia-volta, quando ele segurou seu braço pelo punho.

— Espera!

Sem aviso prévio, Garfield se ajoelhou. Todos os presentes ficaram confusos. Um murmurinho pôde ser ouvido. A música animada se cessou bruscamente.

— O que você tá fazendo? — Rachel perguntou.

— Tô dando um motivo suficiente para você ficar.

— Acho que você entendeu tudo errado, maninho! — Victor se aproximou, correndo, junto de Dick.

— Não, não deixa comigo, eu sei o que tô fazendo. — Com sua mão esquerda, ele vasculha o bolso em busca do anel de plástico que pegou “emprestado” do Ryan, o qual o garoto havia recebido de brinde da caixa de cereal há cerca de dois meses.

— Ela realmente precisa… — Dick tentou falar, mas foi interrompido.

— Que situação! — Kory disse, impaciente, com as mãos na cintura.

— Bem que me disseram que ele era impossível. — Karen murmurou.

— Eu sei que, às vezes, a gente se enlouquece... — Garfield voltou a focar em Rachel.

— Levanta! Tá bem? — Roth disse, tentando ao máximo não fazer contato visual com ele.

— ...Mas eu não consigo imaginar a minha vida sem você.

— Logan, por favor, levanta! — Kory interveio, com a voz elevada.

— E eu não vou permitir que faça uma coisa que vai se arrepender.

— Por favor, não faça isso! — Rachel pediu.

— Rachel Roth, você quer…

— Não Garfield, eu não quero casar com você!!!!

— Mas eu nem terminei de fazer o pedido.

— Garfield, eu vou embora, você tem que aceitar isso!

Ele se levantou.

— Não… não… não. Você não tá só indo embora, você tá fugindo, Rachel!

— Vamos conversar em outro lugar, mais reservado, pode ser?

— Não! Você não tá só fugindo do seu pai demoníaco, você tá fugindo do seu lar, dos Titãs, dos nossos amigos, da nossa família! — Ele explicou, apontando para todos presentes. — Que eu sei que você ama e também, você tá fugindo de mim… e você esqueceu completamente de mim!

— Você sabe que não é isso.

— É isso mesmo! Você quer fugir de tudo que lembre as suas origens! Está sendo covarde!

— Logan! Eu não vou falar disso agora!

— Quer saber? Se sua mãe estivesse aqui, ela estaria decepcionada com você, mas por outro lado, se ela ainda estivesse aqui, acho que nem estaríamos nessa situação.

— Não fala da minha mãe! — Rae se odiou por sentir a voz trêmula, como um vidro prestes a se partir, e por perceber que as lágrimas, traiçoeiras, já escapavam como rios silenciosos diante de todos.

— Bom, essa é a verdade. — Ele balançou os braços para si.

— Acabou! — Rae decretou, com os olhos transbordando de lágrimas.

— Que saber porra?! Eu acho que isso já tinha acabado! — Garfield rebateu.

— Nunca mais quero te ver! — Ela gritou, com as bochechas avermelhadas.

— Bom, acho que isso já aconteceu quando você decidiu se mudar para o outro lado do mundo! — Ele gritou, batendo na mesa e empurrando a assadeira com o peru recheado no chão. Com medo, Ryan pulou nos braços da irmã, encolhido.

Rachel subiu para o seu quarto e chorou, de forma compulsiva, contra o travesseiro. Sem saber o que pensar. Sendo apenas capaz de fazer uma única promessa para si mesma: Que nunca mais iria voltar e que nunca mais iria ver a cara estúpida de Garfield Logan na vida!

Notes:

Fanfic disponível (em português e inglês) aqui no AO3, em ambos os idiomas no Wattpad sob minha conta Pinkie_Bye, e nos sites brasileiros Spirit e PlusFiction, disponível apenas em português, sob meu nome de usuário Angel45 e Pinkie Bye, respectivamente.