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O Príncipe e seu Cavaleiro

Summary:

"Era noite de Natal e esta data costumava ser a mais odiada por Cellbit. Fingir era quase uma segunda natureza para ele e sua irmã gêmea, manter elegância e uma expressão serena mesmo diante de pessoas desagradáveis, tudo pelo bem do reinado de seu pai e pelo bem estar de seu povo. Ser algo natural, entretanto, ainda cobrava seu preço, o deixando terrivelmente esgotado.
Porém naquele último ano tudo havia mudado. Não mais queria correr para seus aposentos, mas sim para os braços daquele que era detentor de todos os seus pensamentos. Havia esperado a noite inteira pelo momento perfeito para fugir e encontrar seu parceiro, e agora que o instante se aproximava, sentia seu coração disparando furiosamente em seu peito. Não queria deixá-lo esperando nem um minuto a mais."

ou

Uma royalty au onde Cellbit é um príncipe, Roier é um guarda, eles são completamente apaixonados um pelo outro e se encontram para um piquenique noturno com direito a troca de presentes!

Notes:

hohoho feliz natal
aqui está meu presente para vocês: uma pequena one-shot guapoduo royalty trocando presentinhos em um piquenique noturno! aproveitem <3

E leiam as notas finais, tenho muita coisa a comentar!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Depois de uma longa noite de pura diplomacia e sorrisos falsos, Cellbit finalmente sentia ser capaz de respirar novamente enquanto escapava para fora daquele salão de baile lotado.

A festividade não tinha hora para acabar. A música, junto às vozes de conversas e acordos sendo feitos, permanecia preenchendo o ambiente, e a comida e bebida seguia sendo servida, mas não havia nada mais que lhe prendesse àquele ambiente — Bagi encontrava-se em uma conversa acalorada junto a um amigo, e seus pais, depois do jovem príncipe ter se comportado tão bem durante horas a fio, não reclamariam de sua ausência ou, melhor dizendo, provavelmente não notariam que ele escapara.

Recebendo um olhar julgador de Etoiles — chefe da guarda real e seu cúmplice — Cellbit passou pela porta de vidro semi aberta que levava para uma das inúmeras varandas do castelo e, sem demora, pulou através da mureta, sua queda sendo amortecida pela grama fofa sob suas botas.

Caminhando rapidamente em meio às sombras daquela enorme construção onde vivia junto de sua família e uma quantidade exacerbada de criados e guardas, Cellbit logo encontrou o caminho de terra por entre as árvores da floresta que ficava ao Sul do castelo, uma trilha quase imperceptível, mas que o príncipe conhecia tão bem, afinal, levava para seu adorado refúgio.

Saindo das sombras do castelo e adentrando as sombras das árvores de tronco escuro e folhas avermelhadas, Cellbit se deteve, abaixando-se e pegando uma caixa azul escuro comprida escondida debaixo das raízes de uma destas árvores. Abrindo para confirmar seu conteúdo, não demorou em fechá-la novamente com satisfação e passou a alça por seus ombros, voltando a caminhar, agora com ansiedade crescendo dentro de seu ser.

Era noite de Natal e esta data costumava ser a mais odiada por Cellbit. Fingir era quase uma segunda natureza para ele e sua irmã gêmea, manter elegância e uma expressão serena mesmo diante de pessoas desagradáveis, tudo pelo bem do reinado de seu pai e pelo bem estar de seu povo. E era justamente naquela data que Cellbit mais precisava fingir. Ser algo natural, entretanto, ainda cobrava seu preço, o deixando terrivelmente esgotado, emocionalmente e fisicamente.

Porém naquele último ano tudo havia mudado. Não mais queria correr para seus aposentos, mas sim para os braços daquele que era detentor de todos os seus pensamentos. Havia esperado a noite inteira pelo momento perfeito para fugir e encontrar seu parceiro, e agora que o instante se aproximava, sentia seu coração disparando furiosamente em seu peito.

Com a visão daquele sorriso que o deixava derretido estampada em sua mente, apressou o passo. Não queria deixá-lo esperando nem um minuto a mais. 

 

🎁

 

A lua cheia e aqueles pequenos, porém numerosos, pontos brilhantes que eram as estrelas, iluminavam o céu e aquela diminuta área aberta da floresta que dava lugar para um lago logo à frente.

Roier, deitado sobre a toalha desgastada que havia levado para aquele piquenique noturno o qual organizara, as encarava, tentando encontrar aqueles mesmos padrões que Cellbit lhe mostrara tantas vezes, mas, com a mente agitada, logo se frustrou e sentou-se, grunhindo levemente com a dor que sentia.

Cada movimento que fazia era como um golpe em seus músculos. Nunca teve a errônea ideia de que os treinamentos para tornar-se parte da guarda real seriam fáceis, mas ainda assim surpreendeu-se com o árduo cronograma criado pelo Comandante Etoiles e seu braço direito Fit. Entretanto, nunca reclamaria, afinal, foi a forma que encontrou de sobreviver e agora, mais do que nunca, seria a forma com que poderia sonhar com uma vida ao lado de sua outra metade.

Passando a enrolar a corrente de seu colar no dedo e com o olhar perdido em algum ponto em meio ao lago, Roier pensou no quão satisfeito sentia-se de estar ganhando, pouco a pouco, o respeito de seus colegas e superiores e em sua evolução como guerreiro. Ele subiria naquela estúpida hierarquia social e, um dia, provaria para todos e para si mesmo que merecia a mão do príncipe em casamento.

Roier lembrou-se do olhar de Cellbit em um de seus encontros secretos, há tantos meses, quando lhe prometeu que se provaria merecedor de estar ao seu lado, do quanto o príncipe pareceu desacreditado, como se não compreendesse o porquê daquelas palavras, como se não se sentisse merecedor de tamanho empenho, ternura e devoção. Mas Cellbit nunca discutiria com Roier, tudo que fez foi segurar seu rosto com delicadeza e lhe beijar, uma, duas, cinco, dez vezes. Beijos leves como plumas, mas que esquentaram o coração de Roier e lhe provaram mais uma vez que toda dor que sentisse e todo o seu esforço valeria a pena. E quando Cellbit passou a falar, uma pequena e simples frase, o guarda em treinamento sentiu como se estivesse escutando uma promessa.

Mi corazón es tuyo —, Cellbit sussurrou em sua boca e o peito de Roier se apertou.

Mi corazón es tuyo también .

Um leve barulho de um galho sendo quebrado o despertou de seus pensamentos e Roier logo se esticou em direção a sua espada, repousada em uma grande rocha ao seu lado.

— Quem está aí?

Saindo do meio das árvores com as mãos levantadas, Cellbit não demorou em aparecer em meio às sombras e parecia se divertir com a agitação de Roier.

— Calma, guapito , calma. Sou apenas eu.

A visão de seu parceiro, com roupas elegantes e ainda com sua coroa sobre a cabeça, foi suficiente para o fazer relaxar. Por um segundo, entretanto, Roier sentiu-se envergonhado de estar se vestindo de maneira tão simples, mas bastou observar um sorriso se formando no belo rosto de seu príncipe, um que era espelhado em seu próprio rosto, para essa preocupação ser esquecida. Roier largou sua espada, se levantou e abriu os braços, o esperando para um abraço. Cellbit não demorou em se jogar sobre ele.

— Senti sua falta. — Cellbit disse, com o rosto escondido na curvatura de seu pescoço.

— Eu também, gatinho. — Roier o puxou para sentar ao seu lado sobre a toalha. — Espero que tenha guardado um pouco de espaço para o que preparei. — Ele cutucou a barriga de Cellbit, que, rindo, lhe deu um leve tapa na mão.

— Mas é claro que sim, estou curioso para descobrir mais sobre suas habilidades culinárias. Nunca me cansa de surpreender!

Roier sempre preparava algo para seus encontros, por vezes doces e outras vezes salgados. Se tornou algo deles, uma tradição. A cozinha do castelo se converteu em um ambiente familiar para o jovem e aqueles que ali trabalhavam já não mais estranhavam sua presença nem seus pedidos para que lhe ensinassem uma nova receita.

— Não pude preparar muita coisa, infelizmente. — Disse fechando os olhos, sentindo os dedos de seu parceiro acariciando os fios castanhos de seu cabelo. — Quando o comandante Etoiles liberou minha turma, já era quase hora do baile e todos estavam agitados e terrivelmente ocupados.

Tendo começado o seu treinamento há pouco mais de um ano, Roier havia sido liberado de seus serviços pelo resto da noite. Um guarda mal preparado, nas palavras de Etoiles, poderia ser um grande problema ao proteger todas aquelas figuras de poder. Eficiência era sempre algo valorizado pelo comandante, mais do que números. Os jovens apaixonados não reclamariam, ganhando tempo juntos, ainda mais em uma noite tão especial.

Roier logo continuou:

— Mas Elisangela reservou um pouco de seu tempo para me ajudar a preparar rabanadas! Ela me contou que, apesar de não prepararem com muita frequência, você parece amá-las.

Roier pegou a cesta e estava prestes a abri-la quando Cellbit o impediu.

— Ela está certa, é uma de minhas comidas preferidas. Mas antes, gostaria de lhe entregar algo. — Cellbit passou a alça da caixa que levava consigo por cima de sua cabeça e entregou para Roier, que a apoiou sobre suas pernas. — Feliz Natal!

Roier abriu a caixa, curioso, e encontrou uma espada de ferro negro com detalhes em azul escuro, tanto na lâmina quanto no punho. Era a espada mais bela que já havia visto em sua vida, algo completamente precioso e que o deixou sem palavras.

— O que…

— Achei que você merecia ter uma espada que fosse sua. — Cellbit o interrompeu, mordendo os lábios um pouco inseguro e olhando em direção a espada que Roier agora segurava. — A espada dada aos guardas em treinamento são de ótima qualidade, não me entenda errado, mas são apenas… Como um empréstimo. E também são um pouco velhas. Logo mais estará terminando seus treinamentos e será oficialmente um guarda, merece ter sua própria espada. Esta foi feita especialmente para você. E é um presente útil! — Tentou se explicar quase em um mesmo fôlego. O príncipe ergueu o olhar, esperando por uma reação de Roier. — Você… Gostou?

— Se eu gostei? — Roier se posicionou sobre um de seus joelhos e fincou a espada no chão, rasgando parte da toalha. Ela era apenas um pedaço de pano velho, de qualquer forma. Com seriedade e dramatismo, disse: — Com esta espada, te protegerei até o fim da minha vida. Serei seu fiel guerreiro. Seu cavaleiro de armadura brilhante! — Roier piscou para Cellbit, que sentiu seu nervosismo sumir e passou a rir.

— Cavaleiro, é? É de meu conhecimento que tem dificuldade em montar nos cavalos do estábulo. Etoiles parece se divertir observando seu sufoco, inclusive.

— Ainda. Eu ainda não sei. — Roier pontuou. — Mas serei o melhor guerreiro de todos! O mais bem treinado, o mais forte, o mais inteligente, tudo por você, cariño

Cellbit sorriu com doçura para ele e lhe fez um afago na bochecha.

— E o mais belo também. Ah não, isso você já é! — Eles riram e ele continuou: — Eu acredito, meu bem. Eu acredito que você pode dominar o mundo caso queira. Não há nada que você não possa fazer.

Roier depositou a espada ao seu lado e levou suas próprias mãos ao pescoço, abrindo o fecho de seu colar e mostrando para Cellbit.

— Este colar está em minha família há gerações —, Roier começou a contar. A pedra verde, que parecia uma espécie de pérola com uma mancha escura em seu centro, como o de uma pupila, brilhava sob o luar. Um olho observando aquelas duas almas gêmeas e suas trocas de presentes tão significativos. — Ele foi entregue para mim pelo meu abuelo em seu leito de morte. É como um amuleto de boa sorte, de proteção. Todos que o usaram tiveram longas vidas cheias de fortunas. Eu quero que fique com você.

Cellbit prendeu a respiração, agora ele sem saber o que falar. Ele permaneceu parado enquanto Roier colocava o colar em seu pescoço.

— Perfeito —, Roier falou satisfeito.

— Mas —, Cellbit reencontrou sua voz —, meu amor, você é um guarda! — Ele comentou, rindo um pouco desacreditado. — Seu trabalho é perigoso, você precisa de toda proteção que puder. Se este colar é realmente um amuleto, você quem deveria usá-lo! — Cellbit comentou, levemente revoltado. — E era de seu avô, eu não quero…

Roier o interrompeu, negando tais afirmações.

— E você é um príncipe, é uma vida perigosa também. Eu me sentiria mais tranquilo em saber que você está seguro mesmo quando não estou por perto, quando  não puder lhe proteger. — Ele fez uma pequena pausa, pensando sobre suas próximas palavras. — E este colar é uma relíquia de família e você é minha família! — O jovem guarda pegou as mãos de Cellbit, as segurando firme. — Por favor, aceite este meu presente. — Ele pediu beijando os nós de seus dedos e Cellbit sentiu-se derreter e se emocionar com suas palavras e cedeu àquele pedido tão verdadeiro. Era algo difícil, mas o príncipe estava aprendendo a ceder, a se permitir ser cuidado e protegido sem se sentir incomodado. Estaria tudo bem, contanto que fosse Roier. E se Cellbit pudesse tirar um pouco dos fardos do ombro de Roier, ele assim o faria.

O príncipe retirou as mãos do aperto de Roier e o puxou para um novo abraço, um apertado, que foi retribuído por seu parceiro.

O resto daquela madrugada foi leve, com os amantes se deliciando com o doce preparado pelo guarda, conversando sobre o que aconteceu enquanto estavam longes um do outro e compartilhando o mesmo ar, grudados um ao outro como se suas vidas dependessem daquilo. 

Mi amor ? — Roier sussurrou, sem querer quebrar aquele momento, mas sabendo que precisava colocar um fim àquele encontro.

— Hm? — Cellbit virou seu rosto, apoiando o queixo nos ombros do parceiro.

— Tenho treinamento logo ao amanhecer. — Ele lhe depositou um beijo na testa do príncipe. — Preciso ir.

Suspirando dramaticamente, Cellbit se afastou e esticou os braços sobre a cabeça, se espreguiçando.

— Tudo bem, eu entendo…

Roier passou o braço por sobre os ombros de Cellbit, o puxando para si novamente.

— Me assistirá? Ou Vossa Alteza estará dormindo? — Perguntou, brincalhão.

— Quem sabe, talvez eu tenha planos melhores do que observar meu amado com armadura completa humilhando seus colegas e mostrando o quão forte é! — Era uma mentira, é claro. Nada era mais importante do que observar com admiração os movimentos precisos de Roier e o quão belo ficava enquanto lutava.

Eles passaram a recolher suas coisas, Roier levando seu presente nos ombros, a cesta junto a toalha em uma das mãos e, com a outra, segurando firmemente a mão de Cellbit, seus dedos entrelaçados.

Eles voltaram o caminho até o castelo juntos, em um silêncio confortável, apenas sendo quebrado quando Roier passou a cantarolar uma música de natal de sua infância.

Eles logo pararam na entrada lateral do castelo, uma para funcionários. Com um último beijo, Cellbit abriu a porta, se afastando de Roier, mas ainda com suas mãos interligadas, até que a distância se pôs entre seus dedos e a porta foi fechada.

Cellbit seguiu para seus aposentos e Roier para seu alojamento, ambos com sorrisos apaixonados no rosto e a esperança de que as horas passassem rápido para que pudessem se encontrar novamente.

Notes:

espero que tenham gostado! eu queria muito muito mesmo escrever algo para este Natal e fiquei tão feliz de ter conseguido T-T
e como comentei nas notas iniciais, tenho coisas a falar sobre essa fanfic!

primeiro de tudo, quando comecei a escrever essa história, ela ficou meio... angst. Angst até demais. Por Cellbit ser um príncipe e Roier ser um simples guarda, um em treinamento ainda por cima e sem muitos contatos e sem uma família poderosa para lhe dar apoio, acabei colocando algumas coisinhas mais realistas (?) como o medo dos reis não aprovarem o relacionamento dos dois etc etc, mas depois descartei isso. Quer dizer, ainda cito um pouco sobre essas questões, mas de maneira bem mais leve como podem ter percebido. Eu queria apenas escrever algo fofo e bonitinho e, bom, é Natal!!! Angst no Natal é sacanagem!!! E, mesmo que o relacionamento deles após o final desse ponto da história pode ter passado por algumas turbulências, não seria nada que eles não conseguissem enfrentar juntos. Então canonicamente no futuro eles se casam e tem filhos adotados e tudo o mais!!! não precisam se preocupar com isso !
o segundo ponto que quero abordar é que rabanada pode não ser algo que se veria em uma fanfic royalty, mas eu queria tanto incluir o Roier aprendendo um prato presente nas ceias brasileiras e rabanada foi o que decidi colocar porque, pra mim, é algo 100% natalino, ao menos é na minha família! E pode até não ter sido criado no brasil, mas se tornou parte da cultura brasileira a esse ponto!

de qualquer forma, essa vai ser minha última fanfic deste ano, mas 2025 tem mais! Eu não tenho planos de parar de escrever sobre esses dois, sou completamente apaixonada por eles e tenho muitas histórias para contar ainda! 2025 vai ser um bom ano <3
muito obrigado por tudo e vejo vocês ano que vem
até a próxima! o7