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Rise Of Blood

Summary:

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Séculos atrás, durante a Conquista de Westeros, uma profecia sussurrada pelos deuses ameaçou a linhagem Targaryen.
Nascidos sob o peso das estrelas e o fogo dos dragões, Seleannys, filha de Rhaenys, e Icaerys, filho de Visenya, foram os primeiros herdeiros de Aegon, o Conquistador. Mantidos em segredo, suas existências nunca foram reveladas. Mas no dia após o parto, os dois bebês desapareceram sem deixar vestígios, levando consigo os ovos de dragão destinados a serem seus companheiros.

O tempo apagou os murmúrios silenciosos e os nomes das crianças foram esquecidos.

Agora, com a Dança dos Dragões prestes a incendiar Westeros, os deuses devolvem aquilo que tomaram. Seleannys e Icaerys retornam à terra dos homens, montados em dragões há muito adormecidos. Mas eles não voltam para tomar partido - eles retornam para reivindicar o que lhes foi prometido pelo sangue e pelo fogo.

Quando o passado retorna montado em asas negras e pratas, a profecia renasce. Sangue será derramado, e o destino de Westeros jamais será o mesmo.

Os filhos esquecidos da Conquista estão de volta. E o mundo tremerá sob a ascensão do sangue.

 

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Work Text:

⊶─────≺⋆≻─────⊷
Sombras No Horizonte
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Esquecer o passado, é sentenciar o futuro e condená-lo, pois um dia ele poderá voltar para assombra-lo.

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Seleannys observava o horizonte em um silêncio mortal, enquanto as ondas quebravam furiosas contra as pedras, como se o mar tentasse sussurrar desesperadamente algo. Seus olhos permaneciam fechados, sentindo a brisa fria encontrar seu rosto. Era uma cena da qual ela se permitiria ficar presa para sempre, sem hesitar, se aquele fosse outro momento.

Um vento forte, semelhante a um grande tornado, atingiu suas costas, arrancando-a de seus devaneios. Seus olhos se abriram lentamente e se voltaram em direção à origem da ventania. Uma escuridão densa cobria o local, e, se não soubesse que seu dragão negro — gigantesco e imponente — sobrevoava a área, poderia pensar que estava de volta à prisão onde os deuses os mantiveram por décadas. Mas a grama macia sob seus pés a ancorava no presente.

O vendaval cessou tão rapidamente quanto começara, revelando Nesseraxes, que descia dos céus em uma tempestade de asas poderosas. A neblina negra, provocada pelo movimento do dragão, dissipou-se lentamente. Seleannys se aproximou da criatura, seus olhos encontrando os rubros da fera — vazios, famintos, tal como os dela. Sua mão tocou o focinho de Nesseraxes, sentindo o calor e a segurança que emanavam das escamas espessas.

A bufada de ar quente e com cheiro de cinzas liberada pelas narinas da dragão fez Nyssa voltar à realidade e se dirigir à sua asa. Mesmo que já tivesse feito aquilo milhares de vezes, subir em suas costas para alcançar a sela ainda era complicado, especialmente devido ao tamanho exagerado do dragão. Logo após Nyssa se acomodar em cima dela, um rugido poderoso fez o chão estremecer, e, em questão de segundos, elas já estavam acima das nuvens.

De repente, algo semelhante a um raio branco — tão veloz e imenso quanto Nesseraxes — passou ao lado delas, acompanhado por um grito selvagem. O cenho de Seleannys se franziu instantaneamente, como se fosse algo tão natural quanto respirar.

— Icaerys, não fique brincando com Aeraxes! Você pode cair! — Os gritos dela tentavam, em vão, alcançar seu irmão.

Icaerys conseguia ouvir os protestos da irmã, mas optava por ignorá-los. Seleannys não podia julgá-lo: era a primeira vez que voavam livremente com seus dragões. Ele precisava daquele momento. Sentir o vento contra o rosto, tocar as nuvens, deixar a adrenalina correr por suas veias — aquilo era vital para ele.

Mas quando Aeraxes rugiu levemente em protesto a atitude de Ica, o dragão desobedeceu as ordens de seu cavaleiro e voltou para o lado de Nesseraxes, fazendo-o ficar com uma expressão de tédio.

— Para onde estamos indo, Nyssa? - o grito de Icaerys chegou junto de seu bocejo de sono.

Seleannys pensou em ignorá-lo, mas ela não se importava tanto com as brincadeiras do irmão para ficar irritada ao ponte de se vingar, mesmo minimamente.

— Para Pedra do Dragão... Para pegarmos de volta o que nos pertence... O trono e os Sete Reinos.

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Em Porto Real, onde as ruas raramente dormiam, o silêncio parecia uma presença viva, sussurrando nos becos e se esgueirando por janelas entreabertas. O vento frio e úmido, vindo do mar, carregava o odor salgado e fazia as tochas dançarem como almas penadas. Na Fortaleza Vermelha, os corredores ressoavam apenas com o farfalhar de vestes e murmúrios abafados, como se até mesmo as paredes temessem falar em voz alta.

Seguindo por mais alguns corredores, era possível notar o ar gélido emanando da sala intitulada "Sala Verde". Os criados que passavam por ali congelavam por alguns segundos, como se, de repente, não conseguissem sentir seus próprios corpos.

Do lado de dentro, o ambiente era muitas vezes pior—não apenas por ser o centro do frio cortante, mas também pela presença do próprio demônio encarnado, mais conhecido como Otto Hightower. Ao seu lado estava sua filha, Alicent Hightower—apelidada, de forma nada sutil, de "a puta de Westeros", um título tão carinhoso quanto revelador.

Alicent Hightower permanecia sentada à cabeceira de uma mesa de carvalho polido, o rosto delicadamente iluminado pela luz vacilante das velas. O frio que dominava a Sala Verde parecia se entranhar em seus ossos, embora ela se mantivesse composta. O cansaço marcava-lhe os traços, pequenas sombras de noites insones se acumulando sob os olhos verdes—os mesmos que agora fitavam o pai com uma mistura de apreensão e resignação.

Diante dela, Otto Hightower a observava com olhos calculistas, as mãos cruzadas sobre a mesa como um mestre estrategista analisando um tabuleiro de cyvasse. A atmosfera era tão densa quanto o gelo que pairava no ar, e as palavras que romperam o silêncio carregavam o peso de uma sentença.

— O tempo está contra nós, minha filha — murmurou ele, cada palavra tingida de urgência e gravidade. — A cada dia que o rei Viserys respira, as engrenagens giram. Quando ele morrer, a guerra estará às portas. Não podemos hesitar.

Alicent fechou os olhos por um instante, sentindo o peso esmagador das palavras de seu pai cair sobre ela como um manto invisível. O mundo esperava que fosse mãe, rainha e pedra angular—mas tudo o que sentia era exaustão. Quando abriu os olhos novamente, fitou as mãos trêmulas que repousavam em seu colo, pálidas como mármore.

— Aegon não quer o trono — murmurou, a voz fraca, quase um sussurro. Quase um pedido. — Ele nunca quis.

— Não importa o que ele quer — retrucou Otto, a voz cortante como gelo. Seus olhos se estreitaram, avaliando-a com frieza. — Você acha que Rhaenyra e Daemon hesitarão? Eles não respeitam sua fé, sua autoridade ou os homens desta sala. Westeros precisa de um rei que traga estabilidade, e Aegon é o único capaz de ocupar esse lugar. Com ele no trono, os Sete Reinos estarão, finalmente, sob controle.

Antes que Alicent pudesse responder, o som de uma porta se abrindo bruscamente cortou a tensão. Aegon II Targaryen entrou, a postura desleixada e as roupas desalinhadas, intensificando o olhar de desaprovação que Otto lhe lançou. Logo atrás, Aemond Targaryen apareceu—impecável como sempre—caminhando com passos firmes e uma expressão impassível.

— Mais uma vez discutindo o meu futuro? — resmungou Aegon, jogando-se pesadamente em uma cadeira. — Já disse que não quero ser rei. Deem o trono a Aemond. Ele até nasceu com cara de bode conquistador.

Aemond franziu o cenho. Seu único olho visível cravou-se no irmão como uma lâmina, e sua mandíbula se contraiu, rígida como pedra.

— Cuidado com suas palavras, irmão — respondeu ele, a voz fria como o ambiente ao redor. — O trono é seu. É seu dever, queira ou não.

Aegon soltou uma risada amarga, afundando ainda mais na cadeira.

— “Dever”… Sempre o maldito dever. Ninguém pergunta o que eu quero.

— Porque o mundo não se importa com o que você quer! — Otto finalmente perdeu a paciência, sua voz ecoando pela sala. As mãos bateram contra a mesa, e as velas tremeluziram como se sentissem o impacto. — Você será rei, Aegon. Ou perecerá tentando fugir do seu destino.

O silêncio que se seguiu era denso como ferro. Alicent fechou os olhos, lutando contra o peso esmagador da cena diante dela. A respiração tensa de seus filhos se misturava ao ar frio e opressor, até que, de repente, um grito ecoou pelos corredores—um som agudo e desesperado, impossível de ignorar.

O grito ecoou pelos corredores, fazendo Alicent se sobressaltar e abrir os olhos de imediato. Otto levantou-se da cadeira, enquanto Aemond levou a mão instintivamente à empunhadura da espada. A tensão, que já parecia insuportável, se transformou em algo mais sombrio—uma ameaça invisível pairando no ar gelado da Sala Verde. Antes que alguém pudesse reagir, um dos criados surgiu à porta, pálido e ofegante.

— É a princesa Helaena... — disse, a voz trêmula. — Ela está... Ela está tendo uma visão.

Percorrendo por toda a fortaleza  se chegava ao quarto da princesa, onde Helaena estava sentada no chão frio, os cabelos prateados caindo ao redor do rosto pálido como um véu de seda. Suas mãos tremiam levemente enquanto ela balançava para frente e para trás, murmurando palavras em um tom baixo e melódico—como um verso antigo, quase esquecido.

— Eles voltam... — sussurrava, os olhos distantes, fixos em um ponto invisível. — Sombras e fogo. O sangue esquecido retorna.

Daeron Targaryen, o irmão mais jovem, chegou antes de todos e quando entrou no quarto com passos hesitantes, com o coração apertado ao vê-la naquele estado. Ele ajoelhou-se ao lado dela, as mãos tocando-lhe os ombros com suavidade, como se temesse quebrar algo frágil e invisível.

— Helaena? — sussurrou, a voz quase tão fraca quanto a dela. — O que você vê?

Lentamente, ela ergueu o olhar, mas seus olhos pareciam atravessá-lo, como se enxergassem algo além do presente. Os lábios se moveram, formando palavras arrastadas e enigmáticas.

— Olhos de rubi. Prata e fogo. Eles vêm montados em dragões perdidos...

O sangue de Daeron gelou. Ele recuou instintivamente, um arrepio percorrendo-lhe a espinha. As palavras de Helaena, embora desconexas, carregavam um peso ancestral—como se o próprio futuro estivesse sendo desvendado ali, no frio sufocante daquele quarto.

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Pedra do Dragão repousava como uma fera adormecida, suas torres de pedra negra erguendo-se contra o céu escuro, quase indistinguíveis das nuvens pesadas que se acumulavam no horizonte. O vento soprava do mar, carregando o cheiro de sal e tempestade, um presságio sombrio do que estava por vir. As ondas rugiam contra os penhascos, como se ecoassem a inquietação que pairava dentro da fortaleza.

No salão principal, iluminado apenas pela luz trêmula das tochas e pelo brilho alaranjado da lareira, Daemon Targaryen caminhava de um lado para o outro. Seus passos ecoavam pelo chão de pedra fria, ritmados como batidas de um tambor de guerra. Sobre a mesa, uma carta vinda de Porto Real jazia aberta, marcada com o selo real de cera vermelha. Mas o conteúdo já fora lido e digerido mais vezes do que Daemon se importava em admitir.

Sentada próxima ao fogo, Rhaenyra Targaryen mantinha os olhos fixos nas chamas dançantes, que pintavam reflexos dourados sobre seus cabelos prateados. O brilho do fogo fazia suas feições parecerem esculpidas em mármore, mas havia tensão nos ombros e nas linhas firmes ao redor de sua boca.

— Ele está morrendo — murmurou ela, quebrando o silêncio pesado. Sua voz era baixa, mas carregava um tom de resignação amarga. — Meu pai... Não há mais nada que os meistre possam fazer.

Daemon parou abruptamente, girando sobre os calcanhares para encará-la. Seus olhos eram dois cortes de aço afiado, refletindo a luz vacilante da lareira.

— Que os verdes aproveitem enquanto podem — respondeu ele, a voz gotejando sarcasmo e raiva contida. — Quando o rei morrer, nada poderá impedir a guerra. Eles que escolham suas armas.

Rhaenyra desviou o olhar, voltando a encarar as brasas incandescentes, como se pudesse encontrar nelas respostas que o mundo real se recusava a dar. Ela sabia o que viria. Alicent Hightower e os verdes tentariam tomar o Trono de Ferro para Aegon, e a paz tênue que seu pai lutara tanto para manter se despedaçaria. Os filhos de Rhaenyra—Jacaerys, Lucerys e Joffrey Velaryon—já haviam sentido o peso dessa expectativa, sendo moldados como guerreiros e líderes para o conflito inevitável. Mas nem mesmo o preparo deles parecia suficiente diante da tempestade iminente.

O silêncio foi quebrado por passos apressados ecoando pelos corredores. Uma batida firme ressoou contra as portas do salão, fazendo Daemon estreitar os olhos com impaciência antes de ordenar:

— Entre.

A porta se abriu, revelando um guarda arfante, o rosto pálido e suado como se tivesse corrido por todo o castelo. Ele se ajoelhou rapidamente antes de falar:

— Príncipe Daemon... Princesa Rhaenyra... Os vigias avistaram algo no céu. Dois... dragões.

A tensão no salão se tornou palpável. Rhaenyra se endireitou, a descrença estampada em seus olhos.

— Dragões? — perguntou ela, a voz afiada pelo choque.

O guarda assentiu, ainda tentando recuperar o fôlego.

— São grandes... e não são dragões conhecidos. Eles se aproximam, vindos do mar.

Daemon e Rhaenyra trocaram um olhar carregado. A expressão dele endureceu, mas seus olhos brilhavam com algo entre curiosidade e alerta.

— Preparem as torres — ordenou Daemon, virando-se para o guarda. — Quero todos os homens prontos. Acendam as fogueiras e estejam preparados para o pior.

— Sim, meu príncipe.

O guarda saiu às pressas, deixando o salão novamente em silêncio. Daemon puxou Dark Sister, a espada ancestral, de onde repousava. Ele a girou com facilidade, o metal reluzindo sob o brilho do fogo, antes de embainhá-la novamente.

— Dois dragões desconhecidos... — murmurou ele, quase para si mesmo. — Isso não é coincidência.

Rhaenyra levantou-se lentamente, o peso do momento visível em seus movimentos.

— Quem poderia ser? — perguntou ela, a voz carregada de inquietação.

Daemon esboçou um sorriso, mas não havia calor nele—apenas a promessa fria de batalha.

— Vamos descobrir.

Enquanto as chamas crepitavam na lareira e as sombras dançavam nas paredes, os pensamentos de Rhaenyra voltaram aos filhos. Jacaerys, Lucerys, Joffrey, seus bebês ainda pequenos e suas enteadas, Baela e Rhaena. Todos eles seriam arrastados para a tempestade iminente—e, naquele momento, Rhaenyra sentiu o peso do sangue em suas veias e da batalha que ainda iria vir.

No alto da fortaleza, os guardas já corriam para acender as fogueiras, suas silhuetas recortadas contra o céu negro. E, ao longe, entre as nuvens carregadas, dois pontos brilhantes surgiram—como gigantes cortando o céu em extrema velocidade.

No horizonte, o céu tingia-se de tons ardentes de vermelho e laranja enquanto as fogueiras de Pedra do Dragão eram acesas, lançando sombras altas contra as muralhas negras. O vento carregava o cheiro de sal e fumaça, um prenúncio do que estava por vir. Os guardas moviam-se com inquietação, suas silhuetas parecendo pequenas diante da imponência da fortaleza. Murmúrios se espalhavam como o crepitar das chamas, mas nenhum som podia preparar os homens para o que estava prestes a acontecer.

Então, vieram os sons. Primeiro, o bater de asas—profundo e ritmado, como trovões ecoando entre as montanhas. Depois, o rugido. Um som primitivo, poderoso, que parecia vir das entranhas da terra e reverberava nos ossos dos homens. Os guardas ergueram os olhos para o céu, alguns com assombro, outros com temor. E foi então que os viram.

Dois dragões rasgaram a escuridão, suas formas colossais dominando o firmamento. O primeiro, negro como carvão polido, tinha olhos vermelhos que brilhavam como rubis incandescentes. Fumaça e brasas escapavam de suas narinas enquanto suas asas cortavam o ar como lâminas. O segundo, prateado como aço recém-forjado, refletia a luz das fogueiras, fazendo suas escamas reluzirem como estrelas. Seus olhos dourados eram como o próprio sol, brilhando com uma intensidade inumana. Eles eram maiores do que qualquer dragão visto em anos—talvez desde os tempos da Conquista. E com eles, vieram os cavaleiros.

Quando pousaram no pátio de Pedra do Dragão, o impacto fez as pedras tremerem, espalhando poeira e fragmentos soltos. As chamas das tochas oscilaram, e o silêncio que se seguiu foi quase sufocante. Do meio das sombras e da poeira, Seleannys surgiu primeiro.

Seus cabelos prateados caíam como seda ao redor dos ombros, brilhando sob a luz trêmula das fogueiras. Seus olhos rubros, tão claros quanto os de um dragão recém-saído do ovo, varreram o pátio com calma calculada. Ela trajava uma túnica escura, adornada com bordados prateados em padrões de fogo e dragões, simples, mas inegavelmente régia. Sua postura era ereta, firme, e havia algo em sua presença que fazia até mesmo os guardas hesitarem em erguer as armas. Era como se o próprio ar reconhecesse sua autoridade—uma rainha que não precisava de coroas ou palavras para ser vista como tal.

Logo atrás dela veio Icaerys, movendo-se com passos ágeis, mas carregando a mesma imponência. Seus cabelos prateados eram ligeiramente mais curtos, e seus olhos escarlates pareciam arder, analisando cada rosto com uma intensidade desconcertante. Trajava uma armadura negra, reluzente, marcada por detalhes em prata que brilhavam como estrelas apagadas. Cada peça de sua vestimenta parecia ter sido moldada no fogo e no aço. O som metálico de suas botas ecoou a cada passo sobre as pedras do pátio, como um anúncio de sua chegada.

— O que acham que vão dizer ao nos ver? — perguntou Icaerys, sua voz baixa, mas carregada de um tom quase provocativo. Um sorriso curvou seus lábios, mas não alcançou os olhos, que permaneceram frios como gelo.

Seleannys não respondeu de imediato. Ela observou os guardas em alerta, as fogueiras ardendo ao seu redor e as muralhas que pareciam menores sob a sombra dos dragões. Quando finalmente falou, sua voz era suave, mas carregada de propósito.

— Primeiro, vão nos chamar de monstros — disse ela, o tom tão afiado quanto uma lâmina. — Depois, de herdeiros.

Icaerys soltou uma risada baixa e amarga.

— E, por último, de deuses... Eu acho.

Seleannys não sorriu. Sabia que eles não estavam ali como salvadores, mas como um lembrete do que significava carregar sangue de dragão. Com os céus como testemunha e os dragões como escudo, a profecia renascia naquela noite.

Antes que os guardas pudessem reagir, um som ecoou no topo das escadas. Daemon Targaryen desceu, seguido de Rhaenyra, cujos olhos examinavam os recém-chegados com a precisão de uma lâmina desembainhada. Daemon parou no último degrau, as mãos descansando sobre o cabo de Dark Sister, mas sem puxá-la. Seus olhos predatórios analisaram os dois jovens, fixando-se nos cabelos prateados e nos olhos claros, tão familiares quanto inquietantes.

— Quem são vocês? — perguntou Daemon, sua voz soando como um trovão abafado.

Seleannys ergueu o queixo, mantendo o olhar fixo no dele. Não havia hesitação, apenas certeza.

— Somos Seleannys e Icaerys — respondeu ela, cada palavra carregada de peso. — Filhos de Aegon I Targaryen. Seus verdadeiros primogênitos e herdeiros. Voltamos para tomar o que nos pertence.

A declaração pairou no ar como um trovão, e por um momento, o próprio chão pareceu estremecer sob os pés de todos ali. Até os dragões pareciam reagir, soltando pequenos rugidos e ondulando as asas.

Rhaenyra piscou, como se tivesse sido golpeada por uma onda invisível. Seu olhar foi de Seleannys para Icaerys e, por fim, para Daemon, cuja expressão se fechou em um misto de incredulidade e fascínio.

— Aegon I? — repetiu Rhaenyra, a voz mais baixa, quase para si mesma. — Isso é impossível.

— Nada é impossível para o sangue de dragão — respondeu Icaerys, dando um passo à frente. Sua presença parecia preencher o espaço entre eles.

Daemon apertou os punhos, mas manteve o controle. Os olhos dele deslizaram para os dragões, para a imponência dos jovens e, finalmente, de volta para Rhaenyra.

— Preparem o salão — ordenou ele, com firmeza. — Quero respostas.

Seleannys e Icaerys trocaram um breve olhar antes de seguirem os guardas que abriram caminho. Por trás deles, os dragões ergueram as cabeças, observando atentamente cada movimento. Naquele momento, Pedra do Dragão tornou-se um palco para a ascensão de um novo capítulo na história dos Targaryen—ou talvez, o retorno de algo muito mais antigo.