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Então é Natal
Jae não era uma particular fã de datas comemorativas, na realidade, ela realmente preferia só ficar quietinha na sua enquanto comia panetone. Mas, dessa vez, o natal havia caído em uma lua cheia, então, o feriado natalino finalmente teria algo a ser comemorado, eles não podiam perder isso. Mesmo que isso significasse que ela teria que arrumar a mansão para a data comemorativa - o que era um porre de se fazer, principalmente porque elu sabia que Dalmo só apareceria para trazer as presas e Kemi (junto com o Careca) nem iriam aparecer. Hunf, eles se achavam muito melhores que Jae, não é? Malditos.
E para piorar sua vida, o peitudo ainda queria fazer uma troca de presentes, como se em algum momento da vida de Jae ela tivesse aprendido a escolher um presente. Como se em algum momento da vida de Aguiar, ele tivesse aprendido a escolher um presente. Pelo amor de deus, mesmo se Jae fosse cego, ele ainda iria perceber as sombras no olhar do Aguiar enquanto ele olhava para a água ou para o retrato esquisito.
— O meu amigo oculto é um poeta… — Aguiar começou a rodear Jae como se ela fosse uma presa, em sua mão havia uma pequena caixa, ele ergueu uma sobrancelha — Ele, ou ela, ou elu.. adora mulheres bonitas e ama matar elas como se estivesse dormindo de conchinha….
Jae bufou, aquilo havia sido uma vez! Mas, claro, aquele desgraçado nunca iria esquecer o episódio em que ela virou a conchinha maior antes de matar uma mulher relativamente bonita — Acabe logo, Aguiar — Resmungou.
Sem nenhuma novidade, ele o ignorou por completo — Ele gosta bastante de facões, tem uma estranha obsessão por silêncio e...
— E, ainda sim, você continua falando — Jae o interrompeu.
— Eu tirei um dia de folga só para isso, se é para termos um natal macabro, então que você lide com um amigo oculto — Aguiar continuou a rodear elu de forma predatória, Jae suspirou e finalmente acenou a cabeça, pedindo para que ele continuasse — Meu amigo oculto também sempre esquece da ração dos cachorros e de comprar os petiscos, ainda tenho a teoria que meu amigo oculto quer os matar de fome.
— São seus cachorros, Aguiar. — Ele deu um sorriso forçado, Jae já sentia seu coração acelerar de medo só pela ideia de ter que ficar perto da dupla da realeza de Aguiar.
— Se são só meus, por que você tem uma foto delas na sua carteira?
Jae mordeu sua bochecha — Se eu os carregar comigo, terei menos medo de cães, idiota. Agora..,— Ela estendeu uma mão — seu amigo oculto sou eu, me dê o presente logo — Exigiu
Ele finalmente parou de andar e parou em frente a Jay, estendendo o pequeno embrulho — Comprei ontem e não tem notinha fiscal, se você não gostar, joga no fogo.
Jae agarrou o presente como se a sua vida dependesse disso, precisando desesperadamente de uma distração da ideia de sentir afeto por cachorros, rasgando o papel e a caixa de forma bruta com as próprias unhas — Se eu não gostar eu vou tacar você no fogo.
Aguiar sorriu enquanto Jae destruía cada pedaço de papel. Em um momento ele se deparou com um pedaço de fita que não queria rasgar, o que resultou com Jae pegando uma faca que estava guardada cuidadosamente em seu sapato e cortar tudo o que não queria rasgar como manteiga. Sério, o quanto de embalagem esse maldito havia colocado? Porra, não importava quanto Jae removesse um papel embrulho, surgia outro com ainda mais fita. Depois de alguns segundos frustrantes, ela finalmente encontrou seu presente de natal, seus lábios instintivamente se curvaram para cima em um sorriso que elu não sabia se era de verdade ou não — Não acredito — Sibilou com pouca emoção, o que era resultado de tamanha animação.
— Não sei se essa é a sua cor, mas a mulher da loja disse que combinaria com gente pálida e com cara de peixe morto — Aguiar deu um soco no ombro de Jae.
Ela não desviou o olhar do batom vermelho brilhante que tinha ganhado, sem conseguir demonstrar o calor em seu peito ao ganhar algo que era totalmente a sua cara. Jae abriu a tampa do batom tão precisamente e rapidamente quanto quando ela matava alguém. Suas mãos estavam firmes quando ele passou a cor em seus lábios sem precisar de um espelho. Jae não precisava se olhar no espelho para saber como estava — Parece que eu bebi o sangue de alguém — Ele afirmou, ainda emocionado.
— Nossos convidados vão adorar isso.
Elu sorriu, sabendo que seus lábios estariam vermelhos e viciantes — Obrigade, Agui, às vezes você consegue pensar com algo além dos músculos — Zombou, afinal, Jae preferiria morrer do que exibir qualquer grão de gratidão sem um preço, seja uma ofensa ou algum tipo de injúria física.
— Só fala mal porque não tem, — Apontou Aguiar — se tivesse, você seria mais feliz — O grande homem esticou o pescoço, tentando ver se conseguia alguma visão de Princesa e Duquesa, que estavam o esperando pacientemente no jardim. Suas pobres cachorrinhas não conseguiam entender o motivo de Jae não gostar delas, mas obedeciam cegamente a qualquer comando de Aguiar. Ele não queria olhar para Jae agora, mesmo tendo sugerido fazer um amigo oculto, Aguiar não queria nem mesmo pensar na ideia de se tornar verdadeiramente próximo de Jae.
Furtivamente, Jae aproveitou a pequena brecha para se movimentar, ele deu passos para trás silenciosamente, dando a volta no sofá. Usualmente, Jae não daria nenhum tipo de presente para ninguém, mas, como Aguiar havia insistido, Jae se sentiu quase na obrigação de comprar algum presente, ou roubar um, mas ninguém precisava saber disso, ela possuia muito dinheiro por causa de seu pai, mas roubar era muito mais divertido. Embaixo de uma almofada havia uma caixa simples de papelão, sem nenhum tipo de decoração natalina, apenas um simples e singelo “De J para P”, o “P” sendo de peitudo, obviamente, Jae nunca iria parar de jogar isso na cara de Aguiar, não quando dezenas de mulheres e homens imploraram para serem esmagados por Aguiar enquanto ele os fatiava com seu machado. Era quase cômico
Agarrando a caixa áspera, Jae a ergueu e sem nenhum cuidado a jogou para Aguiar no exato momento que ele se levantou. A caixa bateu inutilmente em seu peito e ele apenas olhou para baixo com choque, quase como se fosse ofensivo. Aguiar curvou-se e agarrou a caixa em algum tipo de dúvida, eles não tinham combinado uma troca de presentes de verdade, Aguiar tinha avisado, mas nem ele acreditava que Jae iria aceitar participar mesmo.
Ele abriu o presente com receio, realmente havia grandes chances de ser uma bomba de sangue que iria espirrar nele. Um sorriso escapou da sua cara séria quando ele ergueu um sutiã tamanho 48 rosa choque e de renda — É sério, Jae? — Ele juntou seus lábios tentando não rir.
— Fiquei procurando o maior tamanho da loja e ainda acho que vai ficar pequeno. — Ela murmurou.
— É claro que vai ficar pequeno, porra. E a cor é feia, ainda por cima.
— Você que é feio — Jae cruzou os braços — Se você não tiver gostado, irei prender você no seu carro e você não irá participar do treinamento.
Aguiar ergueu a sobrancelha, dobrando o sutiã e o guardando com carinho na caixa — Não é como se 'ce fosse para o hexatombe sozinho. E digo mais: se você fizer isso eu irei jogar você no armário e te trancar lá pela eternidade.
Fluidamente, Jae encostou sua faca no pescoço de Aguiar literalmente milissegundos depois que Aguiar soltou a palavra "armário", e antes que a frase terminasse de sair da boca dele, Jae tinha um machado no meio da sua cabeça.
Os dois se encararam por longos segundos. A tensão era palpável e uma questão pairava no ar, quem iria conseguir agir primeiro? Como sempre, eles não iriam conseguir a resposta hoje, já que após cinco segundos quase eternos, Jae e Aguiar tiraram suas armas simultaneamente da pele um do outro. Apenas um sorrisinho sobrando da ameaça de morte. Claro, o de Jae era muito mais sombrio, um calor ruim irradiava do seu peito, ele preferia morrer a ser preso dentro do armário.
Finalmente, Aguiar quebrou o silêncio esquisito — Obrigado pelo presente, usador de lápis de olho.
— Não há de quê, sugarbaby de algum rico.
— Não finja que você não está animade para um novo grupo de pessoas vindo parar aqui acidentalmente, sei que o Dalmo está radiante.
— Ainda é cômico que você tenha que flertar pelo grindr e mandar foto de agora pra conseguir fazer alguém vir para esse fim de mundo.
Aguiar colocou suas mãos no quadril — Eu tenho um público que realmente aprecia minhas fotos de agora
— Você é a minha inspiração para não gostar de homens — Ela revirou os olhos.
O silêncio entre eles reinou e Jae sem pensar muito, foi para a janela da sala, avistando Duquesa e Princesa deitadas. Assim que as rottweiler conseguiram o ver, se levantaram e abanaram os rabos para elu. Jae fechou os olhos, tentando se livrar da sensação de medo que habitava seu peito sempre que via cachorros. Um suspiro saiu de sua boca e ele pegou um dos brinquedinhos favoritos dos cachorros, abrindo a janela e o jogando para longe, as duas rottweiler dispararam em direção ao brinquedo, desaparecendo da visão de Jae. Ela sorriu, aliviada — O presente de Natal de vocês vai chegar, meninas, seu pai flertou com algum riquinho e conseguiu o convencer a vir para cá, pelas contas do Dalmo, pelo menos umas cinco pessoas irão passar por aqui
Aguiar fez um som de raiva e Jae ouviu ele jogando um carvão em uma caixa de presente — Não sei se eu deveria ficar ofendido ou não.
— Pergunte ao o seu webnamorado, ele vai adorar saber — Jae escondeu o riso com a mão.
— Você deveria arrumar uma mulher, sua vida iria ser mais legal, Jae.
— Continue trabalhando nessa decoração, Cabeludinho, de preferência em silêncio. Minha vida vai ser mais legal quando concluirmos o Hexatombe — Princesa chegou correndo com o brinquedo na boca, sendo seguida por Duquesa, outro nó se formou no peito de Jae e elu deu um passo para trás com relutância. Foi ai que Princesa se aproximou da janela, se ergueu em duas patas e colocou o presente no batente. Um misto de confusão surgiu em Jae ao ver a cena, de fato, Princesa era uma lady. Ele pegou o brinquedo e novamente o jogou para longe com toda sua força — Ou quando você admitir que os seus cachorros me amam mais. — Jae se virou e olhou o homem.
Outro pedaço de carvão no presente, dessa vez acompanhado com uma risada alta de Aguiar — Você sonha, agora tire a sua bunda plana daí e me ajude a arrumar essa árvore.
— Nah, você já decora mal, se eu decorar com você vai ser muito humilhante.
Aguiar jogou um pedaço de carvão em brasas em Jae, que foi habilmente rebatido com a lâmina de sua faca sem nem mesmo precisar de esforço. Jae odiava decorar as coisas, Aguiar também odiava, mas ela não se importava com isso. O Natal estava chegando, e o gênio que queria fazer jogos psicológicos com as presas que tinha dado a ideia de quebrar a cabeça deles com um ambiente aparentemente seguro, então ele que iria decorar tudo. Não Jae, Jae tinha mais coisas para fazer, como admirar seu novo batom vermelho brilhante e jogar brinquedos para as cadelas.
Elu estava particularmente ansiose para o momento que o ônibus passasse por ali e o pneu furasse com a trilha de pregos, a brincadeira de esconde-esconde, a tortura psicológica seria simplesmente deliciosa. Os sacrifícios seriam divinamente recompensadores, e se Jae desse sorte, haveria ao menos uma unidade de mulher, e ela seria sua primeira vítima. Se elu fechasse os olhos, conseguia focar na sensação que iria ser provocada nelu, o abraço, a intimidade, a vida se esvaindo do corpo. Jae faria coisas horríveis para que aquele ônibus passasse dias mais cedo.
De repente, ela abriu os olhos, seus lábios se curvando em um sorriso mortal — Ei
Aguiar a olhou pelo canto — Sim, estarei na delegacia quando eles passarem por aqui, deixe alguns para…
— Oh, idiota, não é isso. Coloca um presente dentro de um presente — Sugeriu ele, sorrindo malignamente.
Os olhos de Aguiar brilharam, e Jae sabia que na mente dele tinha a mesma imagem que tinha na sua. Alguma das presas abrindo o presente, com medo, com tensão, pensando no que iria ver, uma mão? Uma perna? A cabeça de alguém? E ao abrir, ver que era apenas outra caixa.
Talvez, apenas talvez, o natal nem sempre seria sem graça.
