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Brazilian lullabies

Summary:

Q!Fit e Q!Pac tem um momento feliz em família, mas, depois, precisam pôr suas elétricas crianças para dormir.

Work Text:

Era mais uma noite comum e pacífica na Mansão dos Ovos. Não que qualquer um dos quatro conhecesse exatamente o conceito de comum ou de paz, mas um jantar seguido de uma partida de Uno em família parecia bastante divertido.

 

(Se bem que da última vez que os quatro tentaram jogar algo juntos, Ramón tentou instaurar uma anarquia no Monopoly, enquanto Richarlyson quase fez uma speedrun do código penal.)

 

Naquela ocasião específica, o pequeno estava muito entusiasmado em aprender mais sobre a cultura brasileira. Ele disse que tinha terminado sua unidade do Duolingo, ou algo do gênero. De qualquer forma, ele estava empolgado com tudo que envolvia esse idioma e esse país.

 

E, por isso, Richas sugeriu o jogo de baralho, que, apesar de ser mundialmente famoso, tinha regras únicas no Brasil.

 

Tipo jogar um mais quatro após uma longa sequência de mais dois. Ou então uma regra de ter que colocar sua mão em cima do topo de cartas quando alguém jogar um seis, e o último a fazer isso deve comprar duas. Também tinha uma que ninguém poderia falar nada quando um sete for jogado, o que deu certa vantagem para os ovos.

 

Se bem que a última vez que Fit teve tempo para jogar cartas ocorreu há uns doze anos ou mais. Talvez algumas dessas regras funcionem nos Estados Unidos, também. Ou quem sabe nem funcionem no Brasil e eles estavam inventando tudo naquele instante. Ele não duvida de nada.

 

Conforme a brincadeira desenrolava, mais ficava óbvio o quanto os brasileiros estavam criando mil e uma brechas nas regras ou coisas que eles tinham convenientemente “esquecido de contar”.

 

Mas, mesmo com todos esses furos nas regras, Ramón parecia deslumbrado. Ele pulava de um lado para o outro, todo feliz, toda vez que obrigava alguém a comprar inúmeras cartas de uma só vez. Igualmente, ele abaixava sua cabeça, chateado, sempre que tinha sua rodada pulada.

 

Porém, independente se ganhava ou perdia, nunca perdia o brilho no olhar, a empolgação de estar em um momento em família, muito menos o espírito de competitividade que o fazia inventar regras aleatórias para ganhar de seu mais novo pai e irmão, só para depois dizer que “no meu país a gente joga assim” e quase cair no soco com Richarlyson toda vez que ele anunciava estar com uma única carta em mãos.

 

E então, após ter que impedir o assassinato de algum dos dois ovos de dragão pela milésima vez, os dois adultos determinaram que já era hora de dormir.

 

“Não tô com sono o_O” Richas escreveu em sua placa azul.

 

“Tbm nao” Ramón concordou com a cabeça, e logo voltaram a pular de um lado para o outro e se bater.

 

— Vamos, precisamos dormir para ter bastante energia amanhã! - Pac argumentou, sendo completamente ignorado pelas crianças.

 

Fit bufou, sem saber se ria ou se chorava. Já era tarde na noite e aqueles dois pareciam estar ligados na tomada.

 

— Será que se acalmariam se a gente cantasse para vocês?

 

Ramón e Richas pararam automaticamente.

 

“Musicas brazileiras?” o pequeno engenheiro virou seu olhar para o casal, seus olhos voltando a brilhar “Like 'nana nene'?”

 

— Sim! Músicas brasileiras! - Pac concordou, estufando o peito - Certo, vamos cantar canções de ninar para o Ramón!

 

Ele pareceu adorar a ideia, pois prontamente sorriu e foi em direção ao novo pai, que o pegou em seus braços alegremente.

 

— É... deixa eu pensar em uma - balançou o garotinho de um lado para o outro, rindo - “O sapo não lava o pé… não lava porque não quer!”

 

Fit riu ao ler a tradução, e mais ainda quando viu Richarlyson dançado. É um pouco engraçada a ideia de uma música cantando sobre um sapo que não gosta de tomar banho, assim como seu novo filho.

 

— “Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer!”

 

“Mas que chulé >:D” o brasovo escreveu, e logo pulou para o colo do anarquista.

 

— “A sapa na lava a pa, na lava parca na quar, ala mara lá na laga, na lava a pa parca na car” - ele riu da cara dos dois ao não entenderem nada, mesmo com o tradutor - “Mas ca chala!”

 

— Meu Deus, o que diabos você acabou de falar? - Fit se questionou, cogitando seriamente a ideia de Pac estar fazendo um pacto satânico.

 

— É a mesma coisa dos primeiros versos, mas todas as vogais são trocadas por “a” — Ramón se encantou com a ideia e se agitou de um lado para o outro - “E sepe ne leve e pé, ne leve perque ne quer, ele mere le ne lege, ne leve e pé perque ne quer, mes que chelé!”

 

Ramón riu e tentou escrever em sua placa alguma parte da letra, mas sem muito êxito. Ele pediria para Pac o ensinar essa música no dia seguinte.

 

— Deixa eu pensar em mais uma… - deu um beijo nos cabelos do filho, em consolo por não ter conseguido entender a letra muito bem. Tentou vasculhar em sua cabeça alguma cantiga um pouco mais fácil de entender - “Alecrim, alecrim dourado, que nasceu no campo sem ser semeado… alecrim, alecrim dourado, que nasceu no campo sem ser semeado…”

 

Fit olhou tudo encantado, com um sorriso bobo no rosto. Ele nem estava mais olhando o tradutor, só queria continuar escutando seu namorado brasileiro cantando em sua primeira língua. Só saiu de seus pensamentos quando Richas riu do quanto ele estava vermelho, estendendo uma placa que o comparava com um pimentão.

 

— “Foi meu amor… que me disse assim, que a flor-do-campo é o alecrim…” - continua cantando, sem nem perceber Richarlyson e Fit trocando olhares fulminantes - “Foi meu amor… que me disse assim, que a flor-do-campo é o alecrim…”

 

“Amei, papai <3" o pequeno escreve, logo depois soltando um bocejo e se aconchegando melhor em seus braços.

 

“O pai Fit disse que quer escutar mais uma” Richas praticamente jogou a placa azul na cara de Pac, resultando em algo que parecia ser um grunhido constrangido por parte do anarquista.

 

— Richas! Vamos dormir, vamos! - Fit ri, rapidamente encaminhando o pequeno para seu quarto.

 

— É verdade, é verdade - acena com a cabeça, dando um sorriso travesso para as crianças - Mais tarde eu canto o quanto ele quiser, ok? Hora de dormir.

 

Eles riem e Fit só quer se enfiar em um buraco.