Work Text:
A primeira vez que David Rossi viu Emily Prentiss de vermelho, ele não estava esperando. Então, quando aconteceu, foi como um golpe duro e pesado – certeiro – daqueles que deixariam qualquer um momentaneamente sem fôlego.
De um jeito bom. Muito bom, na verdade.
Rossi sempre foi muito orgulhoso por ter um olho bom para os detalhes, atento, perspicaz. Era uma habilidade que tinha sido muito útil ao longo de sua carreira dentro do FBI. No entanto, ele nunca esperou que esse seu pequeno talento fosse levá-lo àquele momento – marcante e pessoal. Ele se lembrava bem do dia, quase como se fosse tão recente quanto seu almoço de uma hora atrás.
Era apenas mais uma manhã comum no escritório. Era verão e estava terrivelmente quente, apesar de ser tão cedo e do ar-condicionado potente, e Dave tinha os dois primeiros botões de sua camisa abertos, a camiseta branca que ele costumava usar por baixo, descartada e esquecida em algum lugar em sua sala.
A equipe estava enterrada em seus papéis, perdidos entre seus próprios lamentos sobre o clima enquanto rezavam silenciosamente para que pudessem ser solicitados em algum estado um pouco mais fresco. É claro, era um pensamento ruim o suficiente, considerando que ter um caso significaria que pessoas estavam sendo mortas, mas, do jeito que estava, ninguém sequer se preocupou se estavam soando um pouco insensíveis.
Já havia passado o ponto em que eles teriam condições de serem éticos.
David estava revisando alguns documentos, as mangas da camisa azul arregaçadas até os cotovelos, quando Emily entrou na sala de conferências. Ele não notou nada especial de imediato, apenas resmungando um cumprimento rápido e um pouco mal-humorado para sua companheira de equipe enquanto ela suspirava e se jogava em uma cadeira ao seu lado. Mas então, algo fez com que ele levantasse a cabeça – talvez uma mudança sutil na fragrância habitual de seu shampoo, ou como sua respiração parecia um tanto ofegante – e foi então que ele a viu.
Emily usava uma camiseta vermelha sem mangas. Não era um vermelho muito chamativo, mas em um tom mais profundo, quase Borgonha, que contrastava perfeitamente com sua pele clara e que complementava bem o tom escuro de seu cabelo. Seus ombros expostos se destacavam de maneira natural e atraente, elegantes, parecendo incrivelmente suaves à vista – e, ele imaginava, ao toque.
No fim, a camisa era bem simples, seu decote em V mostrando apenas o suficiente para ser provocante, mas ainda assim sofisticado. Nada muito revelador. E talvez fosse justamente aquilo que o estivesse impedindo de desviar os olhos de Emily – o desejo de ver um pouco mais – mesmo que seu interesse estivesse começando a parecer pateticamente óbvio. A forma como o tecido deslizava sobre seu corpo, um pouco solto, mas ainda justo o bastante para moldar suas curvas tentadoras de uma forma muito sutil, era definitivamente uma coisa que David não poderia ignorar. Nunca. Nem se tentasse – não que ele quisesse, é claro.
Ele se lembrou de como ela parecia confiante e confortável naquela manhã, apesar do calor sufocante, movendo-se pelo Bullpen com sua graça habitual, mas era impossível não perceber que havia algo mais naquele dia. Talvez fosse a maneira como ela parecia mais leve e relaxada que nos outros dias, um pouco mais feliz, ou talvez fosse a cor e sua própria percepção fundamentalmente alterada por ela.
Rossi sorriu para si mesmo, pensando em como aquela simples peça de roupa o tinha afetado tanto. Não era comum pensar que apenas uma cor pudesse fazer tanta diferença, mas, naquele momento, fez. Vermelho era a cor de Emily, disso ele não tinha dúvidas.
Naquele dia não houve um caso, mas também não foi preciso. Emily já tinha sido toda a distração que ele esperava – e precisava. Nos momentos mais inoportunos, David se pegou pensando sobre como queria vê-la com aquela cor mais vezes, em como ela parecia fazer Emily brilhar um pouco mais, deixando-a ainda mais vibrante.
Claro, ele não mencionou nada daquilo a ela. Sobre como sua camisa vermelha o fez se sentir como um menino em uma loja de doces, tão perdido e desejoso, sem saber ao certo qual ele mais queria. Era apenas um detalhe – novo e surpreendente – que ele havia guardado para si mesmo, um pequeno segredo que o fazia sorrir todas as vezes.
Foi a partir daquele dia que Rossi passou a relacionar o vermelho à Emily. Todas as vezes que via algo daquela cor, ele lembrava dela, e de como ela estava absolutamente linda em sua camiseta vermelha como o sangue.
E foi só naquele dia que ele percebeu que, às vezes, os pequenos detalhes realmente faziam a diferença.
--DR/EP—
A segunda vez que David viu Emily de vermelho foi em um fim de setembro. E dessa vez, embora pudesse admitir que teve o mesmo efeito avassalador sobre suas emoções, ele estava um pouco mais preparado.
Era início de outono. A noite estava envolta de um ar fresco, o quintal dos fundos banhado por uma luz âmbar que vinha dos sofisticados postes distribuídos ao redor do ambiente e pelo brilho prateado da lua. Havia algumas folhas secas no chão, aquelas que caíram ainda naquela tarde, e o céu estava limpo, permitindo uma visão clara – e rara – de uma abundância de estrelas, brilhando como pequenos diamantes em uma tela negra e infinita.
Havia o som das crianças brincando pelo bairro, o barulho das risadas e das folhas pisoteadas pelos pés ansiosos dos pequenos corredores, misturando-se ao vento que sacudia as árvores e fazia o aroma fresco e terroso se mover entre eles.
Naquela noite, Rossi havia oferecido um pequeno jantar para seus companheiros de equipe. Não era incomum que eles se reunissem para uma rápida confraternização após alguns casos mais difíceis. E, depois de algumas semanas intensas longe de casa, aquela reunião de amigos pareceu a coisa mais certa a se fazer para aliviar o estresse que havia sido acumulado.
Dave, sempre perfeccionista e atencioso, estava se movendo com rapidez e segurança ao redor de sua cozinha, cuidando dois últimos detalhes de seus pratos quando a campainha tocou, anunciando a chegada de seu primeiro convidado.
Era Emily na porta e, Deus, não tinha como ela estar mais bonita. Ela estava usando um vestido vermelho, leve e causal, que caía logo acima de seus joelhos e lhe dava alguma visão de suas pernas torneadas – uma bela visão. A cor dessa vez era vibrante, seu corte simples, seguindo o estilo confortável de roupa que Emily geralmente preferia usar, com alças finas e um decote quadrado discreto. Ela parecia muito à vontade, um sorriso largo emoldurando seu rosto e iluminando seus olhos castanhos. Rossi se lembrava vagamente de ter sorrido de volta, antes de limpar a garganta e se afastar para que ela pudesse entrar. E então, só então, Dave se permitiu deslizar os olhos através de seu corpo esbelto.
“Ei, Rossi,” ela disse, entregando-lhe uma garrafa de vinho tinto que ele não seria capaz de lembrar o nome, “Espero que esse seja bom o bastante para você.”
Dave piscou ao ser puxado de volta para a realidade, um fraco rubor subindo por seu pescoço quando seus olhos encontraram os de Emily mais uma vez. Ele deu um meio sorriso tímido, aceitando a garrafa e gesticulando para que ela o seguisse até a cozinha.
“É claro. É sempre bom ter você aqui, Emily”, ele coçou a nuca, nervoso, “A propósito, você está linda.”
Emily abaixou a cabeça para esconder o rosto corado ao dar um leve risinho, agradecendo enquanto se sentava em uma das banquetas em frente à ilha elegante. Seus olhos castanhos estavam felizes, seu sorriso brilhante, deixando-o completamente fascinado por ela naquele momento.
“Os outros já devem estar chegando, mas, enquanto esperamos, que tal um pouco disso aqui?”, Rossi perguntou, abrindo com habilidade vinho que a mulher havia trazido, enchendo duas taças.
“Parece uma boa ideia”, ela aceitou a que ele estava oferecendo, dando um leve gole em sua bebida antes de lamber os lábios.
Dave assistiu com olhos adoradores enquanto ela tomava seu vinho, mal sentindo o gosto quando o líquido bordô encheu sua própria boca e desceu suavemente por sua garganta, lhe dando uma súbita sensação de calor. É claro que isso poderia ser – e provavelmente era – culpa daqueles lindos olhos cintilantes ou daquele maldito vestido vermelho que ela estava usando, mas ele não queria pensar sobre o que aquilo poderia significar, então Rossi apenas continuou culpando o vinho por estar sentindo aquelas coisas. Era mais fácil. Mas, mesmo assim, havia algo que nem ele poderia ignorar: havia um tipo de magnetismo poderoso em Emily que o puxava diretamente para ela, um pouco mais a cada vez.
E disso, ele não tinha nenhum interesse em se afastar.
O restante da equipe havia chegado pouco tempo depois, quebrando um pouco daquela tensão que havia sido criada entre eles.
Durante toda a noite, David se flagrou observando Emily várias vezes, cada vez mais encantando com a maneira como ela parecia feliz ao lado de seus amigos. Ela riu com Derek e com suas piadas um tanto presunçosas, discutiu sobre filmes clássicos com Reid e até ajudou Garcia a preparar mais alguns petiscos na cozinha enquanto o resto deles se juntava à beira da piscina. Durante horas, Dave foi um espectador do espetáculo que era Emily Prentiss. Ele acompanhou com absoluto interesse cada movimento, cada gesto. E a cada instante, ele parecia se sentir mais vivo, como se Emily fosse uma poderosa fonte de energia que de repente havia se instalado em sua vida.
Pouco antes do fim da noite, sem conseguir se controlar mais, ele se aproximou dela enquanto ela estava sozinha na cozinha, abrindo o que com certeza era a quinta garrafa de vinho da noite.
“Sabe, vermelho combina muito com você”, ele disse, tentando parecer casual ao se apoiar contra o balcão com os braços cruzados, mas sabendo que sua voz rouca era capaz de entregá-lo.
Para seu próprio bem, Emily parecia um pouco bêbada demais para cavar muito fundo em suas motivações, então ela só olhou para ele, surpresa e com um brilho desconhecido nos olhos escuros.
“Uh, obrigada.” Ela passou a mão pelos cabelos, tomando um gole, “Acho que você é a única pessoa que enxerga essas coisas.”
“Eu enxergo você, Emily.”, ele sorriu, sentindo seu estômago se contrair com o súbito desejo ao ver o rosto dela ficando tão vermelho quanto sua roupa, “Sempre.”
--DR/EP—
Na terceira vez que ele a viu de vermelho, Rossi já estava quase acostumado com a sensação, e às reações violentas que a cor poderia desencadear em seu corpo – como uma descarga de ocitocina diretamente em sua corrente sanguínea.
Era abril, e eles estavam no meio de um caso complicado em uma pequena cidade no interior. O sol estava se pondo, tingindo o céu de um laranja profundo enquanto a equipe se preparava para invadir um velho prédio abandonado. Havia uma tensão pesada no ar, e David observava a equipe de perto, atento a cada detalhe e movimento. Emily estava ao seu lado, quieta e concentrada, mascando o que parecia um chiclete enquanto terminava de vestir seu colete a prova de balas. Por baixo dele, havia, é claro, uma camisa vermelha de mangas compridas que, mesmo coberta, parecia irradiar uma intensidade própria, quase capaz de ofuscar a seriedade da situação em que se encontravam. E, se Dave não fosse, bem, Dave, ele poderia ter sido muito facilmente distraído por esse pequeno detalhe.
Felizmente – para o bem de seus nervos agitados – a operação tinha sido relativamente rápida, mesmo que um pouco mais violenta do que eles haviam presumido. Para seu desgosto, Emily esteve na linha de frente durante o conflito. Ainda assim, ele não podia deixar de se sentir orgulhoso com habilidade impressionante com a qual ela pareceu lutar contra o suspeito.
Quando tudo terminou, ela retirou o colete, sentando-se ofegante e cansada na parte traseira de uma das ambulâncias enquanto deixava que um médico examinasse os cortes superficiais em seu rosto. Havia uma grande camada de poeira escurecendo sua camisa e o suor havia feito com que ela ficasse levemente colada à sua pele, moldando seu corpo de forma provocante.
Algo que ele definitivamente não deveria ter reparado.
Rossi sabia que não deveria estar pensando sobre aquelas coisas depois do que tinha acabado de acontecer, mas, vamos lá, Emily de vermelho era algo quase impossível de ignorar.
E se a desejar naquele momento fosse ser considerado um crime, bem, Dave não estava se incomodando em parecer inocente.
Após verificar se os outros precisavam de ajuda, Dave se aproximou dela devagar, seus olhos preocupados presos na maneira como ela parecia um pouco impaciente durante seu pequeno exame. Seu rosto ainda conservava um leve rubor, resultado do esforço e da adrenalina, e havia um pequeno corte em sua bochecha e mais um próximo ao lábio inferior que o paramédico estava limpando, mas fora isso, Emily parecia realmente bem.
Suspirando, Dave se sentou ao lado dela, seu olhar fixo na forma como a cor de sua roupa parecia realçar sua beleza exausta.
“Você está bem?” ele perguntou suavemente, uma ponta de preocupação misturada com a luxúria que ele tentava disfarçar.
Emily respirou profundamente, parecendo cansada e satisfeita enquanto agradecia ao paramédico quando ele terminou com ela e se afastou.
“Acho que só preciso dormir um pouco.”
Dave deu um leve sorriso, lutando para manter o foco. Aquela visão – toda aquela situação – era mais do que ele podia suportar sem que seus sentimentos subissem à superfície. Havia algo inegavelmente atraente em Emily naquele momento, forte e deslumbrante. Ele conseguia sentir a necessidade de estar perto dela, de tocá-la, crescendo dentro dele, mesmo sabendo que aquela não era a melhor hora.
“Parece justo. Foi uma bela luta, aliás. Você estava incrível lá dentro”, ele disse, tentando manter a voz neutra, mas com um olhar que certamente traía suas vontades mais profundas. “Quer saber? Eu gosto mesmo quando você usa vermelho.”
Emily ergueu uma sobrancelha com a súbita mudança na conversa, seus olhos fixos nos de Dave.
“O que quer dizer com isso?”
Rossi hesitou por um instante, sentindo o calor subir por seu pescoço enquanto alisava os cabelos com os dedos, em um gesto de puro nervosismo.
“Hum, não sei ao certo. Parece que o vermelho realça ainda mais sua força; sua beleza. Mas, não. Não é apenas isso. É como se essa cor despertasse algo em mim.”
Emily o encarou, seus olhos ainda presos nos dele, agora com uma mistura de surpresa e carinho. Quase imperceptivelmente, ela se aproximou dele, a distância entre eles diminuindo, e Dave podia sentir seu coração batendo ainda mais rápido, como se estivesse prestes a explodir.
“Eu não sabia que você tinha uma reação tão forte assim ao vermelho.”, ela sorriu, parecendo provocante.
Dave respirou fundo, um meio sorriso curvando o canto direito de sua boca.
“Nem eu.”, ele suspirou, balançando a cabeça antes de quebrar seu olhar. “Mas talvez não seja a cor, exatamente. Talvez seja como ela fica em você.”
Emily não respondeu, mas ela ainda estava sorrindo quando apertou seu ombro carinhosamente antes de acenar para JJ e ir até ela, deixando-o sozinho com seus próprios pensamentos frenéticos e uma tensão quase palpável no ar.
Dave não pôde deixar de soltar um riso resignado. Naquela noite, foi mais fácil sentir quando aquele fio invisível que parecia puxá-los cada vez mais perto pareceu ficar um pouco mais teso.
--DR/EP—
Na quarta vez que Dave viu Emily de vermelho, ele deveria ter esperado por isso. Rossi deveria ter levado em consideração aquele lado brincalhão e provocante dela, o lado que não o deixaria sair daquilo totalmente ileso.
Era sábado e a noite estava fresca, convidativa. A lua estava cheia, tão próxima que era quase como se ele pudesse esticar a mão e tocá-la no céu. As estrelas brilhavam, as pessoas caminhavam pela rua conversando animadamente enquanto ele sentia seu estômago embrulhando com a ansiedade.
Faltavam apenas alguns minutos para as oito quando, respirando fundo para se acalmar, Dave estacionou o carro na frente do prédio de Emily, limpando as mãos suadas nas laterais da calça enquanto ensaiava um sorriso nervoso em seu rosto.
Depois de tanto tempo dançando ao redor daquela atração, ele finalmente havia tido a coragem de convidá-la para um jantar. Foi um convite confuso e gaguejado no final do expediente, que Emily havia aceitado com um sorriso adorável e um balançar de cabeça, mas ainda estava valendo.
Emily havia concordado em sair com ele. Não uma bebida após o trabalho, ou comida para viagem enquanto eles conversavam sobre como seu dia havia sido cansativo, mas um encontro de verdade. Então, considerando tudo, Dave se achou no direito de estar nervoso quando parou diante do apartamento dela, sentindo sua ansiedade e excitação encontrando seu ápice.
Quando Emily abriu a porta, Dave ficou sem palavras. Seu queixo caiu e seus olhos abriram ligeiramente, incapazes de se manterem em seu belo rosto, deslizando por todo seu corpo com uma fome muito mal disfarçada no olhar.
Ela estava deslumbrante em um vestido vermelho, porque é claro que ela estaria depois de ele ter contado como aquilo o afetava. No entanto, esse era um vestido novo, justo, que colava em seu corpo e parecia abraçar perfeitamente todas as suas curvas, expondo apenas o suficiente de pele para deixá-lo louco por mais. Em um movimento completamente instintivo, como uma resposta àquela maravilhosa visão, ele lambeu os lábios, sem conseguir deixar de admirá-la.
“Você está... magnifica”, David lutou para encontrar as palavras, a voz rouca tentando soar casual através da súbita rouquidão.
“Bem, obrigada. Eu pensei que talvez um pouco de vermelho não fosse causar nenhum mal,” ela respondeu com um sorriso divertido que alcançou seus olhos, suas covinhas expostas enquanto ela se virava para pegar a bolsa sobre o sofá antes de fechar a porta atrás de si.
Oh, não. Talvez apenas um ataque cardíaco.
Ele sorriu, hesitando por um momento antes de colocar a mão nas costas dela, guiando-a lentamente pelo caminho até o carro. Emily não recuou. Não houve nem mesmo o mais leve estremecimento que o faria pensar que talvez aquilo estivesse indo um pouco rápido demais, pelo contrário. Havia satisfação nos olhos castanhos de Emily, e algo na maneira como ela sorria para ele fez com que Rossi finalmente soltasse o ar em um suspiro aliviado.
“Foi uma bela escolha. Estou ansioso por essa noite.”
“Eu também,” ela se aproximou um pouco mais dele, deixando-o muito consciente do calor de seus corpos agora tão próximos um do outro.
Dave havia escolhido um restaurante francês - refinado e romântico – para aquele primeiro encontro, porque é claro que ele queria impressioná-la, e, assim que chegaram, eles foram direcionados a um canto mais reservado do restaurante, uma mesa no canto, iluminada pelas luzes suaves do ambiente.
Uma vez, ele havia se preocupado com a possibilidade de Emily e ele não terem muito assunto fora do ambiente de trabalho, e aquilo era uma das coisas que o havia deixado nervoso sobre aquele encontro, mas agora ele estava feliz por ter estado tão enganado. Durante todo o jantar, eles conversaram sobre tudo e nada, se divertindo muito juntos. Emily estava radiante, e ele não podia deixar de se sentir um homem de muita sorte por estar ali com ela.
Quando eles acabaram, ainda era cedo. E David ainda não estava pronto para deixá-la ir, então ele a levou para um parque próximo, onde luzes decorativas brilhavam entre as árvores e um pequeno lago refletia a luz da lua. Por algum tempo, eles apenas caminharam lado a lado, as mãos quase se tocando, até que Rossi parou, seus olhos fixos nos dela.
“Dave eu...”, Emily começou, sua respiração um pouco acelerada.
Ele não a deixou terminar. Ela não precisava. Tudo naquela noite os havia levado até aquele momento, e ele sabia exatamente o que devia fazer. Então, em um movimento impulsivo, ele sorriu, puxando-a para ele, seus braços envolvendo a cintura dela enquanto ele a olhava nos olhos.
“Você não faz ideia do que tem feito comigo nos últimos anos. Eu quero tanto beijar você, Agente Prentiss.”
Um sorriso largo enfeitou o rosto dela, seus olhos faiscando com emoção quando ela ergueu as mãos para segurar o rosto dele, chegando mais perto até que seus corpos estivessem colados.
“Humm, então vá em frente, Agente Rossi. Eu não vou dizer não.”
Um pouco surpreso e sem mais palavras, ele inclinou a cabeça, beijando-a delicadamente a princípio, apenas testando, sentindo os lábios macios contra os dele. O beijo havia começado tímido, mas rapidamente se intensificou quando a língua de Dave pediu passagem, sendo recebida com entusiasmo pela dela, todo desejo e tensão que haviam sido acumulados ao longo dos anos se dissipando em uma onda de paixão avassaladora.
Aquilo era absolutamente perfeito.
Quando eles finalmente se afastaram, muito tempo depois, ambos estavam vermelhos e ofegantes, mas satisfeitos.
“Você quer dar mais uma volta?” Dave sugeriu com um toque de ternura em sua voz, entrelaçando seus dedos nos dela.
Ela apenas assentiu, apertando sua mão firmemente antes de sorrir para ele.
A noite estava apenas começando – eles estavam apenas começando. – E Dave não podia estar mais feliz ou animado para o que ainda estava por vir.
--DR/EP—
Na quinta vez que David viu Emily de vermelho, ele não sabia que ela estava usando.
E poucas coisas no mundo poderiam tê-lo surpreendido mais.
Ainda era apenas o fim da madrugada quando ele acordou, o corpo encolhido pelo frio quando ele finalmente percebeu que aquela não era sua casa. Nem sua cama. Repassando rapidamente os acontecimentos da noite anterior, Rossi sorriu para si mesmo ao rolar sobre o colchão, os olhos ainda pesados se prendendo a uma Emily adormecida ao seu lado, parecendo adoravelmente aquecida depois de ter roubado todo o cobertor durante seu sono.
Ele se apoiou nos cotovelos, observando-a com carinho, a paz que emanava dela trazendo conforto até o fundo de seu peito. O quarto estava silencioso, e os únicos sons que podiam ser ouvidos eram os que vinham da respiração tranquila de Emily e o leve farfalhar das cortinas com a brisa da manhã. Rossi suspirou, sorrindo.
Havia mesmo acontecido, então.
A noite anterior ainda estava sendo rebobinada em sua mente, como um lindo filme que ele queria assistir pelo resto de sua vida. Ele havia esperado tanto por aquele momento…
No fim, não havia sido nada espetacular, mas havia sido tudo o que eles precisavam. Uma noite tranquila, comum em muito dos aspectos, mas uma noite especial, em que as barreiras se romperam e eles se perderam nas pequenas coisas – no calor das mãos dela, no som das risadas baixas, no abraço apertado que dizia mais do que qualquer palavra poderia dizer. E, depois de tudo isso, David estava ali, com a sensação de que poderia se perder naquele momento para sempre. Como se o tempo tivesse desacelerado, deixando-os naquele espaço seguro que haviam criado, sem pressa.
Com cuidado para não a acordar, ele se arrastou pelo colchão para mais perto, e foi então que ele viu. Era um detalhe pequeno, mas impossível de ignorar. Ao lado da cama, no chão, estava a lingerie vermelha que ela tinha usado na noite anterior. Completamente fascinado com aquilo, ele sentiu seus lábios curvando em um sorriso bobo, lembrando-se do momento em que a viu com ela e como a tirou dela, com um cuidado e uma urgência que o deixou levemente sem fôlego.
Ele ainda sorria, os olhos vidrados ao recordar de sua reação ao vê-la vestida apenas com aquelas peças, em como o tecido vermelho deslizou com suavidade por sua pele como se fosse feito para ela, revelando seu corpo de forma tão natural, e em como ele se sentiu meio perdido com a visão de seu corpo nu pela primeira vez. Ele se lembrou do toque suave, a sensação da delicadeza dos seios dela nas palmas de suas mãos, o calor de Emily – e o dele também – aumentando a cada movimento. E quando ela se inclinou para ele, para beijá-lo, e suas peles se tocaram, o mundo pareceu ter diminuído de tamanho. Eles estavam lá, no quarto, com o tempo desacelerado, cada toque, arquejo e movimento, parecendo consumi-los com fogo puro, enquanto a noite se estendia sem pressa para terminar.
E agora eles ainda estavam ali. E David não conseguia parar de olhar para ela, pensando que nada parecia tão certo quanto aquilo. Emily era finalmente sua. E ele era totalmente dela. Eles haviam se completado de uma forma que nem toda a sua habilidade com as palavras era capaz de descrever, apenas aquele momento, tão genuíno, tão verdadeiro. E tudo o que ele queria, naquele instante, era estar ali, com ela, para sempre.
Ele não queria acordá-la, não ainda. Mas, no fim, Rossi não conseguiu se conter, se aproximando um pouco mais, inclinando-se para beijar a testa dela com a leveza de sempre. Quando ela se remexeu sob as cobertas e abriu os olhos, ele sorriu.
“Bom dia, Em”, ele disse, a voz suave e rouca, carregada de felicidade.
Emily, ainda com os olhos preguiçosos, sorriu de volta, seus olhos focados no rosto dele. “Bom dia.”
Ela se esticou um pouco, o cobertor escorregando de seu corpo, e David não pôde deixar de olhar para ela, os traços delicados ainda tão vivos na sua memória.
“Você é tão linda, Emily”, David murmurou, sentindo um novo sorriso se formar em seus lábios.
Emily riu suavemente, ainda com a voz rouca. “Se você diz.”
Ele a observou por mais um momento, antes de se inclinar para beijá-la.
“Sim. E eu queria que a gente não precisasse sair dessa cama nunca mais”, ele confessou, seu olhar fixo nela.
Emily sorriu, tocando o rosto dele com a ponta dos dedos. “Bem, ainda temos hoje.”
Dave soltou um suspiro leve, deixando seus dedos deslizarem distraidamente pelo braço dela antes de puxá-la um pouco mais para perto. O dia ainda nem tinha começado de verdade, mas ele não tinha pressa. Não quando o mundo parecia caber perfeitamente naquele quarto, entre lençóis bagunçados e o cheiro dela que invadia suas narinas e entorpecia seus sentidos. Emily fechou os olhos de novo, aninhando-se contra ele com um murmúrio satisfeito, enrolando-os sob o cobertor aquecido, e Dave só conseguiu pensar que, se todas as manhãs fossem assim, então ele nunca mais precisaria de mais nada.
O que mais ele poderia querer, afinal?
--DR/EP—
A sexta vez que David viu Emily de vermelho, não era ela quem estava usando a cor.
Era uma terça feira e eles estavam de folga depois de voltarem para casa de um longo caso.
Dave estava na cozinha, preparando o almoço quando Emily o chamou para a sala, onde havia uma caixa cuidadosamente embrulhada sobre a mesa de centro. Ele arqueou a sobrancelha, uma expressão de interesse em seu rosto ao notar o pequeno embrulho e a ansiedade que parecia transbordar através de sua esposa.
Esposa.
Quase um ano havia se passado desde o casamento e, ainda assim, Dave ainda não tinha se acostumado totalmente à ideia, à sensação de amor e felicidade que o inundavam todas as vezes em que acordava e via Emily ao seu lado. Saber que ela o amava tanto quanto ele a amava e que eles haviam oficializado esse amor de uma vez por todas era como sua própria definição de realização. Não tinha absolutamente nada no mundo que ele pudesse desejar além daquilo..
“Tenho algo para você”, Emily disse, com um sorriso nervoso, interrompendo seus pensamentos ao pegar a caixa e entregar para David.
Ele franziu as sobrancelhas, curioso, desfazendo o embrulho delicado antes de abrir a caixa. O conteúdo fez seu corpo inteiro congelar e seu coração acelerar dentro do peito. Ali dentro, repousando no fundo, havia um pequeno par de sapatinhos de bebê, completamente vermelhos.
David olhou para Emily, os olhos arregalados enquanto processava aquela informação.
“Isso é o que eu acho que é? Você está grávida?” ele perguntou, sua voz embargada.
Emily assentiu, seus olhos brilhando em felicidade.
“Eu queria que fosse algo especial. E eu sei que o vermelho sempre teve um significado importante para o nosso relacionamento, então...”
Fungando baixinho, Rossi olhou mais uma vez para os sapatinhos, depois para Emily. Ela sorriu quando ele soltou a caixa na mesa, aproximando-se antes de envolvê-la em um abraço apertado.
“Deus, Em, eu estou tão feliz! Nós vamos ter um bebê!”
Emily riu contra o ombro dele, os braços envolvendo seu pescoço enquanto ela o abraçava de volta.
“Eu sei”, ela sussurrou, afundando o rosto contra a curva do pescoço dele, sentindo seu calor, respirando seu cheiro, enquanto lutava contra as lágrimas que queriam escapar, “É um pouco assustador, não acha?”
Balançando a cabeça, Dave a colocou de volta no chão apenas para segurar seu rosto entre as mãos, os polegares traçando círculos suaves sobre suas bochechas. Seus olhos estavam vermelhos e úmidos, e Emily sentiu um nó se formar em sua garganta com o absoluto amor que parecia irradiar dele.
“Sim, é. E é perfeito.” Ele sorriu, sem conseguir desviar seu olhar dela, como se quisesse gravar aquele momento para sempre, “Eu nunca pensei que fosse ter isso de novo.”
Emily apertou os lábios, abraçando-o com mais força enquanto apoiava a cabeça em seu peito.
“Nem eu. E eu não sabia o quanto queria isso, até agora.”
David ficou em silêncio por um longo tempo, ainda segurando Emily em seus braços, absorvendo aquelas palavras e o que havia acabado de acontecer. Emily estava grávida. Ele seria pai novamente – Eles seriam pais novamente. E Rossi estaria mentindo se dissesse que não estava apavorado. É claro que ele estava. Depois do que havia acontecido com o pequeno James, era quase impossível não pensar na possibilidade daquela história trágica se repetir, mas Dave se recusou a entrar em pânico, sacudindo a cabeça com força para afastar aqueles pensamentos sombrios enquanto sentia todo seu corpo inundar com a mais absoluta felicidade.
Completude.
De repente, ele se abaixou devagar, ignorando a respiração entrecortada de Emily, até ficar na altura da barriga dela e pressionar um beijo suave ali, os lábios demorando-se sobre o tecido de sua blusa.
“Olá, pequeno”, ele murmurou, “Papai ama muito você, sabia? Mal posso esperar para conhecê-lo.”
Emily engoliu um soluço, sentindo o nó em sua garganta apertar ainda mais, e quando ele voltou a olhá-la, havia lágrimas em seus olhos e um sorriso tão puro e sincero pendendo em seus lábios que ela teve a certeza de que não esqueceria jamais.
“Eu amo você, David Rossi”, ela sorriu, passando os dedos pelos cabelos dele.
“E eu amo você, Emily Prentiss.”, ele se levantou, beijando-a suavemente antes de se virar e pegar os sapatinhos vermelhos sobre a mesa, entregando-os para ela, “Obrigado por esse presente maravilhoso que você acabou de me dar.”
Emily deu uma risada suspirada, e os olhos de David se desviaram brevemente para os pequenos sapatinhos de lã presos entre os dedos de sua esposa.
Vermelho.
Rossi sorriu, lembrando-se de como a cor sempre esteve presente em sua história com Emily. Desde o primeiro momento em que ele a viu usando aquela cor – a primeira vez que ele percebeu o quanto ela o afetava – até aquele momento tão especial. Era como se o vermelho fosse um fio que conectava suas vidas – passado e futuro. Apenas mais um lembrete de tudo o que haviam passado e conquistado juntos. E, naquele instante, David soube que o vermelho, mais do que uma cor, sempre seria um símbolo de amor entre eles.
Sua família.
