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kaoru encostou a cabeça no mármore atrás dele, dentro da banheira, a água estava morna e batia no meio de suas coxas, um perfume de cerejeira fresca inundando todo o banheiro.
um suspiro deixou os lábios meio vermelhos de tanto mordiscar, a mão deslizando por sua barriga calmamente, acariciando o pequeno volume que começava a se formar. ele inclinou o rosto para o lado levemente, sem seus óculos mas ainda enxergando o suficiente, seu olhar estava perdido mas sua mente estava muito bem localizada, com os pensamentos naquele alfa de cabelo verde, tão irritante.
o canto de seus lábios se levantou quase desapercebido com a imagem dele trazendo seus pratos favoritos na madrugada, ele não pode evitar. a forma como ele mal conseguia andar sem tropeçar e como os olhos lutavam para se manterem abertos, mesmo assim, sem nunca ter vacilado um dia sequer em seu tão amado carbonara. kaoru conseguia até mesmo sentir o cheiro, oh, o cheiro dele. se ele se concentrasse o suficiente, poderia senti-lo bem ali, como se pudesse converter suas cerejas em macha apenas para matar sua saudade.
esticando o braço para pegar a pequena xícara, alguns fios escorriam por sua pele molhada como cascatas rosadas, mas não o incomodavam. provando do chá enquanto se lembra dos carinhos macios e suaves que o esverdeado lhe oferecia, das mãos firmes de gorila que relaxavam suas dores, engolindo o líquido para soltar um suspiro baixo e caloroso novamente, como os que soltava naqueles momentos, estremecendo ligeiramente.
seu olhar caiu para sua forma deitada na banheira, parecendo tão confortável, talvez tanto quanto ficava nos braços dele. que mentira. kaoru revirou os olhos, apoiando o braço na borda da banheira e terminando seu chá, o substituto de seu querido vinho, jamais será.
ele morde os lábios, o gosto nem mesmo se parece, ele sabe que os lábios do idiota tem um gosto único, um gosto caseiro que é só dele, assim como tudo ou quase tudo. ah, kaoru sempre se deixa levar, pelo sorriso gentil, pela força mansa, pelo carinho voluntário. ele gostaria de quebrá-lo com uma "skeitada" no topo da cabeça faz tanto tempo.
mas ele sabe que não pode.
sabe que aquele cérebro de músculos foi feito exatamente para ele, quando se viram pela primeira vez naquele jardim de infância e ele pediu sua mão, tão inconveniente, até no momento que se apresentaram, naquele quarto um pouco apertado demais para os cheiros dos dois.
então o que ele pode fazer? além de o provocar, testar sua paciência, passando a ponta de seu leque pela pele morna até que ele esteja com aquela cara, porque ele sabe que o tem nas mãos, tanto quanto kojiro o tem nas dele.
tão bem, tão bem que o engravidou, no fim das contas. como um panaca feliz enquanto fazia kaoru corar ao compartilhar a notícia, seu panaca feliz, que o cheira como nos velhos tempos da escola, que fez e faz suas vontades, que doou suas roupas sem pestanejar para que o ômega fizesse seu ninho. kaoru sabe que ele não reclama de verdade, ele pode ver a expressão alegre intrincada na face dele.
mas claro, não é como se o rosado também não passasse algumas noites em claro, em calmo silêncio, dando um descanso para ele enquanto o observa dormir entrelaçado em si como o gorila carente que é. os braços exageradamente fortes ao redor de sua barriga, a ligação deixando-o saber da satisfação e felicidades descaradas dele.
o barulho da porta ecoa, chamando a atenção dos olhos amarelos que se viram para vê-la se abrir, um corpo se esgueirando na fresta. apenas uma virada de cabeça e um desvio de olhar, e ele sabe que pode vir.
ele deixa a xícara na borda para se ajeitar na banheira, o pescoço exposto ao puxar os fios rosas, não demora muito para que o nariz dele esteja ali, depois os lábios, a língua contra sua marca, outro suspiro, um teco leve na cabeleira verde.
a água sobe quando o gorila entra, trazendo o corpo de kaoru para perto dele, para entre as pernas, apoiando suas costas no peito dele. o espaço é pouco, posição é ridícula, e tudo seria desconfortável para um ômega grávido. mas é seu alfa, o mantendo perto, seguro, contente, amado, ele não poderia estar melhor.
com o nariz dele em seu ombro, seus olhos fechados enquanto ele carinha sua barriga levemente reconchuda. o canto dos lábios de kaoru se levanta novamente, mas dessa vez perceptívelmente.
porque é kojiro, ele não pode evitar.
