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Verde esmeralda não é minha cor favorita

Summary:

Isagi Yoichi tem tudo sob controle. Ele tem uma carreira em ascensão no futebol, está no final da faculdade e tem um melhor amigo para todas as horas. A única coisa que atrapalha o oasis que é sua vida, é o fato de estar
apaixonado por seu melhor amigo, Meguru Bachira. Mas Isagi ja botou isso no chinelo quando traçou o plano perfeito para se declarar!
Assim ele pensou. Até ver Meguru beijando a pessoa que Isagi mais odeia no mundo. Itoshi Rin. Agora, Isagi vai ter que largar seus perfeitos planos para aceitar a inesperada ajuda de Rin na conquista de Bachira. E descobrir que a vida é uma partida de placar imprevisível.

Notes:

Oi? Não sei se alguém vai ler. Mas bem, decidi só escrever. Espero que seja divertido para alguém que acabe por ler ^^

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Não se apaixone pelo seu melhor amigo.

Chapter Text

Pela última vez eu repassei os planos.

1) Comprar o buquê de flores,

2) pedir para o Bachira esperar um pouco na sala antes de ir,

3) Contar todos os meus sentimentos,

4) Nos beijamos. 😊 <3

5) Queimamos a casa do Rin juntos.

Passando os dedos pela tela do celular, estou refletindo todos os detalhes que faltam. Eu, Isagi Yoichi, jogador do atual time de futebol regional, participante de diversas partidas acirradas...

Estou obviamente me perguntando por medo de me declarar para o meu melhor amigo.

Eu assisto muitos filmes de romance, a maioria deles com Bachira, eu sei como isso termina. Como poderia terminar. Basta ter coragem o suficiente, não é? Tipo, “simplesmente acontece”, “diário de uma paixão”, “cartas para Julieta”. Todos com seus finais felizes. Eu posso superar a barreira do “apenas amizade”.

Sentado na cama, só posso pensar, como isso terminou assim.

Eu conheci Bachira na educação infantil, ele costumava jogar bola sozinho, porque as adoráveis criancinhas não sabiam jogar com ele. Meguru sempre teve energia e habilidade demais com a bola. E então eu surgi. Como seu parceiro ideal, ele sempre poderia passar para o pequeno Isaginho. Nos tornamos crianças tão próximas que meus pais e a mãe dele começaram a conversar e uma amizade familiar surgiu.

Eu sou a casa de Bachira todos os fins de semana, jogando bola no quintal feito chuva ou sol. Depois, coma salgadinho em uma tigela grande. Uma Sra. Bachira costumava nos deixar assistir algum desenho na TV, mas nosso segundo passa tempo favorito era assistir a pintar, enquanto sujávamos e engordurávamos nossas mãos na tigela. Eu lembro quando ela nos deixou pintar pela primeira vez, e Bachira coloriu uma pintura inteira em amarelo e eu outra toda em azul. Ela deixa os dois quadros expostos até hoje no corredor principal da casa. Meguru e eu pedimos várias vezes para tirar, mas ela diz que é um lembrete de quanto tempo somos amigos.

Também entramos para a escolinha de futebol juntos, ele desde sempre disse que ia passar a bola para sempre para mim. Quase como uma promessa de sua lealdade. Em troca, se eu receber uma bola dele, naquele tempo, sempre quis garantir um gol.

O futebol nos uniu e une.

Nas férias do fundamental, Meguru e eu maratonamos o máximo de jogos de campeonatos possíveis, nacionais ou não. Seja a AFC ou a Champions, nós sempre estivemos unidos. Era comum passar horas em ligação comentando os jogos. Resultados, momentos, estratégias, decisões. Claro que também havia uma projeção própria. Duas crianças de 10 anos se perguntaram: “o que faria se fosse eu?”.

O ensino médio foi interessante. Foi quando ele fez as luzes amarelas debaixo do cabelo. Eu particularmente sempre achei charmoso nele. Foi também quando entramos para os tempos de base. Não foi fácil, mas eu e ele sempre treinamos e jogamos como malucos. Nossos pais falam que sentem medo de um dia a razão da nossa morte ser o futebol, e gostam de piorar tudo falando:

“Morreríamos felizes, então”.

Nossa hora chegou. Era um pouco assustador estar com pessoas de níveis tão diferentes, às vezes em lugares que não eram nossa casa para jogos e claro a temível sensação de que Bachira nomeou como minha “assombração”, não ser bom de verdade.

"O que está falando? Você e a bola são quase um só" ele sempre diz para mim engraçado.

Só que eu detesto os momentos em que não tenho controle. Os momentos em que não consigo prever o jogo. Os momentos em que não sei quem está dominando nada. Odeio ter que contar com a sorte. Eu preciso ter habilidade.

Mas quando não tenho habilidade naquele jogo. Eu tenho o Meguru.

Além do mais, também foi quando se tornou gay. Não foi complicado, Meguru sempre aceitou tudo o que vinha de si mesmo. Talvez isso explique suas habilidades inclusive. Então se descobrir não foi nenhum fardo.

Ele me contou casualmente, em um dia que fui dormir em sua casa. Conversando mais tarde da noite do que sua mãe gostaria. Falando sobre a escola e sobre o futuro no futebol, Bachira só é relevante.

“Eu gosto de garotos, sabia?”

Eu não me choquei. Mas não por já desconfiar ou coisa assim. Bachira tratou o assunto com tanta leveza, que não conseguiu ter nenhum fato exagerado. Ele tem esse poder comigo.

“Você ficou com alguém?”

E ao preferir de uma conversar sobre como foi se descobrir, presumo, se iria contar para alguém e outras coisas que se ele fosse hétero nunca seriam questionadas, tornou-se apenas uma conversa jovem e engraçadinha sobre como tinha sido perdido a virgindade. Ser atleta e lgbtq+ segue sendo algo difícil? Sim. Mas não seria difícil conviver comigo. Sempre fiz Bachira se sentir segura e acolhida. Na época eu tinha uma idade pouquíssima e uma namorada. Zero noção de que estávamos no mesmo contexto social.

Não foi depois que eu descobri bissexual que me apaixonei por Meguru de repente. Na verdade, eu não consigo achar o momento. Os anos na faculdade e nenhum tempo foram passando. Nós sempre demonstramos afeto um pelo outro. Somos as pessoas mais importantes na vida de ambos depois dos pais. Sempre nos apoiamos, sempre caminhamos juntos. Em meio a risadas, bebedeiras, fofacas e brigas. Acho que foi acontecendo. Quando dei por mim no ano passado, eu queria beijar Bachira em uma comemoração pós-jogo. E isso não passou com a euforia da vitória, não passou quando a ressaca veio e nem depois que eu acordei.

E agora, no último ano da faculdade, vou tentar ir até a seleção, vou dizer a Meguru Bachira que não o quero só como amigo. Eu vou dizer que ele é o amor da minha vida. Eu vou beija-lo. E depois queimou a casa do ITOSHI RIN.

Pego o celular, quero colocar o despertador para o horário em que a floricultura abrir. Meu estomago treme só com a notificação de uma mensagem de Meguru na tela. Mas tenho tudo sobre controle. Me preparei para tudo. Inclusive para um terrível “não”. Eu só pretendo pedir para a gente esquecer isso e seguir como sempre fomos.

Vai fazer. Mas nunca vi ninguém morrer disso.

Abrindo o Instagram para me distrair, sou pego por uma foto do maldito. O desgastado, usando um sueter verde esmeralda, essa cor horrosa. Calça jeans justas pretas e olhando uma paisagem qualquer, nunca vi esse lugar, provavelmente está em algum bairro que os riquinhos mimados e chatões frequentam. Itoshi Rin está na minha timeline principal. Agora gostaria de saber o que é.

A resposta é: Bachira curtiu a foto dele.

Abra a linha rapidamente. Vamos ter uma conversa Meguru.

 

Por que você curtiu a foto daquela merdinha???

Aauzausjjss, eu sabia que iria ficar puto.

Para vai, ele ficou um gatinho, na época seguinte.

Não???? Ele é um arrogante. Chato.

Se acha porque o irmão joga fora.
Se você acha porque tem uma carreira garantida.

E x I b I d o.

Se meu irmão jogasse no Royal

Eu também iria me achar foda.

E olha só, você disse várias coisas.

Mas não disse que ele é feio.

 

Encaro uma tela perplexa. O que deu nele? Uma das coisas ruins que evoluíram na carreira nos trouxe, foi a babaca arrogante do Rin. Ele já fez muitos novostos chorarem a troco de nada. Simplesmente por uma paixão doentia de humilhar os outros para se sobressair. Aquela cara é podre. Meguru e eu sempre zoamos ele entre nós. Imitando seu jeito de andar, falar, jogar. Tudo. Editando fotos distorcidas dele.

O melhor a fazer é desligar o celular e não pensar muito. Amanhã já vai ser difícil a sua maneira. Não preciso que um idiota do Rin seja uma razão para desistir.

“Gatinho” é uma merda, mas vou dormir pensando que concordo...

 

 

Sinto queimação nos pulmões enquanto corro até a faculdade. Olhando para o campus. Passei na floricultura, comprei um crisântemo amarelo e preenchi o primeiro item como feito. Tendo a primeira aula com Bachira, quero chegar logo para a parte dois de tudo. Queria que esse dia passasse mais rápido.

Cumprimentando alguns amigos enquanto entra na sala, sento-me do lado dele. Meguru está radiante como todos os dias. É como um pequeno sol que fica rodando para lá e para cá. Fofo.

— Não sei como você consegue elogiar um ridículo!-retiro o caderno e vou abrindo lentamente.

—Eu sei reconhecer o que é bom!- Bachira começa a escrever algo à medida que o professor fala. — Que flores são essas? - aponta para os cristãos.

—Abro um sorriso para ele — Ainda é um segredo. Mas você vai saber.

Acho que a hora é essa.

—Você pode esperar mais tarde aqui? Antes de ir para casa. Quando todos já tiverem ido.

Parece pensativo mas, responda —Claro! É...tenho um compromisso hoje. Mas tudo bem.

Me pergunte o que é tão importante que ele não me conte.

 

 

O dia abalou com normalidade. Passamos os intervalos entre as aulas com nossos demais amigos. Assistimos todos os materiais. Tirando o fato de que até aqui tenho que ver Itoshi Rin nos corredores, nada de ruim aconteceu.

Não estou no banheiro. Fixado sem reflexo. O último horário já acabou. Posso sentir o calor do final da manhã invadindo as janelas. Meu rosto aparece no espelho, e consigo ver o tremor enquanto seguro o buquê, razão das perguntas de todo o mundo hoje. Ninguém sabe que gosto de Bachira, nem mesmo ele. Mas hoje, isso muda.

Ou nos tornaremos um casal ou continuaremos amigos.

A parte da incerteza me agonia. Mas eu planejei tudo. As flores, as palavras, local, horário. Tudo decidido. Se eu me agarrar na coragem que sinto, só me resta contar com ela...a sorte. A maldição de todos nós.

Respirei mais uma vez. Caminho até a sala, o corredor já esvaziou, ninguém nas salas agora. Os alunos com turno de tarde só aparecem depois do horário de almoço. Bachira já me respondeu em uma mensagem, falando que está esperando.

Tudo conforme eu planejei.

Seguro firme os crisântemos e abra a porta. Veja Bachira...

É travo.

Travo porque ele não está de pé olhando a porta para verificar. Mas sim sentado...sentado no colo do Rin. Bachira não está sorrindo e perguntando o que eu quero. Os lábios dele estão grudados-nos de Itoshi Rin. Enquanto as mãos de Rin, estão no cabelo e na cocha de Meguru. Bachira está...passando as mãos pelo braço de Rin por cima daquele maldito suéter.

 

Eu estou vendendo meu melhor amigo e interesse romântico, beijando o cara que mais odeio nesse planeta. Simples assim.

Eu quero morrer.

É por isso que eu nunca arrisco a sorte.