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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-08-12
Words:
1,564
Chapters:
1/1
Comments:
5
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10
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1
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80

Caça Fantasma

Summary:

Um suposto fantasma assombrando o internato Hakuho e um pedido inusitado de Nagi tornam o aniversário de Reo um dia surpreendente.

Notes:

FELIZ ANIVERSÁRIO REO! ESTAREMOS TORCENDO SEMPRE POR VOCÊ!

Boa leitura! 🎂

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Um grito fino ocupou o espaço da sala de aula.

  — Você não tinham que ter me assustado!  — A garota à nossa frente se queixava. 

 — Estamos apenas contando uma história! Você se assustou sozinha! — o outro aluno rebatia. 

  Eu não prestava tanta atenção na discussão ali. Estava encarando Nagi, que parecia estranhamente bastante concentrado nos dois. Talvez ele estivesse achando a história que estavam contando interessante. Observei as orbes acinzentadas tremularem. Ele estava pensando em algo, com certeza. 

 –-Mas de onde você tirou isso? Um fantasma, no internato?! — Ela continuava com sua voz irritantemente aguda. —Você só quer me deixar com medo! — Virou-se para mim infelizmente. — Reo, por favor, me ajuda! —Ela se aproximou envolvendo seus braços no meu tronco. Droga. 

   Nagi sempre se afasta mais quando elas fazem isso. 

   E ele estava fazendo isso agora. Dando pequenos passos para longe. Como se não quisesse atrapalhar. 

— Certo, certo —Gentilmente retiro os braços ao redor. — Pare com isso. Você está a assustando! —- Infelizmente vou ter que fingir me importar. A parte boa é que sou muito bom em fingir ligar para as futilidades de todas essas pessoas.

— Eu estou falando o que me disseram! Tinha um fantasma no depósito à noite! Um fantasma de um aluno! Ele deve ter morrido lá! — O garoto falava como se uma lenda em um internato antigo fosse a coisa mais original do mundo e não algo comum em qualquer filme clichê — Reo...já que é tão corajoso e defensor das donzelas desse lugar. Por que você não vai verificar? Assim, elas vão ficar tranquilas. — me desafiou com um olhar de desdém. 

  — Você é idiota? — A importunação que antes estava me agarrando se meteu — Amanhã é aniversário dele! Quer que o Reo passe a noite da madrugada do seu aniversário na porra de um depósito velho?! — Por isso vocês nunca vão se como ele! — ela terminou virando a cara.

 Se fosse para nenhum deles me perturbar, eu com certeza faria. 

— Vejam bem, é apenas uma lenda-

— Nós vamos. — Nagi voltou a ficar mais próximo da pequena mesa em que estávamos. 

— Nagi? — Arregalei os olhos. Ele estava tão interessado assim em um fantasma? — Por que?

— Reo e eu vamos olhar o fantasma. — Ele encara todos. — Para ver se é verdade.

— Nagi, espera! Você acredita nisso? — Toquei levemente em seu ombro. — É só uma história, Nagi, não precisa se preocupar. 

— Nós vamos também! — Ela puxou o colega pela camisa. 

— Nós?! 

— Você quis enfiar o Reo nessa antes do Nagi!

  Eu não entendia agora as razões dele. Mas se Nagi estava me convidando para passar uma madrugada com ele em um depósito velho sem ninguém. Porra, eu aceito e não quero ser atrapalhado. 

— Não! Eu e Nagi vamos. E de manhã nos encontraremos todos aqui e vamos falar sobre o que acontece de verdade lá! Vou provar que é só uma historia.

— Mas e seu aniversário!? Queria ser a primeira a te dá parabéns! 

   “Mas nem se você me pagasse iria conseguir antes do Nagi” 

— Amanhã todos vocês vão me parabenizar! Estaremos aqui de manhã. As pessoas viram um fantasma, ninguém foi morto por ele, né? — Dei meu melhor sorriso. — Vamos ficar bem!

 

 

 

🎂

 

 

  Eu queria estar mais empolgado por celebrar um décimo sétimo ano de vida em menos de vinte e quatro horas. Mas tem um tempo que algo me aporrinha a cabeça… 

 Eu queria entender o que raios Nagi sente por mim. 

 Em alguns momentos eu acho que sou seu melhor amigo e nenhum título a mais. Mas então, ele me encara nos olhos e diz que sou “Seu Reo" ou “Obrigado por ter dado uma luz na minha vida” ou que sou seu parceiro para sempre. Ou aceita ficar com as mãos juntas,  dormir na mesma cama e andar nas minhas costas. Mas depois, volto a ser “Seu chefe” ou “Aquele que me ensinou sobre o futebol” ou “meu companheiro de time” Porra! Me coloque em algum lugar! 

 Talvez passar a noite num depósito seja uma oportunidade de pôr as fichas na mesa.

 

  Encontro ele na frente do depósito mais tarde  depois do treino. Nagi esta com seu console portatil na mão e outra no bolso. Me encarando. Ele sempre encara. Por tempo demais…

 E eu gosto.

  Já anoiteceu e trouxe comigo uma mochila com água e alguma comida para caso precisemos. Me sinto infantil em estar fazendo isso. Mas meu propósito não tem nada haver com gasparzinhos. 

 — Você conseguiu a chave? — Ele pergunta

 Puxo o molho de chaves do bolso. Se eu me encrencar muito, meu pai deve fazer o suficiente para me livrar. Por tanto ninguém melhor para um pequeno furto. — Vou devolver assim que averiguarmos! 

— Vamos entrando! — Ele aponta para a porta.

— Nagi…você quer mesmo fazer isso? 

— Sim…- Ele desvia o olhar. O que me faz estranhar. Ele nunca desviou o olhar de mim. — Quero ver se tem o fantasma.

 Será que tem haver com os jogos? Só pode ser.

  Ponho a chave na fechadura e abro a porta antes que alguém surja. O depósito velho está cheio de itens escolares antigos. Cadeiras, lousas, giz, apagadores, uniformes. Apenas itens reservas que nunca foram usados. É nessa espelunca que nossa assombração mora. 

 — Certo. Já é noite. — Me sento um banquinho empoeirado qualquer. — É só esperar seu fantasminha camarada agora. Sério, que cheiro de mofo horrível!

—  Vamos aguardar até meia noite, Reo! — Ele me olha com confiança. 

 Nunca virei a noite do meu aniversário em um armazém velho. Só Nagi para me levar a isso mesmo. 

 Mas então, em que momento eu pergunto? Meu coração acelera de repente. 

 Ele liga o videogame portátil e agora volta para a tela. Enquanto eu retiro o casaco do uniforme para ventilar mais e pego o celular, abrindo algum vídeo recomendado. 

 — Sério, vamos fazer isso porque duas pessoas idiotas queriam transar, vinheram até aqui e viram provavelmente o reflexo da lua e saíram correndo?! — Eu quero entender o que chamou a atenção dele. — Nagi, você jogou algo sobre isso recentemente, não foi?

 — Reo…até meia noite, por favor! — Ele tirou os olhos do console para me dizer isso, e eu consigo ver o “gamer over” em sua tela.

 O fantasma é tão importante assim para ele?

— Ok, Tesouro. Até meia noite!

  Ele se aproximou, sentando no próprio chão mesmo e apoiando a cabeça nas minhas pernas. Ele sempre faz assim. Não comunica nada e só faz o que quer. Meu rosto esquenta e eu sei que está vermelho. 

 

 

 

🎂

 

 



Quase meia noite. Assisti uma playlist de vídeo recomendados sobre investimentos e comi um waffle. Nagi, está jogando outro jogo agora. Sinto meus questionamentos em todo lugar, mas nenhum fantasma. Nagi continua próximo, em um lugar tão apertado e intimista. Eu tenho uma oportunidade grande. Mas ainda não sei como e quando. 

  Depois da meia noite. Assim que eu completar dezessete anos. Eu vou perguntar o que ele sente. 

 Encaro o relógio do telefone. A sensação de ansiedade já esta no meu estômago. Os números parecem estar mudando mais lentamente do que antes. Cada segundo, cada milésimo de segundo. O tempo está brincando comigo, porra.

  Como naturalmente é. O relógio bate 00:00. Mikage Reo tem dezessete anos.

  Parabéns para mim. 

  Dezessete anos e um desafio a cumprir.

— Nagi-

— Reo-

  Eu encaro o cinza de novo. O video game e o celular estão desligados. Ambos nos levantamos juntos e nossas respirações parecem acelerar juntas. 

— Você primeiro.

— Feliz aniversário, Reo! — O cinza começa a brilhar.

— O-obrigado! — Eu coro levemente. Era isso? — Tem algo mais...?

— Eu tô aqui por que… Queria ser o primeiro…o primeiro a te dar parabéns. 

— O-o que? Você sempre seria o primeiro, Tesouro. Você sempre tá comigo. — Abro um tímido sorriso. Estou nervoso.

— Ouvi aquela garota da sala, bolando um plano para te dar parabéns primeiro. E… me senti nervoso.

— N-nervoso?

— Você é incrivel, Reo! — Ele fala mais alto.-  Não só para mim. Para o mundo! Estou falando sério. Seu futebol é incrível, você é…lindo — Ele cora para mim — Você é inteligente demais, sempre pensa em tudo que vai fazer. É responsável e gentil, principalmente comigo. Me desculpa por te dar tanto trabalho… Por isso, eu quero ser para sempre o primeiro a dar parabéns —  A voz de Nagi trêmula —  para o meu Reo!

  Eu o encaro, minha respiração está falhando.

   Isso é verdade?

Eu tenho minha resposta. Eu me sinto tão feliz.  Eu não consigo conter o sorriso estampado em mim. 

— Obrigado, Tesouro! Obrigado de verdade! — Eu tenho que te confessar algo também!

— Posso te dar um presente antes…? 

— C-claro, Nagi! Não precisava… 

  Me vejo sendo calado pelos lábios dele. 

  As mãos de Nagi estão na minha cintura, e eu o toco também, como se seu calor fosse o que eu preciso. Desejos de aniversário se realizam, e eu posso ver isso agora. Quando seu lábios beijam os meus na mesma intensidade. E meu presente de aniversário é saber que Seishirou Nagi é meu, da mesma forma que sou dele. 

 Nos separamos um pouquinho. Numa mistura de roxo e cinza agora. 

 

— O que queria dizer? — Ele pergunta ainda próximo a minha boca. 

— Que… na verdade eu também gosto de você, Tesouro

   Voltamos a nos colar. 




🎂





 

 

 

— Vamos embora, Reo. Essa coisa de fantasma nem existe. 

— É verdade. Mas se disséssemos que sim?

— Por que? — Ele me encara curioso.

— Aqui seria sempre nosso lugar. — Eu abraço seus ombros e o olho sorrir para mim. 

 

 

 

Mikage Reo tem dezessete anos e ganhou um namorado. 



Notes:

Obrigada por ler! Volte sempre!