Chapter Text
Abrindo os olhos pesadamente, Huening suspirou com um desânimo avido na voz ao encarar o relógio ao seu lado e constatar que novamente acordou mais cedo que o necessário, seu corpo ignorando completamente a exaustão que ir dormir às duas da manhã devido um surto de inspiração para uma composição havia lhe causado. Mas era bom já estar de pé e poder se preparar mentalmente para o dia; reler as partituras espalhadas sobre sua escrivaninha, tomar um banho mais longo sem ter a irmã mais nova reclamando que também precisava ficar pronta e acima de tudo, decidir como iria contar à Yeonjun e Soobin que dessa vez ele não queria de forma alguma os ajudar na recepção dos calouros que chegavam na faculdade para o segundo semestre do ano.
Não é que o Kamal não quisesse ou estivesse com preguiça de auxiliar os amigos que eram tão ativos no meio acadêmico, o problema é que conversar com gente nova nunca foi o seu forte mesmo; tentou no começo do ano e tudo que aconteceu foi ser mais um estorvo que uma ajuda, sorrindo sem jeito e tentando se esconder atrás de Taehyun – o que não era exatamente muito funcional, já que o coreano era ao menos uns 10 centímetros menor que si – toda vez que algum novato tentava começar uma conversa; da última vez uma menina até deu em cima de si, o fazendo travar e gaguejar complementamente sem jeito e ser respondido com uma cara feia e um dar de costas rude. Mesmo sabendo disso, os mais velhos estavam absolutamente decididos que ele iria os ajudar novamente porque de acordo com Yeonjun, “Vai fazer bem ‘pra você, Kai. Você precisa aprender a lidar com gente nova, eu sei o quanto você quer apresentar sua música e sei que essa vergonha te trava, vamo lá que se você se sentir muito sem jeito o Tyun te leva embora e paga um sorvete”. O havaiano lembra do Kang reclamar algo como um “por que eu?” de cara fechada, para logo rir e concordar com o Choi mais velho.
E é exatamente por isso que Kai estava agora encarando o espelho de seu banheiro enquanto se arrependia amargamente de ter decidido por escrever até as altas horas da madrugada ao invés de seguir os conselhos de Lea, sua irmã mais velha e sábia, e descansar para evitar as olheiras evidentes, agora ele definitivamente teria que pedir para Bahiyyih passar uma maquiagem leve em si e já estava pronto para as reclamações de que ela iria se atrasar por isso. Sabendo que não havia muito o que fazer sobre as tormentas que rondavam sua cabeça no momento, o havaiano respirou fundo e foi tomar um banho quente.
(.....)
No caminho para a faculdade, a mente ativa de Kamal só pensava em quais seriam os meios mais simples de sumir da vista dos amigos. Poderia se esconder em um alguma das salas de música, mas provavelmente Taehyun procuraria por ali primeiro. Poderia fugir para os ateliês vastos da turma de Dança já que eram menos movimentados que os demais se não fosse por Yeonjun conhecer cada mísero estudante desse curso, por ser o representante geral dele, e possivelmente conseguir rapidamente a confissão de alguma garota apaixonada pelo Choi que deduraria rapidinho sobre Kai estar por ali. Nas áreas administrativas, provavelmente Soobin estaria passando por ali para ajudar na organização. E Beomgyu tinha uma mania assustadora de conseguir enfiar o nariz onde não era chamado, fazendo Kai suspirar porque tinha grandes chances do Choi mais novo o encontrar onde quer que estivesse por puro acaso.
Para sua infelicidade ainda maior nem precisou pensar muito, porque assim que desceu do carro ouviu a voz da irmã cumprimentando Choi Soobin enquanto se afastava rindo e olhando para si. Maldita, a pirralha provavelmente mandou mensagem para seus amigos avisando que estavam chegando. Sabia que eu não deveria ter passado o número do Beomgyu só porque os dois queriam dividir dicas de haircare; agora oficialmente não havia lugar algum para se esconder do mais velho que o encarava com uma expressão divertida de braços cruzados.
— Indo a algum lugar, senhor Kamal? Que eu saiba você tem um compromisso marcado para hoje, e como membro do centro acadêmico, temo que eu deva garantir que o cumpra. - Disse o rapaz com um sorriso quase diabólico, uma das mãos passando ao redor de seus ombros quando soltou um suspiro derrotado. – Não faz essa cara, Hyuka. Não vai ser tão ruim, eu juro.
— Você diz isso agora Soob, eu sou o maior desastre socialmente falando. Você devia saber disso inclusive. - Lembrou o Choi do dia em que se conheceram, quando Taehyun o arrastou para apresentar os garotos mais velhos que havia conhecido e Hueningkai só conseguiu os encarar estático e ainda errar o próprio nome. Para sua sorte, aqueles jovens que o Kang havia feito amizade realmente eram gentis e pacientes e deram espaço suficiente para que aos poucos o Kamal se soltasse até que virassem um quinteto inseparável. Mas nem todas as pessoas eram assim e o havaiano sabia bem, existia muita gente por aí que riria de sua cara e o acharia patético por isso e esse era um enorme medo seu. – Sabe que eu não tenho seu charme ou o carisma natural do Yeonjun.
— E você não precisa disso, seu idiota. Você é você mesmo e é por isso que a gente te adora. - Respondeu o mais velho em um tom suave, tentando brincar um pouco para dissipar a tensão que se acumulava ao redor de Kai. – ‘Cê consegue, eu sei disso. Vamos que o Beomgyu disse que já estão com os nomes dos alunos que nós vamos recepcionar.
Assentindo de leve, se deixou ser levado pelo amigo faculdade adentro o ouvindo explicar que dessa vez não iriam recepcionar recém chegados, mas sim alunos transferidos de outras faculdades e tal informação acalmou um pouco seu coração. Alunos transferidos geralmente perguntavam menos, puxavam menos conversa e pareciam menos impressionados com o ambiente ao redor, significando que precisaria falar menos; além disso, eram sempre em um número consideravelmente menor que o número de alunos realmente novatos.
Não demorou muito para notar a agitação exacerbada que o primeiro dia de um semestre causava ao redor, geralmente causada pelos novatos recém-chegados ou pelos calouros que ainda não haviam finalizado seu primeiro ano; até porque se não fosse pelo compromisso que assumiu com os colegas e por ser a carona da irmã, Kai possivelmente estaria chegando atrasado e cabularia alguma aula para treinar violão e com certeza não era o único que faria isso, sabia que sua turma hoje estaria bem mais vazia que de costume já que geralmente não há muita matéria importante passada nos primeiros dias de aula. Se encolheu um pouco desconfortável, a agitação o deixava nervoso e preferia só se trancar em algum lugar para ouvir música ou arrastar Taehyun por aí com o objetivo de explicar alguma letra nova que estava escrevendo.
E se a movimentação geral já não fosse o suficiente, Kamal sentiu a respiração até falhar ao ver a quantidade de pessoas que se aglomeravam na recepção do prédio administrativo do local, uma quantidade significativa de pessoas se reuniam ali e trocavam conversas altas, misturadas e animadas. No meio do redemoinho de corpos conseguiu encontrar seus amigos rindo enquanto organizavam algumas fichas, até porque não era difícil notar Yeonjun com seu novo cabelo bicolor ou Beomgyu com o cabelo agora tão longo que as pontas tocavam seus ombros; se aproximaram do grupo ouvindo o Choi mais novo explicando algo animadamente e pelo que conseguiu entender, um dos alunos que iriam recepcionar era um amigo seu de longa data.
— Beomgyu, a gente já entendeu o quanto esse Haechan é gente boa e como você vive acabando com ele LOL. ‘Cê já tá a meia hora falando sobre. – Taehyun respondeu com um revirar de olhos enquanto se virava para Soobin e para si, abrindo um sorriso largo quando substituiu os braços do garoto mais velho pelos seus próprios, abraçando Kai de lado. – ‘Cê veio, Kai. ‘Tô orgulhoso de você, sério mesmo.
Huening abraçou o melhor amigo e se aconchegou em seus braços, se abaixando um pouco pela diferença de altura e se permitindo relaxar. De longe o Kang era seu amigo mais antigo e íntimo, já havia visto o quanto era difícil para si lidar com pessoas ao seu redor e vivia lhe dizendo que deveria procurar ajuda porque possivelmente sofria de Fobia Social, mas o havaiano acreditava fielmente que quem não procura, não acha e ele não queria ter que lidar com um diagnóstico agora.
— Primeiro que vai se foder, Kang Taehyun. Eu nem falei tanto dele assim - Gyu se defendeu com um bico infantil nos lábios, mostrando a língua ao que foi respondido com um “Olha, ele sabe xingar” debochado do rapaz que o abraçava. – E estou feliz também que está aqui, Hyuka. Ao menos não vou precisar lidar com o casal sensação da faculdade e o antro de mal-humor de 1,70 sozinho.
— A gente nem tava na discussão e sobrou ‘pra nós dois ainda? - Yeonjun lançou um arquear de sobrancelhas na direção do Choi mais novo, dando um peteleco de leve em sua testa. – É muito bom te ver aqui, Kai. Sei que você preferiria estar em algum outro lugar em uma segunda de manhã mas significa muito ‘pra todos nós que você tenha decidido vir. Se ficar muito difícil ou muito incômodo pode nos falar, tá?
Kamal sorriu largo com as palavras e assentiu com a cabeça, se afastando um pouco do Kang e o puxando pela mão para continuarem organizando as fichas dos recepcionados do dia. Ao seu redor, os meninos conversavam alto e riam sem parar fazendo comentários bobos sobre o dia buscando amenizar seu nervosismo e Kai só conseguiu se sentir grato. Ele sabia mesmo que no fim das contas seus amigos só queiram o ajudar da melhor forma que pudessem porque no fim das contas, sim, Yeonjun estava mesmo certo. Ele queria mostrar mais da sua arte ao mundo, queria ter coragem de partilhar suas composições e suas canções para além dos quatro e alguns professores que viam futuro em si, queria conseguir se juntar aos grupos de seu curso que estavam sempre procurando por instrumentistas novos como Beomgyu, que vivia o convidando.
Mas ele tinha medo, tinha medo do fracasso e do ridículo. Então, por hoje, iria apenas estar ali com seu grupo e tentaria ao menos sorrir mais sincero para as novas pessoas ao seu redor.
(.....)
Faziam cerca de quarenta minutos que a recepção havia se iniciado e estava tudo tranquilo até então. Como havia imaginado, os alunos transferidos eram bem mais fáceis de se lidar que aqueles super empolgados por estarem iniciando agora a faculdade, então Hueningkai realmente só precisava estar sorrindo enquanto o casal Choi entregava folhetos e apresentava as regras principais da faculdade, Taehyun explicava sobre a separação de edifícios e quais as salas de cada aluno e Beomgyu…. Bem, Beomgyu fazia o trabalho de falar pelos cotovelos com qualquer um que estivesse disposto a ouvir. No momento, ele estava a ao menos dez minutos conversando animado com o rapaz que descobriu ser Haechan - na verdade, Donghyuck, Haechan era um apelido -, um garoto mais ou menos da altura de Gyu, com uma pele de tom bonito e que aparentemente cursava Ciências Contábeis por pressão do pai e cantava nas horas vagas por amor à música; Hueningkai não ficou sabendo nenhuma dessas informações por perguntar, ele só estava parado meio estático atrás dos dois enquanto eles conversavam. Mas ao menos conseguiu se apresentar para o amigo de seu amigo sem gaguejar e sorriu de forma que achou gentil o suficiente, se sentindo feliz quando foi retribuído tanto por Haechan quanto pelo próprio Choi mais novo, que parecia bem orgulhoso de si.
Tudo estava fluindo melhor do que esperava e isso acalmou seu coração, nome após nome era recepcionado por seus amigos - e agora também por Haechan, que decidiu que ficar com Gyu no momento era mais divertido que procurar sua própria sala -, nome após nome recebia um sorriso meio forçado de sua parte e então ia embora; sem olhar demais para Kamal, sem querer puxar conversar, sem se atrever a querer trocar palavras mesmo que estivessem rindo do jeito divertido de Beomgyu ou caindo nos encantos de Choi Soobin e Choi Yeonjun ou conversando sobre assuntos mais sérios com Taehyun. Eles passavam por si como se Kai fosse invisível e sinceramente, para ele estava bom assim; melhor ser invisível do que ser visto e desgostado.
Mas algo mudou quando Kai se distraiu momentaneamente com os próprios pensamentos e só percebeu que o próximo aluno da fila havia se aproximado ao ouvir uma conversa animada de fundo, havia perdido a parte em que o rapaz se apresentava; se preparou para mais um sorriso sem jeito e se virou para encarar a cena.
O que viu foi um rapaz extremamente elegante e bem menor que si, com os fios em um tom claro de rosa que o lembrou algodão doce, conversando com Soobin e Yeonjun como se eles se conhecessem a tempos. O problema foi quando ele se virou para conversar com Taehyun e pôde ver seu rosto, tendo certeza que nem sorrir poderia porque com certeza acabaria fazendo uma idiotice até mesmo em uma ação tão simples, não saberia agir em frente a um rosto tão bonito; era fino, com linhas suaves e olhos pontudos e muito bonitos, era um rosto tão elegante quanto a roupa que trajava.
E de repente os olhos pontudos caíram sobre si e Kai sentiu a pressão do corpo baixar como nunca antes, rezando para que ele desviasse o olhar, que voltasse a encarar Taehyun; mas o homem pequeno não o fez, ele continuou ali, encarando. O olhar era tão profundo que fez cada mísero pelo do seu corpo se arrepiar como nunca antes, pareciam despir não suas roupas mas sim a barreira de proteção que Hueningkai gastou bons anos construindo; sentia como se aquele jovem de cabelos rosas conseguisse ler cada um dos seus pensamentos e prever cada uma de suas ações. Quase sentiu como se estivesse sendo entendido sem nenhuma palavra, como se estivesse sendo visto de verdade por ele.
— Ah, Renjun! Oi amigo, achei que não viria para a recepção. - o momento foi interrompido pela voz de Donghyuck, que aparentemente conhecia o garoto.
Mesmo sendo chamado, os olhos do baixinho que agora sabia se chamar Renjun não desviaram dos seus; Kai entendia, porque por mais que sua mente e seu corpo implorassem para que desviasse o olhar e corresse para bem longe, ele também não conseguia. Então, ele ouviu a voz que com toda certeza lhe atormentaria em seus sonhos.
— Prazer, sou Huang Renjun.
Hueningkai simplesmente travou, parou no lugar encarando o rapaz de olhos arregalados. Ele queria falar algo, responder seu nome ou qualquer baboseira sobre Renjun ser bem-vindo na faculdade mas foi completamente incapaz, o medo tomou do seu corpo e o pânico invadiu sua mente; ele não conseguia, meu Deus, ele não conseguiria lidar caso gaguejasse ou fizesse uma cara engraçada e o garoto bonito a sua frente tivesse a mesma reação do último menino com quem tentou flertar. Não conseguiria ficar ok com sua própria cabeça se visse ele rindo de si.
Então o cérebro do Kamal tomou a decisão mais ilógica possível, mas que no momento lhe parecia a mais correta; virou as costas e saiu andando tranquilamente como se não soubesse que as apresentações do Huang tivessem sido para si, fingindo não saber que os olhares do chinês estavam afixados nos seus quando as palavras foram proferidas. Para os amigos, podia fingir que achou que ele estivesse falando com Taehyun, dar uma de desentendido ou se fazer de louco, mas sobre o menino bonito de cabelos rosas? Nunca mais iria olhar na cara dele. Até porquê, como poderia? Sua mente percebeu tarde demais que aquilo foi tão rude e desrespeitoso que não seria apagado nem se ele se desculpasse de joelhos; provavelmente gaguejar teria sido menos vergonhoso.
Mas Kai tentava se convencer que ao menos dessa forma não teria que lidar com a reação do baixinho, não precisaria hiper analisar o que cada uma de suas expressões significaram e depois se martirizar com os pensamentos que ele havia o odiado, nesse caso era quase uma certeza de que tinha de qualquer forma. Infelizmente para si, o alívio de fugir da interação social com uma pessoa que o olhava tão atentamente que fez suas pernas bambearem não supria a raiva que sentia de si mesmo, uma raiva que contrastava com a normal que sentia sempre que entrava em pânico em uma situação social; geralmente sua raiva era direcionada ao fato de ter se envergonhado ou de sua extrema falta de habilidade no ato da conversação, dessa vez no entanto, sentia ódio de si porque queria ter falado com ele, queria ter dito seu nome e qual o seu curso e que queria que sua estadia na faculdade fosse boa e não muito cansativa porque um rosto tão lindo não merecia sentir cansaço. O problema é que agora nunca poderia dizer nada disso já que faria o possível e o impossível para não cruzar com ele pela faculdade e acreditava fielmente que o Huang faria o mesmo após ser ignorado daquela forma; sorte sua que o campus era gigante e ele já tentava sair o menos possível de sua sala de aula mesmo.
A mente do havaiano estava tão imersa em urgência de se livrar da interação social que nem ouviu quando seus amigos o encararam confuso e chamaram seu nome a fim de compreender o que havia acontecido, não notou que o olhar de Renjun não desviou quando se virou e saiu andando - pelo contrário, se fixou ainda mais nas costas largas - e não ouviu quando a voz doce do chinês lançou uma única pergunta no ar enquanto apontava em sua direção.
— E quem é ele?
(.....)
Kamal tentava se concentrar em acertar os acordes relativamente simples da música que tocava em seus fones, mas naquele momento isso parecia a tarefa mais desafiadora que já enfrentou; sua mente não parava, não conseguia focar em nada e culpava inteiramente a situação de umas horas atrás. Que inferno, xingava mentalmente toda vez que seus dedos percorriam um acorde errado e fora de ritmo, o som saindo esganiçado e pouco convidativo, bastante feio aos seus ouvidos; tocar sempre foi sua válvula de escape e nem isso estava funcionando naquele dia maldito.
Resmungando mais alto do que realmente queria deixou o violão de lado e puxou o celular a fim de buscar alguma outra música, vendo uma quantidade absurda de mensagens e chamadas perdidas dos seus amigos que deviam estar desmaiando de preocupação agora. Sentiu uma repentina culpa o invadir por os chatear, sabia que eles com certeza haviam rodado o campus inteiro o procurando, perguntando para qualquer pessoa que estivesse no caminho se aconteceu de o verem em algum lugar mas era uma batalha perdida, nem mesmo estava dentro da faculdade mais; uma mensagem em específico de Taehyun partiu um pouquinho mais seu coração, era um simples pedido de desculpas falando sobre como seu melhor amigo havia falhado em protegê-lo. E nossa, se Hueningkai já se sentia terrivelmente monstruoso antes, agora estava pior. Era culpa dele, por quê Taehyun deveria se sentir assim?
Desistindo de fugir da situação constrangedora que causou para seus amigos e para si, se levantou do chão e bateu a grama de suas calças, guardando o violão em sua case surrada e respirando profundamente o ar fresco do parque perto de sua casa. Nesse horário o parque se encontrava satisfatoriamente vazio já que a maioria de seus frequentadores estaria na escola ou no trabalho e Kai ficava feliz por isso, tinha certeza que qualquer um poderia sentir sua aura de amargura naquele momento; apoiou o corpo em um tronco grande de árvore ao que puxou uma pequena caixinha de cigarros do bolso, se xingando mentalmente por fumar depois de meses evitando colocar seu vício nos lábios. Desenvolveu o hábito durante o ensino médio, em uma época que Taehyun precisou arrumar um emprego de meio período e quase não se viam, a solidão que precisava lidar por não ter mais o melhor amigos na maior parte do tempo lhe embrulhava o estômago todos os dias e no cigarro, encontrou uma forma de relaxar.
Os dedos discaram rapidamente o número de Yeonjun porque ele seria a pessoa adequada para se explicar no momento, o mais velho era o mais calmo e tinha essa pose de matriarca do grupo, cuidando dos meninos e dele. O telefone mal chamou quando foi atendido por um Choi com a voz preocupada e tensa.
— Onde você ‘tá, Kai? - O mais velho não parecia bravo, o tom baixo conforme aparentava andar rápido. – Estamos todos preocupados com você, Taehyun não para de andar em círculos a uma quantidade meio insana de tempo. Te procuramos em cada pedaço da faculdade.
– Hyung, me desculpe. Me desculpa mesmo, eu… não sei o que me deu, eu não sei como explicar sem ser pessoalmente. - Suspirou audível, soprando a fumaça para longe. – Estou no parque perto da minha casa, vou voltar ‘pra aí.
— Você não precisa se não quiser, bem. A gente pode ir te encontrar também se for mais confortável assim.
— Não, não. Primeiro que vou ignorar a Bahiyyih porque se isso caiu no ouvido dela, ela vai me encher o saco até o fim da semana. Segundo que vou voltar com o Tae e provavelmente tomar um sorvete com ele para me desculpar por o preocupar tanto. - Jogou a bituca no chão, pisando com força enquanto seguia até seu carro.
— Tá vendo isso? Eu crio, eu cuido e mesmo assim quem ganha sorvete é o namoradinho! Mãe não presta ‘pra nada mesmo. - Kai riu, os olhos se revirando quando deu partida no carro.
— Eu compro um pote para você também, hyung, não precisa de ciúmes. Mas você sabe como eu tenho um melhor amigo hiper protetor que agora vai querer me matar. - ouviu o Choi lhe responder com um “uhum”, conseguindo até mesmo visualizar a expressão debochada com um bico gigantesco nos lábios do rapaz. – Estou indo, ok?
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No momento em que estacionou o carro já pôde ver seus amigos o esperando impacientemente na porta, Yeonjun tinha o braço passado por cima dos ombros de Soobin e Beomgyu já acenava animado para si, Taehyun estava mais a frente com os olhos grandes arregalados com o dobro do tamanho comum; mal desceu do carro quando o mais baixo veio e lhe deixou vários tapas não tão fortes em seu peito enquanto xingava sem a real intenção de ofender o havaiano.
— Idiota, bastardo, imbecil! Sou seu amigo desde que você saiu do útero da sua mãe e você não tem coragem de atender uma ligação? - Falou Kang de forma exasperada, o puxando para um abraço logo depois. – Fiquei preocupado, sinto muito por não ter percebido seu desconforto antes, Kai.
O coração de Huening se apertou de forma dolorosa ao que abraçou de volta o amigo, colocando sua cabeça sobre a do outro enquanto o restante do grupo se aproximava rindo baixinho; Beomgyu lhe deu um tapinha nas costas e bagunçou seus cabelos, o rosto mostrando um alívio imediato.
— Eu sinto muito, Tyun. É que eu não estava tão aborrecido até aquele momento. Na verdade nem naquele momento eu estava aborrecido, foi… outra coisa, na verdade. - Kai respondeu após deixar um beijo leve na testa do amigo, se afastando só o mínimo para poder encarar os outros colegas. – Foi aquele menino, Renjun. Ele me encarou demais e era muito bonito, não sei explicar o que exatamente ocorreu.
Então passou os próximos minutos na tentativa de esclarecer o choque ao ver o rapaz menor que si, como ficou sem palavras ao ver a beleza dele e a forma que seu cérebro parou de funcionar porque o olhar que o chinês deixou sobre si era muito atento e ele não conseguia lidar com isso; se esforçou para colocar em palavras qual era a sensação de pânico que o transbordou e que sumiu porque queria espairecer e não queria cruzar com o Huang depois do fatídico episódio.
Seus amigos encaravam atentos, o casal Choi o olhava com um sorriso bobo e riam como uma criança vendo um cachorrinho filhote tentar latir, Beomgyu já continha um riso mais alto e ficava mais vermelho a cada segundo e Taehyun o encarava atento, o semblante meio sério.
— Não acredito que ‘cê fugiu porque achou o cara gato, Huening Kai Kamal. - O Choi mais novo então explodiu em gargalhadas chamativas, dando outro tapinha em suas costas. – Nossa, isso é tão você que não sei como nós não cogitamos isso antes. O Tae aqui até pensou que o coitado havia feito algo ruim para você e já estava pronto para voar no pescoço do menino.
— Para de rir, seu idiota. Foi humilhante, eu nunca mais vou conseguir olhar na cara dele e olha que pela primeira vez em muito tempo eu queria ter conversado com alguém novo. - Resmungou com raiva fingida, empurrando o garoto mais velho de leve.
— Hm, mas talvez tenha sido melhor assim. Ele tinha um pouco de cara de quem se acha, todo mundo veio falando como ele era a grande estrela do curso de Moda da antiga faculdade, certeza que tem um ego gigante. - Kang cruzou os braços ao dizer, os olhos revirando levemente; Kai o encarou com uma cara fechada e confusa, que coisa rude de se dizer! O chinês parecia gentil enquanto conversava com os Choi’s e esse tipo de comentário não era comum de ser feito por seu melhor amigo.
— Beomgyu, deixe o Kai em paz, pode ter sido um motivo engraçado mas você sabe que não tem nada de engraçado no medo dele. Kai, pare de ser tão dramático, o rapaz até perguntou quem você era e sinceramente a encarada que ele te deu deixaria até eu mesmo desnorteado, ele estava quase te engolindo. - Yeonjun completou com um riso soprado quando viu que Kamal estava com o rosto tão vermelho que parecia febril. – E senhor Eu Tenho Muito Ciúmes do meu Melhor Amigo, para de ser ciumento Taehyun, você vive saindo com outros amigos e com seus ficantes. Conhecer gente nova vai ser ótimo para o Kai e Renjun é um doce de pessoa, não fale o contrário porque você sabe que ele é. Nós não podemos estar sempre do lado dele e você sabe disso melhor que ninguém. - Taehyun soltou um “não estou com ciúmes, eu só me preocupo com ele” emburrado, virando a cara para longe do Choi mais velho.
— Ele perguntou de mim? O que ele falou? Ele ficou muito bravo? - Encheu o rapaz a sua frente de perguntas incessantes, sentindo que podia explodir a qualquer momento com o nervosismo de saber qual seria a reação do Huang.
— Ele riu, tipo, riu um bocado. Mas aí a gente explicou que você era muito tímido e tínhamos te arrastado ‘pra lá porque se não você nem teria aparecido. O Hyuck confirmou, eles são bem amigos pelo que parece. - Completou Gyu, uma das sobrancelhas levantadas de forma sugestiva. – Acho que você ainda tem chance com o rosinha, amigo.
Sorte do mais velho que Kai não tinha nenhum objeto nas mãos, porque se tivesse ele agora estaria o atirando no menino abusado; por fim, decidiu que não valia o tempo e o esforço bater boca com ele e se virou para o restante dos amigos, querendo saber mais sobre aquele que havia o deixado tão sem jeito.
Já sabia que o baixinho se chamava Huang Renjun e agora também havia descoberto que ele estava no curso de Moda e que foi transferido para um Campus em Seol porque recebeu uma oferta de estágio em uma marca grande e conhecida da cidade; que era dois anos mais velho que si - e por algum motivo isso mexeu ainda mais consigo, sempre preferiu caras um pouquinho mais velhos -; que veio da China ainda pequeno com seus pais e que ele havia o chamado de gracinha para Beomgyu antes de arrastar Haechan consigo. Sinceramente, não estava sabendo muito bem como reagir à última informação porque em sua cabeça ele deveria o odiar agora, não o achar uma gracinha.
Conversou mais um pouco com os rapazes sobre como havia sido o dia e se desculpou por ter acabado os deixando na mão no final da recepção, ouvindo todo o monólogo de Soobin sobre o quanto eles estavam orgulhosos por ele ter ao menos aparecido e a encenação dramática de Beomgyu que fingia limpar lágrimas imaginárias de seus olhos; se despediu, mandou mensagem perguntando à irmã se ela precisaria de carona de volta para casa e quando a mesma negou, chamou o Kang para irem na sorveteria mais próxima.
No passeio com o coreano, conversavam sobre a vida e sobre os problemas da semana; ouvia Taehyun reclamar de sua grade conter Bioestatística nesse semestre e como detestava essa matéria, comentava sobre como dormiu mal e mostrava o arranjo que passou a madrugada montando, debatia com o Kang sobre o garoto com o qual o coreano estava saindo no momento. Mas sinceramente, sua cabeça não estava exatamente ali, ela flutuava de maneira discreta até um par de olhos que haviam se fixado em sua mente.
Provavelmente estava mesmo ferrado.
(.....)
Quase duas semanas, haviam quase duas semanas que havia conhecido Huang Renjun e nunca mais o visto. Quer dizer… ele o viu sim, mas não como esperava. Poucos dias após sua chegada o chinês e seus amigos já haviam se tornado os garotos-sensação do momento, tanto por serem próximos de Mark Lee, um cantor e rapper talentoso que fazia apresentações constantes nos bares próximos à faculdade e dividia curso consigo, quanto pelas roupas elegantes que Renjun sempre usava para desfilar entre os corredores da instituição. Em um dos dias, o Huang usou uma blusa de cetim que caia tão lindamente sobre seus ombros e lhe dava um ar tão gracioso que Kai pensou que genuinamente poderia morrer por ele ali mesmo.
Mas agora que o rapaz mais velho era conhecido e cobiçado, não teria porquê ir falar com ele; quem era Kai de qualquer forma? Entre tantas pessoas, por quê o Huang viria atrás de si? Tudo bem que talvez fosse um pouco culpa sua, já que pela proximidade de Beomgyu com Donghyuck, os grupos de amigos de ambos se aproximaram e mesmo assim ele tentava evitar tanto o chinês mais velho quanto seus amigos a qualquer custo, sempre indo ao lado contrário quando via seus amigos com os colegas novos, coisa que estava se tornando cada vez mais comum. Agora constantemente via o Choi mais novo andando não só com o amigo de longa data, mas com Mark também e com um rapaz que pensa se chamar Chenle; Yeonjun se aproximou muito de Renjun por ter um gosto por moda muito similar, de um menino que parecia tão tímido quanto si - Jisung, pelo que se lembra - e de Mark também, o Choi mais velho chegou a comentar que a personalidade dos dois se parecia bastante; Soobin também se aproximou muito de Haechan e até Taehyun acabou ficando próximo de dois rapazes do grupo com quem ele agora ia treinar, mas desses Kamal não se lembrava exatamente do nome.
Então de certa forma, Huening tinha todas as chances possíveis para iniciar uma conversa com Renjun e se aproximar, poder se desculpar por aquele dia e finalmente se apresentar de forma decente. Ele simplesmente não o fazia por vergonha e preferia culpar outras coisas por sua incompetência, era mais fácil terceirizar a culpa de qualquer forma; mas seus amigos já haviam percebido como Kai começava a sair cada vez menos de suas salas de aula, como ele agora sempre mandava mensagens perguntando onde seus amigos estavam e se eles estavam com alguém por perto, a forma como não adiantava chamar pelo seu nome se estivessem acompanhados por algum dos novos colegas porque nesse caso, o havaiano não iria responder.
E é exatamente por isso que estava sentado agora em frente a um Choi Yeonjun com uma carranca enorme e de braços cruzados ao lado de um Choi Soobin que o encarava com uma carinha de cachorrinho que acabou de ser expulso de casa. Sermão de novo, ótimo.
— Huening Kai Kamal, o que está acontecendo? Tipo, eu sei sobre suas questões e você sabe que nós te respeitamos mais que qualquer um nesse mundo, mas está pior! Você ao menos tentava não parecer grosseiro, mas agora se algum dos rapazes novos chegar enquanto conversamos você dá as costas e vai embora. - Agora foi sua vez de cruzar os braços, o mal-humor tomando conta de seu corpo enquanto revirava os olhos. Queria muito mesmo um cigarro. – Eles são pessoas ótimas e são uma ótima oportunidade para você expandir seu círculo de amizade e eu falo isso exatamente por ser um dos seus melhores amigos, Kai.
— O que o chato aqui quer dizer, Kai… - Soobin começou, a voz tão suave que precisou chegar mais perto para conseguir ouvi-lo. – É que talvez se você se abrisse o mínimo que fosse, só desse um Oi ou se apresentasse fizesse bem, sabe? Não precisa ficar próximo deles, mas já seria um grande começo. De qualquer forma, se você olhar nos meus olhos agora e me disser que não consegue lidar com isso, eu converso com o Haechan e os amigos dele sobre a gente se encontrar mais fora da faculdade para eu passar mais tempo com você e sei que ao menos o Tae faria isso também.
Kai o encarou incrédulo com um misto de culpa e tristeza tomando seu peito novamente, ele sentia muito isso nos últimos tempos. A situação estava tão ruim assim? Soobin não podia afastar os próprios novos amigos por si, Kai nunca se perdoaria por ser tão egoísta se ele o fizesse. Estava sendo infantil e tinha conhecimento disso, mas não pensou que estava tão evidente dessa forma.
— Soobin hyung… Não, claro que não, você não pode fazer algo assim. Que injusto seria não só com você mas com seus amigos novos também. - Sentiu sua expressão murchar, os dedos indo até uma mecha de cabelo e a enrolando nos dedos, puxando de maneira distraída. – Yeonjun hyung está certo, ‘tô sendo infantil e medroso. Sei que sou melhor que isso também. Eu só fico tão assustado de eles não gostarem de mim e do Renjun não gostar de mim também e que sei lá, por isso vocês também passem a não gostar de mim.
Sentiu os cantos dos olhos marejarem de leve e desviou seu olhar para o chão, se sentindo ainda mais estúpido por estar abalado com algo tão pequeno e idiota. Talvez se tivesse ouvido os amigos e começado uma terapia mais cedo, não seria tão cercado pelos fantasmas do passado e agora não teria mais tanto medo de ser rejeitado e desgostado; não ficaria mais tão desesperado com a ideia de rirem de si.
Perdido na própria cabeça, foi despertado quando sentiu-se ser abraçado de lado meio sem jeito por Yeonjun e um cafuné tranquilo de Soobin, abrindo um sorriso pequeno.
— Desculpa a gente, Kai. Nós nem perguntamos se você estava confortável com isso, eu juro que não queríamos te deixar assim, meu Deus. - Yeonjun disse com a voz meio carregada, os olhos encarando profundamente seu rosto. – Estou me sentindo péssimo que fiz meu filhote querer chorar.
O Huening então riu baixinho, deitando a cabeça no ombro do Choi mais velho.
— Vocês estão certos no fim das contas, hyung. Os garotos realmente parecem muito legais, eu tenho sim vontade de conhecê-los, só tenho muito medo também.
Então pelas próximas horas, os três apenas ficaram conversando e estipulando qual seria a melhor situação para que Kai se apresentasse aos novos colegas sem que fosse muito desconfortável. Pensaram em todas as possibilidades possíveis; um passeio em conjunto em um restaurante, um concerto de Mark em que Beomgyu também iria tocar, alguma mostra de moda realizada pela turma de Renjun. Por fim, Yeonjun decidiu que iria marcar uma reunião pequena em sua casa e chamaria os colegas novos, assim Hueningkai não teria que lidar com um lugar muito cheio e poderia se sentir mais à vontade em um lugar conhecido.
Após se despedir dos amigos, iniciou o caminho até sua sala para pegar seu material e a partitura em que estava trabalhando no momento quando sentiu seu corpo se encontrar com o de outra pessoa ao virar um corredor. O impacto foi leve mas perceptível, o rosto do havaiano ficando instantaneamente vermelho de vergonha; e quando olhou para baixo e viu com quem havia esbarrado, teve certeza que os céus lhe jogaram alguma maldição.
— Oi, Hueningkai… certo? Prazer, sou Huang Renjun. - Era ele e ele estava falando consigo de novo, os olhos atentos novamente lhe perfurando mas agora com um sorriso pequeno e gentil nos lábios; nossa, de perto ele era mais bonito ainda. E dessa vez, não havia como fugir ou correr, o responderia nem que fosse com a voz mais fina e falhada que conseguisse.
— Ah, sim, oi! Prazer, sou Huening Kai Kamal e sou amigo do Yeonjun e do Beomgyu. - A voz se entrecortou um pouco no final, soou mais fina que o normal, mas foi o que conseguia entregar no momento de qualquer forma. – Me desculpe por aquele dia… Acho que os meninos comentaram que eu sou meio tímido, ‘né?
O sorriso do rapaz mais velho cresceu e dos seus lábios saiu uma risadinha baixa mas que não era daquelas que caçoam, ele só parecia ter achado genuinamente engraçadinho a forma que o havaiano falou.
— Me falaram sim, fiquei curioso porque para alguém tão alto você parece muito um gatinho assustado. Achei inclusive que estava evitando aos meus amigos e a mim, mas isso seria ridículo, não? - Achou que poderia morrer quando foi respondido com a voz do Huang ainda mais baixa, as mãos dele se apoiando na cintura marcada pela calça de alfaiataria. – Está indo para casa agora?
— Ah, sim… Ridículo, não é? Eu só estava meio ocupado esses tempos. - Soltou uma risadinha nervosa, sentindo as bochechas cada vez mais vermelhas queimarem profundamente. Sinceramente, a esse ponto eu vou só me matar mesmo. – Estou indo pegar minhas coisas na sala, os meninos me chamaram para conversar e eu esqueci de levar minhas partituras.
— Você faz Música, certo? Mark chegou a comentar que já dividiu algumas matérias com você. - O mais novo acenou que sim com a cabeça com um pouco mais de intensidade que o necessário em resposta, o rosto tão quente que agora sentia as orelhas ficarem vermelhas também. – Não sei se Beomgyu ou Yeonjun chegaram a comentar, mas eu curso Moda. Amanhã teremos uma apresentação de sketches que será aberta ao público, meus amigos estarão lá e tenho quase certeza que os seus também. Gyu disse que iria arrastar vocês, ficaria feliz se aparecesse lá.
— Eu… Claro! Estarei lá sim, Renjun-ssi. Pode deixar. - Gaguejou um pouco sem jeito, seus dedos entrelaçados com tanta força que os nós chegavam a doer. Renjun abriu um sorriso ainda maior e ainda mais bonito, mostrando os dentes parecendo muito contente com a resposta.
— Fico muito feliz com isso, Kai. E não precisa ser tão formal, me sinto velho assim, pode me chamar de hyung se quiser.
E então o mais velho se afastou enquanto lançava uma piscadela discreta para si, deixando um Huening embasbacado e tonto para trás. Kamal teve a certeza naquele momento que iria comparecer àquela apresentação, não importa o que acontecesse.
