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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-11-11
Words:
508
Chapters:
1/1
Comments:
13
Kudos:
81
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1
Hits:
380

Tarrafa gostar chave

Summary:

Mosto acha seu amigo muito estranho por gostar tanto de engolir chaves e se perfurar com um arpão.

Notes:

Peguei as instruções de como lidar com alguém engasgado da Internet e perdi o site.

Work Text:

Mosto é um segurança. Ele sabe proteger as pessoas.

 

Ele sabe o que fazer quando alguém engasga, mesmo que seja algo grande e afiado como uma chave.

 

1. Fique atrás da pessoa que está engasgando;

2. Coloque os braços em volta da cintura dela, como se fosse um abraço;  

3. Feche um dos punhos e posicione-o logo acima do umbigo;  

4. Coloque a outra mão em cima do punho fechado;  

5. Faça cinco vezes um movimento de compressão, para forçar o objeto do engasgo a sair;  

6. Os movimentos devem ocorrer sempre em direção para cima e nunca para baixo.

 

— Me solta, caralho! - Tarrafa rosna, estranhamente ingrato por Mosto tentar salvá-lo - Solta, solta!!

 

— Tarrafa, engasgado - explica - Tarrafa, engasgado, chave. Perigoso.

 

Ele ri, deixando o grandão ainda mais confuso e irritado. Tosse no meio do riso, provavelmente pela garganta arranhada, depois ri mais um pouco.

 

— Tá tudo bem, Mosto. Eu fiz de propósito.

 

— Engolir chave, perigoso.

 

— Eu gosto do perigo! - Dá um joinha, sorrindo para o amigo.

 

[...]

 

— Mataram Tarrafa - Mosto chora, aos berros - Mataram, mataram!

 

— Eu não morri não, maluco - ele se levanta do chão sujo do banheiro da balada, com um sorriso meio torto no rosto, muito sangue pelo corpo e a porcaria de um arpão atravessando sua garganta.

 

O segurança ainda estava se acostumando com a ideia de Tarrafa gostar de engolir chaves. Ele contou que ouviu falar de uma síndrome de pica que, apesar de não ter gostado do nome, talvez fosse o que ele tinha. Ou talvez não, quem sabe fosse só o prazer que sentia na dor de ter sua garganta arranhada. Teria que consultar um médico para saber, e ele não tinha tempo, dinheiro ou vontade de fazer isso.

 

Mas um arpão atravessando sua garganta? Aquilo era demais para seu cérebro acompanhar.

 

— Tarrafa vivo?

 

— Sim, mais vivo que nunca!

 

Ele olha, de todos os ângulos possíveis, o buraco na goela do amigo. Como ainda estava vivo? Para ele, não tinha como isso ser normal. Não mesmo.

 

— Aqui, oh - ele tira o arpão, deixando Mosto tocar no buraco aberto e sangrando - Vivinho da Silva.

 

Ele se admira e coloca o dedo para ter certeza de que era real. Coloca de um lado, do outro, só para confirmar que não era o fantasma do seu amigo que voltou para lhe assombrar.

 

— Além do mais, não sei se dá pra matar alguém furando a garganta - reflete, olhando para o arpão - Seria melhor perfurar o peito. Acho.

 

De repente, o grandão se lembra do motivo da sua visita. Discretamente, pega do bolso um molho de chaves que não ia mais usar e põe atrás das costas.

 

— O que você tá escondendo, grandão?

 

— Presente, Tarrafa.

 

— Presente pra mim?! O que é?

 

Divertido, ele balança o molho de chaves, fazendo o outro sorrir abertamente ao ouvir o tintilar metálico.

 

— Comida?!

 

Mosto finalmente entrega para o colega, que logo solta o arpão e agarra o presente.

 

— Tarrafa gostar chaves - ele sorri por baixo do saco de pão, feliz por ter acertado em cheio no presente.

 

— Sim, sim, eu gostar muito!