Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-11-19
Words:
1,885
Chapters:
1/1
Kudos:
7
Hits:
100

Garoto Idiota

Summary:

Se o episódio nove da sexta temporada fosse no ponto de visão do Theo.

Notes:

Pensei que nunca iria querer postar fanfic na internet de novo, mas aqui estou eu.
Já faz dois anos que escrevi essa obra e ela finalmente vai ver a luz do dia. É curta e eu sempre penso em continuar, mas nunca sei pra onde prosseguir, então, pelo menos por agora, ela já está finalizada.
Espero que gostem da minha visão da personalidade e dos pensamentos do Theo!

Work Text:

— Vamos, não temos muita vantagem sobre eles! – Digo quando Liam para e observa a ambulância. Perdi todas as – poucas – esperanças que ainda tinha de sobreviver a isso quando ele vai até ela e liga as sirenes. — Que merda você tá fazendo? – Tento correr para desligá-las, mas ele me impede.
— Não desliga! – Ele diz enquanto me esquivo.
— Vai trazer todos eles para cá! Literalmente todos, é isso que você quer?
— É literalmente isso que eu quero! Por que se eles estiverem aqui, então não estarão atrás do Scott! – Não consigo acreditar nisso. Não é possível que Liam estivesse arriscando a própria vida, a minha vida, para um plano que nem garantia de sucesso tinha.
— E não se importa se pegarem você? – Droga. Essa frase não deveria ter saído em voz alta. Ou pelo menos não assim: como se eu me importasse. Eu me importo, mas não é como se ele precisasse saber.
— Vão acabar pegando todos nós. – Garoto idiota.
— Você vai primeiro. É o único motivo de eu estar com você. Por que enquanto eles estiverem ocupados enrolando um chicote em volta do seu pescoço, ou metendo uma bala na sua cabeça, eu estarei correndo pra outra direção. – Foi a pior coisa que eu pensei em falar, algo que seria esperado de mim. Torci para que a raiva dele significasse que ele não percebeu que eu mentia. — Só estou do seu lado enquanto isso me ajudar. – O pior foi o que veio depois:
— Confia em mim, eu sei! – Ele me empurrou para trás, e eu culpei o aperto no meu peito por isso. Pelo menos ele acreditou em mim.
Virei de costas e entrei no hospital. Liam exalava raiva, com certeza de mim, mas também um pouco de medo. Ótimo, pelo menos ainda raciocina um pouco. O hospital está deserto, como o resto da cidade.
Quando chego na frente do balcão da recepção, olho para o lado, procurando um esconderijo. Sinto um calafrio na espinha e, de repente, Tara vem do fim do corredor em minha direção. “Theo” ela chama com a voz arrastada, como eu já tinha ouvido milhões de vezes antes. Não conseguia desviar o olhar de seu peito aberto, sabendo que eu era o responsável por isso. Minhas mãos suavam frio e meus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Theo? – Uma voz suave fala atrás de mim. Sei que Liam está me chamando, mas não o olho. Não consigo tirar os olhos de minha irmã. Ela continua vindo até mim, engatinhando. Ela me derruba no chão, sobe em cima de mim e arranca meu coração, como vem fazendo a tempos. Não posso culpá-la. — Theo? – Ele me chama com um pouco mais de urgência, Tara me encara, com meu coração na mão. — Theo!
Pisco algumas vezes e estou em pé no corredor novamente. Olho para trás e Liam me encara. Um pouco confuso, um pouco preocupado. Fofo.
— Estou bem. – Suspirei. — Só pensei estar em outro lugar por um segundo. – Bom, não foi exatamente uma mentira.
— Onde? – Ele perguntou. Claro que ele perguntaria. Pensei um pouco antes de responder.
— Em um pesadelo. – Meias verdades são um bom caminho, eu acho. Ouvimos um estrondo do lado de fora, eles estão se aproximando. Tento retornar a minha pose. — Você disse que sabia onde se esconder.
— Me segue. – Ele corre pelo corredor de onde Tara veio, e eu o sigo. Ele nos leva para uma sala, e quando entro percebo que é o melhor lugar que poderia ser: o necrotério.
Ele pega a mesa de necrópsia do meio da sala e coloca em frente a porta, como se fosse de grande ajuda.
— Sério que essa é sua ideia brilhante? Uma barricada no necrotério?
— Bom, os Cavaleiros estão atrás dos vivos. Então podemos nos esconder com os mortos. – Eu o encaro. Ele não pode estar falando sério. Mas vejo que está quando ele caminha decididamente até um dos mortuários e o abre. Tenho a breve visão de uma mulher morta antes de desviar o olhar instintivamente.
— Não vou entrar em um desses.
— Nem eu. – Ele fecha a porta. Reviro os olhos e um sorrisinho quase escapa de meus lábios. Garoto idiota.
— Devia ter me deixado naquela merda de cela.
— Devia ter te deixado debaixo da terra. – Suas palavras poderiam ter me machucado bastante. Me viro para ele, um pouco exasperado. Poderiam, porque ele mentiu.
— É mesmo?
— É. Mesmo. – Suas batidas tropeçaram de novo.
— E o que você acha que eu fazia lá, hein? Passeava com a minha irmã morta? Relembrando os velhos tempos? – Talvez essa situação tenha me irritado um pouco.
— Acho que você estava apodrecendo lá. – Ele disse, um tom mais baixo.
— Bom, nisso você acertou. – Murmuro e perco a coragem de encará-lo.
— O que quer que tenha sido, você mereceu. – Ele se aproximava.
— Será? – Porra, por que eu disse isso? É óbvio que eu mereci o que aconteceu, e sei que Tara me persegue porque ainda mereço. Continuo tentando ser superior, mesmo quando minha máscara foi arrancada.
— Quando os Cavaleiros Fantasmas nos encontrarem, não vou fazer nada por você. – Ele já estava do meu lado agora, mas eu olhava fixamente para frente, me perguntando o que significavam as batidas a mais no peito dele. — Não vou te ajudar. – Mentira. — Não vou te salvar. – Mentira. — Vou fazer o mesmo que você faria comigo: vou te usar como isca. – Finalmente o encaro, porque dessa vez ele disse a verdade. Porra, ele realmente acha que eu o usaria como isca. Não que ele não tenha motivos para acreditar nisso. E sobre me usar como isca… Bom, ele está no direito dele.
Qual é a dele nisso tudo? Fica mentindo na minha cara, e pra quê? Ele quer fingir que não é altruísta o suficiente para salvar até mesmo alguém como eu? Ou ele só pensa que eu não sei que ele está mentindo?
Antes que eu tenha tempo de questionar, percebo que a ambulância não está mais tocando.
— Ainda ouve a ambulância? – Eu questiono e ele me encara confuso. — A sirene, Liam, ainda tá ouvindo? – Ele fica em silêncio, me olhando preocupado. — Eles estão aqui.
Escutamos o elevador parando nosso andar e os passos se aproximando. Viro a mesa de necrópsia e para que possamos empurrar contra a porta, e Liam se posiciona ao meu lado. Quando temos certeza que tem um deles à nossa frente, empurramos a mesa, o prensando na parede.
Saímos da sala, nos aproximando do cavaleiro sem saber exatamente o que fazer. Segundos depois, mais quatro deles aparecem no corredor.
— Se esconder com os mortos, né? – Pergunto ironicamente.
— Valeu a tentativa! – Ele responde e sai correndo, virando o corredor atrás de nós. Eu poderia ter até sorrido se estivéssemos em outra situação.
Saio correndo atrás dele, e logo depois, eles começam a atirar em nós, e por algum suposto milagre, nenhum de nós é atingido. Em algum momento, não tivemos mais para onde correr e fomos obrigados a lutar. Liam estava se virando com um dos Cavaleiros, mas ele perdeu o controle da situação e estava prestes a levar um tiro. Saio correndo e consigo colocar o cavaleiro em um almoxarifado. Liam pega uma muleta em algum canto e tranca a porta. O olho e um sorrisinho escapa. Ele me mostra um pequeno sorriso também. No fim, talvez sejamos uma boa dupla.
Infelizmente, nossa alegria dura pouco.
— Eles estão em todo lugar. – Eu digo, pensando em como sobreviveríamos aquilo. Ele concorda com a cabeça.
— Isso é bom. – Viro a cabeça para encará-lo. Não acredito que ele ainda está com essa história.
— Sério? Quer que eu te lembre que ser capturado por eles não ajuda a salvar seus amigos? – Ele se vira para mim e acho que ele está prestes a me dar uma resposta a altura quando seus olhos vão para algo atrás de mim. Me viro, a fim de saber o que ele viu. Claro que seriam mais Cavaleiros se aproximando.
— Olha, nós dois seremos pegos. Pode fazer isso enquanto corre, caso queira. Mas eu vou lutar até o fim. – Ele me olhava sério. Talvez ele estivesse certo.
Ele passa na minha frente, se transforma parcialmente e ruge. Ele sai correndo pra cima de sabe-se-lá quantos Cavaleiros Fantasmas como se fizesse isso todos os dias.
Que merda. Garoto idiota. Deixar ele aqui sozinho e sair correndo como um covarde não é nem uma opção. Por que ele não pode pensar nele mesmo só as vezes?
Me transformo parcialmente e saio correndo atrás dele. Estou começando a pensar que já fiz muito isso no dia de hoje.
Depois de lutarmos lado a lado por um tempo, perco Liam de vista enquanto tento não ser pego por um dos Cavaleiros. Desvio por pouco de uma de suas chicotadas, e acabo caindo no chão. Por sorte, há um objeto bem parecido com um facão ao meu lado. Me levanto e rapidamente ataco o Cavaleiro, que cai sangrando no chão. Assim que viro para trás para encontrar Liam, outro deles já está parado atrás de mim. Ele me segura pelos ombros, me fazendo ficar de joelhos.
Olho para trás e vejo que Liam está em uma situação igualmente complicada: sendo prensado em uma mesa por um Cavaleiro. Ele dá uma cotovelada no Cavaleiro e se vira, mas não consigo mais ver o que ele está fazendo, porque meu querido amigo me força cada vez mais para o chão, e preciso de muita força para não cair.
Ouço um tiro, e primeiramente penso que Liam foi atingido e fico um pouco desesperado, até que o Cavaleiro em minha frente é lançado para trás. Olho para trás e vejo que foi Liam quem fez um dos Cavaleiros atirar no outro, e não consigo deixar de ficar impressionado. E fico ainda mais quando ele faz com que ele atire em si mesmo.
Me levanto e ele se aproxima de mim, passando por cima do cavaleiro morto, e eu não consigo mais esconder o sorriso. Ele me olha como se estivesse igualmente surpreso pelo que fez, e ofereço minha mão em formato de soco para que ele bata, e quando ele estava prestes a fazer, mais dezenas de Cavaleiros aparecem no fim do corredor.
Olho de relance para Liam e percebo que ele quer continuar lutando. Olho para trás e vejo apenas um elevador. Tenho uma ideia estúpida, e não tenho tempo para pensar em nada melhor. Acabei de ter certeza de que Liam é inteligente o suficiente para tirar a gente dessa se conseguir sobreviver. Corro até o elevador e aperto o botão.
Quando volto para perto de Liam, ele já estava semi-transformado e quase correndo na direção deles quando seguro sua cintura e o puxo até o elevador. Quando estamos perto o suficiente, o jogo lá dentro.
— O que você tá fazendo? – Ele pergunta exasperado. Olho para ele e mostro um sorriso ladino.
— Sendo a isca.
— Não! – Ele tenta se levantar o mais rápido possível, mas as portas do elevador já estão se fechando.
Escutei quando seu corpo se colidiu com a porta e senti o cheiro do seu desespero, e não posso dizer que isso não inflou meu ego um pouco.
Minha satisfação passou bem rápido, porque quando olhei para frente novamente, éramos só eu e eles. Realmente espero que aquele garoto idiota saiba o que fazer quando sair. Me transformo e vou ao encontro deles, e eles não poupam balas.