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O Pedido

Summary:

Loid percebe que Yor é a mulher da sua vida e decide pedi-la em casamento de verdade, já que o primeiro pedido de casamento deles foi «só pela missão».

Songfic baseada na música «Diga Sim Pra Mim» da cantora Isabella Taviani e nas duas primeiras temporadas do anime.

Work Text:

Em um belo sábado de um feriado prolongado, no qual o casal Forger teve a oportunidade de acordar mais tarde e desfrutar de um brunch maravilhoso feito por Loid, o loiro se mostrava disposto a aproveitar o máximo possível de tempo a sós com sua esposa. Anya e Bond haviam sido convidados por Becky para visitar a fazenda dos Blackbell de modo que estavam Loid e Yor sozinhos em casa.

Momentos como aquele eram cada vez mais valorizados pelos dois desde que se tornaram um casal de verdade. Poucos meses antes, após Yor ter revelado a Loid seu passado como assassina, ele confessou a ela que era um agente secreto e que a manutenção da família Forger era parte de uma missão para assegurar a paz entre Ostania e Westalis. Entretanto, Loid também admitiu que tinha sentimentos por Yor, pedindo que ela desse uma chance para que o relacionamento dos dois se tornasse real. A morena foi compreensiva, pois também guardava segredos do até então marido de fachada, e aceitou o pedido de "namoro" de Loid.

Foi o primeiro passo na direção de fazer da família Forger uma família (mais) real, porém, Loid sentia que faltava algo. O primeiro pedido de casamento feito por ele a Yor foi realizado apenas pela missão e ele queria pedir que a morena se tornasse de fato sua mulher naquele mesmo dia. Assim, combinou com seu amigo Franky Franklin para que entregasse um grande buquê de rosas vermelhas no apartamento dos Forger pela manhã. A intenção de Loid era começar o dia presenteando Yor, mas Franky aparentemente teve algum imprevisto e não conseguiu fazer a entrega, o que aumentou o nervosismo do loiro. Loid tentou entreter Yor a manhã inteira enquanto esperava as rosas até que ela insistiu que os dois saíssem para dar uma volta na cidade pouco depois do almoço e ele acabou cedendo.

"O Franky me paga, justo hoje que eu queria fazer um 'dia de casal' perfeito ele desaparece e não entrega as rosas..."

— Loid, já estou pronta... Obrigada por me esperar.

O loiro virou-se para o corredor do apartamento e deparou-se com a visão de sua esposa mais adorável do que nunca. Yor usava um vestido branco de alças largas que ia até acima dos joelhos, as unhas das mãos esmaltadas de vermelho. Seus cabelos estavam presos em um coque baixo adornado por uma tiara fina dourada e com duas mechas soltas na frente. Os brincos que ela usava todos os dias dessa vez estavam combinados com um colar de pérolas.

— A espera valeu a pena. Você está encantadora, como sempre.

— Obrigada, Loid — ela agradeceu, corada. — Você também está muito elegante.

O loiro usava um terno cinza-chumbo com uma gravata vermelha, queria estar com a melhor aparência possível para aquela tarde. A ideia era dar uma volta pela cidade, passar algum tempo juntos, ir até um restaurante jantar e depois pedir Yor em casamento. O anel para fazer o pedido já estava em seu bolso, o espião tinha tudo planejado para aquele dia. "... que só não vai ser totalmente perfeito porque o Franky sumiu com as rosas".

Quando os dois estavam prestes a sair, Yor notou que esqueceu algo:

— Deixei o casaco no cabide, vou só voltar pra buscar e podemos sair, certo?

O loiro assentiu e ficou parado na escada do edifício esperando a esposa. Qual não foi a sua surpresa quando Franky Franklin na sua frente aparece suado e desalinhado pedalando em uma bicicleta com um enorme buquê de rosas nas mãos.

— Franky, o que aconteceu com...

— Longa história, cara, toma aqui suas rosas — o rapaz de óculos imediatamente entregou o buquê a ele. — Boa sorte com o que quer que você esteja planejando aí, hoje eu tô na correria!

E desapareceu pedalando tão rápido quanto surgiu. "Deve estar colhendo informações pedidas de última hora pela WISE." O importante é que as rosas tinham chegado e ele já estava esperando na frente do edifício Yor sair para presenteá-la.

Eu pensei em comprar algumas flores

Só pra chamar mais atenção

Eu sei, já não há mais razão pra solidão

Meu bem, eu tô pedindo a sua mão

— Loid, mas o que é isso? — ela perguntou surpresa poucos segundos após abrir a porta de entrada.

— São pra você.

— Obrigada, são lindas. Estamos comemorando alguma ocasião especial?

— E eu preciso de uma ocasião especial para dar flores à minha querida esposa? — Loid falou sorrindo de leve. "Consegui fazer uma surpresa pra ela de qualquer forma."

— Que coisa mais linda!

— Não é todo dia que vemos um homem tão apaixonado pela sua mulher!

Duas idosas viúvas que moravam no mesmo prédio de apartamento que os Forger, a senhora Jones e a senhora Smith, estavam voltando para casa e suspiravam encarando a cena.

— Olá, senhora Jones, senhora Smith — falou Yor, quase tão vermelha quanto as próprias rosas, enquanto Loid cumprimentava as idosas com sorriso e um aceno de cabeça — Pois é, o meu marido de vez quando tem dessas coisas. Agora vou ter que subir de novo para guardar o buquê! Com licença...

E se retirou para levar as flores até o apartamento. Loid ficou recebendo os elogios das senhoras enquanto esperava sua esposa voltar.

— Achava que os homens não faziam mais gestos como este! — comentou a senhora Jones.

— Sim, senhor Forger, percebo que o senhor é sempre muito atencioso com a sua esposa — a senhora Smith concordou. — O meu falecido marido nunca fez algo do tipo, estou até com inveja dela!

Loid ficou aguentando a senhora Smith tagarelar enquanto aguardava Yor "Pelo menos agora a imagem de casal feliz está garantida na vizinhança." O plano era presentear Yor, mas, se o gesto contribuísse com a Operação Strix, melhor ainda. "Ora, homem, tente ser mais Loid e menos Twilight só dessa vez!" repreendeu-se mentalmente.

Os dois foram em direção a um parque onde estava acontecendo uma quermesse. Yor ficou sentida pelas ausências de Anya e Bond, mas Loid disse que ganharia prêmios nas barracas para levarem como lembrança para a garotinha e o cãozinho. Conseguiu uma boneca para Anya no jogo de acertar argolas nas garrafas, um mordedor para Bond na barraca da pescaria de prêmios e um enfeite de cabelos para Yor no tiro ao alvo. Contudo, a senhora Forger não ficou para trás: presenteou o marido com uma bela caneta que ganhou na barraca do martelo que testava a força dos participantes (a única na qual foi capaz de superar Loid).

Os dois passeavam pela quermesse como se fossem um casal que havia recém-começado seu relacionamento e não como marido e esposa. Entretanto, era exatamente daquele jeito que estavam se sentindo: como se estivessem mais à vontade um com o outro, sem nada a esconder.

— É tão bom fazer atividades ao ar livre, não é, Loid? Parece que as coisas ficam mais descontraídas... Camilla, uma colega minha do trabalho, me contou uma vez que sonha em fazer a cerimônia de casamento dela em um sítio porque tem a mesma sensação.

— É mesmo? E você?

— Como assim?

— O nosso casamento não foi exatamente romântico, não é? Só fomos ao cartório e assinamos os papéis. Mas como seria o seu casamento ideal?

No fundo, o agente secreto estava curioso. Se Yor aceitasse seu pedido de casamento, ele começaria a planejar a cerimônia dos dois, uma que fosse do gosto dela. Não importava se fosse no campo ou na praia, de dia ou à noite, ele faria tudo para que Yor tivesse a cerimônia de casamento dos seus sonhos.

Então, case-se comigo numa noite de luar

Ou na manhã de um domingo à beira-mar

Diga sim pra mim

— Olha, confesso que nunca parei pra pensar muito nisso... Ou melhor: há muito tempo que já tinha desistido de me casar. Desde a adolescência achei que minha vida seria só me dedicar ao meu trabalho e ao meu irmão e estava conformada com isso.

— Entendi... — Loid sabia que a morena teve uma vida difícil, mas agora que eles estavam juntos desejava proporcionar tudo o que estivesse ao seu alcance para fazer Yor feliz.

— E você, Loid?

— Eu? Bem...

Assim como Yor, Loid nunca tinha cogitado que um dia haveria espaço para romance na sua vida, muito menos para a perspectiva de se casar. Contudo, ultimamente imagens de Yor vestida de noiva e segurando um buquê, caminhando até um altar para encontrá-lo, preenchiam seus pensamentos. Bond e Anya também participariam da cerimônia, claro, jogando flores e levando as alianças e as pessoas mais próximas dos dois (ainda que não fossem muitas) seriam convidadas. Poderiam até pagar a Franky para que cuidasse da menina e do cãozinho, assim eles conseguiriam passar uns dias de lua-de-mel na praia ou nas montanhas. Eram esses seus planos para a celebração de um casamento, só precisava que Yor aceitasse o seu pedido primeiro.

Case-se comigo na igreja e no papel

Vestido branco com buquê e lua-de-mel

Diga sim pra mim

Sim pra mim

— Acho que... eu gostaria de algo mais tradicional.

— É bem a sua cara mesmo — Yor sorriu.

— O que acha de irmos a um restaurante agora, querida? — disse Loid, olhando para o relógio e oferecendo o braço a ela em seguida — Podemos jantar um pouco mais cedo hoje, se você não se importar.

— Por mim tudo bem.

___________ ♣️­­­­­­­­____________

O restaurante que Loid escolheu para o jantar era um local pequeno, porém elegante e aconchegante. Havia música ao vivo naquele dia e Yor parecia bastante interessada na banda que estava tocando clássicos da música romântica de Ostania.

Depois que pediram o jantar, o agente secreto se levantou e estendeu a mão para a morena:

— Yor, enquanto aguardamos o nosso jantar, gostaria de dançar?

— Adoraria, Loid — ela respondeu, as bochechas vermelhas.

Loid tinha alguma experiência com danças, havia aprendido numa ocasião em que teve que se disfarçar como instrutor de dança em um hotel de alto padrão, de forma que não teria problemas em conduzir a morena. Surpreendeu-se em como Yor deslizava com graça pela pista de dança improvisada do restaurante. Era como se o corpo dela já soubesse os passos, sem precisar se esforçar para executá-los.

— Não sabia que você dançava tão bem — sussurrou Loid ao pé do ouvido da ex-assassina, fazendo com que ela estremecesse.

— Bem, acontece que... minha mãe adorava dançar — ela corou mais, parecia buscar as palavras mais precisas para expressar o que pensava — Principalmente essas músicas mais românticas, eram as favoritas dela. Tenho lembranças dela dançando com meu pai na sala da nossa casa, eles até me ensinaram alguns passos.

— Ah sim... E você gosta de dançar?

— Gosto muito, mas é que eu nunca gostei da ideia de dançar com homens estranhos me conduzindo. Aí eu só dançava com o Yuri, ensinei a ele o básico. A última vez que dançamos foi durante um baile realizado pelo governo só pra altos funcionários públicos.

Loid assentiu e fez uma nota mental: levaria Yor para dançar pelo menos uma vez por mês. Se aquilo fazia bem para ela, era bom continuar. "'Esposa feliz, vida feliz', acho que já ouvi algo nesse sentido."

Jantaram e Loid pensou em fazer o pedido no restaurante mesmo, porém reconsiderou a ideia. Tanto ele quanto Yor preferiam algo mais intimista, então decidiu pedi-la em casamento no mesmo banco de um parque da vizinhança que era especial para a história dos dois. Foi naquele mesmo banco que Loid dormiu no colo de Yor depois dos dois serem expulsos de um bar e que ele lhe disse que queria muito que ela continuasse no papel de mãe de Anya e no de sua esposa. O diálogo representou um avanço na relação dos dois, ainda que ele não tivesse muita percepção disso na época.

Depois da refeição, Loid disse que gostaria de ir a outro parque, deixando Yor confusa, afinal eles já tinham passeado em um naquele dia. Entretanto, ao reconhecer o local, Yor imaginou que o loiro só gostaria de passar um tempo a sós com ela em um lugar que fosse especial para os dois. Qual não foi a sua surpresa ao sentar-se e notar que Loid abaixou-se apoiado em um dos joelhos, tirando uma caixinha preta do seu bolso.

— Yor Briar... ou Forger, que seja. Um dia, nesse mesmo banco, eu te disse que gostaria que você continuasse no papel de minha esposa e de mãe da nossa filha.

— Loid... — a morena murmurou, os olhos cheios de lágrimas.

— Agora eu te peço que seja minha mulher, minha companheira para toda a vida — e abriu a caixinha, revelando um anel solitário com um pequeno diamante — e que continue sendo mãe, não só da nossa filha, mas também dos próximos filhos que tivermos juntos. Yor, você quer se casar comigo de verdade?

Eu pensei em escrever alguns poemas

Só pra tocar seu coração

Eu sei, uma pitada de romance é bom

Meu bem, eu tô pedindo a sua mão

— Loid, eu... Espere, como devo te chamar?

— Hã?! Como assim?

— Você me disse que seu codinome na WISE era Twilight e que era melhor que eu continuasse te chamando de Loid, apesar de esse não ser seu nome real. Mas agora eu queria saber como você se chama antes de aceitar o seu pedido.

Loid parou um instante e ficou encarando-a. Por fim, respondeu:

— É justa a sua dúvida, mas é que... eu não tenho apego nenhum ao meu nome de origem. Me desfiz dele há muito tempo, ele não significa mais nada pra mim. Mas desde que me vi apaixonado por você, tudo que eu quero ser é Loid... o seu Loid, Yor.

— "O que há em um nome? Uma rosa, com qualquer outro nome, teria o mesmo perfume..."

— Não sabia que gostava de Shakespeare.

— Uma vez estava lendo "Romeu e Julieta" e essa fala da peça me chamou bastante a atenção — e sorriu, lembrando que não escolhera o codinome "Rosa Selvagem" quando começou no grupo Garden por acaso — Mas, enfim, Loid, eu aceito. A coisa que eu mais quero é estar ao seu lado pro resto da vida, mantendo a nossa família unida independente do que acontecer.

Prometo sempre ser o seu abrigo

Na dor, o sofrimento é dividido

Lhe juro ser fiel ao nosso encontro

Na alegria, felicidade vem em dobro

Loid sorriu e colocou o anel na mão direita dela. "Agora a Yor tem um anel de noivado de fato, mas já preciso começar a providenciar uma aliança para a mão esquerda." E a beijou, de uma forma romântica, porém contida, pois sabia que a morena ainda ficava constrangida com demonstrações de afeto fora do ambiente familiar. Rapidamente, começou a tratar de questões práticas do futuro dos dois:

— Eu te prometo que, assim que a Operação Strix acabar, vou arranjar um emprego mais tranquilo. Não sei se vou continuar na WISE ou se vou sair e trabalhar em outra coisa. A gente pode ir pra Westalis ou dar um jeito de ficar em Ostania, talvez recomeçar a vida no interior e...

— Loid, não fique tão ansioso — ela o interrompeu, tocando o rosto do loiro de leve. —Deixe as coisas acontecerem e a gente vai ver o que resolve para o nosso futuro. Tenho certeza de que juntos podemos enfrentar qualquer situação.

Eu comprei uma casinha tão modesta

Eu sei, você não liga pra essas coisas

Te darei toda a riqueza de uma vida

O meu amor

Ele sorriu e a beijou de novo. Apesar de seu pensamento rápido, Yor conseguia ser mais sábia do que ele muitas vezes. Aceitaria o conselho dela: uma coisa de cada vez. Por enquanto, só se preocuparia em organizar uma cerimônia de casamento para os dois, daquilo ele também faria questão.

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