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Hope You've Been Well - Tradução PTBR

Summary:

Eles se conheceram na adolescência, duas estrelas brilhantes colidindo no céu noturno. Eles se apaixonaram, e juntos eles tiveram os momentos mais felizes da vida. Mas todas as coisas boas têm um fim e ambos eventualmente se separaram.

O tempo passou e eles perderam contato. Os dois cresceram separadamente, cada um seguindo um caminho diferente, mas mesmo que não estivessem juntos, eles jamais esqueceram o primeiro amor.

Um dia, coincidentemente, houve um reencontro. Ambos estavam num encontro às cegas e viram um ao outro sentados em lados opostos. A surpresa em ver quanto mudaram era óbvia, eles já não eram mais os adolescentes sem preocupações que uma vez foram. Ambos cresceram e experienciaram a dor da perda e do coração partido.

Seriam eles capazes de voltar aonde começaram? Dez anos depois, poderiam eles recomeçar de onde as coisas foram deixadas para trás?

Apenas o tempo dirá. No entanto, uma coisa é certa:
a história deles estava longe de acabar.

Notes:

Chapter 1: 1 - Mestiço?

Chapter Text

O verão em Rongcheng é especialmente quente. Vestindo um avental, Zhuang Fanxin esteve sentado no seu quarto abafado por mais de quatro horas, pintando sem mover um músculo quando de repente ouviu um latido de cachorro tão claro como se viesse do portão.

Zhuang Fanxin deixou de lado a paleta e foi até a sacada dar uma olhada. No portão, um velho estava em pé com um pastor alemão.

O sobrenome do velho era Xue, ele vivia sozinho na casa ao lado. Zhuang Fanxin o chamou:

— Vovô Xue!

Xue Maochen parou e acenou de volta.

— Xiao Zhuang, desça e venha ver!

Zhuang Fanxin correu pelas escadas e pelo do pequeno jardim na frente de casa, parando no portão.

Antes que ele pudesse se equilibrar, o pastor alemão subiu nele. Ele sempre gostou de animais desde que era criança, mas sua mãe nunca o deixou tê-lo nenhum.

Xue Maochen o mediu com o olhar.

— Seu avental está todo sujo, você tem pintado de novo?

Zhuang Fanxin respondeu com alegria estampada no rosto.

— Mhm. Vovô Xue, você vai criar um cachorro? Quanto tempo ele tem? — Ele achou o cachorro um tanto novo.

— Um ano, uma idade difícil. — Xue Maochen respondeu.

Zhuang Fanxin agachou e olhou para a traseira do cachorro; era macho, já castrado e destinado a ser solteiro para sempre. Ele acariciou a cabeça do cachorro antes de perguntar:

— Qual o nome dele, Vovô?

— Não tem nome ainda, acabei de trazê-lo para casa. — O rosto do velho se iluminou com uma alegria distinta. Ele também se agachou e falou como se estivesse divulgando um segredo de Estado:

— Esse cachorro é para o meu neto, vou deixá-lo nomear.

Zhuang Fanxin ficou levemente surpreso. Ele ergueu o olhar e estava com o rosto repleto de espanto, mas quem poderia culpá-lo? Embora fossem vizinhos há anos, ele nunca viu nenhum parente de Xue Maochen.

O velho vivia sozinho, contratando um motorista e uma empregada doméstica; sempre que viajava nas férias, ficava fora por dois meses. Todos achavam que ele tinha tido um casamento sem filhos e com renda dupla, o que o deixou sozinho na vida adulta.

Xue Maochen revirou os olhos, chamando-o de bobo. Então ele colocou a mão no bolso e tirou dali um pacote de biscoitos.

— Xiao Zhuang, pegue isso.

Zhuang Fanxin era uma boa pessoa, mas um defeito era sua seletividade quando o assunto era comida. A primeira coisa que ele fez ao receber o pacote foi olhar a embalagem; se tivesse sorte, não teria chocolate, já que não gosta.

Rindo, Xue Maochen disse:

— São biscoitos para o cachorro. Vou deixar esse pacote com você, caso um dia ele escape, você pode me ajudar a trazê-lo de volta.

Por que não disse antes? Zhuang Fanxin riu, constrangido. Ele colocou os biscoitos no bolso do avental e olhou para os quatro membros do pastor alemão, pensando: “eu sequer conseguiria pegá-lo se ele correr? Seria difícil.”

Otimista, ele disse:

— Vovô, já que seu neto está vindo, ele vai conseguir cuidar do cachorro, né?

Inesperadamente, Xue Maochen balançou a cabeça.

— Difícil dizer, ele está numa idade difícil também.

O dia estava quente e úmido. O velho e o jovem estavam conversando no portão e seus rostos ficaram vermelhos e cobertos de suor. Até mesmo o pastor alemão ficou cansado de latir, mostrando a língua se escondendo na sombra da árvore, meio morto de calor.

Zhuang Fanxin limpou o suor.

— Vovô, por que não entra para tomar chá?

— Está tudo bem, meu neto logo estará aqui, eu deveria voltar.

As duas famílias eram próximas, por isso não era necessário demonstrar educação excessiva. Apressando-se para ir, Xue Maochen deu um tapinha no ombro de Zhuang Fanxin.

— Venha para o jantar hoje, a Dona Hu vai fazer um banquete, vai ter abalone com alho, pato assado, sobremesa de coco e tarô…

Infelizmente, Zhuang Fanxin respondeu:

— Não como alho nem tarô.

De três pratos, ele não comida dois. Xue Maochen beliscou forte a bochecha dele, reclamando.

— Como você pode ser tão fresco? Olhe como está magricelo! É uma dádiva que o tufão do ano passado não tenha te soprado para Shenzhen!

O beliscão do velho não foi nada fraco. Zhuang Fanxin segurou o rosto com um “ai”, mas antes que pudesse pensar na dor, o pastor alemão pulou, latindo alto para o fim da rua a alguns metros de distância.

Uma SUV virou a esquina, dirigida pelo motorista de Xue Maochen.

— Ele chegou! — O velho exclamou feliz.

Zhuang Fanxin se virou para olhar. O para-brisa refletia a forte luz do sol, tornando difícil ver, mas ele conseguia distinguir uma vaga silhueta. Uma blusa vermelha, um par de marias-chiquinhas, carregando uma mochila da Disney… esse neto realmente sabia como se vestir.

A dois ou três metros, a SUV estacionou e desligou. O “neto” no banco do passageiro saiu do carro e Zhuang Fanxin finalmente pôde ver que era uma menininha de cerca de oito anos.

Xue Maochen não esperava que sua neta viesse também, tendo uma surpresa agradável. Com medo de assustar a criança, ele deu dois passos para frente antes de abrir os braços e puxá-la para um abraço, balançando-a para cima e para baixo gentilmente.

A menina, cujo nome era Gu Baoyan, contraiu os lábios por um longo tempo antes de cumprimentá-lo hesitantemente.

Ouvir a palavra “vovô” fez um grande sorriso aparecer no rosto de Xue Maochen. Ele perguntou todo tipo de pergunta, quase esquecendo que estava, na verdade, esperando um neto.

Gu Baoyan olhou para o pastor alemão brincando.

— Gege gosta desse tipo de cachorro.

Xue Maochen enfim se lembrou.

— Onde está seu irmão?

Gu Baoyan apontou para o carro.

— Dormindo no banco de trás.

Assim que ela respondeu, a porta de trás do carro abriu. Um garoto alto saiu de dentro, abaixando levemente a cabeça, sua expressão não podia ser vista. Ele fechou a porta com uma mão enquanto a outra segurava um par de fones e uma pelúcia da irmã. A pelúcia parecia meio murcha, carregando os sinais de ter sido abraçada por todo o caminho. Mesmo agora, era segurada pela orelha.

Zhuang Fanxin olhou para o garoto, sua camisa, jeans e tênis, tudo parecia simples, mas nenhum dos itens custava menos que quatro dígitos. O relógio provavelmente custava dois dígitos extras.

Ele deu um passo para trás. O avental sujo era meio feio, mas assim que deu esse passo, Xue Maochen o bloqueou com a mão, dizendo:

— Xiao Zhuang, esse é o filho da minha filha, Gu Zhuoyan.

Zhuang Fanxin só conseguiu responder:

— Oi, me chamo Zhuang Fanxin, eu moro aqui.

Depois dessa apresentação, Gu Zhuoyan olhou para Zhuang Fanxin.

Do avião, ele viu as nuvens; da SUV, ele assistiu a vegetação exuberante de Rongcheng passando, até que ele fechou os olhos e adormeceu; quando saiu do carro, tudo que pôde ver foi o sol escaldante. Nesse momento, ele avistou Zhuang Fanxin, um garoto de avental, com a pele muito pálida e tinta verde manchando o ombro.

O olhar de Gu Zhuoyan foi direto. Quando ele o ergueu para o rosto de Zhuang Fanxin, viu um par de olhos grandes e bonitos, feições excepcionalmente estruturadas e uma cabeleira com ondinhas fofas.

Suas palavras foram ainda mais diretas.

— Mestiço?

Perplexo, Zhuang Fanxin respondeu:

— Uma mistura de sangue A e B…

Ele ergueu a mão para tocar o rosto, só então lembrou da dor na bochecha. Ao mesmo tempo, Gu Zhuoyan se aproximou. Ele era mesmo bastante alto, bloqueando o sol.

Xue Maochen ainda estava se banhando em alegria.

— Xiao Zhuang, ele é novo aqui e vocês são da mesma idade, mostre-o os arredores quando estiver livre.

Zhuang Fanxin olhou para Gu Zhuoyan e sorriu.

— Sem problema. Rongcheng te dá boas vindas.

Gu Zhuoyan sorriu em resposta, mas foi um sorriso pequeno e breve, como se ele não estivesse de bom humor; nem um resquício de interesse na cidade era aparente. 

Após o carro ter sido estacionado e a bagagem descarregada, Xue Maochen perguntou:

— Falando nisso, Zhuoyan, por que Baoyan também está aqui?

— Eu disse que estava indo para um acampamento de verão da Disney, então ela insistiu em vir.

Só nesse momento Gu Baoyan percebeu.

— Ge, você me enganou?

— Eu não faço isso sempre? — Gu Zhuoyan respondeu.

Gu Baoyan ficou destruída. Ela pulou e perseguiu o irmão, tentando bater nele, mas as pernas de Gu Zhuoyan eram longas e ele não deu à irmã nenhuma chance de tocá-lo.

Xue Maochen riu muito e por muito tempo, andando atrás deles com o cachorro enquanto aproveitava a felicidade de estar com a família.

Conforme a noite caiu, Zhuang Fanxin terminou sua pintura e se aprontou para ir até a casa de Xue Maochen para jantar. Sua mãe, Zhao Jianqiu, era uma design de interiores renomada nacionalmente, e na sua casa não faltavam plantas. Ele escolheu algumas como um presente de agradecimento pelo jantar.

Havia apenas algumas vilas na rua, cada uma separada por alguma distância. Zhuang Fanxin carregou a caixa com as plantas e flores e andou lentamente, ouvindo o pastor alemão antes de chegar ao portão.

O portão dos Xue estava aberto. Gu Zhuoyan estava no jardim, brincando com o cachorro. Vendo alguém pela visão periférica, ele ergueu a cabeça e viu Zhuang Fanxin em pé na entrada. Era um ângulo curioso, logo em cima da cabeça de Zhuang Fanxin estava o brilho do pôr-do-sol, vermelho profundo, e ele não conseguia dizer se a camisa dele era branca ou laranja. O rosto do garoto era definido, parecendo delicado como uma pintura à óleo sob a luz.

Zhuang Fanxin perguntou:

— Pode me dar uma mão?

Gu Zhuoyan se aproximou e pegou a caixa contra sua vontade. Era bastante pesada, cheia de vários vasos com flores desabrochando. Quando eles chegaram nas escadas, colocaram a caixa nos degraus, então ficaram parados, sem saberem o que fazer.

Zhuang Fanxin tinha acabado de tomar banho, seu cabelo não estava completamente seco e suas ondas estavam meio soltas. Gu Zhuoyan deu uma olhada e perguntou:

— Ondas naturais?

— Babyliss. Afinal, são as férias de verão. — Sentindo a atmosfera gradualmente esfriar depois de responder, Zhuang Fanxin complementou. — Também tenho uma tatuagem, quer ver?

Dada a atitude indiferente de Gu Zhuoyan, ele reconhecia que o outro não estaria interessado, mas já que perguntou, seria constrangedor voltar atrás. Sendo assim, Zhuang Fanxin não esperou por resposta e subiu um degrau, inclinando-se para perto, puxando o colarinho para o lado.

Em seu ombro esquerdo havia uma tatuagem de coração de traço fino como se estivesse pousada na clavícula. Baixando o olhar, não só Gu Zhuoyan viu claramente, ele conseguia até mesmo sentir o cheiro do sabonete líquido de Zhuang Fanxin.

Tendo forçado-lhe a olhar, Zhuang Fanxin se sentiu meio envergonhado. Ele rapidamente se curvou para brincar com o cachorro e mudou de assunto, perguntando qual era o nome dele.

— PC39747. — Gu Zhuoyan respondeu.

Zhuang Fanxin foi pego de surpresa. Não deve ser ilegal imitar um cão policial, não é? Mas então Xue Maochen os chamou para jantar e ele se virou para ordenar:

— PC39727, hora de comer!

Ele não conseguia lembrar nem de cinco dígitos. O rosto normalmente inexpressivo de Gu Zhuoyan franziu. Ele mal terminou esse pensamento quando Zhuang Fanxin se virou e chamou:

— Xue Baoyan? Vamos comer.

Ele errou dois dos três caracteres e o deu o sobrenome da mãe. Friamente, ele retrucou:

— Meu nome é Xue Baochai¹.

Por todo o caminho até a sala de jantar, a cara emburrada de Gu Zhuoyan não mudou. Mas novamente, ele nunca esteve feliz desde que chegou em Rongcheng.

Por outro lado, os lábios de Zhuang Fanxin curvaram, e ele fez um brinde com o copo quando Xue Maochen abriu o champanhe. A mesa de jantar estava altamente carregada. Além do que a empregada doméstica, Dona Hu, fez, havia também uma pizza que o próprio Xue Maochen assou.

Sentindo o mau humor de Gu Zhuoyan, Zhuang Fanxin não o incomodou, mastigando silenciosamente a pizza. Após o jantar, ele levou Gu Baoyan para o jardim para plantar as flores, encantando tanto a menina que ela quase o adotou como o próprio irmão. 

Estava ficando tarde. Zhuang Fanxin lavou as mãos e se levantou para ir embora. No portão, ele deu tchau para Gu Baoyan e para o cachorro, se curvando para dizer:

— Voos são cansativos, você deveria dormir cedo, xiao mei.

É uma verdade universal que meninas gostam de geges mais velhos. Gu Baoyan respondeu obedientemente.

— Xiao Zhuang gege, vou regar as plantas assim que eu acordar amanhã.

Zhuang Fanxin sorriu. Ele se virou para o pastor alemão e disse:

— PC39787, venha até mim amanhã, vou te dar biscoitos.

Logo nessa hora, Gu Zhuoyan se aproximou para buscar a irmã e o cachorro. Ouvindo Zhuang Fanxin falar, ele não se deu ao trabalho de corrigi-lo, simplesmente ficando de pé ao lado com as mãos nos bolsos.

Zhuang Fanxin acenou para ele com um sorriso.

— Tchau, Baochai.

— Como é seu nome? — Gu Zhuoyan perguntou.

— Zhuang Fanxin. Você consegue lembrar?

— Fan como o caractere em ordinário e Xin como em triste?

— Fan como extraordinário e Xin como em feliz. — Foi uma resposta afiada e Zhuang Fanxin cerrou os lábios. Seria mais amigável atirar nele quando estivesse imóvel.

A luminária no portão não era muito brilhante, iluminando apenas um raio de dois metros. Ele se afastou, mas assim que chegou no limite de dois metros, parou de repente.

— Você realmente não se lembra de mim? — Zhuang Fanxin perguntou.

Gu Zhuoyan congelou no mesmo momento. Sob a luz fraca da luminária, o garoto parecia vagamente familiar. Gradualmente, a cena de três anos atrás apareceu diante dos seus olhos, assim como a imagem do garoto com quem ele trombou fora da casa de Zhuang Fanxin.

Era o Festival de Primavera e Zhuang Fanxin estava indo para o interior para desenhar, mas pegou um resfriado na noite anterior que deveria partir. Num transe, na manhã seguinte, ele correu pelo portão direto para os braços de Gu Zhuoyan, que estava passando.

Com sua mochila cheia, ele perdeu o equilíbrio e caiu no chão. Confuso, ele resmungou:

— Você me fez sair voando.

Gu Zhuoyan estendeu a mão para o outro e o puxou, pedindo desculpas. Ele complementou:

— É sua culpa por ser tão magro.

Zhuang Fanxin adivinhou que ele fosse alguém que morasse numa rua próxima. Era o Ano Novo Chinês, ele provavelmente não tinha intenção de acertá-lo. Apressando-se, ele colocou a mão no bolso e tirou de lá um pacote de doces, colocou-o na mão de Gu Zhuoyan e o desejou um feliz ano novo.

Ele ficou no interior por uma semana. Quando voltou, Gu Zhuoyan já tinha ido embora. Ele não tinha ideia que aquele era o neto de Xue Maochen e não o viu novamente. Mas três anos depois, eles se encontraram mais uma vez.

Terminando de contar a história, Zhuang Fanxin perguntou:

— Lembra agora?

Gu Zhuoyan não conseguiu evitar rir.

— Lembro.

Essa foi a primeira vez que ele realmente riu hoje. Zhuang Fanxin acenou.

— Estou indo para casa.

Ele se virou para ir, suas ondinhas balançando na brisa da noite como a ponta de um rabo de gato enquanto corria.

Gu Zhuoyan fechou o portão e voltou para a casa. Após alguns passos, uma clara memória subitamente passou pela cabeça. O garoto com quem ele trombou, o “feliz ano novo” anasalado, e a coisa que o garoto tinha lhe dado…

Que doces? A coisa que Zhuang Fanxin tinha lhe dado foi um pacote de remédio para gripe.



¹Xue Baochai: personagem importante do clássico literário chinês “O Sonho da Câmara Vermelha”.