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Reddie: Eddie ama Richie

Summary:

Nossa, sinto saudades de Reddie! Eu amo eles e sinceramente são os melhores personagens dos filmes e do livro!

Notes:

Escrevi essa hoje e postei

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

​O ar no esgoto estava frio e pesado, mas o suor na testa de Richie Tozier era quente e pegajoso. Não importava que o palhaço tivesse recuado, que a coisa tivesse ido embora; o horror ainda vibrava nas paredes úmidas.

 

​Ele olhou para Eddie Kaspbrak, sentado contra a borda de um cano enferrujado. A camisa de Eddie estava rasgada, revelando uma ferida feia e irregular no flanco. O sangue tinha secado, formando uma crosta escura misturada com sujeira do esgoto. Ele estava pálido, com o cabelo molhado grudado na testa, mas seus olhos – aqueles olhos castanhos expressivos – estavam abertos e fixos em Richie.

 

​Bill e Beverly estavam mais adiante, confortando Mike. Stan e Ben examinavam os arranhões. Mas, para Richie, o mundo havia se reduzido a Eddie e àquela ferida.

 

​“Caramba, Eds,” Richie sussurrou, a voz surpreendentemente embargada, desmentindo a máscara de palhaço que ele costumava usar. Ele se ajoelhou na água suja, sem se importar com o cheiro ou com o que poderia haver ali. “Você está bem, idiota?”

 

​Eddie tossiu fracamente e tentou sorrir, mas a dor fez seus lábios tremerem. “É só… um corte. Mas aposto que é uma facada da vida real, Richie. Tenho que pegar meu inalador.”

 

​Richie revirou os olhos, mas a ação não tinha sarcasmo, apenas um carinho quase desesperado. “Deixe o inalador quieto por um segundo, Eds. Sua mãe vai ter um ataque cardíaco se te vir assim. E você nem sequer está tossindo.” Ele gentilmente, lentamente, tirou o boné e jogou-o no chão. Suas mãos tremiam quando ele estendeu a mão. “Posso… posso dar uma olhada?”

 

​Eddie apenas assentiu, exausto, e fez uma careta quando Richie levantou a borda rasgada do tecido. Richie engoliu em seco. A ferida não parecia tão ruim quanto ele temia, mas era profunda o suficiente para assustá-lo.

 

​“Vamos sair daqui primeiro,” Richie disse, sua voz de repente firme. Ele olhou para Bill. “Ei, Bill! Vamos levar o Eddie para um médico. Agora.”

 

​Eles ajudaram Eddie a se levantar. O caminho de volta foi uma névoa de dor para Eddie e de ansiedade sufocante para Richie. Richie manteve um braço firme em volta da cintura de Eddie, oferecendo-lhe todo o seu apoio. Ele podia sentir a respiração de Eddie na sua nuca, cada expiração rasa e rápida.

 

​“Você me assustou pra caralho, Eds,” Richie murmurou, a voz baixa o suficiente para que apenas Eddie ouvisse.

 

​Eddie se inclinou em Richie. “Desculpe. Eu não queria.”

 

​“É, eu sei,” Richie respondeu, mais gentilmente do que nunca.

 

​A semana seguinte foi um borrão de bandagens, antissépticos e vários sermões que a Sra. Kaspbrak dava para o garoto. Ela quase teve um colapso quando viu o corte de Eddie e o levou às pressas para o pronto-socorro. Os médicos costuraram e fizeram perguntas sobre ‘cães grandes’ e ‘cercas velhas’. Eddie e Richie se entreolharam, mantendo o segredo do Clube dos Perdedores com um pacto silencioso de olhos.

 

​Uma vez em casa, Eddie foi confinado à sua cama. E foi aí que Richie Tozier decidiu que iria ajudar seu amigo.

 

​Na manhã seguinte, Richie apareceu na janela de Eddie antes do sol nascer, com uma sacola amassada.

 

​“Abra a porta, Querido,” ele sibilou, batendo de leve no vidro.

 

​Eddie, sonolento e dolorido, o deixou entrar.

 

​“O que é isso?” Eddie perguntou, observando Richie vasculhar a sacola.

 

​“Café da manhã dos campeões e um curativo. Roubei um dos seus ‘Super Kits de Primeiros Socorros’ do banheiro,” disse Richie, exibindo um tubo de pomada e um rolo de gaze. “E eu trouxe seu cereal favorito. Açúcar e mais açúcar. O médico recomendou.”

 

​“O médico não recomendou essa quantidade de açúcar, Richie,” Eddie disse, mas já estava sorrindo.

 

​Richie sentou-se na beira da cama e começou a desfazer o curativo de Eddie com uma delicadeza que ninguém jamais pensaria que ele possuía. Seus longos dedos eram estranhamente hábeis.

 

​“Parece melhor,” Richie observou, com a testa franzida em concentração. “Vou limpar com esse negócio fedorento, ok? Avise se doer.”

 

​“Desde quando você é um médico, Tozier?”

 

​“Eu sou o Tozier, O Tocador de Feridas,” ele respondeu, com um pequeno sorriso presunçoso, mas seus olhos estavam fixos na tarefa. Quando o limpador de feridas atingiu a pele, Eddie soltou um pequeno gemido. Richie parou imediatamente.

 

​“Estou sendo muito duro?”

 

​“Não. Está tudo bem. Apenas… um arrepio.”

 

​Richie soprou gentilmente a ferida, o hálito quente em sua pele. Eddie sentiu um rubor subir pelo seu pescoço.

 

​“Pronto,” Richie disse, aplicando a pomada e cobrindo a área com gaze nova e fita adesiva. Ele deu um tapinha leve na lateral de Eddie. “Viu? Sem doenças, sem parasitas. Você vai viver para ser um hipocondríaco velho e ranzinza.”

 

​Eles passaram a manhã jogando Super Mario Bros no NES de Eddie. Richie o deixava ganhar, algo que ele nunca faria normalmente. 

 

​“Você é um jogador terrível quando não pode se mover,” Richie provocou, enquanto Eddie ria com a dor.

 

​“Você só está sendo legal porque eu salvei a sua vida,” Eddie respondeu, cutucando Richie de leve com o cotovelo.

 

​Richie parou de repente, e seus óculos deslizaram ligeiramente pelo nariz. Ele não estava sorrindo. “Você fez,” ele disse, sem rodeios. “Você me salvou. De verdade.”

 

​O silêncio na sala era pesado e cheio de coisas não ditas.

 

​Os dias se transformaram em noites e Richie nunca estava longe. Ele lia para Eddie, fazia quizes falsos de geografia, e até mesmo ligava a televisão em programas que sabia que Eddie odiava, só para fazê-lo rir de sua narração sarcástica.

 

​Uma tarde, estava chovendo forte. Eddie estava deitado na cama, cochilando, com Richie sentado na poltrona ao lado, lendo uma história em quadrinhos. A mãe de Eddie estava fora, fazendo compras.

 

​Eddie se mexeu e abriu os olhos, piscando contra a luz suave. Ele viu Richie, os óculos tortos, o cabelo caindo sobre a testa, absorvido pela leitura. Richie parecia… bonito. Relaxado.

 

​“Richie,” Eddie chamou baixinho.

 

​Richie largou o quadrinho imediatamente. “Sim, Eds? Você precisa de mais analgésicos? Água?”

 

​“Não. Apenas… venha aqui.”

 

​Richie se levantou e sentou-se na beirada da cama novamente. Eddie estendeu a mão e gentilmente tirou os óculos de Richie, colocando-os na mesinha de cabeceira.

 

​Com os óculos fora, os olhos de Richie pareciam maiores, mais vulneráveis.

 

​“Eu estava pensando,” Eddie começou, seus dedos traçando a linha forte do maxilar de Richie. “Você está sendo… o melhor amigo do mundo.”

 

​Richie suspirou, um som profundo. Ele levou a mão para cobrir a mão de Eddie que estava em seu rosto.

 

​“Eu te amo, Eddie,” ele disse, de repente, sem a menor piada ou hesitação. Era a coisa mais séria, mais real que Richie já havia dito. O silêncio na sala era tão completo que eles podiam ouvir a chuva batendo nas telhas.

 

​Os olhos de Eddie se arregalaram. Seus batimentos cardíacos aumentaram, não de pânico, mas de algo novo, quente e aterrorizante. Ele reconheceu o sentimento. Era a mesma coisa que ele sentia quando via Richie desarmado, ou quando ria tanto que quase perdia o fôlego.

 

​“Richie…” A voz de Eddie era um sussurro.

 

​“Não diga nada,” Richie o interrompeu, sua outra mão gentilmente acariciando o cabelo úmido de Eddie. “Eu sei. Eu sei que é estranho. É muita coisa. É uma grande besteira... Mas eu só… senti que precisava dizer. Depois de tudo o que aconteceu, e depois de você ter quase morrido. Eu não quero nunca mais ter que imaginar um mundo sem você, Eds. E isso é, tipo, amor. Eu acho.”

 

​Eddie sentiu lágrimas quentes se acumulando. Não lágrimas de tristeza, mas de sobrecarga. Ele estava apavorado. Sua mãe, o mundo, e agora isso. Mas era Richie. Seu Richie.

 

​“Eu te amo também, Richie,” Eddie confessou, a voz trêmula. “Mas… eu não sei como é isso. Eu não sei o que fazer com isso.”

 

​Richie sorriu, um sorriso macio e triste. “Eu também não sei. Mas não precisamos saber. Não precisa ser uma grande coisa ou um relacionamento agora, Eds. Não se você não quiser. Eu só queria ter certeza de que você sabia. E que, não importa o que aconteça, eu vou ficar. Você é meu garoto. Meu melhor amigo."

 

​Ele se inclinou, e Eddie pensou que ele iria beijá-lo, mas Richie apenas encostou sua testa na de Eddie, respirando fundo o cheiro fraco de remédio e colônia de Eddie.

 

​“Podemos ser o que somos agora,” Eddie sussurrou, sentindo a textura do cabelo de Richie. “Podemos ser… melhores amigos que se amam. E então… quando formos mais velhos. Quando pudermos nos afastar de tudo isso. Podemos tentar ser reais?”

 

​Richie levantou a cabeça. Seu rosto estava próximo o suficiente para que Eddie pudesse ver os pequenos traços de sardas no nariz. Ele assentiu com entusiasmo.

 

​“Um acordo,” Richie disse, estendendo o dedo mínimo. “Nós mantemos isso em segredo. E quando formos adultos, faremos disso uma coisa real. Uma grande coisa Tozier-Kaspbrak.”

 

​Eddie enrolou seu dedo mínimo em torno do de Richie. O juramento era solene, um pacto mais importante do que qualquer voto contra um palhaço.

 

​“Combinado,” Eddie disse, sorrindo de verdade desta vez.

 

​Naquela noite, Richie não quis ir embora. A Sra. Kaspbrak ainda não tinha voltado.

 

​“Apenas mais um pouco,” Richie implorou, sentado na cadeira ao lado da cama, os pés apoiados no colchão.

 

​Eddie estava quase dormindo.

 

​“Canta pra mim,” Eddie murmurou, mais como um desafio do que um pedido.

 

​Richie engasgou. “Cantar? Eu não canto! Eu não sou como Mariah Carey!”

 

​“Você não tem que cantar uma música. Apenas… fale comigo,” Eddie disse, esticando a mão para encontrar a de Richie.

 

​Richie suspirou e apertou a mão de Eddie. Ele olhou para o teto escuro e começou a falar baixinho, uma voz profunda e calma que Eddie nunca tinha ouvido antes. Ele começou a descrever as estrelas que via do seu observatório de mentira, as constelações que ele havia lido em um livro.

 

​“Tem o Cão Maior,” Richie murmurou, desenhando formas na palma da mão de Eddie. “E o Cão Menor. E o Urso. Tudo isso está lá em cima, Eds, esperando por nós. É muito maior do que Derry. E nós vamos lá, quando formos adultos. Vamos olhar para isso juntos, eu e você, sem malditos palhaços, sem mães, só… o silêncio.”

 

​O som da voz de Richie era o curativo mais doce que Eddie poderia receber. Era segurança, era promessa e era amor.

 

​Eddie apertou a mão de Richie uma última vez.

 

​“Eu mal posso esperar, Richie,” ele sussurrou, e então, pela primeira vez desde que a batalha havia terminado, ele dormiu profundamente, sabendo que seu protetor de óculos tortos estava ao seu lado, guardando um amor que esperaria pacientemente, como uma constelação, até que eles estivessem prontos para alcançá-la.

 

​Richie apenas observou Eddie dormir, sorrindo e apertando sua mão. Era um longo caminho até a idade adulta, mas ele estaria lá. Ele estaria ao lado de Eddie a cada passo do caminho.

Notes:

Só quero dizer que... a mãe do Eddie trabalha fora de casa e na maior parte do tempo, ela fica no trabalho, por isso Richie fica esse tempo todo com Eddie sem que a mãe dele perceba kkkkkkk (eu faço as regras!)