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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-12-18
Words:
1,050
Chapters:
1/1
Comments:
4
Kudos:
165
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3
Hits:
1,951

O Peso da Descoberta

Summary:

Alguém no xwitter lançou essa ideia da Juquinha ser baleada e muita que me interessa o drama. Absolute Novelão.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

“Eduarda Fragoso é uma policial.”

 

O empresário passa a mão pela testa e encara o capanga.

 

— Você sabe o que fazer.

 

— Sim, chefe.

 

*-*

 

— Eu demorei menos tempo que você pra namorar.

 

— É óbvio que não.

 

Juquinha discute com Paulinho enquanto saem de um restaurante depois do almoço.

 

— É óbvio que sim.

 

O investigador gargalha e finalmente se rende.

 

— É que vocês mulheres são mais diretas. Eu tive que preparar o terreno.

 

— Preparar o terreno?!

 

Juquinha abre a porta da viatura quando ouvem um estampido. Paulinho olha na direção do barulho e repara em um homem mascarado fugindo da cena. Ele volta a olhar Juquinha quando vê ela apertar o ferimento no estômago com a mão ensanguentada.

 

— JUQUINHA!

 

Ele corre a tempo de ampará-la e a última imagem que a jovem policial tem é do homem chorando.

 

*-*

 

Lorena não sabe por quantas vidas passou antes dessa, mas tem certeza que não está preparada para perder o amor de sua vida justo agora que a encontrou. Ela chega no hospital, quase que no mesmo instante que recebe a ligação de Paulinho. Seu irmão a acompanha mais para evitar que ela invada a sala de cirurgia do que como apoio emocional.

 

— Como ela está?

 

Paulinho leva as mãos para esfregar os olhos e percebe que ainda tem vestígios do sangue de Juquinha entre os dedos. Lorena olha na mesma direção e seu semblante se desespera.

 

— I-isso é dela?

 

— Lorena… — Leonardo tenta segurá-la, mas ela é mais rápida em sair andando pelo corredor.

 

— Eu preciso falar com um médico. Cadê o médico?!

 

— O médico está lá dentro operando ela, Lorena.

 

Leonardo segura seus braços e ela se debate.

 

— Um médico, Léo. Eu preciso que alguém fale que ela vai ficar bem.

 

— Ela vai, ela vai ficar bem.

 

Leonardo abraça Lorena que finalmente desaba em seus braços.

 

*-*

 

Juquinha nunca tinha pensado nas questões da vida depois da morte. Para onde iria? Céu? Inferno?

 

Esses lugares realmente existiam?!

 

O clarão que a impede de enxergar a frente não responde essas questões e quando ela tenta dar um passo, é sugada e tudo fica escuro.

 

A próxima vez que abre os olhos, o clarão é um pouco diferente e depois de piscar algumas vezes, a policial percebe que está deitada com alguns fios grudados em si e conectados em aparelhos que fazem bip-bip. Ela vira a cabeça e vê sua namorada dormindo de boca aberta em uma poltrona.

 

Juquinha tenta se sentar e a máquina apita acordando Lorena que pula de susto.

 

— Eduarda!

 

O abraço de urso sufoca a policial que grunhe e faz a jovem se afastar de olhos arregalados.

 

— Desculpa, machucou?! Eu vou chamar uma enfermeira.

 

Lorena se levanta, mas Juquinha a puxa de volta para sentar à sua frente.

 

— Eduarda!

 

— Fica aqui comigo, por favor.

 

Elas se olham até a herdeira Ferette envolvê-la em um abraço.

 

— Tive tanto medo de te perder, não sei o que faria se algo pior tivesse acontecido.

 

— Mas não aconteceu. Eu tô aqui. Não fica pensando nisso.

 

Lorena concorda e a aperta ainda mais contra si fazendo a policial grunhir mais uma vez.

 

Ops, esqueci. Vou parar de te abraçar.

 

— Tudo bem.

 

As duas se afastam minimamente e Juquinha leva a mão até o curativo por baixo da camisola do hospital. Devagar, ela afasta o tecido e Lorena arfa ao ver o estrago.

 

— Gastei uma vida aqui.

 

Juquinha ri do próprio comentário e para ao ver a expressão séria de Lorena.

 

— Quem fez isso? Foi alguma coisa na delegacia? Algum bandido?

 

Uma, duas, três, Juquinha pisca sem saber como chegou naquela situação. Ela só se lembra de sentir uma queimação e Paulinho gritar seu nome.

 

— Não sei… Paulinho deve ter visto alguma coisa.  

 

— Alguma investigação de risco?

 

— Não. Se fosse por causa disso, faria mais sentido atirar no Paulinho.

 

As duas ficam em silêncio e nesse momento, Paulinho entra no quarto.

 

— Graças a Deus, você tá acordada.

 

Ele olha de uma para a outra e levanta as mãos de forma defensiva.

 

— Interrompi alguma coisa?!

 

Lorena fica de pé.

 

— Não. Vou aproveitar que tem companhia pra dar uma passadinha rapidinha lá em casa só pra trocar de roupa e volto pra passar a noite com você.

 

— Não precis…

 

Lorena a interrompe com um selinho.

 

— Precisa sim. Já volto.

 

Ela vai embora e Juquinha revira os olhos pro sorriso idiota que Paulinho exibe.

 

— Pelo visto, nem preciso perguntar como está passando.

 

A policial ignora o comentário e recosta nos travesseiros.

 

— Já sabe quem foi?

 

— Não. O sujeito fugiu, mas já estão analisando todas as câmeras de segurança da rua porque ele teve a audácia de atacar em plena luz do dia e numa rua de comércio. Vamos descobrir quem foi e fazer esse sujeito pagar com juros e correção monetária.

 

Juquinha faz que sim e um cansaço toma conta de seu corpo. Sem perceber quando, ela fecha os olhos e dorme.

 

*-*

 

Lorena entra em sua casa e sobe as escadas até seu quarto. Antes de chegar no destino ela ouve a voz de seu pai bem baixinha. Devagar, ela se aproxima da porta do quarto de seus pais até conseguir entreouvir o que ele diz.

 

— Você é um irresponsável e um incompetente é isso que você é.

 

Confusa, Lorena pressiona ainda mais a orelha contra a porta.

 

— Se eles descobrirem que foi você, eu não vou pagar advogado, não vou fazer nada.

 

Só pode ser uma coincidência.

 

— Era pra você acabar com ela e o que aconteceu?! Minha filha está em um hospital com ela viva.

 

O som de algo sendo arremessado não é o que a assusta. Sem fazer barulho, ela se afasta, se vira e sai correndo.

 

*-*

 

Lorena abre a porta do quarto e se detém quando Paulinho e sua namorada olham pra ela.

 

— Aconteceu alguma coisa? — Juquinha pergunta ao ver a expressão de pavor dela.

 

— Nada. Só fiquei preocupada.

 

A policial olha as roupas de Lorena e fica confusa.

 

— Não foi na sua casa?

 

Lorena se mede de cima a baixo e força um sorriso ao mesmo tempo que as palavras de seu pai ecoam por sua cabeça.

 

[...] acabar com ela [...]

 

— Eu não cheguei a ir, só quero ficar com você.

 

Ela caminha até se jogar nos braços de sua Eduarda que a segura. Com uma sequência de gestos, Paulinho sinaliza que vai embora e deixa elas sozinhas.

Notes:

Vamos povoar o AO3 com mais trabalhos brasileiros.