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A noite era fria para Kevin, que se encolhia no próprio sobretudo. A noite parecia tão intensamente escura quanto seus cabelos, ou pelo menos como seus 𝙘𝙖𝙗𝙚𝙡𝙤𝙨 𝙚𝙧𝙖𝙢 já que agora grande parte haviam se tornado esbranquiçados ou acinzentados pela velhice, como os de seu pai quando ainda estava vivo. Em seu corpo carregava mais do que as marcas da idade. Carregava as marcas da sua profissão. Cheio de cicatrizes de cortes, pontos e pancadas que havia levado nos jogos de exy.
𝙀𝙭𝙮. Um dia Kevin jurou que o esporte era sua vida. Fazia muito tempo que ele 𝙨𝙚𝙦𝙪𝙚𝙧 𝙩𝙤𝙘𝙖𝙫𝙖 numa raquete de exy. Havia apenas pego uma ou duas vezes a muitos meses quando ia jogar com seus netos e os netos de seus antigos amigos.
Kevin estava cansado. Cansado de 𝙨𝙚𝙧 𝙫𝙚𝙡𝙝𝙤. Odiava os cabelos brancos e que ficavam cada vez mais ralos, apesar de agradecer por não ter se tornado calvo. Odiava sentir dores no corpo o tempo todo ao andar por pequenas distâncias, já que quando era jovem ele costumava correr quilômetros diariamente. Odiava ter que todo dia ajustar o aparelho auditivo e não poder sobreviver sem óculos. E principalmente, 𝙤𝙙𝙞𝙖𝙫𝙖 estar no hospital o tempo todo agora.
Kevin era como qualquer outro idoso ranzinza e rabugento. Odiava ver seus filhos, genros e netos tentando cuidar dele, quando era para 𝙚𝙡𝙚 estar cuidando de todo mundo. Odiava se sentir impotente. Odiava se sentir 𝙙𝙤𝙚𝙣𝙩𝙚. Não queria ter novos amigos porque dizia que gente velha era gente chata, mas gente nova era ainda mais chata. Não gostava de sentir que sua vida estava quase no fim e ele não tinha feito quase nada do que queria.
Casamento? Frustrado. Ele e Thea haviam se divorciado há quase 40 anos atrás, quando seus dois filhos já eram adolescentes. Exy? Se aposentou com honra, tem uma sala enorme coberta de troféus e medalhas de competições passadas do teto até o chão, mas sentia que agora, quase 30 anos desde sua aposentadoria, ninguém mais sabia quem ele era. Claro, ele ainda continuava com dinheiro aos montes pra gastar com o que quiser e todo mundo que começava a acompanhar Exy 𝙩𝙞𝙣𝙝𝙖 que saber 𝙦𝙪𝙚𝙢 foi Kevin Day, Andrew Minyard, Neil Josten e até o há muito tempo falecido Riko Moriyama, independente se fosse os conhecer para os apreciar por ter moldado o esporte até os dias de hoje ou só para xingar o Riko de todos os nomes possíveis desde que um livro “𝙖𝙣ô𝙣𝙞𝙢𝙤” sobre os abusos do Ninho foi publicado e Kevin finalmente tinha parado de ser considerado “o grande número dois” para se tornar o rei, ou melhor, 𝙖 𝙧𝙖𝙞𝙣𝙝𝙖 do exy.
Agora sua saúde estava completamente comprometida e surrada. Não era dramático ele dizer que sua vida estava no fim. Insuficiência cardíaca, artrose e cirrose combinadas em um idoso de 73 anos? Não ia durar muito tempo. Fazia cirurgias demais, às vezes tinha que andar por todo lugar com um inalador, sentia dores abdominais, suas mãos tremiam e às vezes seu corpo doía tanto que ele tinha que andar de cadeiras de rodas, coisa que ele sempre se recusava a fazer por que odiava se sentir frágil.
Dos problemas que tinha, ele sentia mais dor do arrependimento de ter bebido 𝙩𝙖𝙣𝙩𝙤 quando era mais jovem e não ter procurado outro tipo de ajuda e consolo. O alcoolismo na faculdade ele tentou superar quando se casou e teve seus filhos. Mas quando ele se viu com quase 50 anos, aposentado do exy, divorciado, com filhos adultos e longe dele, sem sua mãe já há muitos anos e agora também sem seu pai, teve recaída. Não conseguiu se controlar. Só parou de beber quando seus filhos o 𝙤𝙗𝙧𝙞𝙜𝙖𝙧𝙖𝙢 a ser internado numa reabilitação. O resultado eram dores no abdômen e na consciência por causa da cirrose.
Fechou os olhos um pouco, sentindo o vento gelado contra o rosto. Estava no terraço do hospital. Faltavam poucos minutos para o ano novo. Gostava de festas assim quando era jovem. Era uma boa desculpa para festejar sem pensar no amanhã. Mas agora ele estava com medo de nem sequer existir um 𝙖𝙢𝙖𝙣𝙝ã pra ele. Todos tentavam o tranquilizar, mas ele sabia. O tratamento dava alívio, mas não 𝙘𝙪𝙧𝙖. Ele teria as doenças até o dia de sua morte, o que não parece ser muito distante. Não importava o que seus filhos tentassem dizer ou como os médicos tentassem aliviar a situação, sua morte em breve era certeza.
— Aproveitando a vista, majestade? — a voz disse atrás de si. Kevin se assustou levemente. Achou que estivesse sozinho. Mais do que isso, a voz lhe parecia familiar. E quando olhou para trás, sentiu seu coração bater forte de um jeito que já não batia a anos. Era como se sentir jovem de novo.
O sorriso dele era doce. Seu rosto era como Kevin se lembrava, apesar das novas rugas e marcas de expressão. 𝙅𝙚𝙖𝙣. Seu 𝙙𝙤𝙘𝙚 e 𝙖𝙢𝙖𝙙𝙤 Jean.
— Jean… oi. Que bom te ver! — Kevin disse surpreso. Não sabia nem como reagir. — Bom… não tão bom. Isso é um hospital, afinal. O que faz aqui?
— O mesmo que você. Insuficiência cardíaca. Parece que é o mal dos jogadores de Exy. — riu baixinho. — Quando eu soube que você estava por aqui, eu te procurei. Mas não te achei no seu quarto. Eu segui minha intuição. Achei que você pudesse estar aqui. — explicou. Kevin deu um suspiro trêmulo e tentou não chorar. Sabia que a insuficiência cardíaca não era o único problema de Jean. Fazia pouco tempo que haviam descoberto o Alzheimer dele, e sua filha não havia lhe contado isso. Porém, Kevin ficou sabendo, e sentiu o aperto no coração do medo de ser esquecido por alguém que ele tanto amou por tanto tempo.
— Faz tempo, né? A gente não se vê há… bastante tempo. — ele disse, disfarçando a dor em seu peito. Ele nem se lembrava da última vez que tinha visto Jean frente a frente.
— Você sabe como é. Depois da faculdade cada um foi seguir sua vida. Você casou, teve a Amália e o David…
— Você também casou. E teve uma filha linda com o Jeremy. Não foi?
— A Elodie. Bom, Elodie 𝙎𝙪𝙣𝙨𝙝𝙞𝙣𝙚, como Jeremy queria. — riu baixinho de novo. Amava a época de final de ano, pois se lembrava como Elodie amava o natal e o ano novo com seus pais. Se lembrava de Jeremy e Elodie decorando a árvore de natal. Ele encarava a árvore de natal na sua casa, sempre sentindo seu coração aquecido. Sempre sentia que era como se fosse a primeira vez que alguém pendurava uma estrela só para ele.
— Ela deve estar tão crescida. A última vez que a vi, ela ainda era uma adolescente. Estava se formando na escola.
— É, acho que sim… não me lembro direito. Cada dia que passa é mais difícil lembrar as coisas. — disse, e Kevin sentiu um aperto no peito. Odiava ver Jean sofrer. — Mas sim, ela está bem crescida. Eu já sou até avô! Marshall é um doce de garoto.
— Também sou vovô. Cinco crianças maravilhosas. — sorriu orgulhoso. Amava seus filhos e netos mais que tudo em sua vida.
— Ah sim… netos da Thea também, não é? Me lembro do casamento lindo de vocês. — disse, e Kevin sentiu um arrepio na espinha. Não era muito fã de lembrar dos tempos onde era casado com Thea.
— O seu e do Jeremy foi muito mais bonito, Jean. E eu e a Thea nos divorciamos há muito tempo. — explicou. Lembrava de como foi lindo e mágico ver aqueles dois se casando. Era como ver dois grandes amores de sua vida juntos, e ele ficou eufórico ao perceber o quanto eles seriam felizes juntos e fariam muito bem um para o outro.
— Acha que seu casamento foi muito conturbado, Kevin? — perguntou. Kevin suspirou.
— Brigas demais. Ciúmes demais. Éramos distantes e diferentes demais. Ela era curta e grossa, às vezes agressiva e nem um pouco carinhosa. Até nossos filhos tinham e ainda têm problema com ela. Ela não era o tipo de mãe que dá abraço e consola. É o tipo de mãe que manda você engolir o choro e lidar com isso sozinho porque não é mais um bebê. Toda vez que acontecia algo, eles corriam para mim. E ela ainda tem coragem de me perguntar o porquê deles sempre virem para mim, e não para ela. — explicou. — Bom, por outro lado, seu casamento com o Jeremy foi perfeito.
— Não foi perfeito. — ele riu. — Brigávamos também. Éramos diferentes. Mas… acho que um diferente que funcionava junto. Nós criamos a Elodie, viajamos para vários lugares juntos, conquistamos muitas coisas juntos. Jeremy me ensinou o lado bom da vida. E foi carinhoso e doce o tempo todo. — ele suspirou. — Sinto saudades dele.
— Eu também sinto, Jean. — Kevin disse, com a voz quase embargada. Fazia pouco mais de 10 anos que Jeremy havia falecido devido a um tumor agressivo no cérebro que foi descoberto tarde demais. Aquilo havia sido um choque para Kevin na época. Sabia que estava velho mas só se deu conta disso quando Jeremy e outros amigos começaram a falecer por causa desse tipo de doenças. — Mas não pense na parte ruim de suas saudades, meu bem. Pense em como você foi feliz com ele.
— Eu tento. Mas às vezes é difícil lembrar os detalhes. Elodie está me ajudando a escrever um livro de memórias. Para eu ler quando me esquecer de algum detalhe, sabe? Mas às vezes é difícil lembrar tudo. São muitos anos de vida. — ele disse. Kevin sentiu o aperto no peito de novo. O Alzheimer ainda estava no começo mas ele sabia que estava se aumentando aos poucos. E Jean nem fazia ideia.
— É uma coisa boa. Eu fiz isso quando escrevi meu livro biográfico. Escrever sobre a época das raposas foi divertido para relembrar os bons momentos. Agora o Andrew é um chato e surdo que se recusa a usar aparelho auditivo e vive gritando. Não sei como o Neil aguenta. — comentou, e sorriu ao ver o Jean rir.
— Bom, pelo menos eles têm um ao outro. Andrew estava sofrendo muito com a morte da Renée. Fico feliz de ele ter o Neil para estar ao lado dele. — sorriu. Renée havia falecido há 7 anos de um ataque cardíaco. Andrew havia feito um belo discurso no seu funeral. Havia sido quase uma pequena reunião das raposas, se a ocasião do momento não fosse tão ruim. — Acho que… não sei se algum dia te contei. Mas eu estava escrevendo meu livro e me lembrei disso. Eu era apaixonado por você logo que te conheci no Ninho. — ele disse, e encarou os belos olhos esverdeados de Kevin.
— Eu suspeitei. — sorriu. — Eu também era apaixonado por você. Você era tão… 𝙫𝙤𝙘ê. Mas 𝙚𝙡𝙚 nunca deixaria um “𝙣ó𝙨” acontecer. — disse. Não se atrevia a dizer o nome de Riko há quase 30 anos. Era como se o nome invocasse o mal. Eles dois se encararam. As mãos de Kevin tremeram dentro do bolso de seu sobretudo e ele não sabia se era frio, dor ou nervosismo.
— 𝙋𝙤𝙧 𝙦𝙪𝙚 𝙣ã𝙤 𝙥𝙤𝙙𝙚𝙢𝙤𝙨 𝙛𝙞𝙘𝙖𝙧 𝙟𝙪𝙣𝙩𝙤𝙨? — Jean perguntou. Kevin quase caiu com o baque daquela pergunta.
— Não acha que a gente está 𝙫𝙚𝙡𝙝𝙤 𝙙𝙚𝙢𝙖𝙞𝙨 para 𝙣𝙖𝙢𝙤𝙧𝙖𝙙𝙤𝙨? — perguntou, se negando a acreditar nos próprios sentimentos. Mesmo tendo ciência de sua paixão por Jean, Kevin ainda se via constantemente negando a própria bissexualidade.
— Ninguém é velho demais para amar, Kevin. — disse. Ele estava certo, Kevin sabia disso. Mas se negava a aceitar.
— Estamos velhos. Estamos cansados. A gente nem tem tanto mais para viver. — ele disse.
— 𝙀𝙪 𝙨𝙚𝙞. — Jean abaixou a cabeça e disse baixo e trêmulo. Kevin se sentiu péssimo por ter dito aquilo. — Oh, Kevin… eu te amei por tantos anos. Às vezes pensar em você é como ter 15 anos de novo, soluçando baixinho e me aconchegando em você em madrugadas escuras onde ninguém podia nos ver. Eu te amo, Kevin. 𝙍𝙚𝙖𝙡𝙢𝙚𝙣𝙩𝙚 te amo. — ele disse. Kevin sentiu seu peito palpitar.
— …𝙚𝙪 𝙩𝙖𝙢𝙗é𝙢 𝙩𝙚 𝙖𝙢𝙤 𝙅𝙚𝙖𝙣. — disse quase num sussurro. Jean o encarou.
— Eu… eu estou sozinho. Completamente sozinho. — sorriu, mas estava com o olhar cheio de lágrimas. — E eu vou morrer. Sei que vou. Nós 𝙙𝙤𝙞𝙨 vamos. Por favor, Kevin… fica comigo. Eu não quero morrer sozinho. Sei que não vai ser muito tempo mas… fica comigo até o final. — ele segurou firme a mão de Kevin enquanto falava choroso, lágrimas escorrendo pelas bochechas. Kevin sentiu seu peito doer e enxugou suas lágrimas.
Afinal, valia a pena negar seus sentimentos até o seu túmulo? Tinha experiência com amor. Foi casado, teve romances pequenos de apenas uma noite com algumas mulheres e até alguns homens também depois de seu divórcio. Mas ele 𝙨𝙚𝙢𝙥𝙧𝙚 sentiu algo por Jean. Sentiu por outras pessoas também, claro. Mas era como se os seus sentimentos por Jean 𝙣𝙪𝙣𝙘𝙖 se apagassem. Seu peito se apertou. 𝙋𝙧𝙚𝙘𝙞𝙨𝙖𝙫𝙖 daquilo. Afinal, sabia que ia morrer. E se fosse pra morrer… que fosse ao lado de quem ele amava.
— Sim… sim Jean. Eu vou ficar com você. Eu prometo. 𝘼𝙩é 𝙤 𝙛𝙞𝙣𝙖𝙡, 𝙢𝙚𝙪 𝙖𝙢𝙤𝙧. — sorriu, sentindo lágrimas brotando em seus olhos.
Jean se aproximou. Kevin tocou seu rosto. Seus lábios finalmente se encontraram num beijo doce com gosto de nostalgia. Ambos ansiavam por aquele momento há 𝙖𝙣𝙤𝙨, e finalmente tiveram o que queriam. E quando se separaram, o céu se iluminou em milhões de cores com os fogos do ano novo. Ficaram ali abraçados, observando os fogos juntos e sorrindo um para o outro. Por alguns minutos, sentiram que eram jovens de novo.
— 𝙁𝙚𝙡𝙞𝙯 𝙖𝙣𝙤 𝙣𝙤𝙫𝙤, 𝙅𝙚𝙖𝙣. — Kevin sussurrou, dando carinho nos cabelos dele e sorrindo, logo se inclinou e beijou novamente ele. O beijo era tão doce que Jean quase explodia de alegria junto com os fogos de artifício. E Kevin, finalmente depois de tudo que passou em sua vida, sentiu que não era mais o segundo lugar. Pelo menos para Jean, ele 𝙨𝙚𝙢𝙥𝙧𝙚 𝙛𝙤𝙞 e 𝙨𝙚𝙢𝙥𝙧𝙚 𝙨𝙚𝙧á o primeiro. 𝙊 𝙥𝙧𝙞𝙢𝙚𝙞𝙧𝙤 𝙖𝙢𝙤𝙧.
Foram anos separados. Universidades diferentes. Times diferentes. Já foram rivais. Já perderam jogos e ganharam medalhas e troféus. Foram sonhos distantes. Um sentimento no peito que jamais seria curado.
Kevin se lembrava de ir pro bar e acabar assistindo algum jogo de Jean, que sempre deixava ele com o coração quentinho e alegre ao o ver ganhando, sorrindo e comemorando a vitória. Jean havia esquecido um pouco, mas tentava lembrar às vezes que ele, Jeremy e Elodie assistiram algum jogo de Kevin pela televisão, comemorando em casa com refrigerante e batatas fritas.
Kevin sonhava acordado em como queria ter tido coragem de dizer o que sentia por Jean quando eram jovens. Jean se via pensando constantemente em Kevin com o mesmo amor e carinho que sentia por Jeremy, principalmente depois do falecimento dele. E agora, finalmente, após mais de 50 anos sonhando com aquele momento, os lábios de Jean puderam conhecer o sabor dos lábios de Kevin.
Mesmo que soubessem que não tinham muito tempo para ficar juntos. Mesmo que mais da metade do tempo estariam no hospital. Mesmo sabendo que um deles a qualquer momento iria embora, obrigando o que sobrou a se contentar com reprises dos jogos e entrevistas do outro na TV. Eles sabiam. Mas não tinham mais medo. Estavam juntos. Juntos, 𝙖𝙩é 𝙤 𝙛𝙞𝙢.
E o fim, de fato chegou. E como sempre, Kevin foi quem sobrou. O 𝙚𝙩𝙚𝙧𝙣𝙤 número dois. Foram três anos magníficos. Apesar das dores, das idas constantes ao hospital, das internações, das dietas restritas, foram bons tempos para Kevin. Dormia abraçado de Jean e cozinhava para ele quando não estava sentindo muita dor. Tentava ajudar Jean a se lembrar das coisas, mesmo quando parecia impossível. Às vezes Jean acordava perdido no tempo, achava que estava dez ou vinte anos mais novo, e ficava confuso ao ver o Kevin tão 𝙫𝙚𝙡𝙝𝙤 ao seu lado na cama.
Elodie, David e Amália eram os principais apoiadores do casal. Iam diariamente ajudar em pequenos reparos da casa, limpar tudo, trazer remédios ou simplesmente fazer companhia enquanto toma um agradável café. David e Amália aprenderam a gostar da companhia de Jean, assim como Elodie rapidamente amou ficar perto de Kevin. Ela era tão extrovertida e doce quanto seu pai, Jeremy.
Uma noite de repente Kevin acordou com Jean fazendo barulho na cozinha. Estava com a mão no peito, tremendo, e ofegante. O levou para o hospital rapidamente, e segurou sua mão até os últimos segundos. Afinal, não queria deixar Jean sozinho. Sabia que era o maior medo dele. E então houve o último beijo. O último sorriso. O último “eu te amo”, agora tão fraco que saia num sussurro. E cedo demais, Jean se foi. Pacificamente, feliz, e rodeado de pessoas que o amavam.
𝙑𝙤𝙘ê 𝙛𝙤𝙞 𝙚𝙨𝙩𝙧𝙚𝙡𝙖 𝙗𝙧𝙞𝙡𝙝𝙖𝙣𝙩𝙚, 𝙛𝙤𝙞 𝙥𝙧ê𝙢𝙞𝙤𝙨 𝙣𝙖 𝙚𝙨𝙩𝙖𝙣𝙩𝙚
𝙁𝙤𝙞 𝙗𝙚𝙞𝙟𝙤𝙨 𝙙𝙞𝙨𝙩𝙖𝙣𝙩𝙚𝙨, 𝙖𝙢𝙞𝙜𝙖 𝙛𝙞𝙚𝙡
𝙀 𝙨𝙚 𝙚𝙨𝙨𝙖 𝙞𝙙𝙖𝙙𝙚 𝙘𝙧𝙪𝙚𝙡 𝙡𝙚𝙫𝙖𝙧 𝙫𝙤𝙘ê 𝙥𝙧𝙤 𝙘é𝙪
𝙈𝙚 𝙥𝙧𝙤𝙢𝙚𝙩𝙚 𝙙𝙖𝙣ç𝙖𝙧 𝙘𝙤𝙢 𝙖𝙨 𝙣𝙪𝙫𝙚𝙣𝙨 𝙣𝙤 𝙖𝙧
𝑨𝒎𝒊𝒈𝒂 𝑭𝒊𝒆𝒍 — 𝒀𝒖𝒏 𝑳𝒊
