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Sempre Foi Você

Summary:

Onde Alê vai à força para um show de metal e se interessa pelo guitarrista da banda.

Ou

Onde Franco vê uma pessoa loira interessante na plateia, faz amizade, mas mantém sua identidade em segredo.

Chapter 1: Banda

Summary:

Franco se arruma para o show com sua banda.
Eles têm dois dias até o show que pode mudar a vida de todos.

Ou melhor, mudar a vida de Franco.

Notes:

Aproveitem! Dei minha vida pra escrever isso kskskskk

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

A banda se reúne mais uma vez no mesmo lugar de todos os shows para mais um ensaio. O The Monica Club sempre os deixa fazer seus shows lá, então os cinco não perdem uma oportunidade.

 

Franco sentava na ponta do palco com sua guitarra apoiada em seu colo, mexendo nas cordas e ocasionalmente testando para ver se está tudo certo. 

 

No fundo do palco, Caio, Eloy e Andrei conversam e riem alto enquanto testam também os instrumentos. Eloy ajeita sua grande bateria que ocupa um bom espaço, Caio posiciona o microfone no “pedestal” e dá leves batidas para testar o som, e Andrei também dá uma arrumada breve em seu baixo.

 

– Ae, Franco! – gritou Eloy, chamando a atenção do ruivo que rapidamente se virou para ele.

 

– Pode falar. – Franco deixou sua guitarra no chão do palco e se levantou para caminhar até os outros.

 

– Você acha que vai ter muita gente no show? O Caio tá meio nervoso sobre isso. – Andrei coça a nuca e aponta para Caio, que mantém o olhar baixo.

 

– Ah, vocês sabem como é nossa plateia. – Franco riu baixo e colocou as mãos nos bolsos da calça – Talvez tenha bastante gente, sim.

 

– Verdade, hoje não vai ter só nós aqui. – Caio esfrega as mãos no rosto, nervoso – Acho que vem umas três bandas, contando com a gente.

 

– Duvido que eles sejam melhores do que nós. – Andrei soltou uma risada.

 

Os três continuaram conversando, mas Franco já não prestava atenção, olhava para um ponto fixo no chão abaixo dos pés.

 

Ele não iria admitir, mas estava muito nervoso. A sensação de não ter só a plateia deles na hora do show o assusta um pouco.

 

O principal motivo dele não admitir o nervosismo é que, por ser o guitarrista, grande parte da atenção do show vai para ele. 

 

E se eu ficar muito nervoso e errar alguma nota? E se eu estragar o show por não conseguir tocar direito? E se…

 

– Oh, ruivinho! – Andrei o chacoalhou pelos ombros, trazendo-o de volta.

 

– Não faz isso, cara! – o ruivo tentou parecer irritado, mas não conseguiu conter sua risada.

 

– Bora ensaiar, o nosso tempo aqui tá acabando. – o outro finalmente o soltou, assumindo uma posição ao lado da bateria de Eloy.

 

– Se o Caíto aparecer aqui só pra brigar com a gente, eu vou espancar aquele moleque. – o baterista girou uma das baquetas no ar, já atrás do seu instrumento.

 

– Você sabe que sem ele essa banda não anda, Eloy. – o ruivo pegou sua guitarra e se posicionou no lugar oposto de Andrei, do lado direito da bateria.

 

– Não tô ligando, esse garoto é irritante.

 

– Dá pra vocês pararem de falar do Caíto e começar a se preparar pro ensaio? – Caio estava em um canto, mexendo na caixa de som.

 

Os três trocaram olhares, mas não falaram mais nada. Quando as primeiras batidas da música principal do álbum ecoaram, a guitarra rapidamente entrou, acompanhada pelo baixo e logo em seguida pela bateria. Caio começou a cantar no microfone, ajustando-o quando achava algum defeito.

 

Assim se seguiu pelas próximas quatro músicas, os quatro ensaiaram apenas as cinco mais famosas do álbum. Como não seriam só eles a se apresentar, tiveram que escolher somente algumas para dividir o tempo com as outras bandas.

 

O último acorde da guitarra ecoou, marcando o fim da quinta e última música. Os quatro deixaram os instrumentos de lado e foram comemorar, dando high-fives e pulando de felicidade.

 

– Isso aí! A gente vai arrebentar nesse show! – Eloy levantava Franco do chão em um abraço apertado.

 

– Beleza, eu já entendi, agora me solta! – o ruivo riu, dando tapas no ombro do mais alto.

 

Assim que o maior o colocou no chão, passos vieram da entrada do The Monica Club, chamando a atenção de todos da banda.

 

Uma figura alta com cabelos pretos e longos entrou, vestindo um dos merchs da banda, e com um olhar irritado no rosto com piercings espalhados por toda a face. Caíto balançava uma chave de um veículo entre os dedos, o cenho franzido.

 

Todos os sorrisos dos outros quatro sumiram no mesmo momento em que ele começou a falar.

 

– Não sei como alguém chama isso de música, é só barulho! – o mais novo se apoiou em uma parede perto da entrada.

 

Ninguém ousou contrariar ele, porque, afinal, uma banda sem seu assessor não é nada.

 

Na visão de Franco, Caíto é só um moleque irritante que eles tiveram que contratar como assessor. E, honestamente, o ruivo não poderia se arrepender menos dessa decisão.

 

Em meio às reclamações do garoto, os quatro juntaram seus instrumentos — menos Eloy, que deixou a bateria ali — e saíram do palco, passando por Caíto sem olhar na cara dele.

 

O show é em dois dias, e isso só aumenta o nervosismo de Franco.

 

Por ser o guitarrista, uma grande parte do peso das músicas cai em suas costas pelo seu instrumento ser um dos principais para fazer a música ter sua própria essência.

 

Mesmo pressionado e nervoso, Franco não poderia estar mais feliz com seu lugar na banda.

 

Ele nunca se deu muito bem com os pais, principalmente depois de que eles descobriram o sonho dele. Para seus pais, ser músico era um fracasso total e Franco seria sem futuro. O garoto daria tudo para mostrá-los o contrário.

 

Eloy encontrou o ruivo através de um vídeo das redes sociais, em que Franco gravou a si mesmo tocando guitarra na esperança de alcançar algum produtor musical ou qualquer pessoa desse ramo.

 

Depois que Eloy conseguiu achar Caio e Andrei, eles formaram uma banda provisória, só para se divertirem gravando covers de músicas famosas. Um desses covers chegou à Caíto, que se ofereceu para ser assessor da banda e poder levá-los à fama, e os quatro aceitaram sem hesitar.

 

Eles alcançaram um bom público depois de lançarem o primeiro single “Portal”, o que os incentivou à publicarem o álbum completo com cerca de oito músicas. A plateia os adora, principalmente Franco, o mais aclamado pelos fãs.

 

Os pais de Franco cortaram contato com ele assim que descobriram que o ruivo tinha, de fato, conseguido certa fama. Mas o mesmo não se importa, e não poderia estar mais feliz com isso. Ele fez ótimos amigos enquanto seguia seu sonho, e isso é o suficiente.

 

A van estava parada em frente à casa de shows, a porta de trás aberta para que eles pudessem entrar. É uma van preta, simples e discreta, mas muito confortável.

 

Os quatro se acomodaram na parte de trás rapidamente. Franco apoiou sua guitarra ao lado do banco em que sentou, Andrei fez o mesmo com o baixo, Caio deixou o microfone no colo e Eloy só se esparramou no maior banco.

 

A conversa rola solta entre os três, mas o ruivo permanece calado e perdido nos próprios pensamentos.

 

Franco mantém o olhar no teto da van, os braços cruzados juntos ao peito. O nervosismo cresce, mas ele tenta deixar esse sentimento de lado e focar nos pontos positivos.

 

Esse vai ser um dos maiores shows que eles já fizeram em toda a carreira da banda, em que vão performar mais da metade do álbum principal. Ao todo eles lançaram três álbuns, mas o mais famoso é o primeiro que saiu, “PSIKOLERA”.

 

O nome da banda foi escolhido por Caíto depois que se tornou o assessor. Antigamente, eles se chamavam de “PSIKADELA”, mas o mais novo achou ridículo e decidiu mudar mesmo contra a vontade dos membros. 

 

De primeira, Franco odiou o nome, mas passou a gostar dele depois que percebeu que o antigo não traria tanta fama quanto o atual.

 

Por uma ideia de Andrei, eles performam com máscaras temáticas, personalizadas para cada um dos membros. 

 

Franco usa uma máscara de gás que se conecta à guitarra a qual ele usa nos shows, a com um lança-chamas imbutido. Eloy tem uma máscara de focinheira que cobre metade do rosto, Andrei usa uma máscara parecida com a que os médicos usavam na Peste, e Caio usa uma de “PARE” — que, sinceramente, Franco acha muito estranha.

 

Foram essas máscaras que trouxeram uma parte da fama deles, com os fãs dando de tudo para descobrir as identidades dos membros favoritos, e falhando miseravelmente. 

 

Franco adora esse lado da fama, o lado que ninguém sabe quem você é e pode viver normalmente. Se os fãs soubessem quem ele é, o ruivo enlouqueceria com facilidade.

 

A van começa à andar, com Caíto no volante. O garoto ainda reclama de todo o barulho que eles fazem com a música, mas nenhum dos quatro realmente liga pra isso.

 

As pálpebras de Franco estavam prestes à se fechar de cansaço, afinal o ensaio acabou para mais de meia-noite. O sono o envolvia lentamente…

 

– FRANCO! – a voz irritada e alta de Caio o assustou.

 

– Para de fazer isso! – o ruivo colocou a mão no peito, sentindo as batidas aceleradas do próprio coração. – Que foi?

 

– Você conseguiu arrumar sua guitarra? Ela tinha falhado, né?

 

– Ah, verdade…

 

A guitarra famosa de Franco, aquela com um lança-chamas, havia sido danificada no começo da semana. O ruivo descobriu isso no primeiro ensaio, quando ele tocou mas as chamas não saíram.

 

– Não consegui arrumar, fiquei sem tempo. – o garoto coçou a nuca.

 

– Qual é, Franquinho, você sabe que sua guitarra é a atração principal do show! – Eloy bufou, massageando as têmporas.

 

– Eu sei, tá? – o garoto também bufou, e voltou à cruzar os braços. – Eu vou conseguir arrumar ela.

 

– Se não conseguir, a galera vai se decepcionar.

 

– Pois é, Eloy, mas incidentes acontecem. 

 

– Eu posso te ajudar, ainda lembro algumas coisas de mecânica que aprendi na faculdade. – Andrei levantou a mão, sorrindo para Franco, que só assentiu com a cabeça.

 

O ruivo começa a se sentir mais pesado, os músculos relaxando lentamente e as pálpebras se fechando. Ele se deita no banco, com as mãos atrás da cabeça enquanto encara o teto.

 

Franco daria tudo por um cigarro agora, fumar o ajuda à lidar com o nervosismo e a ansiedade, mas estão dentro de uma van fechada. O cheiro de cigarro já se tornou comum entre a banda com o tanto que o ruivo fuma.

 

Ele tem apenas dezenove anos e é o mais novo da banda, mas quer aproveitar a vida como quiser, seja fumando, bebendo ou fazendo qualquer coisa.

 

O som da conversa dos outros já está longe, Franco já nem tenta mais prestar atenção no assunto.

 

Ele lentamente cai no sono, o corpo todo relaxando depois de um dia cansativo de ensaios. O banco da van não é grande coisa, mas Franco está tão cansado que nem liga.

 

O resto do caminho para a casa dos quatro passou voando para Franco, que adormeceu igual um bebê.

 

Talvez esse seja o maior show, e talvez o show que vai mudar a vida dele.

 

Notes:

Oie!
Essa é minha primeira fic, então tô bem nervosa
Não sei se tá boa, então deixem comentários!

Vou postar no X sempre que sair capítulo novo, me sigam lá se quiserem ficar sabendo!
@agathav1606

Beijos da Valenn!