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Blood Hunters

Summary:

Remi era acostumado com sonhos estranhos. Mas, um insistia em assombrá-lo com o tilintar da prata e brilho carmesim.

ou

O vampiro Jasper tinha assuntos a tratar, mas não imaginava que no meio do caminho havia um caçador.

Notes:

. ·˳˖🍷⊰ Avisos:
— A AU trata dos personagens e não dos streamers por trás deles.
— É um universo alternativo sem relação com os acontecimentos principais da campanha (hexatombe).
— Pode conter temas sensíveis, mas caso sejam abordados, terá um aviso de gatilho no início do capítulo.
— Pode conter erros.
— Para mais informações sobre personagens checar @guaposu_ no twt
— Boa leitura.

Chapter Text

Remi tinha certeza que iria morrer. Caído no chão, uma dor lancinante, os ossos pareciam estar sendo esmagados, puxava o ar com dificuldade, mal conseguia manter os olhos abertos. Se mantinha imóvel, não por escolha, mas porque qualquer movimento resultava na sensação de ser puxado até chegar próximo de ser rasgado ao meio.

 

Em baixo de si a poça de sangue só aumentava, tentou ver o resto do corpo, mas não teve forças. O fim estava próximo e não havia nada a ser feito.

 

Um barulho, passos. Se aproximavam vagarosamente, sem intenção alguma de ajudar. Sentiu algo passar ao seu lado, o andar cessou.

 

Ouviu um tilintar, tão familiar. Algo pairou sob a visão, o pingente de prata rodopiava em volta de si mesmo, no centro a pedra carmesim reluzia. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, apagou por completo.



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Remi sorvia a água em grandes goles. Quando o copo ficou vazio, jogou-o de lado e tossiu. Passou as mãos pelo rosto arrastando o cabelo para baixo, forçou a vista pelos vidros da janela à sua frente, os últimos raios da tarde desapareciam.

 

Porra, de novo isso. Já não basta passar a noite acordado e agora nem na hora de dormir tenho paz.

 

Era acostumado com sonhos estranhos, afinal ser caçador de vampiros exigia bastante mente e estômago, mas nos últimos meses as coisas estavam, digamos, complicadas. 

 

Inicialmente veio como uma sensação, acordava suando frio, mas não lembrava de nada. Depois as cenas foram tomando forma, dores pareciam reais, achava estar realmente à beira da morte. Aí vieram os passos e durante dois meses, acabava assim. O tempo passou, conseguiu sentir a presença de alguém, ou algo. E, recentemente, o crucifixo surgiu.

 

Um gosto amargo invadiu sua boca. Não tinha bons pressentimentos sobre isso, mas o que poderia fazer? Suspirou, esfregou os olhos e sentou-se para colocar a prótese que estava em cima da mesa de cabeceira. Checou o funcionamento abrindo e fechando os dedos, tudo normal.

 

Virou para a cama, lençóis caídos, travesseiro amassado.

 

Depois dou um jeito nisso. 

 

Mentira, há dias dormia nela no mesmo estado que a deixava. Andou até o banheiro e olhou-se no espelho, uma barba rala crescia no seu queixo, passou os dedos pela cicatriz que cortava um dos olhos, jogou os cabelos para cima e sorriu. 

 

Vestiu-se como de costume e esperou. Odiava esperar, andava de um lado para o outro checando constantemente o relógio, o sobretudo farfalhava pendendendo pelos braços.

 

Assim que os ponteiros indicaram 19:00 horas exatamente, abriu uma pequena caixa de metal e retirou dela um rosário feito de madeira, era repleto de pequenas ranhuras e aparentava ser bem velho pela cor desbotada, mas ainda servia. Colocou-o no pescoço, subiu o sobretudo e saiu do apartamento batendo a porta.

 

Só mais uma missão.



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 Jasper odiava isso. A porta pesada de madeira rangeu, sempre era difícil pô-la no lugar. Bateu as mãos no ar fazendo voar um pouco de poeira e franziu as sobrancelhas.

 

Praticamente todas as noites aqueles idiotas deixavam a porta aberta para que ele a fechasse, gostaria de saber o que aconteceria caso alguém decidisse entrar ali. Já havia ralhado, apontado dedos, repreendido, mesmo que nada, era falar com as paredes. 

 

Ajeitou, impaciente, as correntes, repletas de pequenas joias, que pendiam sob as vestes. Algo parecia perturbá-lo, mas não é para menos, deve ser difícil começar a ter sonhos depois de tanto tempo. 

 

Só me faltava essa. “Nunca mais sonhará, então não estranhe”. Ah sim, me conte mais ó Raziel grande arrombado.

 

Caminhou pelo ambiente escuro acendendo as velas, não custava nada tentar deixar o ambiente mais… Aconchegante? Os pesados passos das botas ecoavam, as correntes tilintavam umas nas outras.

 

Isso não pode ser normal. Ainda mais sendo tão… tão… vívidos.

 

 A cada castiçal brincava com a chama, ainda se encantava facilmente com o brilho diferente que ela tinha aos seus olhos.

 

De quem será aquele sangue? Uma vítima? Difícil, já passei da fase de sentir tanta culpa… Acho. Será que? Não… Ela nunca mais voltou, não poderia ser dela.

 

Ao terminar, atirou os fósforos longe torcendo o nariz para o forte cheiro de enxofre. Jogou a cabeça para cima tentando tirar dos olhos as mechas brancas onduladas. 

 

Não importa, uma hora deve parar.

 

Andou até uma das portas laterais do salão, abriu-a, lambeu os lábios e sorriu.

 

Só mais uma caçada.