Actions

Work Header

The Black Lily

Summary:

Há mais de 80 anos atrás, uma jovem mulher tinha o desejo de participar de uma Guerra do Santo Graal, mas a vontade de voar pra proteger o seu povo da tirania de uma guerra mundial veio mais alto. Mas infelizmente, foi após o chamado de Alaya que a sua vida se tornou a mais amarga possível. Eis aqui o conto da primeira grande piloto militar da história, onde aqui está a continuação da sua morte que nunca aconteceu.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

 

 

Em uma floresta no meio da noite, havia somente o barulho de cigarras circulando pelo imenso verde. E no meio disso, um vórtice branco e azulado surge no meio da floresta.

E nele, uma figura saiu se agachando na grama. Tratava-se de uma jovem mulher loira com longos cabelos lisos, olhos azuis e estatura baixa. Ela vestia uma camisa social branca, calças marrons. Por cima, ela usava um sobretudo preto longo com pelo nas golas. Em uma parte da lapela do sobretudo, estava um broche de lírio preso nele.

Ela carregava um fuzil antigo de precisão numa bandoleira nas costas e uma baioneta longa na sua cintura.

Mas o olhar que aquela mulher carregava não era um olhar bom, e sim um olhar cansado, pesado, amargurado e cheio de dores. Era como se ela tivesse que carregar um fardo bem maior que ela mesma, e pior ainda, ser castigada por isso.

Ela andou um pouco mais pela floresta até chegar em uma clareira que dava para ver um vilarejo ardendo em chamas. A loira podia ouvir o barulho de gritos, lâminas se chocando, o fogo se alastrando para a todos os lados e o barulho de morte naquele vilarejo.

- Localizei o meu alvo. - A mulher de roupas frias falou em um tom baixo, enquanto olhava para as chamas na vila.

A mulher suspirou fundo e num poderoso pulo, ela partiu numa velocidade sobrenatural em direção ao vilarejo, empunhando agora a sua baioneta na mão direita.

 

 

 

 


 

 

 

 

Antes de ser um nome apagado pelos céus da guerra, Lydia Litvyak tinha dezesseis anos e ainda acreditava que podia escolher seu próprio destino.

Ela estava sentada em silêncio em um quarto simples, iluminado pela luz pálida do inverno de Moscou. Ela dormia do lado de fora, ignorante da tempestade invisível que se aproximava. Sobre a mesa, círculos mágicos inacabados, anotações em russo e japonês, e um catalisador embrulhado em tecido vermelho — um objeto que, em breve, poderia invocar um Espírito Heróico.

A Terceira Guerra do Santo Graal de Fuyuki se aproximava.

Lydia havia sido considerada apta uma maga jovem, mas bastante excepcional. Ela também era uma usuária de Olhos Místicos— algo que muitos jamais veriam na vida. Diferente de seus pais que viviam uma vida mundana e mais normal, ela herdou esse lado místico de sua avó.

E a vontade da mais velha era que Lydia pudesse escolher o que ela quiser, contanto que passasse adiante a herança da família com os seus Olhos Místicos. Ela poderia lutar numa Guerra do Santo Graal, não como espectadora e nem como suporte. Mas sim lado a lado com um Espírito Heróico, dominando o campo de batalha com olhos capazes de distorcer o movimento do mundo.

E, ainda assim… seu coração não estava ali.

A carta chegou no mesmo dia.

Tinha um selo simples que pertencia as Forças Armadas da União Soviética. Era um documento oficial com instruções diretas. Era a convocação da Força Aérea. O exército havia convocado ela pra lutar.

Ela engoliu em seco e abriu a carta endereçada para ela. 

Na antiga Mãe Rússia, os pilotos experientes eram necessários, não importava o gênero. O mundo estava à beira de algo maior do que rituais secretos travados por magos escondidos em cidades japonesas. O céu real — não o simbólico — exigia pessoas capazes de dominá-lo.

Lydia segurou o papel por longos minutos e deu um sorriso de lado, um sorriso que não era somente de felicidade. Também era um sorriso meio arrogante e com um ar de superioridade.

Ela aprendera a voar ainda criança, competindo com aviões de corrida, planadores improvisados e qualquer coisa que pudesse rasgar o vento. Para ela, o céu sempre foi mais honesto do que a magia. O ar não mentia. Ele apenas exigia respeito.

No fim, ela tomou sua decisão.

O seu catalisador foi guardado, os seus circuitos mágicos estavam desativados e assim, a Guerra do Santo Graal seguiu em frente sem ela.

Lydia Litvyak escolheu o céu verdadeiro.

 

 

 

 


 

 

 

 


O primeiro dia de aula prática foi frio e barulhento.

O hangar da base parecia um templo de aço. O caça soviético diante dela não tinha nada da leveza dos aviões de corrida que pilotara antes. Era pesado devido os compartimentos para cartuchos de armas e bombas. Era um peso bruto, uma máquina feita para matar — e não para vencer troféus.

Lydia passou a mão pela fuselagem, sentindo a vibração contida do motor. Ela tocava o manche do caça, podendo até mesmo sentir os instrumentos que eram de longe diferentes de qualquer coisa que já havia pilotado em vida.

- Isso não é brinquedo, garota. - O velho instrutor disse ríspido para ela, observando-a de cima a baixo. - E não o trate como um.

- Sim senhor!

Ela assentiu batendo continência, sem discutir com o seu superior. Ela olhou para ele indo ver os outros recrutas, e ela fechou a cara ao ver ele andando.

- Nossa, que cara babaca.

Por fora, Lydia era apenas mais uma jovem recruta. Mas por dentro, ela era uma maga contendo algo monstruoso.

Ela seguiu cada instrução à risca. Os checklists já estavam preenchidos. A comunicação com a torre estava aberta. Ela ajeitou a sua postura no cockpit para garantir uma decolagem suave. Nada que denunciasse o que realmente era. Quando o caça começou a correr pela pista, Lydia sentiu o velho chamado do céu — tão familiar e ao mesmo tempo, tão íntimo.

O avião finalmente subiu.

E foi só então, longe de olhares diretos, que ela abriu os olhos de verdade.

Os seus Olhos Místicos da Aceleração Vazia se ativaram.

O mundo perdeu resistência.

O ar deixou de ser obstáculo e se tornou submissão pura. Lydia não forçou os controles — ela ordenou ao movimento pra que avançasse. A velocidade aumentou de forma absurda, o caça vibrando como se estivesse prestes a se despedaçar.

O estrondo veio em seguida.

A barreira do som havia sido quebrada somente usando os seus poderes.

No rádio, haviam vozes confusas pelo canal falando sobre ela voando extremamente rápido. Lá no solo, os instrutores olhavam aquilo atônitos. Nos outros aviões, os outros cadetes que mal conseguiam acompanhar com os olhos o quão rápida aquela mulher estava indo.

- Ela… ela ultrapassou o limite de velocidade?! - O instrutor de Lydia olhou para aquele caça totalmente incrédulo e de queixo caído.

- Isso não é possível nesse modelo! O Acesa só voa até uns 380 quilômetros por hora! - Um outro instrutor tentava negar o ocorrido, mas não era possível de ver.

Lydia se sentia livre enquanto voava sempre em suas horas livres de treinando para as competições, mas finalmente a ficha caiu e ela notou que não devia nem mesmo estar usando aqueles olhos. Ela agora era uma militar, e tinha que negar a sua natureza como uma maga para todos ou ela pagaria o preço.

Ela rapidamente percebeu o erro que cometeu em ativar os seus Olhos Místicos na vista de todos, e os desativou de imediato.

A velocidade do caça se estabilizou e Lydia reduziu a aceleração com precisão cirúrgica, fechando os olhos por um instante para desligar o poder. Quando pousou, tudo estava em silêncio.

Um silêncio bem desconfortável.

Ela desceu da aeronave como se nada tivesse acontecido. Alguns dos pilotos admirados foi até ela, incrédulos e animados com o estilo de pilotagem dela, e a velocidade que atingiu voando no caça.

Contudo, nem todos olhares não eram de admiração apenas. Havia muita surpresa, desconfiança. E também havia inveja.

Um pouco distante, alguns murmuravam que era sorte. Outros diziam que era imprudência. E muitos pensavam o mesmo, sem coragem de dizer em voz alta:

Uma mulher não devia estar ali.

Lydia ouviu todos aqueles comentários maldosos sobre ela. E ela não respondeu a nada.

A vontade dela era de matar todos eles com os seus poderes.

E mesmo que ela quisesse, ela sabia que não podia mostrar quem realmente era. Não ali. Não naquele céu. A magia dela precisava ficar escondida, enterrada sob o uniforme, sob o sorriso contido, sob a imagem da “piloto talentosa”.

Se não, a Associação dos Magos é quem iria atrás dela.

Desde muito cedo, Lydia Litvyak entendeu algo fundamental somente por já ter nascido mulher nesse mundo.

O céu não a julgaria. Os homens, sim.

E, ainda assim, ela voaria em plena rebeldia desse mundo

Porque, diferente da Guerra do Santo Graal, o céu não escolhia seus campeões por linhagem ou rituais - e sim apenas por quem era capaz de sobreviver lá no meio do campo de batalha.

Mal sabia ela que, anos depois, o céu seria também o lugar onde sua vida terminaria… e onde sua lenda começaria.

Enquanto ela ia de volta para dentro do hangar para devolver o seu uniforme de vôo. Foi aí que a loira já começou a se irritar e olhou para um homem que estava secando ela já a algum tempo. Ela usou os seus Olhos Místicos enquanto olhava para frente, sem nem mesmo precisar virar o seu rosto.

Era também um cadete treinando, mas na unidade de infantaria.

- Ei, quem é você?

O homem parou de andar ao ouvir sendo chamado pela loira e se virou para ela.

 - O-oi, é um prazer conhecê-la, senhorita Litvyak. Meu nome é Aleksey. Aleksey Solomatin. Sou da infantaria e, eu queria dizer que é um prazer conhecê-la pessoalmente. - Ele sorriu meio tímido enquanto falava com ela. - Eu já vi todas as suas corridas de vôo e como você venceu em todas elas. Sou um grande fã seu, senhorita Litvyak.

- Ah, er, muito obrigada.

- Não esperava que você podia pilotar tão bem. Você voou… rápido demais, sabe? - Disse Aleksey, rindo meio tímido e meio incrédulo. - Lá em cima parecia que o céu estava ficando para trás.

Ela desviou o olhar por um instante. Um reflexo quase esquecido pulsou no fundo dos olhos — a memória do vazio, da aceleração que não deveria existir. Não foi intencional, disse a si mesma. Em meio ao combate, algo despertara: os Olhos Místicos da Aceleração Vazia, empurrando o caça além do limite humano. Lydia respirou fundo e deixou a lembrança escorrer para longe.

- Bom, eu... só empurrei o motor com o ar passando por uma corrente. - Ela respondeu, dando de ombros, com um sorriso curto enquanto tentava convencer ele de que era simplesmente uma técnica de vôo avançada. — Às vezes o céu coopera comigo quando tenho sorte.

Aleksey cruzou os braços, ainda impressionado enquanto sorria.

- Eu te acompanho desde as corridas de voo. Sempre fui fã seu. Do jeito que você entrava em curvas fechadas, do silêncio que deixa pra trás… -  Ele hesitou, como quem mede a coragem. - Gostaria de conversar mais com você. Em outra oportunidade.

-  Bem, eu... - O sorriso dela se abriu, verdadeiro dessa vez. - Eu gostaria também, senhor Solomatin. - Ela disse com um sorriso no rosto. Era bom saber que alguém via mais do que a fumaça e os relatórios que só diziam que ela não devia estar no ar.

Ele de fato, estava interessado nela.

Os anos se passaram tão depressa como passam as nuvens: rápidas e irrecuperáveis. Entre missões e retornos incertos, Aleksey pediu Lydia em noivado, com as mãos trêmulas e o olhar firme. Ela aceitou sem hesitar, o anel refletindo um céu que, por uma vez, parecia gentil.

Mas a guerra não aprende a ser gentil.

A notícia chegou seca, oficial e sem poesia que o marido dela havia morrido em batalha. Lydia ficou em silêncio, os olhos fixos no horizonte vazio. O mundo parecia ter desacelerado — ou talvez tivesse parado. Pela primeira vez, ela não usou os Olhos Místicos. Não havia velocidade capaz de alcançar o que fora perdido. Ela não conseguia chorar. Já perdeu coisas demais para chorar.

Se ela tivesse usado os seus poderes, iria poder fazer algo. Ela poderia ter salvado ele se estivesse lá, mas ele era da infantaria e ela, uma piloto. Mas ela não podia, ela tentava se esconder como uma mulher normal.

No céu, o vento continuava a correr. E Lydia aprendeu que, às vezes, voar rápido demais não é o bastante para fugir daquilo que a guerra decide levar.

No registro oficial, Lydia Vladimirovna Litvyak morreu como tantas outras: abatida no céu, desaparecida entre nuvens e fogo. Mas o mundo da magia jamais aceitou registros oficiais como verdade absoluta.

Antes de ser chamada de Lírio Branco de Stalingrado, Lydia já voava por outros céus — não apenas com asas de metal, mas com Olhos Místicos da Aceleração Vazia. Olhos raros, deformações da Raiz que lhe permitiam negar a inércia do mundo: tudo que se movia podia ser acelerado ao nada, desintegrado num instante em que o conceito de “avanço” deixava de existir. Balas paravam. Caças inimigos se rasgavam no ar. O céu obedecia.

Ela era uma maga disfarçada de piloto.
Uma anomalia aceita apenas porque a guerra aceitava tudo.

Quando seu avião caiu e seu corpo jamais foi encontrado, Lydia não despertou em um hospital, nem em um túmulo. Ela despertou fora do tempo. Estava coberta de ferimentos e sangue por suas roupas.

O céu não tinha sol. O chão não existia. E então, Alaya surgiu na presença dela e falou.

Não com voz — mas com imposição.

- “O mundo precisa de correção. Você aceita servir para com a proteção da humanidade?”

Ela estava no limbo onde os ferimentos de seu corpo estavam quase tomando-a, com ela desejando a morte. Mas o dever dela era em livrar o mundo de Hitler.

A Contraforça envolveu seu espírito despedaçado, reescrevendo-o. Ela havia uma escolha, contrato ou pedido. Apenas função. Lydia foi devolvida à existência como algo que não era mais humana.

Uma Contra-Guardiã.

Ela acreditou, por um instante, que isso significava salvar pessoas. Impedir guerras. Proteger inocentes.

O erro foi desfeito rapidamente.

Sua primeira convocação a lançou ao Século V, em um vilarejo costeiro próximo aonde estaria a Sicília, na Itália em tempos modernos. As casas de pedra queimavam. Os gritos ecoavam. Um grupo de invasores bárbaros avançava pela vila, massacrando tudo o que havia em deu caminho. Lydia surgiu no céu como um espectro de vestido negro e olhos luminosos, flutuando como se o mundo fosse irrelevante sob seus pés.

Ela não falou.
Não avisou.
Não negociou.

Com um único olhar, os seus Olhos Místicos da Aceleração Vazia se manifestaram.

Alguns corpos em movimento foram reduzidos a silêncio absoluto. Os ossos se partiram antes mesmo do impacto existir. As lâminas perderam o propósito de cortar em um simples instante. Um massacre inteiro foi encerrado em questão de segundos, como se jamais tivessem começado.

O vilarejo foi salvo. O mundo, segundo Alaya, foi “corrigido”.

E Lydia… não sentiu nada. Nada além de pesar.

Ela matou pessoas, mesmo sendo pessoas brutas, violentas e com nenhum escrúpulo em suas mentes poluídas. Eles eram animais, e Lydia os exterminou como animais.

Ela foi enviada a eras diferentes, sempre no momento exato em que uma tragédia menor evitaria uma catástrofe maior. Revoltas sufocadas antes de se tornarem ideologias. Exércitos exterminados antes de fundarem impérios. Crianças mortas antes de se tornarem monstros históricos, grandes ditadores e verdadeiros tiranos.

A cada missão que fazia, Lydia se tornava ainda mais eficiente. E ao mesmo tempo, mais vazia.

Ela já não via a si mesma com clareza cruel. Não era mais uma heroína. Não era mártir, ou uma protetora. Agora ela não era mais diferente dos assassinos que exterminara no passado.

Era apenas uma ferramenta. Uma simples ferramenta.

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

A eslava agora surgiu em um lugar que não tinha nome.

Era um tipo de interstício, um ponto morto entre as eras onde os Contra-Guardiões aguardavam convocações como armas deixadas em descanso. O chão parecia feito de luz sólida, refletindo um céu sem sol. Não havia mais vento, mas havia uma presença pesada e bem acumulada, como memórias ruins que jamais poderiam desaparecer.

Era a primeira vez que Alaya trouxe a eslava pra esse espaço morto, e ainda assim, nunca viu os outros guardiões.

Lydia Litvyak estava sozinha, observando o vazio à frente. Não flutuava dessa vez. Estava de pé, com as suas botas tocando o chão inexistente, e os seus braços estavam cruzados. Seu olhar seguia distante, como se ainda acompanhasse aviões caindo durante a sua época no campo de batalha na guerra.

- Você encara o nada como se ele fosse responder a ti, eslava. - Disse uma voz rouca atrás dela.

Lydia virou o rosto, dando um semblante curioso e foi andando com cautela para aonde vinha aquela voz.

Encostado em uma estrutura que lembrava vagamente uma parede quebrada, estava um homem alto de cabelos brancos penteados para trás e pele bronzeada com roupas pretas e uma capa branca por cima. Os seus braços musculosos estavam cruzados, com o seu rosto mostrando uma expressão cansada e um sorriso torto carregado de ironia.

- Já ouvi falar de você pelo Alaya. Você deve ser o tal EMIYA.

- O próprio. - Ele respondeu a ela com o seu sorriso irônico. - Bem-vinda ao depósito de lixo do mundo.

A loira olhou em volta de todo o local, vendo que não muito longe estavam mais quatro mulheres, três homens já contando com o Archer babaca na sua frente e uma coruja gigante lá longe olhando para tudo e além de tudo, incluindo ela.

A primeira mulher tinha mais ou menos uns 30 anos de idade com longos cabelos brancos, usava um vestido largo preto com partes cinzas e rendas pretas que cobriam as suas pernas e braços. Acima da cabeça estava um véu preto que cobria o seu cabelo parcialmente. Junta de Lydia, aparentemente elas duas eram as únicas figuras de origem ocidental e europeia ali.

Ela estava sentada numa pedra onde parecia estar lendo um jornal antigo dos anos 30, como se estivesse procurando por algo específico e fumando um cigarro. A albina percebeu que a jovem loira estava olhando para ela, e virou o seu olhar para ela, fazendo Lydia rapidamente desviar o seu olhar. A albina riu ao ver ela mudando a sua vista, rapidamente percebendo que se tratava de uma nova Contra-Guardiã que Alaya trouxe.

- Novatos. - A albina de véu sorriu enquanto soltava a fumaça de sua boca no meio do ar. - Gosto das suas reações.

- E quem é você? - Lydia perguntou a mais velha, percebendo um olhar frio nas suas feições.

- Hã? Achei que Alaya já tivesse deixado claro pra você as nossas identidades para os outros Guardiões. Me chamo Natalia Kaminski.

- Espera aí... - A loira semicerrou o seu olhar e finalmente se deu conta daquela mulher. - Eu já te vi enquanto eu viajava no tempo! Você era aquela tal terrorista misteriosa nos jornais que incitou a um conflito violento durante a Revolução Mexicana na América Central.

Natalia riu meio orgulhosa enquanto Lydia contava o seu feito sangrento na América Central.

- Bons tempos, não é? Eu ajudei a libertar os mexicanos daquele regime ditatorial, dando um empurrãozinho pra tirar o Porfírio Díaz do país.

- Aquele seu empurrãozinho foi meio violento, sabia? - A piloto se queixou da albina de vestido, enquanto ela voltava a atenção pro seu jornal.

Natalia deu de ombros, enquanto voltava a sua atenção para o jornal e Lydia continuava a ver mais dos outros Contra-Guardiões.

A outra mulher era uma jovem de uns 20 anos mais ou menos que tinha uma aparência asiática, tinha cabelos curtos cortados acima do seu ombro e usava um kimono hakama longo que cobria todo o seu corpo, um cachecol preto e um haori Teal de cor azul e branca por cima. Na sua cintura havia uma katana, o que já a identificava como uma samurai.

E longe do resto, havia uma menina adolescente de aproximadamente uns 16 anos de idade com longos cabelos roxos lisos com franja cortada e olhos vermelhos vestindo um kimono yukata preto e vermelho com detalhes em lírios. Ela estava sentada no chão assistindo numa televisão quadrada velha e toda rachada um filme de terror antigo de baixo orçamento em preto e branco. Só de Lydia ver, ela parecia ser um pouco meio esquisita.

A outra mulher restante tinha olhos vermelhos um longo cabelo preto liso que chegava até a altura dos joelhos e vestia um longo sobretudo vermelho com escamas e usava roupas pretas fechadas por baixo.

Ela estava sentada de costas pra um homem de chapéu que vestia roupas sociais brancas e um sobretudo preto, com uma katana e um revólver na cintura.

Ambos tinham alianças em seus dedos direitos, então a eslava podia supor que eles eram casados.

- Até mesmo Servos como eles conseguem se casar? - Lydia falou baixo, o que não passou despercebido pela mulher de sobretudo com escamas.

Ela agora se virou para o último Espírito Heróico, tratava-se de um homem mascarado com bandagens cobrindo o seu rosto usando uma armadura leve e uma capa vermelha que cobria parte de sua cabeça e o seu ombro direito. Ele estava sentado de frente para um lago com uma vara de pesca em mãos.

Entre todos os outros Contra-Guardiões, ele era o que tinha o ar mais pesado e o olhar mais frio. Mesmo Lydia já sabendo que aquela menina de cabelo roxo assistindo o filme de terror esquisito era provavelmente a mais poderosa daquele lugar.

- Então é aqui que vocês ficam quando não estão… trabalhando? - Ela perguntou enquanto estendia seus braços para os lados.

- Acho que “trabalhando” é uma palavra gentil de se dizer, eslava. - EMIYA riu sem nenhum humor. - Eu prefiro “apagando incêndios depois que a humanidade brinca com gasolina”.

Lydia desviou o olhar novamente.

- Eu achei… - A eslava começou com um tom hesitante. - Sinceramente eu achei que seria diferente. Que pelo menos aqui haveria algum sentido maior.

EMIYA se aproximou alguns passos, o som de suas botas ecoando de forma estranha.

- Sentido? - Ele repetiu para a piloto, levantando a sua sombrancelha. - Escute bem, Lírio Branco. Alaya não nos chamou porque somos especiais. Chamou porque somos descartáveis para o mundo, e únicos os bastante pelas nossas habilidades para usarmos contra os inimigos dela.

Ela franziu o cenho para o outro Archer, tentando se mostrar firme para o arqueiro amargurado.

- Eu já vi futuros inteiros serem salvos pelas minhas ações. E inclusive eu já salvei muitas pessoas, salvei famílias de serem mortas, salvei mulheres viúvas e garotinhas de serem estupradas como futuros espólios de guerra dos bárbaros e dos crueis. Eu vi o que Alaya me mostrou.

- Mas é claro que viu - Ele respondeu imediatamente, em um tom claro de deboche. - É assim que ela te mantém funcional.

O tom dele era afiado.

- Você mata uma vila hoje, e evita um império amanhã. Você mata uma criança agora e impede uma guerra depois. É sempre uma troca matemática. Limpa. Fria. E ética. - Ele deu de ombros para a piloto. - Somos os faxineiros de todas as sujeiras que esse mundo faz, e o própria Alaya garante isso.

O silêncio caiu pesado entre eles dois, fazendo Lydia cerrar os seus punhos.

- Então pra você… tudo isso… - A voz dela falhou levemente enquanto lembrava de todas as suas missões de assassinato como uma Contra-Guardiã. - Não passa de manutenção? Uma mera limpeza ética?

- Exato. - EMIYA confirmou. - Somos o preço que a humanidade não quer pagar conscientemente.

Ela sentiu algo apertar no peito. Não era dor. Era algo pior: concordância. O dever de uma Guardiã não era salvar a humanidade. Era limpar seus erros, mesmo que esses erros fossem pessoas.

- Você e essa sua cara cínica acham que a vida daquelas pessoas não tem nenhuma utilidade senão morrer?! - A eslava já estava farta de ouvir aquele arqueiro amargurado e insensível, vendo como ele não se importava nem para o que ele salvava.

- Bem-vinda ao clube, eslava. - O homem de pele bronzeada respondeu seco e com um sorriso cínico no rosto. - Esse é o primeiro passo para se tornar realmente eficiente. Ser usada como uma ferramenta até se auto-destruir.

A loira se irritou com o Herói da Justiça e pulou para cima dele com a sua baioneta em mãos, pronta para furar ele.

- Ei, ei, ei! - Uma nova voz interrompeu, animada demais para aquele lugar.

A garota de kimono azul cabelos curtos e expressão vibrante apareceu quase saltando, segurando uma espada apoiada no ombro. Seu uniforme era tradicional da época em que ela estava viva, mas o sorriso era completamente deslocado daquele espaço morto.

- Archer, você sempre sabe como piorar o clima, né? - Ela reclamou. - Dá pra sentir a negatividade do outro lado do Trono!

- Não me diga que veio dar sermão, Okita. - EMIYA suspirou.

Okita Souji se virou para Lydia, inclinando a cabeça com curiosidade e gentileza.

- Então suponho que você seja a novata, né? A pilota. Posso sentir… você carrega um peso enorme.

Lydia piscou, surpresa.

- Você… não me odeia?

- Hã? Por quê eu odiaria? - Okita perguntou, com um semblante confuso no rosto.

- Pelo que eu faço.

Okita ficou em silêncio por um momento. Depois, caminhou até ficar ao lado dela, olhando para o mesmo vazio.

- Sabe… eu também já matei muita gente. Em vida e depois dela. - Ela sorriu de forma suave, mas firme. - E doeu. Na verdade, sempre dói.

EMIYA revirou os olhos.

- Lá vem o discurso otimista.

- Cala a boca um segundo. - Okita respondeu sem sequer olhar para ele. - Lydia, escuta.

Ela apontou para o horizonte inexistente.

- Cada missão nossa parece cruel porque vemos só o agora e a parte lógica. Mas cada vida que é tirada por nós… - Ela apertou levemente o punho. - Salva mais de milhares de inocentes no futuro.

Lydia engoliu em seco.

- Eu já vi isso… - Ela murmurou. - Mas não consigo mais aceitar.

- Não precisa aceitar com alegria, Lydia. - Okita respondeu. - Só precisa entender o peso real disso.

- Um mundo onde inocentes não precisam sofrer. - A loira continuou. - E isso só existe porque alguém precisa sujar as mãos antes?

- Sim. - Okita disse sem hesitar. - Esse dever para quem fomos inbuidos de fazer somos nós.

Antes que Lydia respondesse, uma terceira presença se aproximou silenciosamente.

Uma garota de cabelos longos e olhar baixo, quase tímido vestindo um kimono, caminhava com passos contidos. Havia algo estranho ao redor dela, uma distorção invisível, como se o espaço tivesse medo de se aproximar.

- Vocês fazem muito barulho. - Disse a Asagami Fujino, em voz calma enquanto assistia o filme de terror antigo na tela quadrada velha.

Lydia sentiu um arrepio instantâneo ao sentir algo meio sombrio vindo daquela garota.

- Você… também é uma Contra-Guardiã? E tão jovem assim?

Fujino assentiu lentamente. Ela se levantou, limpando o seu kimono de lírios vermelhos e se aproximou da piloto lentamente.

- No início não foi exatamente por escolha minha. - A adolescente de cabelos roxos respondeu. - Como quase todos nós.

Ela parou diante de Lydia, observando-a com atenção quase desconfortável e ativando imediatamente os seus Olhos Místicos da Distorção, surpreendendo a piloto com o seu poder. Aquela garota também era uma usuária de Olhos Místicos.

- Os seus olhos… - Fujino murmurou. - Eles se parecem com os meus, tendo um pouco do poder de Akasha. Não na forma, mas sim no peso.

Lydia não respondeu.

- Você acha que se tornou um monstro. - Fujino continuou. - Eu também pensei isso. Durante muito tempo. Eu já fui estuprada por um monte de homens maus por me virem como um alvo fácil, e a cada abuso, eu me vingava deles usando os meus poderes. Eu gostava de ver eles sofrerem, porque eu não conseguia sentir dor alguma.

- E como não se tornou um monstro? - Lydia perguntou.

Fujino inclinou a cabeça.

- Nunca disse que nunca deixei de ser um. - Um leve sorriso triste surgiu. - Depois eu via todas as vítimas daqueles homens, e como eu as salvei e também fui salva por uma garota assassina, eu vi como eu fiz algo bom salvando vidas, mesmo no assassinato. Até mesmo monstros podem proteger algo de bom nessa merda de mundo.

O silêncio voltou, mas dessa vez não era sufocante.

EMIYA estalou a língua.

- Vocês já estão tornando isso sentimental demais.

- E você está fingindo que não sente nada. - Okita rebateu. - O que é definitivamente uma grande  mentira.

Ele não respondeu.

Lydia respirou fundo em ter que aguentar a presença daquele cara.

- Nós não somos heróis. - A voz do homem de chapéu ao lado da sua esposa com o sobretudo de escamas chamou a atenção da eslava. - E também não somos vilões. Mas ainda assim nós somos necessários para proteger esse mundo.

- Exatamente - Okita respondeu. - E isso é mais importante do que você imagina.

Lydia olhou para os próprios punhos. Depois, para o céu inexistente.

Os aviões não estavam caindo agora.

- Se é assim que a minha decisão irá me condenar… — Ela disse, com voz firme pela primeira vez desde que foi convocada por Alaya. - Então eu vou continuar voando como sempre fiz.

EMIYA sorriu de lado.

- Heh. Cuidado. É no inferno que você está caminhando.

Okita abriu um sorriso largo para a piloto.

- Seja bem-vinda de verdade, Lírio Branco de Stalingrado.

Fujino apenas assentiu enquanto Oryou e Ryoma balançavam a cabeça em positivo para a piloto.

- Ei, Assassin! - A samurai chamou pelo Espírito Heróico de armadura que estava pescando sentado no lago! - Não vai se apresentar pra Lydia?

- Eu ainda não consegui pescar a truta. - O mascarado falou em um tom baixo o bastante para todos ali ouvirem.

- Como sempre, nunca muda nada nem mesmo depois de tantos anos, pirralho. - Natalia riu de lado enquanto olhava para o "herói" de armadura. - Suponho que nem obedecendo a sua mãe aqui você faz o que os outros pedem, não é, Kiritsugu?

Kiritsugu Emiya suspirou pesadamente e virou o seu rosto para a eslava, retirando as bandagens que ocultavam a sua face.

- Lydia Litvyak, meu nome é Kiritsugu Emiya. Me chamam de EMIYA, o Assassino de Magos.

No mesmo momento em que ouviu o nome de Kiritsugu, Lydia se virou para o Archer de cabelos penteados e ele somente mantinha o seu olhar fechado e indiferente. Então esses dois eram parentes, não é?

E naquele espaço fora do tempo, pela primeira vez desde que se tornara um Espírito Heróico, Lydia Litvyak não se sentiu completamente sozinha.

Todos aqueles Espíritos Heróicos eram pessoas que não se encaixavam em lugar nenhum no mundo e tá tanto visualmente quanto moralmente, eles não passavam de aberrações. Mas eles eram os que protegiam o mundo, mesmo Alaya os mandando para corrigir o que a humanidade sempre fez de errado.

Quando não estava em missão, Lydia existia em um espaço que não era lugar algum. Um céu azul infinito, nuvens imóveis, silêncio absoluto. Ela flutuava ali, sentada no nada, pernas dobradas, mãos sobre os joelhos.

Sozinha.

Então os aviões começaram a cair.

Primeiro um. Depois dezenas. Depois milhares.
Caças antigos, bombardeiros, aeronaves modernas — todos despencando daquele céu impossível. Nenhum explodia. Nenhum deles alcançava o chão. Era apenas uma queda eterna, uma repetição infinita do instante final de sua vida.

Lydia observava sem reação.

Ela compreendeu que aquilo não era punição. Era memória.

A guerra jamais a deixaria. O céu jamais seria apenas céu.

Alguns anos após tanta amargura, naquele não-lugar, Lydia Litvyak finalmente morreu de verdade. Uma consequência para os Contra-Guardiões que não aguentam levar uma vida inteira de sangue e morte nas mãos. O que restou foi gravado no Trono dos Heróis, não como uma salvadora, mas sim como um paradoxo necessário esperando para que pudesse corrigir os erros que a humanidade faz para se auto-destruir todos os dias.

Um Espírito Heróico nascido do pecado da humanidade.

Nos registros do mundo, ela passou a ser conhecida por um outro nome que jamais existiu em vida:

O Lírio Negro de Stalingrado.

Uma flor que simbolizava a morte através de uma paz genuína e eterna.

Uma Guardiã que voa para que o mundo continue girando — mesmo que, para isso, precise cair eternamente.

 



 

 


 

 

 

 


A cripta subterrânea da Igreja estava mergulhada em silêncio absoluto, quebrado apenas pelo eco distante de velas queimando lentamente. Runas traçadas em tinta carmesim e reagentes sagrados formavam um círculo de invocação improvisado — algo que não deveria existir ali, muito menos ser ativado por alguém como uma executora.

E ali, estava uma freira de óculos terminando de preparar o círculo no chão usando sangue e algumas pedras reagentes a mana.

A mulher de cabelos escuros em um tom azulado suspirou e respirou continuamente.

Ela respirou fundo uma última vez e finalmente se olhou pronta para fazer o que era necessário.

Como uma Executora do Santo Ofício da Funerária da Igreja, invocar um Espírito Heróico sem permissão de seus superiores era uma grande blasfêmia. Como alguém que já caminhava à beira da eternidade e do pecado, era apenas mais uma escolha inevitável a ela. Afinal de contas, ela nem sempre esteve a favor das leis da Igreja.

- Esse não é um ritual projetado para o Cálice… mas acredito que deve ser o suficiente.

Ela retirou a sua luva direita, com o olhar dourado refletindo a luz instável das velas. No centro do círculo, se repousava o catalisador: uma pequena insígnia soviética deformada pelo tempo, resgatada de um campo de batalha esquecido, que ainda carregava um eco feroz de vontade humana que persistia em lutar.

Ela começou a recitar.

“Que a prata e o ferro sejam a base. Que a pedra e o arquiduque sejam o alicerce. Antepassado é o meu mestre, Schweinorg.
Erga uma parede contra o vento que desce. 
Feche os portões das quatro direções. Saia da coroa e siga a estrada bifurcada que leva ao Reino dos Céus.
Preencha. Preencha. Preencha. Preencha. Preencha. Repita cinco vezes.
Mas quando cada um estiver cheio, destrua-os. 
Ouça as minhas palavras. 
Minha vontade criará o seu corpo, e sua espada criará o meu destino.
Se você chama pela vontade do Graal e obedecer a minha vontade e razão, então me responda! 
Eu juro que farei tudo de bom no mundo. 
Eu juro que farei tudo o que há de mal no mundo.
Sete dias revestidos com a terceira palavra de poder.
Venha do círculo de contenção, Guardião da Balança.
Que o vermelho seja o juramento, e o céu, o caminho percorrido!
Seja o meu Servo e juntos conquistaremos o nosso destino!”

À medida que as palavras deixavam seus lábios, o ar ficou pesado. A temperatura caiu abruptamente, como se o próprio inverno tivesse descido naquele lugar sagrado.

O círculo brilhou em um tom azulado, e o espaço acima dela começou a se distorcer.

Ciel sentiu algo singular ali na presença dela. Não era uma presença divina e muito menos algo nascido do mistério puro.

Era humano.

O círculo explodiu em luz.

Um vento cortante varreu a cripta, apagando várias velas. Fragmentos de gelo espiritual se formaram no ar, como cristais suspensos. Quando a luz cessou, alguém estava ali.

Uma jovem de cabelos loiros quase brancos, presos de forma simples. Ela vestia um uniforme de piloto antigo com um sobretudo por cima, marcado por insígnias vermelhas e detalhes gastos pela guerra. Em suas costas, manifestava-se a silhueta espectral de um caça, como uma sombra feita de mana e memória.

Os olhos claros dela eram frios, mas vivos — percorreram o ambiente com precisão militar.

Ela respirou fundo, como alguém que acabara de pousar após um combate mortal.

- Então é aqui que eu acabei.

Ciel manteve a postura firme, embora sentisse o peso da invocação pressionando sua alma.

- Espírito Heróico, me responda imediatamente. Diga-me o seu nome.

A jovem sorriu de lado, um sorriso curto e orgulhoso, mas carregado de cansaço saiu de seu rosto.

- O meu nome é Lydia Vladimirovna Litvyak, Serva da Classe Archer. - A loira se apresentou para a executora de cabelos preto-azulados. - Sou a piloto da Força Aérea Soviética. Chamavam-me de Lírio Branco de Stalingrado, mas agora sou o Lírio Negro. 

O ar vibrou em confirmação. O contrato havia sido aceito.

Lydia então voltou o olhar diretamente para Ciel, analisando-a dos pés à cabeça — o hábito da Igreja, a presença pesada de alguém que já conhecera o inferno… e voltara ainda viva sem nenhum arrependimento.

Ela inclinou levemente a cabeça e olhou para a freira executora.

- Então devo reconhecer que foi você quem me puxou para fora do Trono dos Heróis, e já sinto o pacto entre nós duas e os seus Selos de Comando. - Uma pausa. - Você é a minha Mestra?

A mulher de cabelos escuros fechou os olhos por um instante, sentindo o selo do contrato queimar suavemente em sua mão.

- Sim. - Ela estendeu a sua mão direita para a sua nova Serva em sua frente. - Meu nome é Ciel. Enquanto este contrato durar, lutaremos juntas, Archer.

 

 

 

Notes:

Faltou mais alguns Contra-Guardiões, mas alguns deles não são permanentes como a Asagami Fujino. E óbviamente, a Natalia não é uma guardiã canônica, mas ela combinaria se pudesse ter uma segunda chance por Alaya. A Lydia é uma personagem bem poderosa, pois ela já foi uma maga antes de virar um Espírito Heróico e também se salvou de uma furada, já que foi justamente na Terceira Guerra do Santo Graal onde deu toda aquela merda causada pelo Angra Mainyu.

(E acho que agora ficou óbvio ao verem que ela é a "eslava" da minha Sexta Singularidade alternativa)

Ainda me faltou um pouco de profundidade sobre a Lydia, então essa one estará propensa a mudanças a qualquer momento, então, muito obrigado por lerem 👍

Series this work belongs to: