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Quem vocês querem enganar?

Summary:

Knox e Anya tentam manter seu relacionamento não aprovado em segredo, mas será mesmo que eles são bons nisso?

Notes:

Até onde pequenos gestos de carinho podem passar desapercebidos pelos olhos das pessoas ao redor?

Essa fanfic faz parte de uma série, os capítulos podem ser lidos separadamente.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

"Siga meu caminho para o amor"

- 𝗤𝘂𝗲𝗲𝗻

 

Nas Profundezas as pessoas não ligavam para os relacionamentos dos outros, estavam ocupados demais lidando com suas vidas e resolvendo seus problemas, no trabalho ou em casa. Isso se desviou por causa do companheirismo e porque era difícil os casais dos níveis mais baixos ganharem permissão para um casamento. O mais difícil ainda era eles conseguirem ter filhos, o Topo não queiram que a profundidade aumentasse, não queria que eles infectassem uma nova geração com ideais revolucionárias perigosas para a ordem do Silo. Porque sabia que os mecânicos são os mais perigosos de todos. 

 

Anya e Knox não se importavam muito em deixar o relacionamento escondido e trancado a sete chaves como um segredo. Eles continuaram a agir como sempre fizeram nesses anos, todos de amizade, toques inocentes e poucas projeções de carinho em público. Todos sabiam que eles eram um casal, mas os níveis acima não sabiam e não podiam, porque era um relacionamento não aprovado. Knox não queria colocar os dois em perigo, mas esperava que se passasse alguns meses como Chefe para poder mostrar sua competência e papel vital para o Silo, não recebesse uma temida resposta negativa.   

 

Estava indo tudo bem com todos. Juliette entrou para a equipe da mecânica e Hank virou delegado, agora ele andava pelos corredores quase esfregando seu distintivo na cara de todos que o desmotivaram, ele fazia bem seu trabalho e era dedicado a isso. Todos sabiam que ele seria bom por sua gentileza e justiça. Mas nunca passou pela cabeça dele denunciar Knox ou Anya pelo relacionamento não autorizado, mesmo que isso pudesse lhe trazer problemas, por omissão, mas se fingiria de louco e diria que nunca havia notado. Hank foi um dos primeiros a receber a notícia. 

 

As coisas continuaram indo muito bem se o Topo não mandasse dois Delegados do Xerife para se juntarem à Delegacia das Profundezas. Walker disse que eles fizeram isso porque havia um novo Chefe da Mecânica, que eles estavam ali para observar cada passo de Knox e relatar qualquer deslize ao Judiciário, qualquer pequena tendência que eles pudessem interpretar como ações que inspirariam uma revolução. Queriam ver se Knox não era curioso o bastante para se tornar perigoso. 

 

E isso era um problema, ter duas vigias de olhos bem abertas que anotavam a quantidade de vezes que ele respirava ou vai ao banheiro. E eles adorariam relatar um relacionamento não autorizado para a queimar do filme de Knox, na verdade deve estar sendo torturante aguentar isso. Para que Knox desse o menor deslize e fosse mandado para as Minas, ou se achasse algo realmente escandalizador, para a Limpeza. 

 

Walker avisou que eles deveriam ser ainda mais cautelosos de agora em diante, sem brincadeiras que poderiam ser mal interpretadas, sem andar de mãos dadas, sem visitar um ao outro sem se importar em serem vistos, sem mais beijos de despedida na frente da casa de Anya, sem toques demorados ou carinho demais. Eles praticamente tinham que se esconder muito bem. 

 

Eles perceberam que seria difícil, já que estavam tão habituados com aquilo que poderiam agir de forma inconsciente e estragar tudo. Como quase fizeram naquela manhã. Como Knox não poderia mais esperar na porta de Anya com uma garrafa de café, ele esperava ela passar e a acompanhava como se os deveres ocasionais se encontrassem, para não deixar muito claro, eles alternavam os caminhos até o trabalho ou ao refeitório. Mas o erro foi quando Anya ia quase saindo de casa com usando uma jaqueta de Knox, que tinha o nome dele nela, mas se lembrou antes de atravessar a soleira da porta, e isso os salvou, porque um dos idiotas estava em uma banca de bugigangas que ficaram em frente ao apartamento de Anya.

 

"Aqueles dois idiotas me irritam tanto." Anya comentou ao entrar na Sala de Controle da Ala do Gerador. Knox estava sentado em frente à grande janela de vidro com um livro de registros no colo. 

 

"Já tá reclamando logo cedo." Shirley, que estava pegando uma ferramenta em sua gaveta, brincou. Saindo correndo quando teve que passar por Anya na porta, protegendo a cabeça para não levar um tapa. 

 

"Estavam na frente da sua casa?" Knox fechou o livro, o colocando em cima do painel. Ele usava umas das camisas que Anya mais gostava. Cinza, de mangas longas puxadas até os cotovelos que deixavam seus ante braços à mostra, com veias salientes se perdendo por baixo da pele branca. Knox também gostava dela porque foi usada por Anya na última noite que tiveram juntos antes da paz acabar.

 

"Um deles, sim." Ela se mudou, pegando o copo de café que Knox a estendeu, que ele mesmo estava bebendo.

 

"O outro me acompanhou até em casa ontem, me senti seguro." Ironizou, inclinando a cabeça para cima para poder olhar para o rosto de Anya. Enquanto a mão estava ocupada em fazer carinho na panturrilha dela, ninguém conseguia ver do lado de fora. 

 

Knox segurou a caneta que estava usando para fazer anotações e a deixou cair no chão de modo descarado, olhando para Anya com uma sobrancelha erguida, que riu antes de se abaixar, mas Knox aparentemente teve a mesma ideia, se inclinando e casualmente, segurou o rosto da namorada enquanto a dava um beijo cheio de saudade. 

 

"Ei." Ele sussurrou quando se separaram e colou sua testa com a dela. Segurou a mão de Anya que pegou a caneta. 

 

"Ei." Anya riu, dando beijinhos nas bochechas de Knox. 

 

"Senti saudades." Knox tinha os olhos fechados, apreciando o carinho. Eles aproveitaram cada pequeno segundo do dia para poder demonstrar um pouco como sentiram falta um do outro. 

 

"Eu também, querido, eu também." Anya se declarou, com a mão ainda sob a de Knox. "O que temos hoje?" Ela disse, se inclinando sobre os ombros de Knox, uma mão nas costas da cadeira enquanto observava as anotações que ele tinha feito das tarefas do dia. 

 

Knox respirou fundo, sentindo o cheiro de sabonete que emanava da pele de Anya, do calor do corpo tão próximo do seu. O coração batendo rápido, nervoso por ela estar bem ali, onde suas mãos poderiam tocar, mas estava temporariamente proibido e isso só tornava a vontade mais forte. 

 

"Algumas trocas na tubulação que transporta o vapor para o gerador estão enferrujadas e mal calibradas, os medidores estão gritando." Ele comentou, batendo a caneta nos ponteiros. 

 

"Posso?" Anya disse, sorrindo e animada.

 

"Pode, mas não esqueça de usar luvas térmicas, não quero mãos queimadas na sala." Alertou, se lembrando de quantos dedos vermelhos ele já teve que cuidar porque Anya foi descuidada e negligente com sua própria proteção.

 

"Certo, chefe." Ela riu, bagunçando o cabelo dele e empurrando a cabeça antes de sair disparado pela porta, Knox quase pulou da cadeira quando a viu pular os dois últimos degraus da escada. 

 

Era Anya que o estava deixando com fios grisalhos.


"Vocês são dois descarados que usam uma senhora idosa." Walker reclamou, apontando a chave de fenda para Anya e Knox, que estavam em pé perto de sua estação de trabalho da Oficina. Abraçados, com as bochechas grudadas.

 

"Seja um pouco menos amargurada." Knox beijou a bochecha de Anya de propósito, sabendo das demonstrações de afeto que deixaram Walker irritada. Ela odiava casais felizes, odiava qualquer casal que não fosse ela e Carla. O que acaba resultando em vinte e cinco anos de ódio gratuito para todos.

 

A oficina da Walker era um dos poucos lugares seguros, ninguém entrava sem permissão a não ser que estivesse disposto a um galo na cabeça causado por ferramentas voadoras. 

 

"Está quase na hora do almoço, vão logo e sumam da minha frente." Walker podia reclamar o quanto quisesse, mas eles sabiam que ela os adorava. Aquele grupo de amigos era a luz nos dias solitários de Martha, a salvava todos os dias e ela faria o possível e o impossível por eles.

 

Como todos os dias há vários anos, o grupo se reúne para almoçar juntos. Eles foram os últimos a chegar. Hank estava em uma discussão calorosa com Shirley sobre como todos da Profundeza se sentiam menosprezados pelos Níveis superiores. Enquanto isso, Juliette parecia bem ocupada em uma intensa troca de olhares com George Wilkins, ele era Programador e diziam que estava tentando abrir uma oficina de reparos. Para a infelicidade do casal de mecânicos, os delegados enxeridos estavam lá, coincidentemente sentados na mesa ao lado deles. Knox puxou a cadeira para Anya se sentar, ela acenou para os dois idiotas apenas por puro deboche. Depois virou o rosto e fingiu coçar o rosto, usando apenas o dedo do meio.

 

"Finalmente, achei que vocês esperassem a gente morrer de fome aqui para darem as caras." Assim que Shirley terminou de falar, seu estômago roncou alto. "Tá vendo? Ele concorda."

 

Logo a mesa explodiu em risadas. Estavam mais ocupados agora, levando as coisas mais a sério, não podiam ficar vagabundando o dia inteiro, batendo perna pelos corredores do Silo. Tinham empregos e responsabilidades, mas quando estavam juntos, era como se voltassem a ser adolescentes de novo.

 

Depois de buscar suas bandejas de comida, se dividiram em conversas individuais. Hank reclamou com Shirley e Knox de que estavam fazendo dele secretário na delegacia, que os outros o mandavam fazer café e limpar o chão. Porque Hank era o mais novo e rapidamente virou capacho dos mais velhos que se aproveitavam apenas por eles terem mais anos de serviço, mas eles nem conseguiram correr sem quebrar os dois joelhos. Anya seguiu o olhar de Juliette, quando George foi pego, abaixou a cabeça envergonhado, voltando ao canto.

 

Anya riu enquanto batia seu ombro com o de Juliette, foi a primeira vez que ela se mostrou interessada em algo que não era o Gerador ou coisas que primeiro precisavam de concerto.

 

"Esses bananas não param de olhar para a gente." Shirley reclamou, apontando com a cabeça para os homens que apenas bebem café. "Ei! Perderam alguma coisa na nossa cara?" Perguntou alto, todos que estavam comendo pararam para prestar atenção. Ela se levantou, mas Anya a puxou de volta para a cadeira.

 

"Pelo amor de Deus, Shirley. Eles podem te prender por isso, é ofensivo em público, principalmente porque eles não precisam de muito pra isso." Hank falava baixo, inclinado sobre a mesa. "Eles têm enchido a cela da delegacia todos os dias, coisas que todos fazem vista grossa eles transformam em tempestade no copo de água. É melhor não se meter com essa gente."

 

Anya e Knox trocaram olhares, ela abaixou a cabeça para comer enquanto ele ficou pensativo por alguns segundos antes de suspirar.


Anya saiu da sala de controle para respirar um pouco de ar puro, estava no início da manhã, havia feito sua checagem matutinal e tudo estava em ordem, observava os mecânicos chegando para começar os trabalhos. Knox ainda não havia aparecido, o que não era de seu feitio, ele estava ali antes mesmo das luzes de acenderem. 

 

"Obrigada." Anya segurou o copo que Shirley lhe entregou, café fresquinho, ainda quente e bem forte. A mulher entrou para a sala e deixou Calder sozinha no corredor de metal com vista para toda a sala dos geradores. 

 

Pouco tempo depois, viu Knox entrando correndo na sala e observado as passarelas do pavilhão a procura de algo, alguém, mais precisamente, Anya. Ele subiu as escadas rápido, pulando alguns degraus. 

 

"Alguém acordou de bom humor." Normalmente Knox só era suportável depois do café da manhã. 

 

Ele respirava fundo, tentando recuperar o fôlego, o rosto brilhoso por suor, Anya se questionou se havia corrido desde seu apartamento até ali, o que não era tão perto assim. 

 

"Eu fiz uma coisa." Knox admitiu. 

 

"Matou alguém?" Ela levantou uma sobrancelha, irônica. Se o tivesse feito, não pareceria tão feliz. 

 

"Solicitei permissão matrimonial para o Topo e adivinha?" Knox deu um largo sorriso, apoiando uma das mãos no corredor de metal. 

 

"Não!" Anya arregalou os olhos em descrença, seria mesmo possível? 

 

"Vamos nos casar!" Knox abriu os braços, Anya se jogou contra ele rindo alto. Knox a segurou firme pela cintura, girando-a e gritando para todos escutarem que eles estavam noivos agora. 

 

Knox não havia dito que havia feito uma solicitação porque se o fizesse, Anya ficaria na expectativa e detestaria ter que vê-la triste se lhes fosse negado o direito de casamento. 

 

Mas isso não importa mais, eles vão se casar!

Notes:

Acompanhem mais sobre Knox e Anya lendo os outros capítulos da série.

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