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a culpa é da bebida (só que não)

Summary:

Arthur Cervero está apaixonado por seu colega de missão, Dante, já faz 3 anos, mas o loiro nunca deu um sinal de reciprocidade ou o oposto. Enquanto Arthur se afoga em mágoas e bebida, Dante entra em crise de sexualidade.

Notes:

Minha primeira vez escrevendo assim tá relevem qualquer mediocridade 💔

Chapter Text

 Arthur está no balcão do Suvaco Seco, o bar de sua mãe, apoiado no balcão resmungando aos montes – Fala sério, Ivete! Já me pediram em namoro umas 4 vezes durante esse tempo, e eu não consigo aceitar.. – O garoto coloca a cara dentro do braço, xingando a si mesmo.

– Ah, Arthur... – Ivete coloca a mão nos cabelos castanhos do garoto – Você deveria se abrir com ele, nem tudo é uma missão impossível – Ela gesticula enquanto volta pro balcão, misturando alguma coisa com outra, tentando criar um drinque aceitável – Que tal você falar com o Balu? Ele tem experiência com essas-

– NÃO – Arthur levanta de imediato, os olhos arregalados – O Balu... eu não sei se ele é a melhor opção pra falar disso, ele é... intenso – Arthur fita a mãe, esperando uma resposta - Ivete suspira - E volta a misturar coisas, limpar copos, limpar o balcão – Tá, guri, se tu quiser continuar nessa miserê aí já não é comigo! – Ela gargalha e gesticula pra ele sair do balcão – Xispa daqui, vou fechar o bar daqui a pouco, deixa só ele terminar a bebida – Arthur olha na direção que ela apontou – Algo em Arthur queima, uma pessoa, provavelmente nos seus 20 e poucos anos, cabelos ruivos encaracolados, e olhos pretos hipnotizantes, o que mais deixou Arthur atraído foi a androginía daquela pessoa.

– Arthur? – Ivete dá um tapa na nuca do rapaz – Anda guri! Já falei que tô quase fechando o bar – Arthur se levanta, ainda hipnotizado por aquela pessoa paranormalmente bela, começa a ir pra fora do bar, mas algo nele ferve.

Pega o número delu.

Ele congela, a cabeça começa a matutar: "Eu deveria fazer isso mesmo?" "E se ela.. ele.. ficar incomodade?" "Ou eu levar um belo de um fora?"

"E se o Dante descobrir?"

...

Ah.

Arthur sai do transe e vai até a mesa da pessoa.

– Er.. boa noite, moço...? – Seu rosto fica vermelho de vergonha – Caralho, desculpa, é que eu não sei seus... pronomes, desculpa mesmo – Arthur começa a virar as costas pra sair, mas a voz dela o para no lugar – Não precisa se desculpar, moço – Ele ri, como se aquilo acontecesse com frequência – Eu uso qualquer pronome, fica tranquilo, seu nome é Arthur né? o meu é Ari – elu sorri, estendendo a mão para Arthur, que aperta com delicadeza, medo de espantar alguém tão atraente com seu jeito meio bruto

– Ari, prazer! Foi mal pelo surto.. é que eu não tenho costume de falar com pessoas... não binárias, sabe? Eu até tenho dois.. quer dizer, um amigo mas não é a mesma coisa – Ele tosse forçadamente – Mas eu gostei de você! E eu.. – Arthur bota a mão no rosto " Caralho como eu sou tão leso pra isso?" Ele volta a si – Eu queria pedir seu número, se você quiser, lógico – O garoto sente o rosto arder, provavelmente ele vai se arrepender disso, mas são épocas desesperadoras pra ele.

Ari pega o celular do bolso e começa a teclar, abrindo o whatsapp

– Anota aí, bonitinho, o número é 11, 9 04...

– Anotado, te vejo depois, então...? 

– Só se você quiser – Ari pisca pra ele e começa a sair, dando um tchauzinho animado pra Ivete e virando a esquina do bar.

 Ivete dá um sorriso de canto, balançando a cabeça, e sai do balcão, limpando as mesas, e apagando as luzes do bar – Boa guri, gosto de te ver assim, corajoso! – Ela bate nas costas de Arthur, que ainda tava nervoso por causa da situação – E relaxa um pouco filho, caramba hein? Ela mesmo te elogiou aqui, vai dar tudo certo – Ela começa a abaixar os portões do bar – Agora, sério mesmo, XISPA DAQUI! – Ela dá uma empurrada de leve no garoto, que olha pro céu do lado de fora do bar, a lua estava quase sumindo nas nuvens, ele imagina onde o Dante estaria agora.

***

 Dante escuta o inconfundível som da moto de sua grande amiga, Carina Leone, parando em frente a lanchonete que ele está, ela sai da moto, tirando o capacete e balançando os cabelos escorridos, ela vai até Dante, com uma expressão complicada

– Fiquei preocupada quando você ligou tarde assim, bionda – Ela senta e começa a ler o cardápio – Sangue de Menstruação? que tipo de drinque é esse... – Ela olha pro Dante, claramente absorto em alguma coisa – Ow, acorda aí, loirinho – Ela estala os dedos na frente dos olhos dele.

– Ah, desculpa, Carina, é só que... – Ele toma um pouco da água com gás na mesa, fitando o copo – Eu tô muito... confuso ultimamente, sobre.. o.. – Dante trava, ele nunca esteve confuso assim, porquê agora? – Sobre uma pessoa. – Ele encara Carina, que olha firme pra ele.

Ela não vai entender.

– Escuta, se você não tiver afim de falar, tudo bem, a gente pode só beber e falar de outra coisa, sabe?

Dante aperta o copo, claramente nervoso.

– Eu sei, Cari, é só que... eu tô..

– Dante, você tá... apaixonado? 

– Não. – Mas algo em sua mente parecia discordar.

– Então sobre o que é essa confusão?

– ...

Talvez, só talvez.

 Dante toma mais um gole da água, olha pro céu, a lua saiu de dentro das nuvens.

– É sobre o Arthur. – Ele não olha pra Carina, mas sente o olhar incrédulo dela sobre sua cabeça.

Caralho, eu... não imaginava. – Carina desvia o olhar dos cabelos do loiro e se volta pro cardápio, olha por alguns segundos e chama um garçom – Vou querer dois Negroni, capricha no gelo, per favore – Ela dá uma piscadinha pro garçom, que sai sem graça pra dentro da lanchonete.

– Vamo fazer assim, vamo beber um pouco, desvendar essa confusione toda, e aí resolver o conflito, listo?

Dante sente que 'beber um pouco' pode criar um clima tempestuoso mais tarde.

***

Arthur Cervero está muito bêbado.

Ari também está rendida ao álcool, mas ainda tem um traço de sobriedade, e está cuidando para que Arthur não destrua tudo na balada ou saia vomitando em todo mundo.

– Ahh Ari fala sério! eu tô bem... Me dá mais um copão aí! – Ele exclama pra uma pessoa aleatória que passava ali

– Não, você não tá – Ari segura o riso, enquanto senta Arthur em um dos sofás no canto da balada – Vamo pra casa, Tutu, você vai dar PT daqui a pouco.

Tutu.

Arthur volta um pouco a realidade, encara Ari, olha pra balada ao redor, e suspira.

– Isso não vai dar certo. – Ele coloca as mãos no rosto – Eu sou patético, não sou?

 Ari coloca as mãos no lado do rosto de Arthur, fazendo-o a encarar.

– Não, você não é patético, você só tá bêbado, vamo pra sua casa, eu te deixo lá e depois vou pra casa, se você quiser – Ela faz um cafuné no cabelo de Arthur, que tá com os olhos vermelhos de choro.

– Eu quero ficar com você – Ele abraça Ari – Dante.

 Um silêncio desconfortável se instala no abraço dos dois.

 A música continua alta, martelando a mente dos dois, Ari afasta Arthur, o fitando com um olhar pensativo, ele levanta, pega o celular pra chamar um uber e se afasta.

 Arthur agora estava se sentindo mais patético ainda, como que ele conseguiu chamar o não binário lindo que ele acabou de conhecer pelo nome da paixão dele? "Isso é tão estúpido" Ele pensava consigo mesmo, enquanto virava mais um copo de Uísque com energético.

 Alguns minutos depois, Ari volta pra onde Arthur está, o chamando pra ir pra casa, mas ele não estava mais lá.

"Merda."

 Elu começa a andar rápido pela balada, chamando o nome de Arthur, verificando pessoas bêbadas, rodando e rodando, até que ele chega na porta, onde ele está, sentado na calçada, choramingando com uma garrafa de Heineken na mão.

– Arthur... eu.. – Ela chega perto, se agachando ao lado dele – Era só você me falar que.. namora, sabe?

 Arthur para de choramingar por uns segundos, olha pra frente, meio incrédulo

– Namorar? não, não... eu não.. – Ele olha pro céu de novo – O Dante não é...

 Ari suspira, alisando o ombro de Arthur 

– Ei, não precisa me contar nada, você tá muito bêbado, e eu também tô alterade, vamos só ir pra casa? – Ele levanta, estendendo a mão pra o rapaz.

– Você não tá com raiva de mim? – Arthur funga – Eu te chamei de Dante, sendo que você é Ari, eu.. – Ele enfia a cabeça entre as pernas, xingando abafado.

 Ari dá uma risadinha e bagunça o cabelo de Arthur.

– Relaxa, bobo, você só errou um nome, ou você já esqueceu o tanto que os nb sofrem com isso? – Elu levanta e coloca a mão na cintura, olhando o telefone – Desde que você ainda esteja afim, e não erre mais o nome... Eu tô de boa.

 Arthur dá uma risada tímida, e se levanta, cambaleando, Ari o segura, o apoiando no ombro e o levando até mais longe da balada. 

 Eles passam alguns minutos em silêncio, andando até uma praça com mais claridade, pra pedir o uber.

– Quer ir pra minha casa? – Arthur pergunta, de forma despretensiosa – Tem dois quartos, caso você não queira... dormir.. comigo – Ele tropeça e quase cai, se não fosse por Ari o agarrando pelo único braço.

– Ah, claro, é muito longe? 

– É ali na Rua Fer....

– Ah, sei! Então tá ótimo, vamo lá 

 Eles finalmente chegam na praça, pedindo o uber apenas pra casa de Arthur, chegando no apartamento, ele se embola na hora de abrir a fechadura, esquecendo qual a chave certa, Ari ri da situação, enquanto Arthur começa a se estressar com as chaves.

– Ei, relaxa aí, me dá aqui... – Ari com delicadeza pega as chaves da mão de Arthur, encaixando uma por uma, enquanto Arthur a encara com um olhar pensativo, talvez admirando? difícil de definir. "Click!" A chave certa encaixa.

***

 – Desce outro Negroni aí! – Carina exclama, já meio alterada pelo álcool – Não vai querer, Dantezinho? 

– Ainda tô terminando esse.. – Dante toma mais um gole, consternado – Eu não acho que deveria beber mais, Carina... 

 Carina pega o próprio copo e toma um baita gole, encarando Dante com um olhar questionador.

– Você tá com medo.

– M-medo? de quê?

– Da bebida mexer contigo, né!

 Carina toma mais um gole, sorrindo de orelha a orelha.

 Dante suspira, virando o copo, e tossindo levemente.

– Eu tô com medo de ir atrás dele, Carina, tenho medo de...

Você tem medo dele te odiar.

 Dante tem um calafrio perceptível, encarando o celular, já aberto no Instagram, ele abre, dando uma olhada rápida, até que ele abre o perfil de Arthur, intencionalmente. Uma foto dele e de Ari, na balada, cada um com um copo na mão, sorrindo.

 Ele larga o celular com violência na mesa.

– Ei! que que houve, Dante? – Carina se assusta, tocando no ombro de Dante, ela olha pro celular na mesa, a feição se suavizando lentamente. – Ah, bionda... tu tá com ciúmes.

 Dante deixa escapar um soluço, os olhos marejados – Carina, e-eu nunca passei por isso, sabe? eu não c-consigo lidar com isso. – Ele deita nos próprios braços, se aninhando em busca de conforto.

Carina se sensibiliza pela situação do amigo, ela solta um suspiro abafado, levanta, e toca no ombro do loiro.

– Vamo pra casa, Dante, você tá mal, eu fico contigo essa noite.

– É, acho que isso seria o melhor mesmo. – Dante termina de tomar metade do copo de negroni que repousava na mesa, não tossindo dessa vez. 

 Dante monta na moto de Carina, que já tá ligando e dando partida em direção ao bairro de Dante, a lua tá quase se pondo.

***

 Arthur acabou de tomar uma ducha extremamente gelada, e tá se encarando no espelho do banheiro, a água escorre pelo seu cabelo castanho-grisalho.

Você estragou tudo de novo.

 Ele chacoalha a cabeça e sai do banheiro, começando a se trocar, o barulho de batidas na porta tira Arthur do transe, a voz de Ari abafada se escuta do outro lado 

– Arthur? Posso entrar?

 O garoto veste um short rapidamente e responde que sim, se sentando na cama e pegando o celular, enquanto Ari entra no quarto, ele abre o Instagram, procurando por algum sinal de Dante, nada. Ele abre o WhatsApp, nada. Ele não saiu? Ou ele não postou nada?

Arthur! – A exclamação de Ari tira Arthur do transe de novo – Cê tá alterado ainda, bê?

 Arthur joga o celular de lado, olhando pra Ari, elu estava linda, os cabelos molhados, uma blusa emprestada dos Dragões metálicos, e um short de dormir, seus olhos ainda irradiavam aquele calor em Arthur, mas...

Nada. Se compara aos olhos cor de mar dele, né?

Arthur engole em seco, sorri de leve pra Ari – Senta aqui, vamo jogar conversa fora – Ele dá tapinhas na cama.

 Ari se senta, um sorriso torto se forma em seu rosto – E então...? Você quer falar de quê? – Ari se encosta mais pra perto de Arthur, os joelhos se tocando.