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Nagi ainda estava dormindo quando o celular começa a tocar em cima do peitoral. Ele lentamente abre os olhos, ainda tonto e descabelado de sono e pega o celular para ver quem estava incomodando tão cedo. Ah, era Reo. Ele havia esquecido completamente que eles haviam combinado de passar o dia juntos, e já estava arrependido, considerando que isso envolvia ele ser acordado as 7 horas da manhã em pleno dia de folga. De forma relutante, ele atende a ligação
'-Ei Nagi, já está pronto? Estou saindo de casa para te buscar e chego aí em 10 minutos!' A voz alegre e enérgica de Reo podia ser ouvida do outro lado da linha.
'-Eu acabei de acordar com você me ligando, e estou morrendo de preguiça de levantar da cama. Acho que vou ficar aqui...' Nagi resmunga.
'-O que? Nada disso! Levanta, vai escovar os dentes, tomar um banho e trocar de roupa. Olha, não precisa nem preparar nada para o café da manhã que hoje vamos comer fora, tá bom? Logo eu chego aí' E antes que Nagi pudesse reclamar de mais alguma coisa, Reo desliga. Que saco...
Ele praticamente se arrasta para fora da cama, dá bom dia a Choki, vai para o banheiro escovar os dentes e tomar banho, e saí de lá usando apenas uma toalha na cintura. Ele volta para o quarto e preguiçosamente se joga na cama, decidido a esperar Reo chegar para escolher o que ele deveria vestir para a ocasião.
Como prometido, Reo chega após exatos 10 minutos desde a ligação e bate na porta.
'-Tá aberta, entra...' Nagi grita do quarto alto o suficiente para Reo ouvir e entrar na sala, indo logo até o quarto.
'-Nagi, você não pode deixar a porta principal aberta assim, é perigoso-' Mas ele se interrompe ao ver o amigo ali esparramado na cama, apenas de toalha. '-Nagi, eu não acredito! Eu mandei você ficar pronto para que nós saíssemos daqui e pegássemos o trem para Hayama o mais rápido possível, e quando chego você ainda nem se vestiu? A viagem demora 1 hora, e precisamos pegar o trem para chegar na praia antes do café da manhã fechar as padarias da estação' Reo não consegue evitar ficar irritado com Nagi, que apenas o encarava, sonolento.
'-Que saco, se eu soubesse que precisava acordar tão cedo, nunca teria concordado...' Nagi novamente resmunga, fechando os olhos.
Apesar do estresse momentâneo, Reo logo se acalma e lembra que não consegue ficar bravo com Nagi por muito tempo, então ele vai até o armário pegar algo para o garoto vestir. Ao abrir o armário, ele encontra algumas poucas camisas do mesmo modelo oversized que variam apenas nas cores e ainda menos variedade de bermudas e calças. '-Sério que mesmo com tão poucas opções de roupa você ainda precisa da minha ajuda pra se vestir?' Reo ri enquanto pega uma camisa azul clara e uma bermuda de algodão e joga para Nagi, que havia se sentado na cama.
'- Ei, cadê a cueca-' O de cabelos brancos começa a questionar, mas é interrompido quando a mesma é arremessada na cara dele. Ele ouve a risada Reo e os passos dele, e logo tem o campo de visão livre de novo, podendo ver o amigo corado de tanto rir, com a mão tampando a boca. Nagi de repente percebe que ele era sempre tão fofo...
'-Ah, Nagi, sinto muito! Foi sem querer! Bom, de qualquer forma, se vista logo.' O de cabelos roxos sai do quarto ainda rindo baixo, deixando o parceiro sozinho para se vestir com privacidade. Quando ele termina de se vestir, ele percebe que Reo não havia deixado um calçado preparado para ele, e antes que pudesse o chamar e reclamar, ele lembra do tênis que ele havia ganhado do outro quando eles estavam viajando com os amigos da Blue Lock e nunca tinha usado. Deveria ser a situação perfeita para usar ele pela primeira vez.
Reo estava vendo alguns posts nas redes sociais no seu celular quando ouve o barulho da porta do quarto abrindo e vê Nagi saindo já pronto. Ele sorri enquanto olha o amigo de cima a baixo e seu olhar para no tênis que ele havia dado de presente. Havia combinado perfeitamente com Nagi, e isso fez seu sorriso se alargar. '-Ficou ótimo, meu tesouro! Vamos, Ba-ya-san está nos esperando lá fora' O garoto diz enquanto vai até a porta principal e sai da casa, seguido pelo parceiro que ia logo atrás.
A viagem na limusine chique do herdeiro até a estação de trem demorou pouco menos de 15 minutos e logo eles embarcam no mesmo, que estava praticamente vazio. Eles vão para os assentos mais ao fundo e se aconchegam ali. O trem então arrancou com um solavanco suave logo em seguida e Nagi afundou mais no banco, cruzando os braços.
'-Ainda tá muito cedo...'
'-Você concordou mesmo assim, lembra?'
'-Claramente fui enganado... Preferia mil vezes estar dormindo agora na minha cama.' Nagi reclama e boceja em seguida, fazendo Reo rir baixo.
'-Não vai dormir agora, vai que você baba em mim-'
'-Problema seu' O simples comentário faz Reo rir baixo novamente e olhar pela janela.
Mesmo tentando manter os olhos abertos, Nagi sentia o corpo pesar contra o banco conforme o trem avançava. Sem perceber, sua cabeça acabou pendendo levemente para o lado e Reo sentiu o toque quase imperceptível no ombro e prendeu a respiração por um segundo. '-Nagi, não é possível-' Mas o outro apenas se aconchega mais no amigo e fecha os olhos, que sorri suavemente e suspira derrotado, se aproximando mais também. A viagem passa bastante rápido e passada uma hora eles chegam no local planejado. O solavanco do trem diminuindo fez Nagi se mexer primeiro. Ele abriu os olhos devagar, claramente desorientado.
'-Já chegamos? Mas o tempo passou tão rápido-'
'-Você que dormiu a viagem toda encostado em mim...' Reo diz, virando o rosto para encarar Nagi.
'-Você não reclamou...' O mais alto se senta direito na cadeira, se preparando para se levantar.
'-Você aparentava estar com tanto sono que eu fiquei com medo de te acordar e você ficar o dia todo emburrado' O outro ri, arrumando a camisa e se levantando, indo em direção a porta para sair do trem. Assim que eles saem da estação, o ar parecia diferente. Mais fresco, com um leve cheiro de mar misturado ao vento. Sem buzinas ou multidões se empurrando, só as ruas calmas e o som distante das ondas.
Reo já estava com o celular na mão, conferindo o aplicativo de mapa. '-Ah droga, a padaria mais perto só abre daqui 20 minutos...' Ele diz, encarando o celular com uma careta.
'-Hm, eu disse que estava cedo demais... Olha, tem um banco ali, vamos sentar e esperar.' Nagi aponta para um banco de madeira na calçada de frente para as lojas e logo vai em direção do mesmo, se jogando ali. Ele fica encarando Reo fazer o mesmo logo em seguida e continuar olhando o celular. O vento fresco suave bagunçava os cabelos de Nagi, que fechava os olhos e aproveitava a sensação, esticando os braços para cima com um bocejo e apoiando-os no banco, um deles caindo ao lado do ombro de Reo. O garoto vira o rosto para encarar Nagi, surpreso, mas sorri ao ver ele de olhos fechados, apenas relaxando com o vento. Em um gesto automático, o mais baixo se aproxima do amigo e se encosta mais nele. Nagi apenas resmunga algo incompreensível, mas não reage.
'-Que saco, eu estou morrendo de fome, mas essa porcaria de padaria não abre....' Nagi reclama e se vira para encarar Reo '-Você deveria ter planejado esse passeio melhor, sabia?'
'-Vamos aproveitar essa paisagem! Olha o mar ali mais na frente, que incrível!' Reo comenta de forma animada enquanto aponta para frente, ignorando o pessimismo do amigo que apenas olha desinteressado. Após alguns minutos de Nagi quase dormindo novamente ali mesmo no banco e Reo observando algumas poucas pessoas andando na rua, o barulho metálico da porta da padaria se abrindo quebrou o silêncio entre os dois. Um sino discreto tilintou quando os primeiros clientes começavam a entrar, e quase imediatamente o cheiro quente de pão recém-assado fez ambos os garotos se levantarem.
'-Abriu, vamos!' O herdeiro puxa o braço do parceiro em direção ao estabelecimento '-Calma, vai me derrubar assim...' O mais alto reclama, mas se deixa ser puxado pela mão macia de Reo, que ele tinha certeza ser bem menor e mais fina que a dele. O interior da padaria era pequeno, quentinho e aconchegante, com prateleiras de madeira cheias de pães ainda soltando vapor. A atenção de Nagi é atraída para um pão recheado de curry, e ele quase baba ao olhar o mesmo.
'-Reo, acho que estou apaixonado por esse pão.' Nagi fala, encarando o alimento com um olhar vidrado.
'-Você sempre escolhe comidas pesadas para o café da manhã...' Reo revira os olhos enquanto vai ao balcão e pega um croissant e uma xícara de café com leite. Nagi segue o exemplo e pede o pão no balcão. Eles se sentaram de frente para o outro perto da janela, olhando a rua tranquila do lado de fora. Nagi deu a primeira mordida no pão e suspirou satisfeito, enquanto Reo dava um gole no próprio café. Quando Seishiro afasta o pão recheado da boca, Mikage o encara incrédulo e tenta disfarçar o riso.
'-Nagi, eu acho que, hm, você se sujou um pouco. Deixa que eu limpo!' O garoto se apressa a completar a frase ao ver o amigo esfregar as costas da mão na boca e só piorar a situação. Ao pegar um guardanapo que estava em cima da mesa, ele se inclina sobre a mesma e passa suavemente no rosto de Nagi, que não consegue evitar de sentir o coração acelerar com o gesto carinhoso e encara fixamente o rosto do companheiro, seu olhar se demorando mais nos olhos roxos intensos do mesmo, que o olhavam com diversão e carinho. Quando Reo sente aqueles olhos cinzentos o encarando com tanta intensidade, ele logo termina de limpar o rosto do companheiro e coloca o papel sujo em um canto da mesa, se encostando de volta na cadeira e voltando a comer o croissant, corado. O silêncio que se instalou depois disso não era exatamente desconfortável, mas era diferente.
'-Você não precisava ter feito isso.' Nagi comenta olhando pela janela, terminando de comer o pão em uma mordida só.
'-Claro que precisava, você ia acabar se sujando todo...' Reo termina de beber o café e suspira, se sentando direito na cadeira. Eles então se levantam e Reo vai até o balcão agradecer pelo atendimento e pagar a conta. Ao saírem, o ar fresco os atinge mais uma vez, fazendo Nagi respirar fundo e deixar o vento bagunçar seus cabelos novamente enquanto eles começam a andar sem um rumo certo. Reo olha para ele de canto, se aproxima timidamente e segura de leve a manga da camiseta do garoto, apontando com a outra mão para a praia.
'-A gente poderia ir pra lá agora e andar um pouco, o que acha?'
'-Tá bom...' Nagi responde sem muita emoção, mas ele sentia como se seu coração fosse parar a qualquer momento com aquele simples gesto carinhoso. Eles então caminham até a praia, passando por famílias com crianças pequenas, grupos de pessoas da terceira idade e casais de adolescentes, e por um momento, Nagi se pergunta se as pessoas ali viam ele e Reo como um casal de adolescentes também, e de forma inconsciente, ele se aproxima mais de Reo.
Ao chegarem na orla da praia, eles sentem os pés afundando suavemente na areia, enquanto ouvem o barulho das ondas do mar constantes e calmas. Enquanto continuavam andando, uma rajada de vento mais forte passou, fazendo a camiseta de Nagi colar levemente no corpo. Reo desviou o olhar rápido demais e pigarreou '-Aqui costuma ventar muito mesmo.' ele fala, e o amigo apenas assente com a cabeça. Fazia tempo que Nagi não se sentia tão vivo, internamente ele apreciava até os mínimos detalhes, como as pessoas conversando baixo ali perto, o vento salgado batendo no rosto e o cheiro de comida ao longe, o que faz ele sentir fome. Eles já estavam caminhando há quanto tempo?
'-Se você estiver com frio, me avisa' Reo comenta, cruzando os braços.
'-Você que tá com frio.' Nagi olha para ele de canto.
'-Como você sabe?!' O mais baixo vira o rosto para encarar ele, surpreso.
'-Você sempre cruza os braços quando está com frio.' O outro responde, dando de ombros. Mas então Reo sente seu estômago se revirar quando Nagi se aproxima ainda mais dele depois de alguns minutos e abraça o ombro do mesmo com um braço. Quando confrontado sobre isso, ele diz simplesmente '-Você está com frio, então eu vou te aquecer.' Pelo menos funciona, pois Reo já não sente mais nada além do toque reconfortante do parceiro. Depois de mais alguns minutos caminhando, que para Seishiro pareciam horas e ele começa a reclamar que acha que vai desmaiar de fome, Mikage vê alguns quiosques mais a frente no outro lado da orla e imediatamente puxa o amigo pelo braço que estava apoiado nele e corre até lá, o que desestabiliza Nagi e ele quase quase cai de cara na areia. Durante a corrida, o tempo parece desacelerar somente para os dois, e Nagi se sente quase hipnotizado ao ver aquele sorriso alegre e os cabelos de Reo balançando com o vento. Ele devia ser o cara mais sortudo do mundo por ter aquele garoto como seu melhor amigo...'
Reo não perde tempo e assim que chega lá, ofegante, suado e quase tendo uma parada cardíaca, ele pede duas porções de Yakisoba para ele e Nagi, já sabendo o que ele ia pedir. Ele paga logo e puxa Nagi para eles se sentarem um banco de madeira ali perto, ambos se jogando ali enquanto aguardam que a comida fique pronta. Reo pega o celular para conferir o horário e vê que ainda são 10:20. Considerando que eles haviam sido avisados que já haviam 4 pedidos na frente do deles, ele calcula que teriam que aguardar em torno de 25 minutos, o que seria mais que o suficiente para ele e Nagi relaxarem mais um pouco depois de tanto tempo caminhando. Ele se vira para conversar com Nagi, mas vê que o amigo já estava distraído jogando algum jogo no próprio celular, então resolve apenas se aproximar mais para ver. Ao sentir a aproximação, Nagi inconscientemente inclina o celular mais um pouco na direção de Reo, para que ele possa ver.
'-Que jogo é esse? E o que significa esse número 120 aqui no canto? Ah, tá aumentando!-' Reo pergunta genuinamente curioso. Nagi movimentava os dedos rapidamente, e ele parecia bom naquilo.
'-Skullgirls, é um rpg de luta. Esse número é o número de golpes que eu consegui dar em um único combo. Eu controlo essa personagem aqui da esquerda, o nome dela é Squigly. Ela tem os cabelos roxos igual você...' Seishiro comenta, parecendo bastante concentrado no jogo. A partida termina com ele ganhando, e ele sorri internamente ao ouvir o parceiro comemorando pela vitória, elogiando sua habilidade. Eles passam os minutos seguintes conversando sobre o jogo, Nagi explicava tudo e Reo ouvia, sorrindo e fazendo algumas caretas ocasionalmente. O som metálico de um sino vindo do quiosque interrompe a explicação de Nagi no meio da frase. 'Pedido número cinco!' Reo imediatamente ergue a cabeça e se levanta '-É o nosso pedido, até que enfim! Pode ficar aí que eu vou lá pegar pra gente.'
Ele volta segurando duas porções fumegantes de macarrão e se senta ao lado do amigo novamente, e o mesmo se adianta em pegar a própria comida e os hashis, comendo sem se importar se estava se sujando ou não. Reo encara ele incrédulo enquanto pega os próprios hashis e começa a comer, suspirando de prazer. '-Nossa, que delícia! O cozinheiro é realmente muito bom.' '-É gostoso.' Nagi responde com a boca cheia, mas era possível ver em sua expressão como ele estava morrendo de fome e aquela comida era quase como sua salvação. Ele logo termina de comer e deixa escapar um gemido longo e satisfeito, e se vira para olhar o amigo comendo, ainda faminto. Reo sente o olhar e pega um pouco para oferecer a Nagi, que apoia uma mão ao lado da coxa do outro e abocanha tudo de uma vez só, encarando o parceiro enquanto mastiga. O mais baixo encara ele por alguns segundos e desvia o olhar, sentindo o coração acelerar e o rosto esquentar. Assim que terminam de comer, eles voltam ao quiosque para descartar as embalagens e elogiar a comida, então voltam a caminhar na areia.
'-O que acha de caminharmos um pouco na beira do mar?' Reo sugere depois de um bom tempo de caminhada, olhando as pessoas andando e se divertindo.
'-Tem muita gente.'
'-É só a gente ir mais pra lá, que tal?' O de olhos roxos aponta para algumas grandes rochas ao longe
'-Que saco, a gente vai ter que andar ainda mais? Eu tô cansado...' Mas Nagi não reclama quando Reo o puxa pelo braço até o local. Chegando lá, eles tiram o calçado e deixam em um canto na areia, e então entram na água.
'-Que água fria... Como que tem gente que consegue tomar banho em uma água gelada dessas?'
'-Para de reclamar e aproveita, Nagi!' Mikage ri e começa a chutar água no companheiro, que revida sem pensar duas vezes. Ele pensa até ter visto o garoto dar um leve sorriso, mas talvez fosse só impressão. Eles passam vários minutos ali jogando água um no outro enquanto correm e quando percebem, já estão completamente ensopados. '-Ah, eu não trouxe toalha pra gente se secar...' Reo para, mordendo o lábio levemente.
'-Então vamos deixar o sol secar a gente.' Antes que o garoto possa responder, Seishiro já estava o puxando pelo braço de volta para a areia. Eles se sentam ali e ficam mais alguns minutos apenas relaxando, ouvindo o som das ondas e as pessoas conversando ao longe.
'-Nagi, a gente esqueceu de passar protetor solar, meu Deus!' O de cabelos roxos se levanta e anda até os sapatos deles e volta com uma pequena bolsa.
'-Da onde essa bolsa surgiu?' Nagi comenta incrédulo, mas o amigo já estava se ajoelhando ao seu lado enquanto pegava um frasco de protetor solar e começava a espalhar em seu rosto. O garoto suspira e fecha os olhos, deixando que as mãos carinhosas do outro passassem por seu rosto. Quando Reo se afasta, ele abre os olhos e o encara enquanto ele passava protetor no próprio rosto. Quando termina, ele guarda o frasco na bolsa e se senta ao lado de Nagi novamente, então eles ficam mais um tempo em silêncio apenas olhando o sol começando a descer lentamente. Seishiro pega o telefone para ver o horário e seus olhos se arregalam.
'-Já são quatro horas e meia! O tempo passou tão rápido assim?' Mikage engasga ao ouvir aquilo e o encara chocado.
'-Que?! Não acredito, mas já? Tá, podemos aproveitar mais meia hora aqui e então vamos embora, ok? Odeio pegar trem lotado.'
Apesar de ter reclamado várias vezes, Nagi não consegue evitar de se sentir triste. Ele queria passar mais tempo com Reo, porque o dia tinha que já estar acabando? Era muito injusto. Ele olha ao redor e percebe como o clima estava perfeito para fazer aquilo que ele estava planejando faz tempo. Ele se aproxima mais antes que pudesse pensar muito, se vira para o amigo e começa a falar.
'-Reo, você é muito importante para mim. Minha vida era um tédio até você entrar nela, e eu queria te dizer o quanto eu gosto de você, mesmo não sendo bom com palavras, muito menos com meus sentimentos. Se você nunca tivesse vindo até mim, eu estaria até hoje vivendo aquela minha vidinha sem graça, e você me salvou daquilo, então... Obrigado. Por tudo que nós já vivemos até hoje e por tudo que você já fez para mim.'
Assim que termina de falar, ele percebe que o parceiro parecia ter congelado completamente. O sol refletia em seu rosto, e ele parecia o garoto mais lindo do mundo, não, do universo inteiro. Apesar do rubor no rosto de Reo, Nagi não consegue evitar de ficar nervoso. E se seus sentimentos não fossem correspondidos? E se Reo não visse ele daquela forma? E se ele levasse um fora e a amizade deles acabasse ali mesmo? Mas seus pensamentos são interrompidos quando o companheiro se joga nele e o abraça pelo pescoço, apertando forte. Seishiro percebe que ele estava chorando e entra em pânico, sem saber o que fazer. Sua declaração havia sido tão ruim assim?
'-Ah Nagi, eu não acredito! Você é o garoto mais incrível do mundo! Eu amo tanto você!' Reo fala soluçando, afundando o rosto no peitoral de Nagi, que trava com a resposta e o gesto. Como assim ele... O amava? Aquela situação parecia um sonho, mas seus sonhos não eram tão bons ou reais quanto aquilo. Depois do que pareceram várias horas e alguns segundos ao mesmo tempo, ele finalmente abraça a cintura de Reo e o puxa para mais perto, se é que aquilo era possível. Quando eles enfim se afastam apenas o suficiente para se encararem, Reo começa a acariciar o rosto e os cabelos do melhor amigo, o encarando com os olhos repletos de amor, e o mesmo imediatamente fecha os olhos e se derrete com o toque, quase ronronando. Quando o garoto para, Seishiro vira o rosto levemente e aponta para a própria bochecha. Mikage sente o rosto esquentar e se aproxima, beijando a bochecha do garoto. Ele vira o rosto novamente e aponta para a outra bochecha, que também recebe um beijo. Ele inclina a cabeça um pouco para baixo e aponta para a testa, que é beijada por um Reo sorridente. Ele estava se divertindo com aquilo. Por fim ele abre os olhos, levanta a cabeça e aponta para os próprios lábios, ato que faz o outro arregalar os olhos e corar. Sem perder mais tempo, Nagi chega mais perto e lentamente o beija, fazendo Reo suspirar e retribuir. Quando eles se afastam, o mais baixo começa a rir baixo e abraça o mais alto, passando os dedos por entre seus fios de cabelo.
'-Se eu estiver sonhando, me belisca por favor.' Nagi encosta mais a cabeça na mão do outro.
'-Te garanto que isso não é um sonho, meu tesouro. Mas mesmo se fosse, eu com certeza não iria querer acordar. Provavelmente seria o melhor sonho que eu já tive em toda a minha vida.' Reo ri, encarando ele.
'-Hm, eu também não. E se só hoje nós voltássemos pra casa um pouco mais tarde? Quero deitar um pouco na areia com você.'
'-Tem certeza? Vai sujar seu cabelo e pra areia sair depois vai dar um trabalho enorme. Ficar com a cabeça coçando deve ser uma das piores coisas do mundo, tenho certeza absoluta.' Porém Nagi já havia se deitado e estava puxando Reo para fazer o mesmo. Ele começa a rir e dessa vez ter certeza ouvir uma risada vinda do parceiro. '-Essa deve ser a segunda vez na minha vida que eu ouço uma risada sua.'
'-Pra você ver como eu te amo. É muito mesmo, viu?'
E eles ficam ali, como se nada mais existisse, apenas os dois deitados sozinhos e conversando sobre qualquer coisa que Reo quisesse. Nagi acaba adormecendo com Reo em seus braços, mas o garoto não se importa. Ele se vira de frente para o outro e deita o rosto em seu peitoral, se deixando fechar os olhos e relaxar ali. O sol começa a pôr, deixando o clima totalmente perfeito. Se aquilo fosse só amizade, Reo não queria saber como seria algo a mais.
