Chapter Text
O dia 11 de fevereiro sempre foi, para Alhaitham, apenas uma data no calendário que marcava a rotação da terra e a passagem do tempo. Ele preferia o silêncio, a penumbra de sua biblioteca e a ausência de expectativas sociais. Mas este ano, o silêncio foi substituído pelo som rítmico de pés apressados e sussurros nada discretos vindos da cozinha.
Alhaitham abriu os olhos e sentiu o peso reconfortante de Lumine ao seu lado, mas ela logo se esgueirou da cama, acreditando que ele ainda dormia. Ele permaneceu imóvel, ouvindo a "bagunça" começar.
Havia o som de Kaveh discutindo com uma fita de presente que insistia em não ficar reta. Havia o som de Lumine tentando impedir que Haim — agora mais ativo e curioso — derrubasse uma tigela de frutas. E, claro, havia o cheiro de café e de um bolo que, pelo aroma, tinha passado um pouco do ponto no forno por causa de alguma distração arquitetônica de Kaveh.
Para qualquer outra pessoa, aquilo seria irritante. Para o antigo Alhaitham, seria ineficiente. Mas para o Alhaitham de hoje, era o som da sua vida.
Quando ele finalmente apareceu na sala, a cena era um quadro de desordem absoluta. Kaveh tinha confetes presos no cabelo, Lumine segurava um Haim que balançava os braços animadamente, e a mesa estava decorada com uma mistura caótica de flores de Sumeru e desenhos que o bebê provavelmente tinha "ajudado" a colorir.
— Feliz aniversário, Alhaitham! — Kaveh exclamou, exagerado como sempre. — Eu tentei fazer um arco de balões simétrico, mas a Lumine disse que...
— Que o que importa é o sentimento — Lumine completou, aproximando-se e entregando o pequeno Haim para o pai. — Feliz aniversário, meu amor.
Alhaitham pegou o filho no colo. Haim, ao ver o pai, soltou um grito de alegria e agarrou a gola da túnica de Alhaitham com as mãos pequenas, deixando uma mancha leve de farelo de bolo na roupa impecável do Escriba.
Alhaitham olhou para a mancha. Depois olhou para a fita torta no presente de Kaveh. Por fim, olhou para o sorriso radiante de Lumine.
— Está tudo um desastre — Alhaitham murmurou, mas sua voz não tinha o tom cortante de costume. Era suave, quase embargada.
— Ei! Eu me esforcei! — Kaveh começou a protestar, mas parou ao ver o olhar de Alhaitham.
— É a desordem mais bonita que eu já vivi — Alhaitham confessou, surpreendendo a todos.
Ele se sentou à mesa, com Haim ainda em seu colo tentando "ler" um dos pergaminhos de presente. Alhaitham percebeu que a felicidade não era um sistema lógico que podia ser calculado ou uma biblioteca silenciosa. A felicidade era aquela bagunça: o barulho de risadas, o cheiro de café, o toque desajeitado do filho e a mão de Lumine entrelaçada na sua.
Pela primeira vez em muitos anos, o Grande Escriba não queria que o mundo fizesse sentido. Ele só queria que aquele momento, com toda a sua imperfeição e barulho, durasse para sempre.
