Chapter Text
Em uma tarde fresca, apesar da ascensão radiante do sol no vasto céu azul-celeste, dois Protetores, Elyco e Laxam embarcaram em sua jornada em direção à Floresta Pythoniana. Recém-chegados de sua recente aventura no leste da Fulmênia, ansiavam por descanso, mas o destino tinha outros desígnios. Um cristal de comunicação, um emissário brilhante enviado pela venerável Academia Arcana de Alykarn, manifestou-se diante de Elyco, trazendo uma mensagem de grave importância: "Um espírito curioso foi avistado na floresta de Raízes Rastejantes, perto da fronteira com Pythonia. Uma investigação é imperativa. Pelo menos um Protetor de patente Opala é necessário."
Este era um requisito que Elyco, uma alicórnio virtusiana, cumpriu. No entanto, Laxam, seu companheiro, possuía a classificação Ametista, um nível abaixo de Opala. Se não fossem uma equipe, o alicórnio luxiano não teria sido capaz de assumir a tarefa.
Aproximando-se da fronteira do reino de Python, foram recebidos pela guardiã encarregada de informá-los, uma alicórnio pythoniana experiente. Suas listras distintas adornavam seu pescoço, provavelmente se estendendo pelo resto das costas, escondidas sob sua armadura formal. Em comparação com Elyco e Laxam, este último era mais parecido com ela, com sua constituição luxiana ecoando a da pythoniana, enquanto as feições dracônicas e o físico robusto de Elyco a diferenciavam. Seu chifre de metal, fundido em ouro, uma característica exclusiva dos virtusianos, parecia deslocado em meio ao trio.
A alicórnio pythoniana exibia sua insígnia de Protetora como um brinco, denotando sua patente de Rubi — uma Caçadora de Recompensas. Uma tala envolvia sua perna dianteira direita, relíquia de um ferimento infligido por um alicórnio rebelde particularmente malévolo em tempos remotos. Tanto Laxam quanto Elyco discerniram que ela era uma ex-Protetora, mas sua autoridade dentro da Guilda permanecia evidente, como evidenciado pela exibição contínua da insígnia.
Eles prestaram suas homenagens com a cabeça baixa, e Elyco falou primeiro, sua voz ressoando com um tom autoritário, apesar da posição mais alta da pythoniana:—Saudações. Sou Elyco de Gorgoldur, patente Opala, convocada em resposta ao chamado da Academia. E aqui está meu companheiro, Laxam. Podemos presumir que você é a encarregada de nos fornecer toda a extensão desta situação? A mensagem que recebemos foi um tanto escassa em detalhes.
A Caçadora de Recompensas aposentada respondeu: —Saudações a ambos, Protetores. Eu sou Pyra e sou de fato responsável por suas instruções. A Academia pede desculpas pela convocação repentina, mas a urgência desta missão é soberana, e vocês foram os que estavam mais próximos.
Os dois Protetores mais jovens trocaram olhares, a lembrança das dificuldades da missão recente ainda fresca, fato conhecido pela Academia quando despacharam o cristal. Suas principais preocupações giravam em torno da urgência mencionada e das poucas informações fornecidas.
Pyra continuou: —Uma assinatura distinta foi detectada nas profundezas da floresta de Slitherroots – um tipo de espírito totalmente desconhecido. Sua missão é investigar a floresta e me informar assim que descobrir alguma pista.
As orelhas de Laxam se aguçaram com a menção do espírito enigmático. —Um novo tipo de espírito? Como tal fenômeno é sequer concebível?
—É exatamente essa a pergunta que você está aqui para responder, Protetor Laxam. Pelo que sei, a Academia, você e eu estamos igualmente perplexos. Por isso, enviamos Protetores sem demora.
Os instintos de Elyco a incitavam a buscar mais informações. —Mas o cristal especificava a presença de pelo menos um Protetor de nível Opala. Por que um nível tão alto seria necessário para o que parece ser uma investigação espiritual de rotina? Além disso, por que a urgência? Espíritos não são famosos por sua mobilidade, e se fosse uma simples observação, a Academia não nos teria convocado tão prontamente
Pyra estremeceu ligeiramente com a pergunta direta de Elyco. —Esses espíritos, ao que parece, não são os primeiros de sua espécie e demonstraram maior força e agressividade do que o inicialmente previsto. Protetores de patente inferior foram enviados inicialmente, um erro que a Academia não está disposta a repetir.
As próximas palavras de Elyco foram direto ao ponto: —Já houve baixas. Estou certa?"
Pyra assentiu em confirmação: —Você não está enganada. É exatamente por isso que uma patente Opala é necessária. Seu companheiro luxiano não teria permissão para acompanhá-la se você não fosse uma avaliadora. Quanto à urgência, esses espíritos tendem a desaparecer depois de um tempo, e–
—Ninguém sabe por quê?— Laxam interrompeu, fazendo Pyra assentir mais uma vez.
Elyco concordou: —Muito bem, Pyra. Vamos prosseguir. Afinal, esse espírito não vai se investigar, vai?
Apesar da tentativa de Laxam de transmitir confiança, uma sutil preocupação, uma ressonância mágica comum aos luxianos, traía sua ansiedade. Elyco olhou para o companheiro com ternura, buscando tranquilizá-lo através dos olhos. —Você tem razão! Vamos nos retirar, Protetora Pyra. Obrigada pela informação.
—Foi um prazer,— respondeu Pyra com uma reverência respeitosa. —Após concluir sua investigação, enviem um cristal de comunicação. Não precisam se preocupar em entregá-lo à Academia, pois eles desejam que desfrutem de um merecido descanso. Eu supervisionarei todos os outros arranjos.— Ela fez uma pausa antes de acrescentar: —Que a sorte favoreça sua jornada e que o Panteão os proteja.
Com isso, Elyco e Laxam partiram em sua jornada em direção à Floresta Slitherroots.
Depois de algumas horas, o limite do destino surgiu à vista. Árvores imponentes erguiam-se diante deles, com suas raízes se retorcendo e se contorcendo acima do solo. Laxam comentou: —Os espíritos aqui são mais agitados e caóticos por natureza; é por isso que as raízes têm formas tão estranhas. É fascinante como eles acabam moldando o nosso mundo dessa forma, não acha, Elyco?
A alicórnio virtusiana observou Laxam, sua voz e a ressonância mágica que o acompanhava, revelando sua curiosidade e paixão pelo assunto. Ela achou o entusiasmo dele cativante, mesmo que seu próprio interesse fosse mais limitado. Ela respondeu: —De fato, é. Eu me pergunto o que esse espírito enigmático pode ser... O que você acha que pode ser?— Sua pergunta era mais para Laxam demonstrar seu conhecimento sobre espíritos do que para satisfazer sua curiosidade, mas qualquer informação ou teoria poderia ajudá-los a formular um plano.
—Para ser sincero, não sei,— começou Laxam. —Um tipo completamente novo me parece estranho. Estudei espíritos exaustivamente e nunca ouvi falar de nada além do que já foi documentado.
—Entendo. Então, não tenho a mínima ideia. Estamos tão no escuro quanto a Academia agora,— suspirou Elyco. —Certo, vamos acabar logo com isso.— Ela deu um passo à frente, passando ao lado de Laxam, e acrescentou com determinação: —Venha, Cortadora de Estrelas.
Laxam observou com admiração uma fina lâmina de pedra negra se materializar na frente do alicórnio virtusiano, envolta em uma aura mágica semelhante àquela que cercava seu chifre metálico, uma manifestação de sua magia telecinese — uma habilidade básica ensinada a jovens alicórnios de todos os reinos.
Embora Laxam já tivesse visto Cortadora de Estrelas inúmeras vezes antes, ele ainda se maravilhava com a elegância e a durabilidade da espada. Apesar da aparência, a lâmina fina estava longe de ser frágil, servindo como uma das armas mais formidáveis que ele já havia encontrado. Era a Arma da Alma única de Elyco, feita sob medida para ela, já que cada alicórnio possuía uma arma imbuída de sua essência, uma materialização física da alma de alguém.
O olhar de Laxam percorreu a lâmina até o cabo dourado e continuou pelos ombros de Elyco, cobertos por suas asas coriáceas, em direção aos seus quartos traseiros. Ele balançou a cabeça, percebendo que estava perdido em pensamentos. —O que houve, Laxam?— perguntou Elyco.
Surpreso, ele corou e gaguejou: —N-Nada com que se preocupar. Eu te conto quando terminarmos esta missão.— Elyco sorriu afetuosamente para ele antes de se aventurar na floresta. —Vamos logo, certo? Mal posso esperar para ouvir.
Laxam trotou logo atrás dela, perguntando provocativamente: —Então, qual é o seu plano, Senhorita Elyco?— Como esperado, Elyco parou abruptamente e se virou para ele, dizendo: —Laxam, você precisa parar com isso. Sou apenas cinco ciclos mais velha que você. Se não parar, é melhor começar a rezar para a própria Luxoah para que ela o proteja da minha ira.
—Certamente prestarei minhas homenagens, senhorita.— Ele riu baixinho, deixando uma nota quase melódica escapar de seu focinho. Elyco não queria admitir, mas aquela risada sempre fora uma fonte de conforto, especialmente na floresta escura e emaranhada de Slytherroots.
—Quanto aos nossos planos— continuou Elyco, —não sei bem o que fazer. Deveríamos patrulhar até encontrarmos aquele espírito, mas não podemos nos separar. A floresta é um labirinto e um local privilegiado para emboscadas, dada toda essa flora tortuosa.— Ela brandiu a espada para cortar um galho que obstruía o caminho.
—E quase não há luz— acrescentou Laxam. —Acho que tenho uma solução para isso.— Ele invocou uma pequena criatura alada e serpentina, que arrulhou e se esfregou em sua bochecha. —Que bom ver você também, Faran. Poderia nos fornecer um pouco de luz?— Em resposta ao seu comando, a pequena criatura começou a emitir um brilho suave, proporcionando uma fonte bem-vinda de iluminação sob a densa copa das árvores.
Os dois Protetores se aventuraram mais a fundo na floresta, em busca de qualquer sinal do espírito enigmático. Continuaram por uma ou duas horas, sem sucesso, até que finalmente decidiram fazer uma pausa. Sentados no chão da floresta, mordiscaram suas rações de campo. Foi então que Laxam perguntou de repente: —Hã? Há quanto tempo estamos aqui, Elyco?
Confusa com a pergunta, Elyco respondeu: —Não tenho certeza, mas estimo menos de duas horas. Por que pergunta?— Inclinou a cabeça para cima e percebeu a que Laxam se referia. Apesar da escuridão da floresta, o céu era visível através das brechas nas folhas, e estava escuro como breu — algumas estrelas pontuavam o firmamento. Era madrugada.
Elyco saltou sobre os cascos, sua confusão refletida em Laxam, que ainda contemplava o céu noturno. Um vento gélido começou a soprar, e um sussurro sinistro chegou aos seus ouvidos. Algo se aproximava. Faran guinchou, assustado. —Laxam, prepare-se, problemas estão se aproximando!— gritou Elyco, despertando seu companheiro do transe.
Ao se levantar, Elyco começou a canalizar sua magia, uma onda de calor irradiando de seu coração e se espalhando por seu corpo a cada batida. Sua mandíbula passou por uma transformação, alongando-se para acomodar dentes maiores e mais afiados. Chifres brotaram acima de suas bochechas, curvando-se ligeiramente para longe de seu rosto e correndo paralelos às suas mandíbulas até o focinho.
Sua figura outrora esbelta se expandiu com um poder recém-descoberto, músculos se contraindo sob a armadura emergente de escamas brilhantes, cada uma delas um fragmento de crepúsculo. Seus membros, agora maciços e formidáveis, suportaram o peso de sua transformação com facilidade, os cascos delicados cedendo lugar a grandes garras capazes de rasgar a terra. E de suas costas, asas se abriram com a força silenciosa de uma tempestade, poderosas o suficiente para abalar qualquer espírito com um único e poderoso golpe. Esta era sua forma dracônica, uma manifestação de magia exclusiva dos virtusianos.
Seus dentes afiados se fixaram em um dos espíritos que apareceram de repente, prendendo-o no lugar enquanto ela enfiava a ponta de sua lâmina no ser espectral. Laxam agiu rapidamente, invocando sua própria Arma da Alma: —Venha, Portador da Luz— Um cajado de madeira branca e ornamentos intrincados, culminando em uma esfera de vidro, surgiu em sua aura telecinética. Luz irradiava dele, iluminando os arredores.
No meio da confusão, eles lutaram contra os espíritos, uma dança de combate implacável. Uma dúzia de inimigos tombou, cada um derrotado com precisão. Sincronizados, seus movimentos eram um testemunho de horas intermináveis de treinamento.
No entanto, os espíritos persistiram, como uma presença assombrosa na floresta. De repente, cessaram o ataque e desapareceram. A respiração de Laxam, presa pela tensão, escapou num fluxo silencioso, dissipando-se no ar frio.
—O que foi isso?— perguntou ele, com a confusão estampada na testa. O ar pairava de expectativa, impelindo-os a seguir em frente.
—Não sei— respondeu Elyco, sua voz um murmúrio constante em meio ao silêncio. —Mas parece que algo está perturbando os espíritos por aqui.— Seus olhos, afiados como a lâmina de sua Arma da Alma, captaram uma dança fugaz de luz — um espectro nas sombras. Ele acenava lá de cima, onde uma árvore ancestral se erguia, retorcida e estoica, uma sentinela silenciosa entre seus semelhantes.
Com passos medidos como os de um predador, ela avançou, cada passo um testemunho deliberado de sua cautela. —Tem alguma coisa aqui,— murmurou para si mesma, com o olhar fixo na luminosidade misteriosa que parecia vir de algum tipo de cristal.
Elyco voou pelo ar, colidindo com uma árvore. Laxam podia ouvir o som de suas costelas estalando com o impacto. Ele examinou a área e encontrou o novo inimigo: uma árvore grotesca, retorcida, com a face de um alicórnio, o espírito que procuravam.
O orbe do Portador da Luz brilhou. Laxam conjurou sua defesa, rechaçando ataques implacáveis.
Feitiços dispararam — a luz se enrolou em galhos de árvores. — Laxam, pegue o cristal! — A voz de Elyco era quase inaudível em meio a rosnados monstruosos. Laxam correu, avistou o cristal e se estendeu para pegá-lo.
A árvore cresceu um galho — Elyco o interceptou, caindo com um baque. A dor aumentou quando garras agarraram a magia. Laxam puxou o cristal, tomado pelo medo.
Ele deixou a pedra mágica cair no chão, sua telecinese aparentemente arrancada. O cristal era uma fonte de puro pavor.
O corpo de Elyco foi empurrado para trás por uma força invisível, e ela caiu no chão da floresta, machucada e exausta. Seus olhos permaneceram fixos no cristal, mas ela não conseguiu tocá-lo. Sua pele se arrepiou de medo.
A árvore, com seus galhos imobilizados, contorceu-se uma última vez antes de ficar sem vida novamente. Os Protetores ofegavam pesadamente, recuperando o fôlego, e com o passar dos momentos, eles podiam sentir os espíritos da floresta se retirando. Laxam correu para o lado de Elyco, com a preocupação estampada no rosto.
—Estou bem,— ela o tranquilizou com um sorriso cansado. —Só algumas costelas quebradas, nada que uma boa noite de sono não resolva... Estou melhorando em mentir?
—Nem de perto,— respondeu Laxam. Eles se olharam por alguns instantes, e ele não conseguiu evitar se aproximar dos lábios dela. Mas então se lembrou de algo e perguntou de repente: —Espere, onde estão os outros espíritos? Meu feitiço não os teria feito desaparecer, nem de longe.
A resposta não veio em forma de palavras, mas sim como uma sombra crescente que se aproximava deles. Eles conseguiam discernir vagamente a silhueta de um alicórnio, mas algo estava errado — as sombras ao redor se estendiam de forma anormal, como se o alcançassem. Este alicórnio parecia envolto em escuridão vinda de outro reino, cada passo calculado e frio.
Uma profunda sensação de medo os dominou, e Elyco lutava para manter sua aura telecinética estável, com a espada tremendo ao lado dela. Eles estavam diante de algo de proporções terríveis.
—Laxam! Elyco! Onde vocês estão?!— Uma voz fraca veio de longe. A voz de Pyra.
—Laxam! Pegue o cristal e corra! É a única coisa que temos para a Academia!— ordenou Elyco. Ela sabia que provavelmente seria a última ordem que daria, e pensar nisso a magoava profundamente.
—M-Mas e vo–
—Agora!— sua voz foi amplificada por sua forma dracônica, uma lágrima quase caindo de seus olhos.
—Laxam! Elyco! Apareçam, por favor!
Laxam esqueceu-se momentaneamente de todo o resto, concentrando-se apenas na voz. Suas pernas doíam, seus pulmões queimavam, mas ele continuou correndo. A única coisa que conseguia ouvir era a voz de Pyra. Não notou os galhos batendo em seu rosto ou os espinhos cravando-se em suas costelas. Correu, correu como nunca havia corrido antes. Por que fora enviado ali sozinho? Esta missão estava muito além das capacidades de um único Protetor.
—Laxam! Por favor, me responda!
Laxam esqueceu o mundo ao seu redor, com a mente totalmente ocupada por aquela voz distante. Concentrou-se apenas em alcançá-la, com as pernas doendo e o corpo levado ao limite. Não ouviu Faran gritar um aviso.
Algo o atingiu com uma força tremenda nas costas, fazendo-o cair pelo chão da floresta. Ele cambaleou e cambaleou, e quando tentou se levantar, não conseguiu. Sua espinha estava despedaçada, e a morte se aproximava rapidamente.
O cristal jazia a poucos centímetros de seu focinho, e sua presença fria lhe causava arrepios na espinha. Ele viu um casco, com a escuridão envolvendo sua verdadeira cor. Uma aura agarrou o cristal, erguendo-o para longe de sua vista. Laxam sentiu-se frio e impotente, com a vida se esvaindo.
—Laxam! Se você consegue me ouvir, venha até mim, eu imploro!
Uma vaga lembrança surgiu em sua mente, uma lembrança de calor em seu coração — amor. Ele não entendia o porquê; nunca havia encontrado ninguém que pudesse tocar seu coração daquela maneira. Mas ansiava por gritar com todas as suas forças.
À medida que sua existência diminuía, ele sussurrou a palavra que nunca havia dito antes: —Eu... te amo...
