Chapter Text
Começou no dia das bruxas.
Karen e Ted estavam fora por uns dias, em função da Mãe de Ted, que estava por um fio. Muito doente. Os Wheeler nunca foram tão próximos dos avós, especialmente os por parte de pai. Ted não era um homem social. Nem mesmo com os próprios pais, e por algum motivo, não gostava de ter seus pais perto dos filhos.
Já Nancy, arrastou Jonathan para o restaurante em que frequentam todo halloween desde que suas vidas viraram de cabeça para baixo, quando descobriram da existência de monstros e dimensões alternativas.
Então, claro, cuidar de Holly era trabalho para Mike e Will.
A vizinhança estava agitada e de cinco em cinco minutos, tocava-se a campainha. Holly e sua amiga Mary, tinham voltado cedo naquela noite, com baldes cheios de doces.
- Puta merda! – Mike abre a porta e tenta roubar um doce da irmã.
- Ei, não! – Ela dá um tapa em sua mão. -Se quiser doces, vá buscar.
- Eu não tenho fantasia!
- Ah, você tem.
- Qual é Holly, eu não vou usar aquilo. – Mike diz se referindo ao pijama de sapo que recebeu no aniversário de 12 anos. Ele nunca usou aquilo.
- Sem fantasia, sem doce.
Mike bufa e se joga na poltrona.
- Aonde estão indo?
- Assistir filmes de terror, dã.
- Não foi isso que a mamãe pediu... – Provoca com um sorriso sarcástico.
- O que você quer? – Ela se rende.
- Me dá alguns doces? – Mike implora usando aqueles olhos estupídos de cachorrinho.
A pequena bufa e o entrega uma barra de chocolate.
- Você é a melhor!
Will, ao lado, no sofá, ri dos dois.
- Holly? – Ele chama..
-Sim?
-Quanto tempo mais ou menos o filme dura? Só para saber quando puder ir para o porão.
Os Byers vêm dormindo na casa dos Wheeler há alguns meses desde o retorno da Califórnia, Jonathan e Will dividem o porão.
- Ah, na verdade a gente estava pensando em dormir por lá mesmo. Você se importa de dividir o quarto com o Mike?
Seu estômago dá um nó.
No mesmo quarto? Na mesma... cama? Seja mais específica, por favor.
- Will? – Mike pergunta, e então ele se dá conta que está quieto há um tempo.
-Hum? Não, sem problemas, quer dizer, se for tudo bem por você.
Ele já tinha divido o quarto com Mike quando eram mais novos, mas isso era diferente. Will não entendia muito bem aqueles sentimentos por Mike, era algo mais doce e inocente. Agora, ele era alvo de masturbação. Eis um dos motivos pelo qual a ideia de dividir uma cama com seu melhor amigo não parece muito boa.
Um tempo depois, Mike desliga a televisão e boceja, visivelmente cansado.
- Você quer ajuda para levar o colchão para o quarto? – Ele oferece esfregando os olhos.
É claro que ele usaria o colchão, idiota.
Mike estava cansado, Will não queria abusar dele. E a ideia de que talvez o fato de estarem convivendo na mesma casa há dois meses irritasse Mike, o que Will nem gostava de pensar. Mike por outro lado atéé gostava da companhia do amigo, era menos solitário.
- Ah pode ir subindo, eu levo para lá daqui a pouco. – Ele odeia o jeito como sua voz falha no final e o quão nervoso parece agora.
- Qual é, tenho que ver se as duas estão bem lá embaixo mesmo, eu te ajudo.
Will cede e levanta do sofá fechando o livro que estava ocupado demais encarando enquanto sua mente girava com a ideia de dividir uma cama com Mike.
O clima está mais calmo lá embaixo, e as duas já estão dormindo. Há papéis de caramelo espalhados por todo lado, e a TV ainda está transmitindo “A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors”.
Will pega a ponta do colchão e Mike a outra, tentando fazer o mínimo de barulho possível, ele desliga a TV e sobem as escadas.
No quarto, Will coloca o colchão ao lado da cama, e Mike se joga na cama exausto. Ele entrega um dos travesseiros e dá um cobertor para o amigo.
- Valeu.
Ele desliga o abajur e é possível ouvir o canto dos grilos.
Mike é o primeiro a quebrar o silêncio.
- Lembra aquela vez que fomos fantasiados de caça-fantasmas para escola e não tinha ninguém de fantasia?
- Lembro – Mike sorri quando escuta o sorriso em sua voz. – E o Lucas e o Dustin chamaram a Max para pedir doces com a gente já de fantasia.
- Nossa, eu fiquei tão revoltado com isso.
- Você não gostava dela.
- Não, eu não gostava. – Ele admite rindo.
- Ela faz falta.
- Faz mesmo. – Mike admite. – Especialmente para o Lucas.
- Você... acha que ela vai acordar? – Will pergunta, sua voz falha como se estivesse dizendo algo proibido.
Mike vira o rosto e seus olhos se encontram.
- Eu não sei..., mas eu espero que sim. Não consigo imaginar como o Lucas ficaria sem ela.
Um silêncio se estende e Will acha que a conversa acabou.
- Will?
- Sim?
- Você vem estado... hum... bem próximo da Robin, recentemente, não?
Por algum motivo que Mike não quer admitir, ele sabe que aquilo o incomoda.
- Oque? – Ele olha para Mike. – Porquê?
- Não é que... Lucas tem a Max, o Dustin teve a Suzie, e... eu... também tinha a El.
Espera, tinha?
Will tentou manter a calma, mesmo que seu coração estivesse palpitando como nunca.
- Vocês... hum... terminaram?
- É, ela me deu o pé na bunda de novo.
- Ah. – Ele não sabe como reagir. E também odeia a pontada de esperança que o atinge agora. – Eu sinto muito. Mas, vocês vão voltar, certo? – Sua voz é quase como uma aprovação, oque faz Mike engolir em seco,
- Não. É diferente dessa vez.
Diferente?
- Sabe, eu acho que e até melhor assim. Eu gosto muito dela, mas eu realmente não sei se a amo. Não desse jeito. Mas eu me importo muito com ela. De verdade. Mas só acho que de uma forma mais, platônica...?
Ouvir aquela interrogação corta o coração de Will. Por que ele sabe que Mike Wheeler é uma bagunça com sentimentos. Se ele pudesse abraçaria cada um deles. Ele quer tanto dizer isso a Mike. Mas ao invés disso, diz a coisa mais óbvia que vem a sua mente.
- E-eu posso fazer alguma coisa para ajudar? Quer que eu fale com a El, ou-
- Não, não. – Ótimo, ele é secamente cortado por Mike. – Você pode só... hum -
Will o encara confuso.
Oque ele está tentando dizer?
- Deixa, é besteira.
Silêncio.
- Mike...
- Sim?
- Fala. – Sua voz soa acolhedora, é mais do que um pedido.
Mike engole em seco. É possível ouvir o som de sua respiração.
- Você... você pode deitar aqui?
Uau. Isso foi direto.
Will arrepiou da cabeça aos pés.
Bom, ele fantasiou com isso por alguns anos. Tudo bem que ele já tinha dormido com Mike quando eram menores, abraçadinhos mesmo. Mas para Mike, aquilo era só amizade, para Will, era o melhor momento do dia.
- Claro – Ele tem medo de que sua voz tenha soado desesperada, mas Mike não parece notar.
Ele ainda está encarando o teto, piscando rapidamente, respiração acelerada.
- Você quer hum... *conversar* sobre isso?
- Não. - Sua voz saiu rápida. - Podemos...hum, falar sobre outra coisa? - Parecia que ele estava segurando a vontade de chorar.
- Mike. Você pode chorar.
- *Hum?* - Ele desvia o olhar.
- Você. pode. chorar.
Uma pequena lágrima escorre pelo canto do olho esquerdo de Mike, e ele a limpa com o canto da mão rapidamente.
- Desculpa. - Sua voz saí frágil, e ele libera mais lágrimas. - Isso é tão ridículo.
- Oque? Não, não. - Will hesita, mas o abraça lentamente. - Você só está magoado. Não tem nada de errado nisso.
- Obrigado, Will.
Alguma coisa na maneira como ele diz seu nome desperta ainda mais sua paixão pelo melhor amigo. Ele é tão grato por ser uma das únicas pessoas que conhece esse seu lado vulnerável.
