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Twisted Magical girls AU

Summary:

depois de 7 overblots o nightraven colege teria um pouco de paz, mas essa paz é interrompida quando uma força maligna a milhares de anos aprisionada e esquecida volta a dar sinais pondo em risco toda a ilha Sage.

Para lutar contra este mal, sete almas foram escolhidas pelo destino para portar a magia capaz de combater os monstros e livrar o mundo da escuridão. Enquanto elas lutam para cumprir essa missão, terão que aprender a superar a escuridão de suas próprias mentes para trazer uma luz de esperança para os outros.

Essa é a história de garotas mágicas distorcidas, traumatizadas e de caráter duvidoso :D

Notes:

Passei muito sufoco montando tudo isso aqui. É a primeira vez que eu posto algo que escrevo e tô realmente bem animada. Eu ainda não sei totalmente como adicionar imagens aqui, mas isso é um projeto que tá sendo construído de pouco a pouco com uma amiga minha que é uma grande artista em desenvolvimento. >:D

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: As engrenagens começam a girar

Chapter Text

Os corredores de Night Raven College estavam desertos. Normal pra uma segunda-feira depois de uma semana inteira apagando incêndio — literal e figurado — por causa de Overblots.

Só que o silêncio ali não era natural. Vinha um zumbido baixo de um corredor lateral, um lugar que nenhum aluno ou professor usava. Justo o lugar onde Idia Shroud não queria estar.

Ela preferia estar trancada no quarto, com ar-condicionado, 3 monitores e zero contato humano. Mas aula prática não perdoava nem hikikomori.

Estava ali há quarenta minutos. Deitada no chão sujo, na posição fetal, falhando pela décima vez contra um goblin de fogo nível 3.

Ortho agachou ao lado dela, o brilho azul dos olhos refletindo a tela do celular dela.

— Idia, eu entendo que essa fase dá um drop raro. Mas você tá nessa posição há quase uma hora. Suas vértebras não enviaram uma carta de demissão ainda?

Idia se ergueu com um gemido, apoiando o peso nos cotovelos. O cabelo vermelho desgrenhado caía sobre o rosto.

— Minha coluna é otimizada pra grind. Anos de treino pra ignorar dor lombar. Isso aqui é disciplina, Ortho.

Ele a encarou. A expressão não dizia “orgulho de irmão”. Dizia “vou marcar terapia e arrastar você à força”.

Antes que ele pudesse soltar o sermão, o ar mudou. Pesado. Frio. Como se alguém tivesse ligado um freezer no meio do corredor.

Os dois se viraram ao mesmo tempo.

Algo veio na direção deles rápido demais. Idia nem teve tempo de amaldiçoar a existência. O impacto acertou em cheio o rosto dela, e a cabeça bateu na parede com um thud seco.

Doeu. Muito.

— Te achei! Te achei, a escolhida! A primeira! — a voz era aguda, acelerada, como se tivessem ligado um tamagotchi na tomada 220v.

Idia piscou, tentando focar. A coisa na frente dela era pequena, peluda, azul-clara. Tamanho de um labubu. Orelhas e cauda de gato, laço listrado nas costas igual ao do uniforme, só que com as pontas desfiadas em xadrez azul.

— Que mob bugado é esse? — ela murmurou, passando a mão na nuca latejante. — Que porrada foi essa?

A criatura não recuou. Se esfregou com mais força na bochecha dela, ronronando. O atrito gerou um estalo seco.
— Ai! Tá me dando choque, porra!

— Desculpa! Sou o Luck! Vou ser seu mascote mágico e te dar poder pra lutar! Vai ser incrível! — ele flutuou um palmo do chão, girando no ar.

Idia olhou pro Ortho.
— Ortho, você tinha razão. Aquela garrafa de energético me deu bug visual.

— Eu também estou enxergando isso. Então ou é alucinação coletiva, ou a gente enlouqueceu junto.

Luck inclinou a cabeça, como se aquilo fosse um detalhe menor.
— Eu sei que é doido. Mas tem energia negativa se acumulando aqui. Rápido. Se a gente não agir, algo vai vir atrás de você. E vai doer mais que isso.

Silêncio.

As luzes do corredor piscaram e morreram pela metade. O tom quente das lâmpadas virou um cinza doentio. As cores ao redor perderam saturação, como se o mundo tivesse sido drenado.

Os sensores do Ortho dispararam. O pelo do braço da Idia se arrepiou.

Um som de tecido sendo arrastado veio do fim do corredor, arrastado e irregular.

— Bem — Luck sorriu, flutuando ao redor da cabeça dela. — Acho que já achou a gente.

Ortho se pôs na frente da irmã, postura rígida, canhões de mão materializando nos antebraços.
— Como assim “achou a gente”? O que é “a gente”? O que tá vindo?

— Ainda não têm nome! — Luck respondeu, distraído, batendo as patinhas no ar. — Mas você pode batizar! Que tal “Coisa Feia Nº1”?

Idia não esperou a resposta. Pegou Ortho pelo braço e saiu correndo na direção oposta.

Eles irromperam no refeitório menos de um minuto depois, ofegantes. Idia apoiou as mãos nos joelhos, odiando cada centímetro dos pulmões ardendo.

O ambiente ali estava igual: cores mortas, ar pesado. Os poucos alunos que matavam aula sussurravam entre si, em transe. Até os fantasmas da cozinha tremiam, transparentes mais que o normal.

— Tá vindo! Tá vindo! — Luck surgiu do nada, mergulhando no cabelo de Idia como se aquilo fosse um bunker seguro. — Esconde eu! Esconde eu!

Ninguém teve tempo de responder.

A porta do refeitório cedeu com um estrondo. A parede ao lado rachou.

Uma criatura entrou. Gigantesca, feita de retalhos costurados à força. Segurava um cobertor como se fosse uma arma. Os pontos rangiam a cada movimento.

Ortho reagiu primeiro. Um raio concentrado saiu da palma dele e acertou o peito do monstro. O impacto não deixou nem marca. Só fez o barulho de tecido sendo puxado.

O pânico subiu pela garganta da Idia. Se nem o Ortho conseguia arranhar aquilo, o plano B era... correr mais rápido?

O monstro rugiu. O som era de vidro sendo arranhado por cem unhas ao mesmo tempo.

Ortho se jogou na frente dela, mas foi arremessado contra a parede por um nó de travesseiros que se formou do nada. Ele bateu com força e ficou preso, tentando se soltar.

— Ortho! — Idia deu um passo à frente, mas uma rajada de bolas de algodão carregadas de magia suja veio na direção dela.

Ela rolou pro lado, sentindo o calor da magia passar raspando. Por pouco.

— Puta que pariu. A gente vai morrer. Eu e o Ortho. — a voz dela saiu baixa, trêmula.

Uma pata macia acertou o lado do rosto dela. Forte o suficiente pra fazer a cabeça virar.

— Acorda, cabeça de fósforo! — Luck tremia, mas os olhos brilhavam com uma determinação ridícula. — Para de chororô e faz alguma coisa!

Idia o encarou, o cabelo de fogo sendo tomado pela cor vermelha.
— Como eu vou lutar contra isso?! Nem o Ortho conseguiu! Você tá maluco?

Eles se encararam por dois segundos.
— Ah. Verdade. Esqueci — Luck coçou a cabeça, constrangido. Uma pedra azul-cristalina surgiu entre eles, flutuando.
— Pega isso. Diz a frase mágica.

Idia encarou a pedra azul flutuando na frente dela como se fosse um meme de mal gosto.
— Isso é sério? Você quer que eu jogue isso naquela coisa?

O monstro de retalhos já levantava outro braço, preparando uma nova rajada de algodão enfeitiçado.

— Claro que é sério! — Luck flutuava em pânico contido. — Mas você precisa dizer a frase de ativação!

— Que frase de ativação?! — ela rosnou, se escondendo atrás de uma mesa virada enquanto desviava de outro ataque. O som do tecido rasgando passou a centímetros da orelha dela.

— “Hora de brilhar”! É simples! É icônico! — Luck jogou a pedra direto nela, sem se importar muito com coordenação motora.

A pedra bateu na testa da Idia.

— Ai! Você é o suco do rage bait, sabia? Eu vou te jogar na cara daquele troço!

— Você não vai ter tempo! Fala logo! — Luck gritou, apontando pro Ortho que ainda lutava pra se soltar dos travesseiros.

Idia olhou pro irmão preso, pro monstro avançando, pro refeitório inteiro em transe.

Respirou fundo. O orgulho dela morreu ali mesmo.

— HORA DE BRILHAR! — o grito saiu rasgado, cheio de desgosto e vergonha alheia.

A pedra explodiu em luz.

Não foi uma luz bonitinha. Foi uma explosão branca, densa, que engoliu o refeitório inteiro por um segundo. Os alunos em transe recuaram, tampando os olhos. Até o monstro recuou, como se a luz queimasse os pontos.

Quando a claridade baixou, o ar parecia mais leve. Mais limpo.

Idia ainda estava ali. De pé. Mas diferente.

O uniforme de Night Raven tinha sumido, substituído por algo mais fluido, prático. Botas reforçadas, saia curta com reforço interno, jaqueta de mangas longas com detalhes em chamas estilizadas. O laço do Luck agora prendia parte do cabelo dela pra trás, funcionando como âncora. A pedra azul brilhava encaixada no centro do laço.

Ela olhou pra própria mão. Chamas azuis dançavam entre os dedos, mas estáveis. Controladas.
— ...Ok. Isso é novo.

Luck pousou no ombro dela, ofegante mas sorridente.
— Tá vendo? Eu disse que ia ser incrível!

Do outro lado, o monstro de retalhos rugiu de novo. Mas dessa vez, o som tremeu. Como se tivesse percebido que a presa agora tinha dente.

Idia ergueu a mão. O fogo respondeu, mais quente, mais focado.
Ortho, ainda preso, gritou de longe:

— Idia! Cuidado pra não explodir o refeitório!
Idia olha para as próprias mãos, incrédula, perplexa, chocada, passada.

— Puta que pariu... EU VIREI UMA GAROTA MÁGICA!