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Meus (des)conhecimentos

Summary:

James e Aiden viajam para o Brasil e curtem desde as praias até o interior, até que decidem ficar definitivamente no país. Enquanto James volta à suas atividades de influencer, de uma forma mais saudável e honesta agora, Aiden tenta a chance de recomeçar sua carreira de ator e sua vida.

Notes:

DISCLAIMER, MUITOS DISCLAIMERS AI MEU DEUS:

– Esta é a minha primeira fanfic;
– Faz ANOS que não publico algo;
– Quem quiser traduzir a fanfic pra inglês agradeço muito, só deixa bem claro que é tradução pfvr;
– Não tenho conhecimento social direito (mal saio de casa) então perdão por qualquer erro nesse quesito;
– Ainda não vi Disventure Camp, então pode ser que a fanfic esteja fora do personagem;
– Headcanons estão presentes;
– A escrita é inspirada em atividades terapêuticas, me ajuda a compreender meus próprios sonhos e Aiden é tipo, perfeito pra isso;
– Essa fanfic foi perfumada com protetor solar e maresia;
– Inspirado em O Mar Me Levou a Você, de Pedro Rhuas.

APROVEITEM!!!!!!

Chapter 1: “Vibrant memories keeps me going while I'm overseas” (Mergulhei nos seus olhos, Natiruts ‧ 2018)

Summary:

A real era que lá fora
Estava difícil de levar
Não perdi tempo alimentando ilusões
Decidi ir ajudar
E todo gesto de amor enriquecia
Faziam melhorar
Sem eu saber, você sentiu essa energia
Que era só do bem, amar

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

Viajar é bom, mas chegar em casa é melhor. Depois de todos os desafios no acampamento, depois de todo o esforço, desfrutar da vitória é o certo e o merecido. Tendo viajado por alguns lugares ao redor do globo e passado um tempo com a família Brooks, James e Aiden dão tchau ao clima temperado do Canadá e dão olá ao clima tropical do Brasil, sendo recebidos pelo abraço caloroso da família Costa.

O período de adaptação num geral não foi tão demorado quanto Aiden pensou que seria. A parte mais complicada, sendo honesto, foi aprender o novo idioma, diferente do inglês mas não tanto do francês que falava na terra natal. Atualmente, ele consegue falar de forma informal quase fluentemente e ama usar as gírias que só o português consegue proporcionar.
Além disso, há o calor do clima diferente, abafado e úmido que não esperava gostar tanto quanto gostou. Foi uma mudança boa, Aiden pensou, divertida e algo novo que ajudou a deixar para trás parte da dor que carregava consigo, que o prendia como uma avalanche de neve… e caso quisesse, poderia voltar ao Canadá para visitar o seu frio, ou ir às serras catarinenses no sul brasileiro durante o inverno.

Aiden está sentado na mesa circular da sala de jantar, perto da varanda que dá acesso ao quintal da casa. O sol entra através da porta de vidro da varanda, tomando conta do cômodo todo. Era um costume que Aiden voltou a amar depois de chegar ao Brasil: deixar as cortinas e janelas abertas para o ar renovar e a luz da vida pendurar mais no dia a dia dele, que ficava mais dentro de casa. Por agora.
Um vôo direto já é exaustivo, e juntando com mais uma viagem de carro, se torna uma desculpa boa para ficar em casa nos primeiros momentos. E tirando isso, a casa precisava de um cuidado. Não só havia a poeira da casa fechada e vazia por tanto tempo, mas também James havia alugado ela durante os meses que estavam fora, para render uma grana extra e tals.
Agora, a casa estava limpinha. Roupa de cama lavada, guarda-roupa completo, armários da cozinha cheios e a estante de televisão decorada com lembrancinhas das outras viagens e com fotos tiradas com as pessoas que conheceram no acampamento. Aiden amou o quão bem se sentia ali, o quão bem-vindo era de verdade. Que essa casa, esse lar, era seu também, e que era compartilhado com o amor da sua vida.

Falando nele, James está fora, trabalhando na produção de uma nova novela que estreará em algumas semanas, ajudando na parte de representatividade.
Aiden prestou mais atenção depois que saíram do reality show que James começou a cultivar um certo orgulho por quem ele queria ser, ou por quem ele realmente era. Sua rotina de postagens diminuiu, e as fotos começaram a ser fotos de paisagens, animais, porções maiores de comida saudável, ou coisas encontradas no dia a dia que James achava uma graça por mais simples que eram, como pétalas de flores caídas na calçada em frente a casa deles ou adesivos em placas de trânsito que a população artista local colocava. Era uma personalidade mais serena, fotos com bom enquadramento e estética que mostravam uma mudança de visão de mundo, da paz que James sentia agora depois de tantos anos duvidando de seu valor e tentando mudar por pessoas que não valiam tanto a pena.
Aiden sentiu orgulho do namorado ao lembrar-se disso. Ele ainda se lembra da conversa no lago, onde disse que se fosse a busca por validação que faria James feliz, não o impediria e que estaria ali para ele. A preocupação de seu namorado acabar se perdendo na opinião dos outros deixou de existir desde então.

E, bem, agora era a oportunidade de focar em si mesmo. Um novo ambiente, uma nova oportunidade.

Cedo pela manhã, café já tomado, cama já arrumada. Ainda de pijama, notebook em cima da mesa ligado em uma página que mostrava todas as apresentações teatrais que a cidade teria naquele mês e no próximo. Ao lado do teclado, um caderninho com anotações de preço dos ingressos e horário das apresentações que ele tem mais interesse em assistir.
As histórias dançadas e cantadas são diferentes daquelas que ele estava acostumado. Aos poucos, conhecia mais sobre o contexto histórico do país em que estava também, das guerras e lutas, das perdas e vitórias. Honestamente, não conhecia muito a fundo sobre as produções visuais do Brasil, então quando viu na internet que estavam comemorando sobre a escalada de atores e produtores de grupos minoritários para projetos que falavam desses grupos, como seu namorado, ficou um pouco surpreso. Um país tão diverso e ainda não havia tanto espaço para expressão cultural?
Claro que logo entendeu isso. Em seus anos escolares era cada vez mais difícil conseguir se enturmar, especialmente depois de sair do armário e começar a transição de gênero. Seus únicos confortos foram seus amigos e as aulas de teatro, depois a faculdade, mas nunca havia conseguido um trabalho “de fato” como ator. Não importa se sua voz era aquilo que procuravam para o papel principal, ou se sua aparência era igual ao melhor amigo do protagonista, jamais teve seu nome nos resultados da audição. Isso não o impediu de tentar, mas claramente o deixou triste e esgotado durante um tempo. E talvez esse tempo tenha acabado, porque sua vontade de atuar estava voltando aos poucos, conseguia sentir isso dentro de si.

E sabia muito bem que isso não seria tão simples. Não por ser estrangeiro, não por ter o sotaque canadense aparente, mas por sua identidade.
Sabia que, assim como seu namorado, era alvo de muita negatividade na mídia. Ao longo da descoberta de sua identidade, ficou sabendo que o Brasil estava no ranking de mortes de pessoas trans e LGBTQ+. Se lá de onde veio já sofria, aqui poderia ser pior… mas seu medo era tampado pela determinação.
Ver James conseguindo um trabalho de produção, além das postagens dele relacionadas a amar o próprio corpo, a própria história e continuar lutando para as próximas gerações não carregarem desgosto de suas origens (além de vários outros influencers e atores que compartilhavam da mesma opinião, é claro), o encheu de admiração e de vontade de ser parte desse tipo de movimento. Afinal, arte pode ser política e percebeu que podia se divertir e fazer algo importante ao mesmo tempo.
Então, lá estava ele, escolhendo as peças teatrais que assistiria para ter uma base do que faziam na cidade, do jeito, do estilo, do que ele poderia melhorar e incrementar. Também pesquisou pelos grupos no Instagram e quais critérios eram necessários para entrar em alguns deles.

Em alguns momentos, decidiu que a pesquisa foi o suficiente e desligou o notebook, o guardando na estante da televisão por enquanto. James iria voltar em breve, e não tendo muito mais o que fazer, a não ser podar um pouco as rosas do jardim, Aiden foi para a cozinha começar o almoço. Prato simples, comida muito boa, e uma mesa bem arrumada com os copos de vidro bonitinhos e sousplat de cor de outono. Enquanto a comida está no fogão, os utensílios são lavados para que a cozinha não fique uma bagunça.
Aiden se surpreende por focar nesses detalhes. Ele provavelmente sempre foi assim, mas só percebeu isso agora, mais velho e independente, no silêncio da casinha colorida e amorosa. É um pouco estranho. Ele deveria estar fazendo isso? Por que isso lhe trás paz e felicidade, não parecendo ser uma tarefa obrigatória mas sim um auto cuidado? A casa é ele, já que ele também é sua própria casa, seu próprio ser? Faz tempo que um sentimento bom toma conta de seu coração.
Tudo está posto na mesa, e o som do portão pequeno abrindo é a indicação de que James chegou. Pelo ouvido, ele veio de carona com algum colega de trabalho.
A porta se abre, e Aiden e James logo se abraçam. Foram apenas algumas horas separados, mas o toque um do outro é tão bom que não dá pra passar a oportunidade. Aiden o ajuda com sua bolsa, a deixando no sofá enquanto James troca seu tênis por sandálias.
— E então, como é que tá meu raio de sol? — James abraça Aiden por trás, se abaixando para beijar a bochecha do namorado. — Ontem você tava bem cansado. Se sente melhor?
— Me sinto melhor sim, luazinha. — Aiden retribuí o beijo — Até já sei o que quero fazer mais pra final de tarde.
Os dois se acomodam na mesa e começam a almoçar. Aiden insiste que James comece a falar primeiro sobre sua manhã, e ele obedece.
Mais figurinos ficaram prontos, mais cenas foram gravadas e mais episódios terminaram a pós-produção, estando prontos para serem lançados na TV. O trabalho está valendo muito a pena e a dedicação. Todo mundo é legal e gentil, e os diretores fazem questão de todos terem suas pausas necessárias. É perceptível o olhar encantado e animado de James, assim como seu cabelo bem cuidado, pele reluzente, tronco definido…
James mudou bastante desde o reality show. Ele deixou o cabelo crescer, o colocando em um belo trançado com uma bandana amarela detalhada de formas geométricas em cores complementares. Sua regata branca é de algodão, deixando seus braços bem à mostra, e o colar é uma correntinha de prata simples com vários pingentes personalizados. Bermuda preta simples, sandália havaianas branca e, é claro, a aliança na mão direita. Mesma mão que coloca o copo vazio na mesa, mesma mão da pessoa que agradece pelo almoço, e a mesma pessoa que recolhe seu prato vazio e o coloca na pia para lavar.
Deus, Aiden já disse o quão orgulhoso está do namorado? O quão feliz James está? Finalmente comendo bem, finalmente sem olheiras, mais brilhante do que já era quando o conheceu no acampamento.

Aiden pensava que James havia ampliado sua beleza. Será que ele fez o mesmo à James?

 

De tarde o tempo fica muito bom, com a leve brisa entrando pelas janelas e o som da vida andando lá fora, enquanto aqui, dentro da casa, parece parada.
Um hábito novo no dia a dia de James é tirar um cochilo pouco depois de almoçar, e um hábito novo no dia a dia de Aiden é fazer companhia para James e o ver dormir, prestando atenção na respiração leve e rosto manso e fofo que é acariciado por mãos brancas levemente bronzeadas. Cada detalhe do rosto de James é observado e cravado na memória: seus lábios, o formato da sobrancelha, os cílios grandes, um sinal perto da orelha.
Aiden conseguiria parar de olhar para o namorado que nem um louco, se levantar e fazer qualquer outra coisa pela casa, mas os braços de James o envolviam de um jeito tão gentil e quentinho que seus olhos quase se fechavam completamente, o sono batendo na porta e seu coração batendo com amor e felicidade e paz.
Houve alguma vez que Aiden pensou que isso seria possível? Estar nos braços de um amor, cuidando desse amor? Talvez, muito provavelmente, mas fazer isso de fato, viver isso de fato é tão… estranho. Diferente. Interessante.
É tão bom.

Durante seus anos escolares e até antes de entrar para o Acampamento Desventura, Aiden apenas fantasiou em ter um relacionamento. Uma vez ou outra ele tentou realmente se relacionar com alguém que realmente gostava, mas das tentativas ou não se importavam o suficiente com quem ele era, ou tentaram acabar com sua vida, seus sonhos, passatempos e mais. No fim, prometeu tentar de novo apenas quando tivesse certeza de que a pessoa em questão era a certa.
E, nossa, dessa vez ele havia acertado em cheio.
Alguém que não apenas o ama, mas o respeita e o incentiva a seguir suas paixões, expandindo sua própria pessoa ao invés de tomar Aiden para benefício próprio. E pensando nisso tudo, nas diversas conversas em que tiveram juntos para resolver questões ou se divertir, Aiden trás James para mais perto, descansando a cabeça do namorado em seu próprio peito e o cobrindo mais com o lençol recém lavado com amaciante da cama.
Daqui a pouco James acordaria, tipo em uns quinze minutos, mas não é desculpa para não dar carinho à ele. E quando ele acordasse, Aiden também levantaria para tomar banho e se arrumar para a peça, que acontecerá no teatro municipal perto do centro histórico da cidade.

Uma vida tão boa. Parece um sonho, e é um sonho. Realizado.

Notes:

Agradecimentos ao burufobia no twitter que me inspirou de vez a fazer a fanfic, e à outras fanfics e postagens no tumblr e ao3 e twitter que me fizeram quase passar mal de tão belo e fofos Jaiden são e dai fui obrigado a fazer essa fic 🩵

– Não sei quando vai sair o próximo capítulo, ou se vai ter capítulo 2;
– Esse capítulo inicial era pra ser mais longo, mas acabei perdendo MUITO tempo na escrita e tenho uma análise de filme pra fazer, entãoooo amanhã eu volto 🩵