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Era um domingo ensolarado, início da primavera. Os raios solares invadiam a fina cortina branca iluminando a sala de estar, os móveis rústicos brilhavam em cores vibrantes, as plantas faziam a sua fotossíntese e a brisa que entrava, bagunçava os relatórios de Chan na mesa, que havia passado noites em claro escrevendo.
A porta que dava pro enorme jardim, estava aberta e tinha Berry deitada no batente sendo a companhia de Minho, enquanto fazia sua yoga matinal. O relógio cuco pendurado na parede perto da estante de livro marcava 09:30 da manhã, o horário ideal para um banho de sol e era isso que Minho estava fazendo. Enquanto tentava as posições que sua enorme barriga permitia, Minho relaxava nos movimentos e tentava ensinar para Tom, o primogênito do casal, algumas de suas posições favoritas.
Sentado no sofá, Chan configurava a nova câmera que havia chegado no início da semana, já que a grande demanda do trabalho e de casa o impedira de olhar antes. A câmera era a versão mais atualizada da qual Chan já usava, não era difícil de configurar, mas ele ainda tinha que se acostumar com ela. Ele bateu algumas fotos do ambiente verificando luz, sombra, zoom, foco, saturação, brilho e após alguns terminar os ajustes, Chan finalmente deixou a câmera no seu estilo. Ele estava pronto para utilizá-la.
Uma risada fina e infantil preencheu os cômodos da casa e os ouvidos de quem ouvira. Tom e Berry estavam fazendo cócegas em Minho, que estava deitado em seu Mat. O mais velho estava tão feliz que era impossível não sentirem o cheiro de tangerina de longe.
— Appa, a Bella está se mexendo — a voz de Tom era divertida.
— É porque você está fazendo cócegas na sua irmã, meu pequeno— Minho falava rindo.
Chan olhou para a cena sorrindo e percebeu que sempre almejara uma família unida. Minho, o amor da sua vida, foi quem acreditou e fez com que aquele sonho se tornasse realidade.
O coração do alfa foi esmagado por um amor incontrolável ao ver tal cena: Tom deitado sobre a barriga de Minho, conversando com a irmã, enquanto Berry repousava a cabeça nas pernas do mais velho, com os raios solares iluminando eles.
Chan se levantou e caminhou lentamente até o jardim. Com a câmera já posicionada, ele procurou o melhor ângulo e registrou aquele momento. Enquanto analisava a fotografia muito satisfeito, Chan soltou um pouco dos seus feromônios e o cheiro de café se misturou com o de tangerina e se transformou em uma dança perfeitamente sincronizada.
De repente, Minho sentiu uma pontada forte na barriga. O cheiro de tangerina do ômega se azedou rapidamente o que faz o alfa entrar em alerta.
— Tá tudo bem, meu amor? — Chan se agachou ao lado do ômega com o olhar preocupado e deixou um selar em sua testa.
— Ta sim, vida. Acho que nossa Bella sentiu o seu cheiro e me deu um alô — Minho acariciou com a mão pequena a grande barriga de 05 meses.
— Oi, princesa — Chan chegou perto com o rosto — Você sentiu o cheiro do papai, foi? — Uma risada baixinha saiu dos lábios de Minho.
— Papai, eu tava dizendo aqui pra Bella que o appa ficou fazendo umas poses estranhas e era por isso que ela estava se remexendo todinha — Tom gesticulava teatralmente e Chan exibia um sorriso bobo de tanto amor.
— Príncipe, a Bella está mais confortável que a gente, pode ter certeza — Chan riu, enquanto bagunçava os cabelos loiros do filho.
Eles estavam curtindo um pouco o momento em família, quando Mia — a filha mais nova de Hyunjin e Changbin — abriu o portão que dividia as casas e chamou o pequeno para brincar. Tom, após receber a permissão dos pais, pegou Berry e correu imediatamente até a menina. Hyunjin estava ali, segurando o portão com uma mão enquanto, com a outra, segurava Lily, a amamentando.
Chan ajudou o marido que ainda estava estirado no chão a se levantar, recolhendo e guardando o material que Minho usara para relaxar. A câmera estava novamente nos olhos de Chan, quando ele começou a procurar algo para fotografar, até seu corpo girar na direção do esposo e o encontra se espreguiçando, revelando a barriga saliente.
Imediatamente, a câmera de Chan fez vários disparos, registrando o momento simples mas com tanto significado. Minho percebeu e continuou fazendo algumas poses para o marido, algumas brincalhonas e outras, como se tivesse em um ensaio fotográfico.
O alfa o chamou até o jardim e começou a ditar quais poses ele deveria fazer. Apesar de Chan ser professor, a fotografia também era uma de suas paixões. Ambos transformaram aquele momento em algo quase profissional, registrando o segundo fruto do seu amor, Arabella.
Com o tripé posicionado, eles posaram juntos diante da câmera, registrando o momento. Sem mesmo perceber, o casal foi embalado e atraído pela música calma de fundo que vinha da casa de seu vizinho, fazendo-os dançar e fazendo com que os feromônios se misturassem, os lembrando do dia de seu casamento.
Para Minho, a paixão surgiu quando Chan entrou pela a primeira vez na sala de artes.
Para Chan, a paixão surgiu quando ele viu Minho rindo na aula de educação física.
E para Lee Chan e Bang Minho, o amor nasceu quando o primeiro choro do filho ecoou pela a sala de cirurgia e com certeza o sentimento aumentaria quando Arabella viesse ao mundo.
Dançando juntos e de forma mais íntima, Chan memorizou o cheiro de Minho através do seu cabelo e Minho desejava que aquele momento nunca acabasse. Mas interrompendo o momento mágico, a barriga de Chan roncou fazendo Minho se afastar e rir alto.
— Pelo o ronco que sua barriga deu agora, parece que você é quem está carregando uma criança e comendo por dois— Chan jogou a cabeça pra trás rindo e Minho aproveitou e deu um beijo no seu pomo de adão.
— Você insiste em me fazer comer um prato de frutas achando que vai me alimentar — Chan se desvencilhou do abraço, indo a até a câmera esquecida, a desligando.
— Se eu deixar, você come equivalente ao almoço — Minho segurou a câmera para Chan, que fechava o tripé.
— O café da manhã é a refeição mais importante do dia, meu bem. Preciso comer bem pra começar ele com energia — Minho olhava incrédulo para o alfa, que lhe roubou um beijo rápido, o desarmando.
Depois que voltaram para casa juntos, Minho foi até a cozinha e serviu um pequeno pote com iogurte para o marido, alegando que aquilo era apenas para enganar a fome até o almoço ficar pronto.
Com um jazz suave preenchendo o ambiente, eles trabalharam juntos na montagem da lasanha. Chan ficou atrás de Minho e, hora ou outra, deixava um beijo em sua nuca, arrepiando o marido. Ele virou o corpo do ômega para si e encarou os olhos grandes e apaixonantes dele.
— Eu te amo, Minho — Chan falou sem quebrar o contato visual, observando cada detalhe do rosto esculpido no qual era tão apaixonado.
— Eu também te amo, Christopher — Minho sorriu, quebrou a distância entre eles, o beijando com desejo. O beijo se encerrou apenas quando a barriga de Minho roncou.
Minho riu e voltou para a montagem do prato, enquanto Chan anunciava que ia convidar a família de Hyunjin, seu irmão mais novo, para o almoço.
Chan estava atravessando o portão quando o grito de Minho chamou sua atenção. Ele estava na porta da varanda, com a colher de carne na mão e ofegante, depois de se apressar para alcançar o marido.
— Na verdade, eu não te amo — o ômega exclamou e Chan franziu a testa — Nós te amamos, Christopher.
Minho sorriu ao ver como o alfa ficou alegre com a declaração e voltou para dentro da casa, com um sorriso bobo no rosto.
Chan amava incondicionalmente Minho, mas não mensurava o quanto Minho, Tom, Arabella e Berry o amavam ainda mais.
