Work Text:
Nathaniel não para de pensar.
Agora ele e o Marc se aventuraram mais a fundo em escrever romance entre seus personagens, protagonizado por muitos incentivos dos seus amigos.
Eles sempre foram mais focados em comédia romântica – mais na comédia do que no romance – querendo mudar os ares, e eles queriam muito tentar outros cenários, perguntaram aos amigos suas opiniões em um quadrinho com bastante foco em romance. O que resultou em uma concordância unânime.
E é assim que Nathaniel se encontra na situação atual.
Como seria beijar o Marc.
Atualmente os dois estão no quarto do Nathaniel antes do horário da escola para Marc mostrar o próximo capítulo que escreveu do quadrinho deles.
A história no quadrinho deles está bem avançada no relacionamento dos personagens e ao decorrer do tempo a escrita do Marc só evoluiu.
Lendo o roteiro, Nathaniel pode ver a paixão dos personagens um com o outro, mergulhar de cabeça no que estão sentindo, tudo graças a escrita de Marc.
Nathaniel está lendo a tão aguardada cena da confissão e o beijo dos personagens, as sensações, os pensamentos, a paixão escrita no papel o fazendo sentir um misto de emoções mas com apenas um pensamento na cabeça: como seria beijar o Marc.
Eles são namorados, sim. Mas o relacionamento deles é algo recente – nem seus amigos sabem sobre ainda – Nathaniel acredita que só não surgiu uma oportunidade para acontecer, tipo não é um assunto rotineiro que você conversa com alguém e na visão de Nathaniel, Marc não demonstrou muito interesse no assunto e ele gostaria de fazer algo que seu namorado também quisesse.
— Então, o que achou? — Uma voz bem do seu lado o fez sair dos seus pensamentos e prestar atenção ao seu redor. Marc está olhando pra ele expectante.
Nathaniel olhou novamente pro roteiro e depois de volta pro Marc.
— Tá ótimo. Na verdade está perfeito a cena e sua escrita deixou tudo bem mais intenso. — Ele respondeu com um leve sorriso. — Mais tarde de hoje, eu já consigo começar a ilustrar. —
— Não precisa ter pressa, nossos amigos estão ansiosos mas acredito que podem ser pacientes. — Marc falou com um leve constrangimento pelos elogios de Nathaniel.
Essa era a menor das preocupações que estava na cabeça de Nathaniel nesse momento.
Passando algumas pequenas revisões do roteiro que Marc insistiu em fazer, os dois se prepararam para ir pra escola.
A cabeça de Nathaniel voltou ao roteiro de Marc, a cena do beijo. Não é a primeira vez que ele lê uma cena bem escrita e descritiva, ele já leu uma certa quantidade de livros de romance na sua vida e isso só o fez refletir mais.
Todas as sensações que os autores descrevem, por mais que tudo nas histórias seja apenas uma grande hipérbole, ele se perde em como seria sentir os lábios de Marc nos seus.
Marc usa bastante protetor e hidratante labial, muitas vezes incentivando Nathaniel a usar também, as vezes um pouco de batom também, os lábios dele seriam bem macios. Certo?
A caminhada até a escola foi bem mais silenciosa do que o de costume, sendo mais protagonizado por Marc falando e ocasionalmente pequenos murmúrios distraídos de Nathaniel. Coisa que Marc notou e assim tornou a caminhada silenciosa.
Quando chegaram na escola, se despediram já que a primeira aula dos dois não era a mesma.
Nathaniel tinha aula de poesia, se dirigindo para o local da aula, acabou sendo interceptado por Zoe que tem a mesma aula que ele. Os dois caminharam juntos pro local da aula.
A aula transcorreu normalmente e um dos exercícios foi uma escrita com palavras já selecionadas, atividade que a professora permitiu os alunos ficarem em dupla para ajudar uns aos outros.
Zoe e Nathaniel formaram uma dupla e estavam se ajudando a ter ideias do que escrever nas estrofes com as palavras selecionadas nas folhas.
A aula de poesia acontecia em um dos terraços da escola e do outro lado dava pra ver outra turma que tinha aula no outro terraço da escola. Turma essa que Marc fazia parte.
E na ironia do universo, uma das palavras de Nathaniel era beijo.
Lentamente, sua atenção saiu de Zoe recitando seu poema, para Marc no outro terraço em sua aula e a questão de mais cedo retornando pra sua cabeça.
Sua distração foi interrompida por uma mão balançando na frente do seu rosto, sua atenção voltou para Zoe que tinha um semblante confuso e levemente preocupado.
— Tá tudo bem Nath? — Zoe falou levemente incerta. — Você tava distraído. —
Zoe virou levemente a cabeça para atrás de si – que era para onde Nathaniel tava olhando – vendo apenas outros alunos no outro terraço e Marc conversando com alguém.
— Tá tudo bem sim. — Nathaniel se apressou a responder. Fazendo Zoe voltar a fixar sua atenção nele. — Desculpa, me distraí com alguma coisa. —
— Percebi. — Respondeu ela levemente divertida.
— Pode recitar de novo seu poema, por favor. —
A próxima aula, por sorte, ele tinha a mesma com Marc e Zoe fazia também. Os dois caminharam juntos até a sala da próxima aula, se despedindo quando entraram na sala, Zoe indo se sentar em um canto e Nathaniel logo avistando Marc em outro canto da sala.
Nathaniel se sentou no canto vago que havia ao lado de Marc.
Na metade da aula a atenção de Nathaniel foi desviada, era uma das aulas de carga horária obrigatória que a escola tinha, que em outros dias ele estaria minimamente interessado mas não hoje.
Seu olhar se desviou da explicação do professor, passando pelos seus colegas e finalmente se fixando em Marc ao seu lado, que parecia imerso na aula. Seus olhos começaram a passar pelo rosto de Marc, desde seu cabelo – que parecia levemente desarrumado – até sua maquiagem, que também parecia levemente borrada. Até que seus olhos se fixaram nos lábios de Marc, eles estavam levemente brilhantes, resultado de algum brilho labial que ele deve ter resolvido usar hoje.
Rose estava sentada na mesa à frente da de Nathaniel na sala, ela começou a mexer no seu estojo de lápis procurando uma borracha, até se conformar de que à tinha esquecido. Ela se virou para a mesa de trás, sussurrando para não atrapalhar a aula.
— Nathaniel.. — Sem resposta, nem mesmo uma olhada. — Nathaniel? — Ela falou um pouco mais alto, ainda o mesmo resultado.
Ela se inclinou um pouco para frente tocando de leve o braço de Nathaniel.
Sentindo o toque, ele deu um pequeno pulo assustado, chamando a atenção de Marc, e Nathaniel finalmente olhando para frente, notando que era Rose tentando chamar atenção dele.
— O que foi Rose? — Nathaniel perguntou sussurrando e se inclinando um pouco para frente.
— Ah.. Eu queria saber se tinha uma borracha para me emprestar. —
— Sim..! Claro.. — Ele mexeu no seu próprio estojo e pegou sua borracha a entregando para Rose.
Rose rapidamente usou a borracha e logo a devolveu para Nathaniel agradecendo.
Sem mais nenhuma atenção em Nathaniel, Marc discretamente aproximou a sua cadeira da de Nathaniel e se inclinando para poder falar baixo e a conversa ficar só entre os dois.
— Nath.. Tem alguma coisa te incomodando? —
— Não. — Nathaniel respondeu rápido demais. — Tá tudo bem. — Minimizou ele.
Marc só se preocupou mais.
Acabando a aula, Marc avisou a Nathaniel que passaria no banheiro para retocar a maquiagem que tava borrada mas Nathaniel falou que iria com ele. Tinha algum tempo antes do início da próxima aula.
Os dois foram para um banheiro consideravelmente deserto que tinha na escola, Marc indo para frente do espelho e Nathaniel se encostando no balcão da pia ao lado.
Inicialmente Nathaniel ficou mexendo no celular, vendo algumas mensagens não lidas e depois rolando por alguns vídeos até se entendiar e guardou o celular e começou a se concentrar em Marc retocando a maquiagem.
Marc não era tão chegado a desenho, mas ocasionalmente desenhava alguma coisa, principalmente por incentivo de Nathaniel. Mas suas mãos eram bastante firmes fazendo os detalhes que tinham na sua maquiagem – o raio azul no olho por exemplo. - Nathaniel facilmente se cativava com isso.
A maquiagem já estava finalizada e Marc só tava passando um hidratante labial e depois pegou um batom passando levemente nos seus lábios.
Ação que logo capturou a atenção de Nathaniel. Ele já notou que os lábios de Marc são levemente rosados e que ele passava um pouco de batom para deixá-los um pouco avermelhados.
Pareciam tão beijáveis.
Quando esse pensamento passou pela sua cabeça, sua mão foi para a boca e ele abruptamente se virou para o outro lado – longe do rosto de Marc – fazendo um barulho pelo seu caderno ter batido na pia do banheiro e seu estojo caiu no chão pelo movimento, ação que assustou Marc pelo barulho repentino.
— Nathaniel? — Marc guardou o batom que tava na sua mão e se aproximou de Nathaniel. — Tem certeza que tá tudo bem? —
— Tenho. — Nathaniel se virou para Marc – sem a mão cobrindo a boca – e suas bochechas estavam levemente rosadas. — A gente tem que ir para a próxima aula. —
Novamente minimizando o assunto, o que estava começando a preocupar ainda mais o Marc.
Chegou a hora do almoço e eles se sentaram numa mesa que estava grande parte dos seus amigos.
Pelos lugares que estavam disponíveis, os dois se sentaram nas cadeiras um de frente para o outro. Com Max sentado na ponta da mesa ao lado dos dois, Myléne do outro lado de Nathaniel e Marinette do outro lado de Marc.
A conversa girou em torno de uma espécie de evento que iria ocorrer no final de semana, que todo mundo estava animando para todo mundo ir.
Nathaniel se concentrou mais na sua bandeja do almoço – o purê hoje estava estranhamente muito bom – até que seus olhos se concentraram na pessoa sentada à sua frente.
Marc se envolveu pouco na conversa, só falando algumas vezes mais concentrado na própria comida. Na sua próxima garfada, os olhos de Nathaniel se fixaram em seus lábios – estranhamente o batom dele não borrava – e seus pensamentos voltaram para o roteiro do quadrinho.
A escrita, explicando sobre borboletas no estômago, o coração bombeando mais rápido pelo nervosismo, e a sensação viciante de ter os lábios de outra pessoa – seu amante – colado nos seus. É uma grande hipérbole o que os escritores descrevem mas ele não pode deixar de se questionar se seria algo bom, se era algo que Marc ansiava para fazer com ele e se quando acontecer, seria satisfatório o suficiente?
Mas onde e quando seria um lugar decente? Marc sonhará com um primeiro beijo bastante romântico? Ou ele preferiria algo casual? Quando eles estavam um na casa do outro?
Sua atenção voltou para o presente por um toque no seu braço, – ele tem que parar para isso não se tornar algo comum – Max que tinha tocado no seu braço, olhando para ele como se tivesse esperando alguma coisa. Seu olhar foi direcionado para o resto da mesa, a atenção de todo mundo estava nele.
— Vocês.. Falaram alguma coisa? — Ele perguntou fracamente. Se tava todo mundo olhando para ele é claro que alguém perguntou ou falou algo que ele não escutou.
— Marc tava te perguntando se iria com a gente para aquele evento dos Miraculers que será sediado perto da Torre Eiffel. — Marinette respondeu. Então esse era o tal evento que iria ter, parecia interessante.
Sua atenção focou em Marc, quando ele processou que foi o próprio que fez a pergunta para ele. Ele estava fixamente olhando para aquela boca e nem notou que ela falava algo, e principalmente, falava algo com ele.
— Ah.. Tá. Sim.. Parece divertido. — Ele estava um pouco atrapalhado nas palavras. — Que dia planejam ir? —
Sua intenção de fazer a atenção de todo mundo dissipar dele funcionou, todos discutindo agora um dia bom que dê para todo mundo ir.
Aproveitando, Nathaniel pediu licença para ir ao banheiro. Sendo seguido por olhos preocupados.
— Ei.. Tá tudo bem com o Nathaniel? — Quando Nathaniel saiu do refeitório e longe do alcance das vozes, Marinette dirigiu a pergunta ao Marc.
— Eu não sei. — Ele respondeu ainda olhando para onde Nathaniel saiu e depois olhou para Marinette. — Ele tá assim desde mais cedo. —
— Já perguntou pra ele se tá acontecendo algo? — Myléne perguntou solidariamente.
— Já. Mas ele fala que não é nada mas desde que chegamos na escola ele parece distraído com algo. — Marc soltou um leve suspiro de frustação.
Quando saiu do refeitório Nathaniel rapidamente se dirigiu a um banheiro mais afastado naquele andar. Entrando e por sorte estava vazio, ele entrou em uma das cabines, fechando a porta e encostando as costas nela, pressionando as palmas das mãos nos seus olhos.
— Eu tô enlouquecendo. — Ele falou baixinho.
— Nathaniel, tá tudo bem? — Ziggy saiu do seu esconderijo na roupa de Nathaniel, flutuando na frente de seu rosto. — Aconteceu algo entre você e o Marc? —
Nathaniel retirou as mãos dos olhos e passou levemente pelos cabelos, sentindo seus próprios fios e o metal frio do Miraculous.
— Não Ziggy.. Não aconteceu nada. — Seus olhos se desviaram no kwami e se fixaram no chão de azulejos.
— Mas tem algo te incomodando e tem a ver com o Marc. Não é? — Nathaniel não sabe se é o tempo que está com o kwami ou se eles tem alguma magia para saber exatamente o que se passa na cabeça dele – não é a primeira vez que Ziggy acerta algo que o incomoda – vai que kwamis sabem ler mentes?
— Não quer me contar o que é? —
— É.. Constrangedor.. — Seu olhar se fixou no kwami que flutuou para mais perto do seu rosto.
— Mas tá te incomodando, te tirando a atenção dos seus amigos e preocupando seu namorado. —
Nathaniel estremeceu internamente com a palavra do kwami. Namorado. Sim, eles são namorados. Sim, eles colocaram um rótulo no relacionamento deles, nos seus sentimentos que não podia simplesmente chamá-los de "amigos". Mas ainda é algo surreal chamar Marc de namorado, seu namorado. E futuramente, eles querem oficializar publicamente para seus amigos. Deveria ser uma questão normal, certo?
Respirando fundo e tomando coragem, ele resolveu compartilhar essa questão finalmente com alguém.
— É que.. Eu não paro de pensar em beijá-lo. — Nossa, falar isso em voz alta é muito vergonhoso.
— Mas isso não é normal para casais? Qual é o problema? — Para alívio do constrangimento de Nathaniel, Ziggy estava levando muito a sério as palavras de seu mestre e querendo ajudá-lo.
— É normal. Mas eu não sei onde ou quando fazer isso, em algo romântico? Na escola? E eu nem tenho certeza se ele quer isso, não quero fazer nada para desagradá-lo. — Com a segurança de Ziggy passava, as palavras saíram facilmente da sua boca. — Mas é algo que eu quero muito. —
— Por que não fala com o Marc? Ele parece muito preocupado com você. —
As palavras de Ziggy entristeceram Nathaniel, ele deveria falar com o Marc, se comunicar com ele.
Por conta do acidente que aconteceu quando se conheceram, uma coisa que concordaram na sua amizade e principalmente, quando começaram a namorar, é eles sempre terem uma boa comunicação. Conversarem. Coisa que atualmente ele não está fazendo, e que, provavelmente, só está provocando preocupações e inseguranças em Marc.
Mas essa constatação não diminuiu a própria insegurança em Nathaniel. Ele confia em Marc, sabe que ele nunca o julgaria mas não consegue evitar a vergonha e constrangimento de falar tudo com ele.
Mas ele quer comunicar o que tá acontecendo.
— Certo, Ziggy. Eu vou falar com ele. —
O kwami fez um pequeno barulho de felicidade e comemoração, se aproximando rapidamente para abraçar seu rosto. Ação que causou uma pequena risada em Nathaniel e ele retribuiu o abraço acariciando de leve o kwami.
Saindo do banheiro e caminhando em direção ao refeitório, ele vê Marc vindo pelo mesmo caminho, provavelmente ele estava indo procurar Nathaniel pelo tempo que ele tava sumido, ele tava tempo demais para ser considerado normal.
Os dois se encontrando no meio do caminho, Marc perguntou se tava tudo bem – Nathaniel acha que nunca escutou tanto essas palavras como no dia de hoje – ele minimizou o assunto mas dessa vez é só porquê ele não iria falar no assunto no meio da escola. Mais tarde.
Eles estavam na sala de artes, agora tinha um horário vago para atividades extracurriculares de escolha dos alunos. Mesmo tendo mais alunos, a sala de artes não estava tão cheia.
Nenhum dos dois estavam tão concentrados nas coisas que normalmente fazem – Nathaniel rascunhando alguma coisa e Marc já pensando em ideias do próximo quadrinho –. Marc se virou levemente para Nathaniel e abriu a boca mas foi interrompido pelo professor Monlataing que chamou a atenção da turma toda.
— Ei pessoal! Tenho uma atividade para fazer pros interessados. — O professor Monlataing tinha uma câmera analógica nas mãos. — Já viram o processo de revelação de fotos? Consegui algumas coisas para fazer essa atividade. —
Várias vozes animadas falaram ao mesmo tempo, alguns largando o que estavam fazendo. O professor falou para quem quiser, era para segui-lo, já que essa atividade tinha que ser feita em outra sala.
A sala toda seguiu o professor, aparentemente, todo mundo interessado. Marc não ia seguir o professor, querendo ter uma chance para conversar com Nathaniel, até que o viu se levantando para ir atrás da turma. Nathaniel se levantou mas parou e olhou expectante para ele, silenciosamente se perguntando se Marc não ia querer participar. Com Nathaniel parecendo interessado na atividade, Marc se levantou também.
A outra sala não era tão longe, mas era bem escondida. Parecia que reviraram a escola atrás de uma sala para essa atividade. Quando entraram a sala não era tão grande – bem menor comparada com a sala de artes – mas maior que uma sala de aula comum.
Havia várias mesas e vários varais nas paredes da sala e já tinha algumas fotos secando em alguns varais mais no fundo da sala.
— Sempre achei o processo de revelação de fotografia bem interessante. — A voz do professor chamou a atenção dos alunos. — Pouquíssimas pessoas atualmente revelam fotos, por mais que agora seja bem mais fácil fazer isso. —
— Esse vai ser aquele processo de reação química? — Perguntou Marinette claramente animada.
— Esse mesmo! São alguns processos naqueles líquidos mas vamos começar pela primeira etapa. — Ele recebeu alguns olhares confusos com o professor levantando a câmera. — Encher esse filme de fotos.—
O professor pode ter propositalmente ter pego um filme com pouco rolo, já que com pouquíssimas fotos o rolo de filme já estava cheio mas deu para tirar várias fotos divertidas de todos os alunos. E finalizando com uma com todo mundo junto.
O professor Monlataing se aproximou da porta da sala, ligando uma luz que banhou a sala toda de uma luz vermelha.
Com as folhas prontas, o professor começou a explicar o processo para revelar as fotos – sendo quatro etapas, revelação, interrupção, fixação e lavagem, para depois colocar a foto no varal para secar – com a explicação, o professor permitiu que cada aluno revelarem as próprias fotos.
Professor Monlataing explicou que o melhor seria deixar as fotos secarem durante a noite para um melhor resultado, então amanhã elas estariam prontas e poderiam ficar para eles.
Myléne falou algo sobre comprar algumas molduras mas Rose deu ideia deles próprios fazerem as próprias molduras com alguns pedaços de madeira que ela já viu na sala de artes, ideia que todo mundo gostou e rapidamente saíram para pôr em prática seus artesanatos, sendo seguidos pelo professor.
Marc estava se dirigindo a porta da sala, quando percebeu que Nathaniel não tinha saído e estava parado perto do fundo da sala.
Algumas fotos já estavam bem visíveis penduradas no varal, difícil visibilidade pela luz vermelha mas ainda era distinguível quem era nas fotos.
Nathaniel estava olhando para uma foto do Marc, visivelmente tímido e outra foto do lado que estava ele e Marinette. Mais tarde, ele se certificaria de conversar com Marc.
Passos podiam ser ouvidos se aproximando dele e logo a voz de Marc pode ser ouvida atrás dele.
— Nath.. A gente pode conversar? —
Pelo jeito ele não ia esperar até mais tarde.
Nathaniel se virou ficando de frente para Marc. E nossa, ele não percebeu como ele ficava bonito na luz vermelha. Mas foco. Marc estava visivelmente preocupado com ele.
— Tá.. Tudo bem mesmo? Você tá distraído desde que saímos da sua casa. — Marc começou a falar lentamente. — Não quero ser insistente nem nada, mas eu tô preocupado. —
As sobrancelhas de Marc estavam levemente franzidas e seus olhos refletindo incerteza, o que deu um leve estremecimento no coração de Nathaniel. Ele não quer ver nenhuma emoção negativa estampada no rosto do seu namorado. Principalmente, causada por ele. Não de novo.
— É algo idiota. — O constrangimento de Nathaniel voltou. Ele desviou o olhar de Marc e uma de duas mãos foram para um dos seus braços, apertando levemente.
— Se tá te incomodando, não é algo idiota! — Sem resposta de Nathaniel, Marc se aproximou mais de onde ele tava. — Nath- — Ele começou a falar mas foi interrompido.
— Eu quero te beijar. —
Duas batidas.
Os olhos de Marc se arregalaram levemente e sem perceber, um pequeno sorriso estava se formando no seu rosto.
— O que? —
— Eu quero te beijar. — Nathaniel repetiu e agora soltou tudo que falou para Ziggy mais cedo, antes que sua coragem se dissipasse. — Desde de manhã, isso não sai da minha cabeça. Mas eu não acho, não sei, uma oportunidade? Uma garantia? É normal, sim, a gente é namorado mas eu não sei se você quer. Eu não sei quando seria um bom lugar e eu nem sei se isso é algo que se conversa sobre! —
Suas palavras saíram apressadas e na sua pequena explosão, ele não percebeu que Marc se aproximou, e agora estava bem na sua frente – bem perto – que dava até para sentir seu calor corporal.
— Era só você ter feito. Eu não ia te impedir. —
Nathaniel finalmente olhou apropriadamente para Marc e notando o quão perto ele estava.
— Você tem meu consentimento. — A voz de Marc estava baixa, dado o quão próximo estavam.
Os olhos de Nathaniel alternavam dos olhos de Marc e rapidamente pros seus lábios. Dessa vez, descaradamente.
Ele segurou levemente uma das mãos de Marc e logo entrelaçou seus dedos.
Um pouco do seu constrangimento voltou, caindo a ficha de que eles estavam na escola, o professor Monlataing poderia voltar a qualquer momento. Por sorte, nenhum outro aluno poderia entrar já que a sala era bem escondida e não era do conhecimento de todos.
Marc deve ter interpretado sua falta de movimento com incerteza ou algo do tipo. Porque ele se inclinou e selou seus lábios em um beijo casto.
Nathaniel só sentiu a respiração se misturando a sua e o leve cheiro do hidratante labial de Marc – parecia cheiro de morango – e depois sentiu lábios pressionando os seus.
E realmente. Os lábios de Marc eram macios.
O beijo não durou muito, apenas dando tempo dele fechar os olhos e logo em seguida Marc se afastou dele.
— De novo.. — Nathaniel exigiu em voz baixa, tentando puxar Marc novamente para mais perto pelas suas mãos entrelaçadas.
Marc deu uma pequena risada e se inclinou para frente novamente, selando seus lábios novamente. Dessa vez com um pouco mais de pressão e um leve movimento.
Esse durou um pouco mais que o anterior. E quando se afastou, os olhos de Marc estavam semicerrados e ele notou que enquanto se afastava, Nathaniel perseguia seus lábios para continuar o beijo.
Marc bufou divertido e com um sorriso nos seus lábios. Os olhos de Nathaniel se abriram levemente, focando nos olhos de Marc.
— Mais um.. Por favor. — Marc soltou mais uma pequena risada com a exigência.
Ele pressionou seus lábios novamente, com um pouco de força dessa vez. Soltando sua mão do aperto de Nathaniel e movendo as duas mãos para segurar o rosto de seu namorado e puxá-lo levemente.
As mãos de Nathaniel se moveram, uma para a cintura e outra para segurar um dos braços de Marc.
Seus lábios se moveram um contra o outro com um pouco mais de confiança e pressão. Nathaniel não sentiu as borboletas no estômago ou pequenas explosões dentro de si, mas sentiu seu coração bater um pouco mais rápido de empolgação e de leve nervosismo – Eles ainda estavam numa sala na escola e mesmo com pouca chance, alguém podia entrar –
Mas ele admite. Poderia facilmente se viciar nisso.
Eles se separam, com a respiração um pouco mais rápida. Suas bochechas levemente rosadas. Marc quebrou o contato visual, baixando um pouco a cabeça e soltado uma risada.
— Eu não acredito que você estava preocupado com isso. —
— Não me zoa! — Nathaniel desviou o olhar, seu rosto ficando mais vermelho do que rosa, constrangido.
Marc riu mais um pouco até se acalmar e se concentrar no rosto de Nathaniel virado para o lado, um pouco emburrado. Ele se inclinou dando um beijo da bochecha de Nathaniel.
— Desculpa. — Marc falou divertido, sem tá falando sério. O toque na sua bochecha fez Nathaniel virar o rosto para frente de novo. — Agora você sabe que pode. —
As mãos de Marc saíram do rosto de Nathaniel e se cruzaram em volta do pescoço dele, seus braços levemente apoiados nos ombros de Nathaniel. Enquanto a outra mão de Nathaniel, que foi solta do braço de Marc, acompanhou a outra mão que tava na cintura.
Divertido, ele soltou um leve bufo e um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
Seus olhos voltaram pros lábios do seu namorado e ele se inclinou, para pressioná-los de novo. Quando só escutaram um barulho alto e uma voz alta.
— Calma aí!! Devo ter esquecido ela na sala.. — Marinette irrompeu a sala, mal dando tempos pros dois se afastarem.
Marinette parou de falar e parou na porta da sala alternando o olhar entre os dois.
— Não sabia que vocês estavam aqui. — O nervosismo era claro em sua voz. — Eu só vim conferir se meu celular não tava aqui! Ah! Olha ele tava. Então até mais tarde! — Na velocidade que ela entrou, ela também saiu. Dando um leve aceno de despedida pros dois.
Quando se separaram, Marc ficou parado no meio da sala e Nathaniel acabou se apoiando em uma mesa que estava atrás dele.
E enquanto Marinette fazia seu discurso nervoso, Nathaniel notou que o batom leve que Marc usava estava um pouco borrado, não sendo tão discreto mesmo na luz vermelha da sala. E ele tinha certeza que seus lábios tinham um borrado também.
Ao menos Marinette já suspeitava do relacionamento deles desde o início, ela nunca questionou e eles também não confirmaram nada mas sabiam o que ela pensava.
Passando o constrangimento, os dois se encararam e soltaram uma pequena risada.
— Ela com certeza tinha uma ideia do que a gente tava fazendo. — Nathaniel brincou.
— Eu tenho alguns lenços na minha bolsa. Melhor a gente limpar isso. — Marc pareceu finalmente ter notado que os lábios dos dois estavam borrados de batom.
As próximas aulas transcorreram normalmente, Nathaniel finalmente saiu daquelas recorrentes distrações que estava tendo e alguns dos seus amigos notaram.
Perto do fim do horário do intervalo, os dois caminharam juntos para a próxima aula
— Eu fico feliz que você me falou o que estava pensando. — Marc quebrou o pequeno silêncio que se formou entre eles enquanto caminhavam. Mas Nathaniel não respondeu nada, fazendo Marc virar a cabeça para olhar o namorado. — Nath?—
Nathaniel segurou o braço de Marc quando passaram perto de uma esquina e o puxou para a tal esquina. Do outro lado era um local sem muito espaço mas graças a uma coluna, parecia um lugar bem escondido.
Ele se virou para ficar de frente pra Marc, andando um pouco de costas até se encostar na parede e puxar mais para perto Marc pelo braço e também segurou levemente o rosto confuso do namorado também o puxando para perto. Pressionando levemente seus lábios em um beijo casto.
Marc se afastou rindo um pouco. — Agora vai ser algo frequente? —
— Agora que sei que tenho permissão. —
