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All Made of Meat by DoomofStarfall
Fandoms: A Knight of the Seven Kingdoms (TV), A Song of Ice and Fire - George R. R. Martin
09 May 2026
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Summary
Valarr’s quiet, insular life fractures when his extended family arrives, bringing with them a tension he can’t quite name. Drawn and unsettled by his cousin Aerion, beautiful, distant, and disturbingly wrong, Valarr becomes increasingly fixated on him. What begins as unease turns into a dark and mutual pull, where curiosity, and something far more dangerous blur together, until the line between fascination and hunger is no longer clear.
Or where the past returns, teeth bared, to collect what is its own.
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(Cap. 2) Atualmente, estou no capítulo 2, então ainda tenho muito para analisar, mas vou começar a escrever enquanto tudo ainda está fresco na memória. Recentemente, assisti a Bones and All, um dos grandes filmes que englobam o canibalismo como uma metáfora para o amor. Sinceramente, adoro esse tema; para mim, essa pode ser uma das facetas mais viscerais do amor.
Em geral, consentimos, da maneira mais lírica possível, que o amor é o alimento da alma: precisamos dele, o desejamos e nos nutrimos emocionalmente dele. Gosto de pensar que, diferentemente do prazer de comer, que é meramente fugaz, o amor não é passageiro como ele. Mesmo que seus caminhos nos levem a diferentes destinos, ainda nos lembramos dele; ainda temos o seu sentimento vivido na memória. O amor não pode ser revogado, os sentimentos podem ter mudado, mas o que antes foi sentido não pode ser mudado, afinal, o que o meu "eu" do passado sentiu não pode ser contornado.
Penso que o canibalismo como metáfora para o amor engloba tanto o prazer efêmero de comer quanto o prazer vitalício de amar, eternizando e armazenando este último em seu organismo. Gosto muito de como essa questão é trazida aqui. Em dado momento da história, Aerion se pergunta se aqueles que ele devorou teriam suas almas presas a ele ou se lhe dariam alguma, pois o mesmo não sentia possuir qualquer alma dentro de si. Ele conclui rapidamente que não, que não obteve alma alguma ao consumi-los. No entanto, seus pensamentos divagam ligeiramente, fazendo-o pensar em Valarr e se perguntar se Valarr, aquele que cheira tão deliciosamente bem, lhe traria uma alma, e se essa alma permaneceria nele. Gosto de pensar que o ato de comer deixou de ser apenas por fome e passou a se entrelaçar com o desejo e a ânsia de eternizar.
Tanto em Bones and All quanto aqui, o canibalismo não é uma opção: é um ato impulsivo e avassalador que, por sua vez, os leva a comer os seus semelhantes. Afinal, “aquilo” quer ser alimentado. Digo “aquilo” pois somos conduzidos pelo narrador a acreditar que é algo além deles, além do humano, que, por sua vez, exige ser nutrido. Acho muito interessante essa questão, pois ambos sentem que cruzaram o limite do humano. Diferentemente de Maren, que ainda sente um pouco de humanidade em si, Aerion parece ter abandonado completamente essa ideia. Se não há fome, ele não se sente vivo (como é explicado ao longo do capítulo 2); somente o ato de comer lhe proporciona o “sentir”, levando-o a crer que não passa de um animal ou monstro. Ele não sente repulsa, muito menos qualquer sentimento de culpa por comer um igual, e, sendo justa pela minha maneira ocidental de pensar, eu também o acharia um.
Ainda estou no começo, então tenho muito para ver, mas, de toda forma, a maneira como o canibalismo é tratado aqui é muito interessante e relevante. Queria que o fandom estivesse fazendo mais barulho para essa obra, mas nem todos têm um estômago tão forte. Como eu disse, eu mesma fico um pouco baqueada. De toda forma, espero ter forças para terminar de ler.
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Chapter 5, ip
