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Uma semana atrás.
Quinta-feira.
09:34 AM.
Stiles suspira diante da porta pintada de um branco desgastado com o número 203 estampado na frente,em um ferro já escuro demais e enferrujado.
A pilha de três caixas ao seu lado,somado a uma mala pequena e a alça de uma mochila em seu ombro esquerdo, além do material pequeno e frio em sua mão. As chaves de seu novo apartamento,do seu precioso Jeep e de seu trabalho.
Stiles, enfim,entrou na vida adulta. Ele tem um apartamento, em um prédio grande,mas velho,mas servirá. Agora,Stiles é oficialmente um adulto responsável, ou nem tanto. Seu pai,Noah Stilinski, ainda está preocupado com o filho morar sozinho. E até Stiles tem um pouco de medo,mas a euforia e empolgação é maior do que seu nervosismo em colocar fogo na cozinha.
Claro,sua mente ainda está tagarelando as várias probabilidades de acidentes ocasionais,que Stiles possivelmente não durará um mês direito. Mas,mesmo com seu diagnóstico perfeito de TDAH, e sua ansiedade eminente, Stiles saberá cuidar de si mesmo.
Então, sem menos enrolação, Stiles leva a chave pequena e cinzenta até a fechadura, a girando e então um clique baixo é audível. Stiles olha de relance ao redor. O corredor está vazio,as únicas três portas ao redor estão trancadas e tão sem graça quanto a sua,com tapetes em paletas cinzas dizendo um deprimente "bem-vindo".
Stiles bufa, revirando os olhos,claro que colocará um tapete felpudo com o símbolo do superman estampado na frente. Stiles empurra a porta,e prende a respiração por um momento. O lugar é silêncioso, escuro e cheirando a poeira. Não há muita coisa,um sofá no canto, janelas na sala de estar pequena, com vista para as ruas. Uma bancada mediana e alta separa a cozinha da sala. A cozinha é pequena, apenas duas pessoas conseguiram trabalhar juntas naquele espaço confinado. Mas Stiles é sozinho,apenas ele e sua mente hiperativa.
Um corredor não muito grande leva a três portas,e outro corredor à esquerda leva a uma única porta. Além de uma janela pequena e escadas de incêndio.
'É perfeito!'. Stiles pensa empolgado, um sorriso largo cheio de dentes se forma em sua feição pálida e jovem. De apenas vinte anos. Não sabe como,mas agora tem um apartamento grande o suficiente para não ter móveis o suficiente para preencher o espaço.
Desejaria que Scott pudesse morar consigo. Seu melhor amigo. Mas o abençoado fugiu com o namorado para estudar em outra cidade. Então, Stiles está sozinho nessa. Em uma cidade nova. Com uma certa ajuda de seu pai com o apartamento e os extras.
Mas Stiles conseguiu um emprego bom em uma pequena padaria no final da esquina, e um trabalho durante anoite em um restaurante.
'O que poderia dar errado, certo?'
Tudo deu errado menos de uma semana depois.
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- HALE! Pare de quebrar a sua própria cozinha! - Stiles grita tão alto,que com certeza os apartamentos do andar de cima o ouviram. Sua voz está evidentemente irritada,seu tom arrogante, um pouco debochado, mas acima de tudo,trêmulo como um pincher furioso.
Stiles tem a bochecha vermelha de raiva pregada na parede da sala,aquela que sabe que é a parede da cozinha do apartamento ao lado.
O homem que mora ao seu lado,que se mudou praticamente no mesmo dia que Stiles, uma semana atrás, é um tremendo barulhento. Seja na cama,na cozinha,limpando. Em tudo.
Isso deixa Stiles puto da vida.
É a segunda vez em dois dias que Stiles tem que berrar para o sr.Hale do apartamento ao lado diminuir o barulho de panelas,pratos, talheres e seja lá mais oque aquele abençoado homem faça na cozinha.
- STILINSKI! Que alegria ouvir sua voz ecoando através da parede da MINHA cozinha!
- TENHO DÓ DA SUA COZINHA! - Stiles rebate. Rezando para que seus vizinhos não chamem a senhora mexicana que fica na recepção para resolver a situação do sr.Hale e o pobre Stilinski.
- Cuida da própria vida! - o Hale rebate,mas parece mais um resmungo ao vento. Stiles admite apenas para o vento que tem o temperamento de um pincher. Seus dedos tremem de vontade de bater em seu vizinho. Mal o conhece.
Nem sabe seu primeiro nome. Apenas sabe que o homem é extremamente barulhento, egocêntrico, e fodidamente gostoso.
Stiles raramente vê o homem. Quando se veem. Se olham como se quisessem se arrancar o pescoço um do outro. Mas para seus outros vizinhos, sempre lançam sorrisos gentis e simpáticos. As vezes forçados.
Stiles já tem seu apartamento do seu gosto,sua cozinha é meio vazia, sua sala é cheia de papéis e livros sobre criminologia e sua faculdade e curso. Seu quarto é uma bagunça de roupas espalhadas,cama bagunçada,pôsteres mal colados, um quadro de assassinatos que nunca resolveu em Beacon Hills. Mas insiste que ainda há solução, mesmo a mil quilômetros de distância.
Seu banheiro...é o mais organizado do seu pequeno apartamento. Sua entrada está cheia de sapatos e meias jogadas e sua mochila o aguardando para daqui algumas horas.
Stiles culpa a falta de tempo. E não é totalmente mentira. Stiles trabalha boa parte da manhã, as poucas horas da tarde Stiles gasta na faculdade,e o resto da noite até as onze,Stiles está como garçom em um restaurante grande da cidade. Que até hoje Stiles não sabe quem é o dono.
Quando outro barulho de panela caindo ecoa entre as paredes,Stiles bufa e pressiona novamente a bochecha na parede fria pintada de uma tinta azul pastel. Não aguentava mais o barulho irritante de metal contra o piso.
- Hale! Não me faça aí!
- Venha e lhe taco essa panela na sua cara! - o homem grita de volta. E por um momento, Stiles se sentiu como duas crianças brigando no jardim de infância por um motivo besta.
- Levo minha frigideira!
E então, o barulho cessa, Stiles jura ouvir o Hale resmungar. Stiles,depois de dois minutos esperando um motivo para brigar,enfim se afasta da parede e caminha até sua própria cozinha.
- Porra!
Stiles grita tão alto que jura ouvir a risada do Hale. Stiles se esqueceu completamente da comida que havia colocado para esquentar no fogão. E agora,enfim sentia o cheiro de queimado subindo,além da fumaça se formando. Stiles corre e desliga o fogão, pegando a panela e a colocando sobre a pia. Puxando um pano velho e branco, não tão branco,de cozinha, e abanando o ar.
Em seguida,abrindo as janelas.
- Desgraçado. Você que causou isso. - Stiles sussurra baixinho,amaldiçoado Hale e toda a sua linhagem passada e futura.
Stiles se apressa em se acalmar, deixando o cheiro de fumaça escapar pela janela e se dissipar no ar. Roendo brevemente as unhas que logo sangravam.
- Eu deveria falar sobre o Hale com a senhora mexicana. - Stiles sussurra para si mesmo,se perdendo em seus pensamentos rápidos demais e aleatórios. A senhora mexicana é uma senhora de cabelo curto e preto,já grisalho,não muito simpática, sempre com uma carranca. Mas a mulher foi quem aceitou alugar o apartamento para Stiles por uma mixaria no começo. Então Stiles vê a idosa mexicana como um Yoda.
Em um suspiro longo,Stiles olha de relance para o relógio na parede oposta. Em menos de uma hora,teria que ir para a faculdade.
'Que inferno'. O garoto pensa. Havia perdido quase meia hora discutindo igual um chiuaua com o Hale. O insuportável e gato Hale.
'Odeio esse cara'.
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23:12 PM.
Stiles se espreguiça na cadeira dura da sala dos funcionários. É pequena, comparada as da secretaria e do chefe. Há apenas duas mesas redondas,algumas cadeiras espalhadas, um balcão com lanches lacrados e bebidas em uma pequena e mini geladeira. Uma janela com vista para a rua movimentada de pessoas da vida noturna. É os quinze minutos de pausa de Stiles e Liam.
Liam,seu protegido. Seu melhor amigo naquela cidade. O garoto é um ano mais novo que Stiles, estuda em outra faculdade, mas viraram melhores amigos em pouco tempo. Stiles o vê como um tipo de irmão mais novo. E com certeza se apegou rápido demais ao garoto com uma cara adorável de anjo.
Liam está na cadeira a sua frente,separados apenas pela mesa redonda. Liam tem um pacote pela metade de bolachas recheadas de chocolate em mãos. E Stiles tem uma xícara enorme de café já esfriando em mãos.
Stiles sabe que deve ter uma expressão horrível. Anda mais estressado que o normal. Principalmente com seu vizinho infeliz. A curiosidade de conhecer seu chefe. Sua zoação por não ter nenhum relacionamento, nem ao menos ocasional. Além do trabalho e faculdade.
- Cara,você tá com uma cara péssima. - Liam comenta,ainda mastigando, e Stiles apenas revira os olhos. Liam sempre o motiva com comentários nada motivadores.
- Uau. Não me diga. Sabe,já me olhei no espelho hoje. - Stiles resmunga. Coça os olhos enquanto termina sua xícara de café. Ainda falta um pouco para seu turno e de Liam acabar. Ainda dará uma carona ao amigo. Já que as ruas daquela cidade não são as mais confiáveis, e Stiles não confia em Liam andando sozinho por aí. Perdido sorrindo para o telefone e mandando mensagem para um estranho no qual está perdidamente e fodidamente apaixonado.
- Deveria se olhar novamente. - Liam rebate, as sombrancelhas arqueadas e o tom debochado, enfiando mais biscoitos na boca. Stiles revira os olhos,antes de comentar:
- Não deveria estar mandando mensagens para o seu "namoradinho" virtual?
- Primeiramente: ele não é meu namorado! Seguidamente: ele está trabalhando. - Liam explica, o tom mudando para falsa irritação. Stiles sabe que Liam está apaixonado por alguém que conheceu a quase dois meses em um site de relacionamentos.
Stiles acha quase brega. Como se também não fosse desesperado para conhecer alguém e perder a droga da virgindade.
- Hm. Claro. Não é seu namorado, uh? - Stiles provoca, rindo da carranca frustrada de Liam. Mas então Liam sorri maliciosamente e travesso,e então Stiles sabe que Liam fará algo fodidamente terrível.
- Cara,não faz essa cara...
- Que cara?
- De que vai fazer algo fodidamente terrível contra minha pobre alma!
- Talvez. - Liam responde em um murmúrio, largando o pacote pela metade sobre a mesa e,em um movimento rápido demais para ser normal,pegar o pobre celular de Stiles que está sobre a mesa.
- Cara! Devolve! O que você vai fazer?!
Stiles pragueja,já pronto para pular sobre a mesa e agarrar seu celular das mãos rápidas de Liam, que em poucos segundos esta desbloqueando seu celular e deslizando o dedo pela tela trincada.
- Como você sabe minha senha?!
- Sua senha é 2411,tão óbvio. - Liam diz em um revirar de olhos. Claro que Stiles contou a história toda sobre os jogos de lacrosse em BH. E que sua senha é o número de sua velha camisa e da de Scott.
Stiles bufa,se joga na cadeira, cansado demais. Seus pés doem,sua coluna protesta,sua mente ainda parece acordada demais e hiperativa,mas seu corpo só quer sua sagrada cama dura.
Liam digita freneticamente no seu celular. E Stiles tem a expressão curiosa. Mil pensamentos se passando em sua mente. Sua mente passa por Liam, depois por Derek (segundo Stiles:infelizmente),e depois navega por histórias do passado,filmes que Stiles prometeu assistir, episódios que Stiles se quebra para lembrar do que era relacionado,casos que Stiles se achou como Sherlock Holmes,e Scott, claro,era seu dr.Watson.
Os dez minutos passam voando, no momento que Liam entrega o celular a Stiles, Stiles estava pensando em cachorros e carros voadores. Mal nota quando o pedaço frio,velho e tecnológico está a sua frente. A tela escura e trincada encara Stiles de volta. Stiles consegue ver seu reflexo deprimente. Olheiras e mais olheiras.
- O que 'ce fez,Dumbar? - Stiles pergunta, desconfiança transparecendo em sua feição confusa e julgadora. Pegando o aparelho e jurando a si mesmo e ao universo que mudaria sua senha. Mas as únicas senhas que Stiles consegue memorizar é 2411 e o nome de seu pai.
- Você vai descobrir pela manhã. - Liam diz,o tom travesso, um sorriso malicioso nos lábios. Antes que Stiles possa dizer algo,a porta de abre abruptamente e Malia,a colega de trabalho deles,surge na porta. Com uma carranca no rosto e sombrancelhas franzidas.
- Horário de folga acabou,pessoal. Bora si bora. - Malia diz com falsa animação. Ela também está cansado. O pai da garota é um dos gerentes do grande restaurante. E a pouco tempo, o pai dela disse que ela deveria trabalhar para aprender um pouco sobre o mundo. E mais uma torrente de palavras sábias. E ensaiadas do sr.Peter mergulhado em dinheiro.
O homem é rico, Stiles sabe,todos sabem. Sabem que o dono do restaurante é o irmão de Peter. Mas como Peter mora na cidade e o próprio dono do restaurante não, Peter sempre toma conta. Mas o homem também tem outras empresas e restaurantes pela cidade.
Stiles nunca fez questão de saber sobre o dono ou sobre Peter e seu poder administrativo.
- Já vamos,Malia. - Stiles resmunga. A garota da de ombros e fecha a porta. Stiles e Liam demoraram uma semana para ensinar a garota como mexer nas maquinas e ser gentil e profissional com clientes que realmente dão vontade de socar a cara.
- Ela tem tanta sorte do pai dela ser gerente e o dono do restaurante ser primo dela. - Liam comenta. Começando a se levantar e escondendo o pacote de bolachas pela metade em sua mochila surrada jogada no chão,contra a parede. Stiles coloca a xícara vazia sobre a pequena pia,passando uma breve lavagem de água e se virando para encarar Liam.
- Ainda me lembro das palavras sábias do Peter. - Stiles então começa sua atuação, fingindo tossir,respirando fundo e reprimindo a risada antes de dizer e repetir as palavras de Peter: - Cof,cof. "Malia Tate! Saiba uma coisa! Conhecimento é poder, garota!".
Liam solta uma risada alta. Gargalhando e se debruçando brevemente. Stiles ri junto,gostando de ouvir a risada de seu novo amigo barra irmão mais novo que Stiles nunca quis.
- E: " Aprenda com seu sábio pai Peter!". - A voz de Malia ecoa de repente. E eles congelam, viram o rosto para ver Malia parada na porta. Imitando a voz do pai e rindo brevemente. Liam e Stiles se entre olham antes de continuarem a rir igual hienas.
- Peter não abduziu a mente dela totalmente! - Liam diz exasperado de rir. E Stiles concorda com outra piada e imitação horrível de Peter.
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- LIAM! Eu vou te matar!
Stiles grita assim que vê a pilha de notificações do seu telefone ao acordar cinco e meia da manhã de uma sexta-feira.
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Olá, espero que tenham gostado do primeiro capítulo!🫡 comentem e deixem seus votos.
