Work Text:
Okuyasu estava sentado pateticamente triste na cama de casal de Josuke, esperando até que a festa acabasse. Claro, ele não podia faltar no aniversário de 20 anos do próprio amigo, mas quando todo mundo começou a se embriagar, ele decidiu ficar no quarto de hóspedes da casa, que por sinal, era muito boa.
Ele se deitou na cama, pensando no quão burro era, todas as mortes que haviam ocorrido por conta de seu cérebro pequeno. E então uma batida na porta, ela se abriu.
“Ei, Okuyasu, você está bem cara?”
Josuke colocou apenas o pescoço para dentro da sala, e estava perceptível que ele estava bêbado, era só olhar para seu topete caindo aos pedaços e seu olhar cansado e extasiado ao mesmo tempo.
“Relaxa Josuke, eu tô bem, de verdade, pode ir se divertir, é seu aniversário”
Okuyasu deu um pequeno sorriso triste para ele. Josuke continuou a insistir.
“Cara, você não tá nada bem-”
“Ei mano, eu sou velho o suficiente para me cuidar, ok? Volte para a festa, o Rohan está te esperando”
Josuke suspirou.
“Certo, mas se precisar de algo pode me chamar”
Okuyasu apenas assentiu com a cabeça, e assim que a porta foi fechada novamente, ele se perdeu em sua própria angústia.
‘Talvez se eu não tivesse nascido tudo ficaria bem, talvez meu irmão não tivesse morrido, talvez todos estariam melhores, talvez…’
Ele lembrava vividamente da morte do irmão, o cheiro da carne queimada e os fios desencapados, lembrava de Shigechi, de como ele morreu silenciosamente e ninguém percebeu, lembrava de Aya e do pobre Hayato, Okuyasu nunca se perdoou pelo o que aconteceu com o garoto, hoje ele tem a certeza que a criança já não é mais a mesma.
Então, mais uma batida na porta.
Agora, quem havia entrado no quarto era outra pessoa, Yuuya Fungami. Ele usava uma jaqueta de couro preta por cima de uma regata branca, calças de couro preta e botas marrons. Ele deu um pequeno aceno para Okuyasu, fechou a porta atrás de si e se sentou ao lado dele.
“Ei, você tá legal?”
Okuyasu bufou.
“Josuke te disse algo, né?”
“Ele não precisou me dizer nada, eu vim aqui por conta própria”
É estranho o quão rápido eles se tornaram amigos. Okuyasu basicamente virou a âncora de apoio de Yuuya quando ele terminava com uma namorada ou brigava com um parente, era agradável conversar com ele todas as tardes enquanto eles se consolavam com doces.
“Yuu, não precisa vir aqui, eu tô bem”
Yuuya revirou os olhos.
“Okuyasu Nijimura, se eu não te conhecesse tão bem iria pensar que você só está com dor de cabeça”
Ele passou o braço na cintura de Okuyasu. Seu toque era quente e gentil.
“Ei Niji, sabe que pode me contar qualquer coisa, eu nunca falaria algo de você”
Okuyasu suspirou.
“Bem, eu não sei, não estou calmo o suficiente para isso”
Yuuya tirou por um segundo a mão da cintura de Okuyasu e puxou algo da jaqueta. Cigarros.
“Quer um? Ajuda a acalmar”
Ele se levantou e foi até a janela mais próxima, abrindo ela e acendendo o cigarro com seu isqueiro. Okuyasu decidiu se levantar e ir ao lado dele.
“Bem, tem algum extra?”
Yuuya puxou outro cigarro do maço e acendeu ele para Okuyasu, que tragou de bom grado.
“Bem, Yuu, acho que eu deveria deixar de existir”
Yuuya quase deixou seu cigarro cair.
“O que?!”
“Eu acho que tudo ficaria melhor se eu nem tivesse nascido, quero dizer, acho que ninguém teria morrido enquanto procurávamos Kira”
Yuuya ficou em silêncio por poucos segundos.
“Niji, isso não é verdade, você sabe muito bem que nada disso foi culpa sua”
“Não, você só fala isso para me consolar Yuu, se não fosse meu maldito cérebro de galinha ninguém teria morrido”
Okuyasu tragou um pouco mais seu cigarro. Yuuya deixou o seu no parapeito da janela. Ele agarrou o rosto de Okuyasu com força.
“Nijimura, olha bem para meu rosto”
Agora o rosto de Yuuya estava completamente sério, seu sorriso casual somente de Okuyasu havia se dissipado e sua íris azul brilhava gelidamente concentrada nos olhos cinzas do outro garoto.
“Nada disso foi sua culpa. Você não é burro, você apenas acha que é porque fizeram uma lavagem cerebral em você na sua infância, ok? E mesmo se você tivesse o cérebro de uma galinha, qual é o problema?”
Ele soltou o rosto de Okuyasu e pegou de volta seu cigarro.
“Eu gosto de galinhas”
Talvez fosse pelo elogio, talvez fosse pelo contato tão próximo, mas Okuyasu sentiu o rosto corar.
Os dois ficaram num silêncio confortável por alguns minutos, e então Yuuya terminou seu cigarro e com uma tragada, jogou o filtro janela á baixo.
Ele soltou a fumaça e olhou para Okuyasu, que ainda não havia se recuperado totalmente do elogio e continuava um pouco vermelho. Yuuya deu uma pequena risada.
“Heheh, você é tão bobo, Niji, acho por isso que nunca pensei que você tivesse pensamentos tão…”
“Suicidas?”
“É”
Seu sorriso diminuiu.
“Mas é sério Niji, se precisar de alguém para conversar, eu estou sempre aqui”
Ele recostou a cabeça no ombro do mais novo, que automaticamente se enrijeceu.
“É, acho que…obrigada”
Deus, o que Okuyasu estava pensando? Ele não raciocinou direito, mas quando deu por si, seus braços estavam envolta dos ombros de Yuuya.
“Deus, me perdoe Yuu”
Ele diminuiu o espaço que tinha entre os dois, seus lábios tocaram nos do outro garoto, que estavam confortavelmente quentes, ele tomou coragem e colocou sua língua dentro na boca do outro, na qual ele aceitou sem o mínimo esforço.
Os dois se beijaram intensamente, suas línguas brigando por cada vez mais espaço. As mãos de Yuuya deslizaram rapidamente para o quadril de Okuyasu, na qual ele apertava a cada beijo intenso, e sinceramente? Ele estava adorando tudo isso. Ele podia sentir cada sensação de Yuuya, desde sua língua com um gosto amargo de cigarro até o toque quente e acolhedor que surgia em suas mãos.
Depois de mais alguns segundos, os dois se separaram, olhando fixamente nos olhos um do outro.
“Então…” Okuyasu decidiu puxar assunto, desviando o olhar enquanto corava intensamente “O que você achou?”
“É a sua primeira vez?”
“É”
“Bem” Yuuya lambeu os lábios “Nada mal. Quer tentar de novo?”
Apesar do beijo ter se encerrado, o toque não, e Yuuya segurava firmemente a cintura do outro garoto, fazendo com que os dois sentissem cada batida do coração de um ao outro.
“Droga Yuu, como você consegue ser assim?”
Yuuya estava genuinamente confuso.
“Assim como?”
Okuyasu o fitou nos olhos, ele parecia mais vermelho que uma pimenta.
“Bem, como eu posso dizer? Você é tão incrível e tão bonito e tão…wow”
Yuuya depositou um pequeno beijo na sua bochecha.
“Isso é realmente doce da sua parte me elogiar, mas você deveria se valorizar mais, eu também acho você certamente charmoso”
Okuyasu silenciou. Ele ainda estava tentando raciocinar o que tinha acontecido nos últimos segundos, o carinho, os elogios, tudo.
“Bem, quer sair dessa festa? Tá um saco mesmo”
Os dois se separaram, mas decidiram deixar suas mãos entrelaçadas.
“Mas o Josuke-”
“Relaxa Niji, o Josuke tá super bem, ele nem vai ficar mal”
Okuyasu suspirou.
“Certo”
