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Summary:

– Esta é uma releitura do arco do Abaddon

O Diabo afogou Scott no fundo de sua própria mente, o desconectando do mundo. Abaddon foi deixado em seu lugar, sem memorias ou fagulhas de lembranças, afinal, elas foram levadas e submergidas ao lado de seu ‘Eu demoníaco’. Entretanto, ele não estava vazio, pelo menos não completamente - ainda era capaz de sentir, ainda havia sentimentos pulsando em seu peito, porém eram todos tão frágeis e fracos que mal podiam ser notados. Mas Abaddon não queria mais apenas vagar sem rumo pela cidade sem ser capaz de entender a si mesmo, ele desejava alcançar aquelas faíscas

E foi graças a esse desejo que ele decidiu dar mais uma chance a FeBatista e ouvir o que ele tinha a dizer

Notes:

Eu queria que tivesse como dizer isso sem ficar aquele clima meio pick me que fica quando dizem algo como "essa é a minha primeira fic", mas eu acho que não tem, né?
Essa não é a primeira coisa que eu escrevo, definitivamente não, mas é a primeira vez que eu posto aqui no AO3, por isso ainda estou me acostumando. Num geral, achei bem divertido todo o procedimento de postagem, só vi um pouco de dificuldade em adicionar as tags, mas acho eu que não fui tão ruim assim, de qualquer forma, estou aberto a críticas

A história não esta exatamente completa, eu planejei cerca de 4 capítulos para ela, 1 e 2 já estão prontos, 3 está sendo finalizando, mas eu não sei quando ele vai estar pronto. Não sou muito bom com prazos, então não prometo nada

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Até onde eu posso ir?

Chapter Text

Abaddon queria tentar

Já estava cansado de apenas se sentir sempre vazio, sem propósito e incapaz de estabelecer laços com outras pessoas, sejam eles humanos, anjos, demônios ou qualquer outro tipo de ser vivo

Mas não sabia dizer até onde estava disposto a ir, até porque ninguém à sua volta parecia realmente se importar com seu estado físico e mental, o que ele perdeu das coisas em geral, querendo ou não, tentando mesmo negar pra si mesmo, isso acabava o afetando no final, quem não iria se sentir mal em saber que ninguém se importava com sua existência?

Quer dizer, falar que todos não se importavam era um pouco errado, porém não totalmente. Ultimamente Carras se fez bem mais presente em seus dias, mesmo que em sua perspectiva, eles têm acabado de começar. Áries também parecia se importar de verdade, e no fundo, mesmo sendo um sentimento fraco e difícil de se encontrar no vazio de seu coração, Abaddon também se importava com eles, de formas diferentes, mas se importava

Não queria desmerecer os laços que criou com os dois, definitivamente não, mas ainda sim, se sentiu vazio…

Ele queria sentir. Sentir tudo, forte e com mais sensibilidade, mas isso lhe parecia algo tão distante e inalcançável que se perguntava se de fato era capaz de conseguir tal coisa

Ele era quase uma marionete sem vida, quase, afinal, ainda conseguia sentir, era sempre extremamente fraco e abaixo da superfície de seu subconsciente, mas ainda estava ali presente, precisando apenas de um empurrão -não tão fraco- para conseguir alcançar, ele tinha fé nisso, porém, não sabia o que, na prática, poderia ser esse “empurrão”

O anjo que o padre trouxe pra cidade parecia, de certa forma, encantado com sua presença que, definitivamente, não era divina, tal coisa lhe deixava confuso, não conseguia entender o motivo daquela ser querer se aproximar de si tão repentinamente, afinal, Abaddon nem ao menos sabia quem era ele

Ele disse que o conhecia a muito tempo, muito, muito tempo, o de olhos verdes não sabia dizer se o de cachos dourados estava mentindo ou não, e se não estivesse, também não iria saber até que ponto a verdade ia. Tinha medo de ser enganado, até porque em todos os lugares mencionados estava querendo usar suas “habilidades” para benefício próprio, mentia e o enganava sempre que podia… só não queria ser mais usado do que já estava sendo

Quando disse ao anjo, cujo nome era FeBatista, que não o conhecia, sua expressão facial e física murmurou de uma forma que fez o coração de Abaddon bater errado. Ele disse exatamente a mesma frase para muitos outros moradores da cidade que diziam lhe conhecer, e simplesmente não sentia nada, como sempre, mas naquele caso específico, ver o rostinho angelical do cacheado se tornar triste abalou o anjo caído de um jeito que ele achou que fosse capaz de ser. Foi a emoção mais forte que senti desde que acordou no campo de lavandas

Se sentiu incomodado ao vê-lo assim, reorganizou mentalmente todas as palavras que saíram de sua boca, na tentativa de entender o que disse de errado, mas só não fazia sentido

Depois disso, os anjos apenas se afastaram, Abaddon por estar confuso demais para se aproximar novamente do outro, e Fe por estar abalado demais por Scott não se lembrar de quem ele era, de quem eles eram

Mas definitivamente não desistiria do menor, mesmo após passar décadas e décadas sem nenhum tipo de contato com ele, Scott sempre foi a coisa mais importante de sua vida e não seria agora que deixaria de ser, sempre estando presente em seus pensamentos, assombrando sua mente, não o deixando em paz por nenhum segundo, independente se a última vez que o viu foi a 5 minutos atrás ou 500 anos atrás, só precisando de um tempo pra pensar melhor e entender o que de fato estava acontecendo

Ficou mais aliviado ao saber que Carrasqueira estava cuidando de Abaddon como se fosse seu próprio filho, o dando um lugar confortável pra dormir e sempre verificando se o castanho estava se cuidando e se alimentando corretamente, assim Fe poderia ficar um pouco menos preocupado. Ele até tentou se aproximar do anjo caído, às vezes Carras até o ajudava com uns empurrõezinhos, mas.. muito claro que o Abaddon nunca foi muito receptivo a novas amizades, principalmente depois da confusão mental que a primeira iteração deles feriu em sua mente

Então, às vezes o cacheado tinha que se contentar em apenas observar de longe, sempre atento a qualquer sinal negativo ou positivo que venha do menor

Scott nunca o tratou com tanta indiferença assim, nem mesmo quando caiu dos céus…

Fe entendeu bem que não era culpa do Abaddon estar irritado desta maneira, só estava tentando achar alguma migalha de lembrança que pudesse estar perdida em algum lugar do seu subconsciente, encontrando sempre apenas expressões neutras, tudo sem sentimento ou personalidade

O fato foi feito uma boa lavagem em seu cérebro…

Sentia que o certo agora seria dar um pouco mais de espaço a ele, e não invadir sua vida pessoal e exigir o conhecimento sobre o passado, como muitos outros estavam tentando fazer, mas era tão difícil só ficar longe

Não queria o forçar a nada, só queria poder ficar mais perto… e às vezes não consegui conter essa vontade. Não parava de o olhar nem por um segundo, nem mesmo quando as festas e eventos que aconteciam pela cidade chegavam ao fim, nem mesmo após cada um ir para sua respectiva casa descansar após um dia comemorativo.

Sempre foi um bom traje seu, algo que nunca se arrependeu de fazer, o admirava enquanto dormia, por mais que Scott não teve muito o traje de dormir -já que anjos e demônios não precisam dormir, nem comer, nem nada do tipo-, ele as vezes caia no sono sem nem perceber quando se deitava com Fe, seja na privacidade de sua casa em terra, ou de baixo de uma árvore em um campo de flores durante a tarde de um dia ensolarado, era algo que o Serafim incrível em todos os específicos e sentidos existentes

Mas diferente de Scott, Abaddon tinha o costume de ir dormir sempre que Áries e Carras iam dormir também, ou seja, praticamente todas as noites

Dia a após dia, Febatista estava prestes a se acorrentar em casa de tanto que seu corpo era comandado por suas vontades interiores, já que, antes mesmo de perceber como chegou ali, ele já estava flutuando sobre o anjo caído que dormia tão pacificamente no quarto de Carrasqueira, abraçando adoravelmente um dos cerberus, enquanto os outros dois estavam deitados em sua volta, apoiado as cabeças sobre seu corpo coberto pelo edredom fofinho que o protegia do frio da noite, nunca iria admitir pra ninguém, mas nunca sentiu tanta inveja de meros cachorros assim, tudo que ele queria agora era arrancar aqueles pulguentos dali e se agarrar ao seu menino durante a noite toda, e a única coisa que realmente o impedia de fazer isso, era a consciência de que se ele ousasse Abaddon acordaria, entretanto, sua respiração calma dizia ao anjo que o menor estava em um sono profundo e não voltaria a realidade tão cedo

Estava tão hipnotizado como seus fios castanhos se moviam com a brisa fria que entrava pela janela acima de sua cama -janela essa que foi aberta por Fe para entrar ali-. Poderia facilmente passar a eternidade apenas o observando dormir, não importava o quanto o tempo passasse, ele sempr-

– Abençoado?! – A voz do Carrasqueira chamou sua atenção -ele falava baixo com medo de acabar acordando o de olhos verdes logo ao lado, e Áries, que também estava adormecido no outro lado do quarto, entretanto, estava nítido em seu rosto que ele se assustou com e cena do anjo flutuando sobre Abaddon como se a gravidade não o afetasse, mesmo assim, suas seis asas impotentes abertas, quase como se brilharem na escuridão, lhe traziam o ar de divindade que ele não costumava ter, mesmo sendo um enviado direto dos céus-. Sua presença ali acabou o acordando.

Antes que o careca sentado a cama tivesse a chance de falar mais alguma coisa, Fe colocou o indicador sobre sua própria boca, fazendo um ‘shii’ baixinho, num pedido silencioso para que Carras ficasse quieto também, então deu apenas uma última olhada em Abaddon, contendo a vontade de deixar um beijinho em sua testa, e foi embora pela janela, deixando um Carrasqueira confuso pra trás, que ficou apenas observando a cena, com sono demais pra entender exatamente o que havia acontecido.

 

Na manhã seguinte, o careca manteve em segredo os acontecimentos da madrugada passada, afinal, não queria assustar Abaddon, mas iria questionar o Serafim assim que tivesse a chance.

E não demorou tanto assim. Durante a tarde, encontrou o loiro prestes a sair do spawn da cidade, mas conseguiu chamar sua atenção antes dele partir

– Abençoado, tem um minutinho? Queria falar com você – disse ele, tocando em seu ombro poucos segundos antes do mesmo dar o tp – Se não for atrapalhar, pode ser mais tarde também.. mas eu gostaria que fosse ainda hoje – seu tom era calmo, não parecia irritado, porém havia um toque de preocupação ali

– Ah, oi Carras – sorriu, se virando para ver o careca – Tudo bem, pode ser agora, eu não ia fazer nada de muito importante – cada palavra saia tão suave e inocente que se Carrasqueira não tivesse visto com seu próprios olho onde ele estava na noite passada, certamente não iria desconfiar de nadinha

– Vem na minha casa – indicou a waystone correta e a usou, esperando o anjo aparecer do outro lado

Quando Fe chegou, o careca já estava segurando a porta de sua casa aberta, o convidando para entrar, e assim o fez, adentrando mais uma vez a humilde casa que já havia decorado até onde Carras guardava suas cuecas de tantas vezes que esteve ali, e o mesmo também já estava bem acostumado a o ver por perto, definitivamente não havia necessidade de cerimônia

– Então.. sobre o que quer conversar? – perguntou gentil, se sentando numa poltrona perto do sofá onde o Carras estava sentado, no terceiro andar da residência

“Como pode um anjo conseguir agir assim?” Pensou consigo mesmo

– Ué.. não se lembra do que aconteceu nessa madrugada? – falou na lata, carregando um tom de ironia, mas não sendo grosso

– Ah-!... – desviou o olhar chocado e envergonhado, estava tão coberto de adrenalina quando aconteceu, que nem sequer chegou a pensar se Carrasqueira faria algo a respeito

– Não me entenda mal, eu não estou bravo, só não é todo dia que invadem minha casa… quer dizer, na verdade os moradores têm feito isso com mais frequência do que deveria… – se contradiz ao tentar se expressar, se lembrando também de quando Abaddon o disse que alguém entrou em seu quarto e leu seu diário, os dois ficaram bem desconfortáveis com isso e até agora não descobriram quem foi – Bom- você entendeu! – tentou pôr um ponto final antes que se embolasse mais

– Sim, é… sobre isso… – enrolou em seu dedo um de seus cachos dourados mais compridos abaixo de sua orelha como forma de descontar o nervosismo, não estava esperando ser confrontado de frente assim e o fato dele ser o anfitrião da casa só piorava as coisas – Eu não mexi em nada, eu só..- –

– Queria ver o Abaddon? – só então Fe voltou seu olhar para Carrasqueira, impressionado com a rapidez dele em entender a situação, mesmo que até uma criancinha de 5 anos fosse entender facilmente, era difícil engolir os fatos

– …Uhum – demorou alguns segundos para processar, e não conseguiu nada mais do que um resmungo para o responder – É que.. ele parece estar tão desconfortável com tudo isso, não queria que ele tivesse que passar por isso sozinho e sei que deveria dar a ele um pouco mais de tempo pra entender o que tá acontecendo mas… eu sinto falta do Scott.. e não posso só deixar o Abaddon de lado… – seus olhos fixos no chão brilharam melancolicamente, expondo tudo o que estava sentindo, confiava o suficiente no mais alto pra fazer isso – Mas-.. eu também não devia sair entrando na sua casa assim, me desculpa.. eu não vou fazer de novo… – falava baixo, em respeito a ele

– Ei.. calma, você não precisa levar as coisas para esse lado também. Eu nunca te proibiria de vir aqui, independente do horário – começou, na tentativa de o tranquilizar pelo menos um pouco - Eu imagino pelo que está passando agora… – ajeitou a postura, buscando as palavras certas para usar – Todo esse lance do Scott e Abaddon é tão confuso pra gente quanto é pra ele… todo mundo da cidade já tentou trazer o Scott de volta de alguma forma e todas as tentativas só pioraram muito a situação – olhou diretamente para o loiro, que o ouvia com atenção, já menos nervoso do que antes

– ..O Scott ainda tá lá dentro em algum lugar, eu só não sei como.. ir buscar ele – com o olhar baixo, seu tom se tornou melancólico mais uma vez

– Você já tentou conversar diretamente com ele sobre isso? – chutou o óbvio, mas que muitos haviam descartado

estavam todos tão cansados de tentar achar um jeito de trazê-lo de volta que a maioria já havia desistido, no momento a única coisa que restava eram resquícios e memórias do que um dia ele foi

– ..Mais ou menos – gesticulava com as mãos enquanto explicava – Ele tava irritado naquele dia, logo de cara eu já vi que não ia dar certo e só.. desisti –

– De toda a cidade, você é a pessoa que mais o conhece, se alguém deveria conversar com o Abaddon ou pelo menos tentar, essa pessoa não poderia ser outra além de você –

E mais um vez, Fe não estava esperando por esse voto de confiança

– Mas… como eu deveria dizer isso pra ele? Todo mundo já tentou e não deu certo… e se ele quiser se afastar ainda mais de mim? – não queria ser esse tipo de pessoa que só vê o lado negativo das coisas, mas a situação estava ficando tão mais delicada a cada dia que passava que era inevitável que isso acontecesse. O anjo não iria aguentar se Abaddon o rejeitasse mais uma vez

– Olha, eu sei que tá difícil, mas se você falar com carinho.. mostrar que se importa de verdade independente de qualquer coisa, talvez ele se abra pelo menos um pouco – estava empenhado em animar o loiro, ele era sua última esperança – Eu sei qu-

Se calaram os dois ao ouvir a porta da frente ser aberta

Carrasqueira foi o primeiro a se levantar, descendo as escadas e indo em direção ao som dos passos, encontrando justamente a pessoa de quem estava falando

– Oi – Abaddon disse simplista como sempre

– Oi Abaddon, como você está? – se aproximou com um sorriso caloroso, o vendo segurar o skate debaixo do braço, as asas sujas e mal cuidadas arrastando no chão, com um joelho ralado e diversos pequenos cortes espalhados pelo corpo, porém ele não expressava nenhuma dor

– Bem – Abaddon não cuidava de si mesmo, isso preocupava aos que se importam, era incrível como sempre aparecia um machucado novo no anjo caído e nem ele mesmo saberia responder se lhe questionasse onde se feriu ou o que o feriu. O mesmo acontecia com suas asas, que em um ato inconsciente do mais novo, ficavam baixas -como se seu corpo rejeitasse a ideia de tais partes corporais estarem em seu corpo, as mantendo longe de seu campo de visão e fingindo que não existiam-, às vezes se sujando ao serem arrastadas pelo chão, penas quebradas caiam em seu caminho, mas ele não parecia se importar com nada disso, não fazendo nada pra melhorar e negando a ajuda quando lhe era oferecida

– Oi Abaddon.. – Fe o cumprimentou assim que também desceu as escadas logo atrás de Carras – Tava andando de skate? – sorriu sem brilho, ainda estava abalado com a conversa de minutos atrás

– Sim – seu olhar alternou entre o careca e o anjo – Porque você tá aqui? – não era sua intenção ser grosso ou espantar a visita, mas acabou sendo, não esperava encontrar FeBatista ali

– A gente tava só conversando… – o careca se pronunciou, enquanto Fe apenas abaixou o olhar com um sorriso morto que se forçou a manter no lugar, angustiado com tantas coisas que era difícil especificar

– Hum… – apenas concordou, perdendo o interesse neles e indo até a sala de encantamentos para melhorar um pouco mais seu skate, saindo da vista dos outros dois

Então Carras se virou para o anjo, sorrindo sugestivo enquanto o loiro apenas o olhava confuso por sua expressão inesperada para o momento

– Você podia chamar ele pra sair – o Serafim quase gritou

– Que?! Como assim, do nada??! – deu alguns passos pra traz com o cenho franzido, porém Carras o acompanhou, segurando suas mãos na tentativa de o incentivar a aceitar sua ideia

– Você precisa conversar com ele, então chama ele pra sair, dar uma volta pela cidade. Não precisam ter essa conversa exatamente hoje, mas precisam começar a interagir pelo menos um pouco – falava baixo, quase sussurrando para que Abaddon não acabasse os escutando

– Ah… – desviou o olhar, reunindo sua coragem pra fazer tal coisa – Ta, eu.. vou tentar… – voltou a o olhar – Mas e se ele não quiser ir? Eu não posso só forçá-lo a isso… –

– Claro que ele vai aceitar, ele não desgosta de você – Fe soltou suas mãos, pensando se realmente deveria fazer isso, só de pensar em conversar com ele de novo, já sentia um frio na barriga – Não pensa muito se não vai acabar desistindo, vamos logo – foi o puxando em direção a sala de encantamento onde Abaddon estava agora, abrindo a porta sem nem bater, encontrando o de cabelos castanhos sentado no chão lendo um livro velho sobre feitiços e maldições enquanto seu skate estava posicionado sobre um símbolo que lembrava os que estavam espalhados pelo palácio do Scott. Ele mesmo os desenhou com giz azul no chão de pedra da sala vaga que Carrasqueira o deu para decorar como bem entendesse

Assim que a porta foi aberta, o anjo caído olhou em direção ao som, encontrando as figuras dos dois mais velhos parados à porta

– ..Que foi? – questionou neutro

Mais um vez Carras foi o primeiro a agir, se aproximando e se sentando ao lado de Abaddon

– Nada não, apenas viemos te fazer companhia – sorriu enquanto FeBatista, mesmo envergonhado, também se sentou ao lado de Abaddon

– Tá – voltou a sua atenção ao livro

– Então.. conseguiu encantar seu skate? – o loiro tentou puxar assunto

– Sim, mas eu to procurando mais outro – seu jeito de falar foi quase infantil, fazendo Fe sorrir pequenininho sem nem perceber, o achando fofo até nos mínimos detalhes, o careca o viu sorrindo assim, precisando nem pensar duas vezes antes de chegar à conclusão de que aqueles dois foram sim feitos um pro outro, e se Fe não tinha coragem pra tomar a iniciativa, ele mesmo a tomaria

– Ei, garoto, você pretende fazer alguma coisa mais tarde? – sua voz fez Fe voltar a realidade, olhando aterrorizado para o mais velho por trás do anjo caído, como quem queria dizer “por favor, não faça isso”, mas já era tarde demais

– Não – o respondeu sem nem o olhar, já estava bem acostumado com a maneira que Carrasqueira o chamava, apenas focado em preparar uma espécie de ritual pro seu skate, entretanto, mentalmente estranhou tal pergunta que não era muito comum

– É que o Fe me chamou pra dar uma volta pela cidade, mas eu tenho um compromisso muito importante com o Umild agora que eu não posso desmarcar. Bem que você podia ir com ele no meu lugar pra ele não ficar sozinho, não acha? – o loiro congelou mudo em seu lugar, com os olhos fixos nos símbolos que Abaddon desenhava no chão enquanto sentia seu rosto esquentar

– Pode ser – exatamente como o careca imaginava que ia ser; ele aceitou sem pensar muito, mesmo que não parecesse muito interessado

– Que bom, tenho certeza que vocês vão se divertir! – sorria abertamente

O castanho deixou o livro de lado e se ajoelhou, tocando no símbolo, seus olhos brilharam em azul por uma fração de segundo e sigilos que brilhavam no mesmo tom de azul de seus olhos a agora a pouco, percorreram por todo o skate, o marcando como se fosse ferro quente, gravando novas habilidades e funções ao objeto.

Terminou de o encantar.

FeBatista sempre viu Scott encantando ou amaldiçoando algumas coisas, até o ajudando ou fazendo ele mesmo -mas não esperava que Abaddon relata fazer esse tipo de coisa-, e Carras já estava cansado de o ver adicionar mais e mais encantamentos naquele skate, sendo assim, nenhum dos dois se impressionou muito com o que ele estava fazendo

Ele pegou seu skate e clamou, sendo acompanhado por Carras

– Enfim, eu já vou indo, tenho que achar o Umild, tenho uma boa tarde juntos – se despediu dos meninos, saindo da sala de rituais e indo embora, mas não sem antes dar uma olhada bem sugestiva em direção ao anjo, que apenas suspirou nervoso, sabendo exatamente o que ele queria dizer com aquilo, e se clamou também

– Aonde você quer ir? – olhei para o cacheado. Não sabia o que sentir em relação a ele, imaginou que depois da primeira conversa que teve, o mesmo nunca mais iria querer o olhar novamente, mas agora ele não parecia triste em estar em sua presença

– Ah.. não sei, na verdade eu não conheço muito a cidade – remexeu seus cachos, relembrando dos poucos locais do qual se lembrava e a maioria não parecia ser muito agradável para terem a conversa que FeBatista queria ter – Tem alguma sugestão? –

– Eu também não sei muito a aqui… mas eu geralmente vou pro spawn andar de skate – disse o que ele provavelmente iria fazer se Carrasqueira não tinha empurrado o anjo pra cima de si, porém já imaginando o mesmo iria achar uma ideia bem sem graça

– Tudo bem então, nós podemos ir lá – seu sorriso caloroso surpreendeu o mais baixo, que apenas guardou esse sentimento para si. Fe questionou como nunca viu o menor fazendo tal coisa lá, mas aquele local parecia ser realmente mais quieto e poucas pessoas passandom por ali

Segurou sua mão, o puxando pra fora da casa do Carras

Abaddon jurou ter sentido sem coração bater muito errado quando suas peles tiveram um contato tão direto assim

Contato esse que ele não tinha o traje de ter nem com quem era até que bem próximo a si

Mas… esse anjo

Algo nele o passando uma sensação estranha, não saberia dizer se era algo bom ou ruim, mas independente do que fosse, ainda era algo a se sentir

Então sim, desejava sim sentir mais toques como esse