Work Text:
Finalmente a primeira parte que ele arrumava no seu quarto, estava devidamente organizada.
Marc resolveu tirar o dia desse final de semana para arrumar o quarto. Ele era relativamente uma pessoa organizada – tirando sua escrivaninha que é sua bagunça pessoal – mas nas últimas semanas, ele teve um pequeno deslize na sua organização.
A maior bagunça do seu quarto, eram coisas novas que ele tinha, tanto comprado, quanto ganhado. E ele iria arrumar um lugar para colocar elas, e o tal lugar virou o primeiro canto que ele jogou as coisas.
Agora, ele resolveu dar uma geral no quarto, tentando achar um lugar para as coisas novas e jogando fora as antigas.
Quando começou a arrumar, Orikko disse que o ajudaria mas ele passava mais tempo vendo as coisas antigas do que propriamente ajudado.
A alguns momentos atrás, ele achou papéis com textos e trabalhos antigos de Marc e toda vez que Marc olhava para ele, Orikko continuava na mesma posição.
Marc fechou a gaveta que ele terminou de arrumar, dando um pequeno suspiro, era a gaveta de materiais dele e ele tinha umas três delas naquela cômoda dele. Ele passou muito tempo arrumando aquelas gavetas.
Ele se espreguiçou, esticando um dos braços, ele escutou Orikko mexendo nos papéis atrás, quando relaxou um pouco os músculos, ele pegou a caixa que separou para colocar as coisas que iria jogar fora. As coisas que jogou fora eram mais canetas antigas que ficaram esquecidas lá – Nathaniel muitas vezes dava materiais de papelaria para ele – as coisas mais antigas acabam ficando ressecadas por falta de uso.
Colocando a caixa perto do resto das coisas que iria jogar fora, ele se virou para onde Orikko estava sentado. Em algum momento, o kwami disse que iria separar os trabalhos antigos de Marc, nos que vale a pena manter e nos que poderiam ir pro lixo.
Uma pilha era comicamente maior que a outra, mas Marc não tem ideia de qual pilha era o que.
Marc concentrou sua atenção novamente na cômoda, indo abrir a próxima gaveta. Orikko deve ter terminado sua pequena inspeção e se aproximou de Marc.
— Separei seus antigos textos para jogar fora — Marc olhou para onde Orikko estava anteriormente, a pilha maior de papéis estava em cima da sua cama e a menor na sua escrivaninha.
— Qual pilha é qual? —
— A menor é para jogar fora. Alguns dos seus textos antigos vale muito a pena desenvolver mais. — Marc se aproximou da escrivaninha para olhar os papéis.
O que tinha escrito nos papéis eram só textos inacabados que Marc nunca teve muita motivação para terminar. Tanto que os textos eram só de duas a três linhas.
— Vou confiar na sua opinião. — Marc colocou os papéis de volta na escrivaninha e voltou para a cômoda.
Orikko ergueu o bico orgulhosamente. — Eu sei o que faço. —
— Tenho certeza que sim. — Marc deu uma pequena risada.
Dessa vez, Orikko vai acompanhá-lo na arrumação, o kwami estava flutuando perto dele. Ele deve ficar perto de Marc até se entediar e procurar algo para fazer no meio da bagunça.
— As gavetas dessa coisa não acabam? — O kwami reclamou. — Desde que você começou a arrumar, você não saiu ainda dessa mesa! —
A cômoda não era nada mais do que uma escrivaninha com gavetas. Essa era a escrivaninha que ele usava, até seus pais comprarem a outra – que é a que ele usa atualmente e ela tem apenas duas gavetas –, a primeira escrivaninha começou a ficar pequena pela quantidade de coisas que Marc colocava em cima dela.
— Acho que só tenho muita coisa — Marc deu de ombros, voltando a se concentrar na gaveta que ele abriu. Era a gaveta maior e era onde ele guardava as maquiagens.
— Realmente, — Orikko se aproximou da gaveta, olhando o conteúdo de dentro. — Pra que tanta coisa para passar na boca que só muda o sabor? —
O produto em maior quantidade era lip balms, e para a defesa de Marc, a maioria ele ganhou – seja das suas amigas e principalmente da sua mãe – e Nathaniel só da um lip balm específico pois é o único que ele sabe que Marc usa.
Ele começou a arrumar a gaveta pelos lip balms, olhando quais iam continuar ali e quais iriam jogar fora.
O que não foi muito promissor, os únicos que ele ia jogar fora eram os que já estavam acabando – e ele só ia jogar fora quando estivesse vazio –, nenhum estava perto da validade e alguns estavam até lacrados.
Era consideravelmente muita coisa para ele usar, ele é só um mas ele não tem ideia do que fazer com tanta coisa. Ele podia compartilhar com as meninas – mas alguns foram algumas delas que deram – então ele poderia compartilhar com a mãe.
Ele foi pegando cada um e olhando os sabores, separando os que não gostava, que são poucos – um de menta e outro de abacaxi que o gosto era horroroso para ele –. Olhando os sabores que ia continuar na gaveta, ele foi separar na ordem de sabor que ele mais gostava para o que menos gostava.
A quantidade que ele tinha, daria para ir mudando o sabor a cada dia da semana.
Ele estava segurando um lip balm de cereja, quando um pensamento surgiu na sua mente, fazendo suas bochechas ficarem rosadas e balançar levemente a cabeça para se livrar do pensamento.
Olhando novamente para o balm que estava segurando, o pensamento começando a não ser mais tão constrangedor quando ele pensou inicialmente.
Vagamente, ele se lembrou onde já viu essa ideia – em um livro bastante antigo que ele leu a alguns anos –, Marc acha que o sabor favorito de Nathaniel é aquele lip balm de cereja.
Pela quantidade de lip balm que Marc tinha, dava para tentar adivinhar qual sabor seu namorado gostava mais.
Ele colocaria isso em prática na próxima semana.
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A ideia era simples: a cada dia da semana, ele usaria um lip balm de um sabor diferente.
Os três primeiros dias da semana foram normais, ele usou os balms de morango, baunilha e framboesa. Nathaniel pareceu ter gostado mais do de morango, mas Marc não sabe se foi realmente o sabor ou a carência deles no dia – eles não se viram no final de semana –.
Não tem tantos momentos que eles se beijam na escola, apenas selinhos quando se encontram antes do início das aulas ou em uma sala vazia, mas eles evitam isso na escola, depois de ter surgido um rumor que eles estavam se pegando no banheiro. Não foi grande coisa mas foi difícil aguentar as piadas dos amigos em toda oportunidade – isso seria conteúdo de sobra se Alix estivesse com eles –.
E na opinião de Marc, Nathaniel não ligou muito à mudança de sabores. Na visão dele.
Já era quinta-feira de tarde, hoje eles acabaram saindo mais cedo da escola.
Marc estava olhando os papéis que Orikko separou no outro dia, depois dele acompanhar uma transmissão de uma luta contra um akuma em que Ladybug chamou Ryuko, Carapace e Caprikid.
A luta não foi tão difícil mas o akuma era bastante destrutivo, uma boa quantidade dos prédios da cidade sofreram.
Ele estava separando os papéis, os textos que ele achava interessante quando uma batida na sua janela chamou sua atenção.
Se virando para olhar a janela, Caprikid estava acenando para ele, Marc deixou os papéis na escrivaninha e se aproximou da janela para abri-la.
O herói entrou e se sentou no parapeito da janela.
— Oi. — Caprikid segurou uma mão de Marc, o puxando para perto. Ele acabou entre as pernas do herói.
— Oi —, Marc de uma risadinha antes de se inclinar para um selinho. — Deu tudo certo na batalha? —
— Sim, — Marc rapidamente notou Caprikid lambendo os lábios. — Ladybug só precisava de ajuda para a proteção dos civis. —
— Que bom. Não teve ninguém machucado né? —
— Não, todos estavam bem. — Os olhos de Caprikid se desviaram dos lábios de Marc – que estavam ali desde que se separaram – e se fixaram nos olhos de Marc.
— Esse é um daqueles balms que Rose te deu? —
Mais cedo na escola, o lip balm que Marc estava usando era o que Nathaniel sempre comprava para ele – um de tutti-frutti – e agora de tarde Marc usou um de uva, com preguiça de tirar o que estava dentro da bolsa que ele usou de manhã.
— É sim. —
— O outro já acabou? —
— Não, ele tá dentro da minha bolsa — Caprikid franziu levemente a testa e inclinou levemente a cabeça para o lado – uma mania que ele pegou do Marc e ele acha adorável – ele parecia estar pensando em alguma coisa — Você anda usando aquele hidratante que eu te dei? —
— Uso, — O herói endireitou a cabeça e Marc sentiu a outra mão dele ir para sua cintura e o puxar para mais perto. — Mas prefiro os seus. —
Marc deu uma pequena risada, empurrando de leve o ombro de Caprikid.
O herói abriu a boca para falar algo mas foi interrompido por um barulho perto da porta do quarto de Marc e uma voz.
— Marc? — Parecia a voz do pai dele. E estava perto.
Na pressa de se separar e o herói sair da janela, Caprikid acabou se desequilibrando e caiu para trás. Marc tentou olhar pela janela se o outro estava bem se ele ter caído no chão mas seu pai abriu a porta e ele só pôde fingir que ia fechar a janela.
— Meu bem, só vim avisar que tô saindo para comprar algumas coisas, tome cuidado quando estiver sozinho, teve um ataque akuma a poucos quarteirões daqui. —
— Certo, — Quando fechou a janela, se virou nervosamente para o pai. — Tudo certo, vou tomar cuidado. —
Marc torce silenciosamente que as pessoas tenham decidido ficar dentro de casa hoje, não é tão normal um herói cair do céu sem algum ataque akuma.
Seu pai levantou uma das sobrancelhas, notando o nervosismo do filho mas minimizou, atribuindo isso a ansiedade normal dele. Marc sempre ficava meio nervoso com ataques de akuma.
Quando ele saiu do quarto, Marc logo se virou para a janela para olhar para baixo e pros telhados das casas próximas, sem sinal de Caprikid.
Saindo de perto da janela, Marc voltou para a escrivaninha e alguns minutos depois, recebeu uma mensagem no celular, era Nathaniel.
" Esse final de semana você vem aqui em casa? "
Marc deu um sorriso para a mensagem antes de responder.
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Chegando o final de semana, os dois estavam no quarto de Nathaniel, já tinham jantado e arrumado o lugar que Marc ia dormir. Eles estavam olhando os comentários sobre a história em quadrinhos deles.
Resolveram digitalizar e postar a história online, e deixaram em banho maria o site que postaram a história para lerem os comentários juntos.
— Acredito que é bandeira verde para digitalizar o outro volume. — Marc comentou após eles lerem o último comentário.
— Sim, próxima semana a gente vê isso. — Nathaniel desligou seu tablet, se virando para Marc que estava guardando os óculos que usava. — Certo, o que você tá aprontando? —
— O que? — Marc se virou para Nathaniel, em parte confuso e em parte já sabendo o que ele estava insinuando.
— O que você tava aprontando essa semana inteira? —
— Você percebeu, — Marc riu levemente. — Apenas uma brincadeira que pensei. —
— Brincadeira? — Nathaniel que riu agora. — Onde você arrumou tantos desses lip balms? Rose te deu tantos? —
— A maioria deve ser os que ela me dá, nem eu sabia que tinha muitos. —
— Como era isso? Adivinhar o sabor? —
— Olha.. — Marc ponderou por um instante, não era esse o objetivo dele com isso mas não parecia uma má ideia. — Não exatamente isso mas podemos jogar assim. —
Ele notou Nathaniel se animar visivelmente.
— Mais tarde. — Com essa fala, Nathaniel fez um beicinho desagradado. Marc não queria arriscar os pais do namorado entrar do nada no quarto do filho. Preferindo quando eles forem dormir, como muitas outras vezes, eles ficarem acordados até altas horas da noite.
Como uma deixa, Aton apareceu na porta avisando pros meninos se recolherem para dormir.
Enquanto Nathaniel ia no banheiro, Marc se trocou no quarto e depois foi olhar sua mochila. Como decisão final, ele resolveu trazer a bolsa que ele deixou os lip balm que usou na semana. Que bom que ele decidiu trazer.
Ele já estava acomodado para dormir quando Nathaniel chegou no quarto e se acomodou na cama, com as luzes apagadas, Aton desejou boa noite aos meninos e saiu deixando a porta levemente aberta.
Esperando um tempo, os kwamis aproveitaram para se acomodarem no travesseiro de Marc, e Nathaniel se levantou e caminhou em direção a porta e a fechou totalmente.
Marc se sentou na cama de Nathaniel e o outro logo chegou e se sentou também, Marc mexia na pequena bolsa – notando que tem lip balms que ele nem lembrava ter colocado ali – enquanto Nathaniel esperava ansiosamente.
— Então. — Nathaniel começou lentamente.
— Então, — Marc riu levemente. — Eu vou passar um e você tenta adivinhar, fácil né? —
— São os mesmos que você usou nessa semana? — Nathaniel se ajustou na cama, se aproximando de Marc, de modo que os dois estão frente a frente sentados de pernas cruzadas e seus joelhos se tocando.
— Alguns sim mas tem alguns que você nunca viu. —
Marc pegou o primeiro para passar nos lábios, tentando não ficar a vista o nome do sabor. Ele não conseguia esconder a cor mas alguns lip balm a cor não tinha nada a ver com o sabor.
Quando passou o primeiro, Nathaniel logo se inclinou para pressionar seus lábios e também logo descobriu o sabor.
— É aquele de tutti-frutti. — Nathaniel falou com um leve divertimento na voz.
— Acertou, — Marc tinha um sorriso no rosto, logo indo escolher outro sabor. — Achou que eu ia deixar o mais fácil pro final? —
Nathaniel bufou levemente, Marc passou o próximo e logo Nathaniel se inclinou de novo. Nesse, Nathaniel não reconheceu de primeira e se aproximou de novo.
— É de pêssego? —
— Dois pontos. — Marc foi pro próximo.
Nathaniel sabia levemente os sabores que Marc tinha mas ele tinha dúvidas sobre algum sabor novo.
Com alguns sabores continuaram assim, em alguns momentos, Marc pegava dois sabores e falava para adivinhar entre os dois.
A maioria Nathaniel acertava, poucos ele não fazia ideia e nem a cor do produto ajudava. E em alguns momentos, eles ignoravam o jogo.
Chiclete.
Melancia.
Limão.
Banana.
Amora.
Em determinado momento, eles se aproximaram mais, seus joelhos se pressionando mais em vez de levemente se tocando e as mãos de Nathaniel apoiadas em Marc, uma no joelho e a outra na coxa. Marc as vezes colocava uma mão no rosto de Nathaniel.
Era o último sabor agora. Marc se afastou um pouco do beijo, seus olhos semicerrados e notando que enquanto ele se afastava, Nathaniel se aproximava, ele notou a mão na sua coxa apertando levemente. Seu rosto estava queimando e ele levemente sem fôlego, ele acha que sentiu algo meio quente nos seus lábios a pouco.
— Então? — Marc riu levemente, Nathaniel abriu os olhos para olhá-lo. — Qual sabor? —
— Aquele de cereja. —
— Foi o último. Você ganhou. — Na metade, Marc perdeu a contagem.
Ele escutou Nathaniel murmurar em concordância, os olhos fixados nos lábios de Marc antes dele se afastar um pouco.
— O que você queria com isso? — Marc fez uma expressão confusa. — Você falou que não era exatamente isso que tinha pensado. Então o que tinha pensado inicialmente? —
— Ah, — Marc alisou o cabelo de Nathaniel, afastando sua franja do rosto. — Eu queria saber seu sabor favorito. —
Nathaniel o encarou por alguns segundos antes de sorrir e suas bochechas ficarem levemente rosadas.
— Não ligo o sabor, vindo dos seus lábios qualquer um se torna meu favorito. —
