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[...]
Às vezes, Kevin acordava com o corpo mais pesado, sentia ter corrido uma maratona sem descanso, mas ainda não havia levantado a cabeça do travesseiro. Quando isso acontecia, ele já sabia o que estava para vir, sua única escolha era apertar o lençól da cama até sentir os dedos formigarem, respirar fundo três vezes e demorar ligeiros cinco minutos a mais para sair do quarto.
A comida demorava mais para descer, o maior esforço era manter a postura rígida e ignorar as pontadas que sua cabeça dava a quase cada minuto. Naquela manhã, a cozinha do dormitório estava vazia, sentia o cheiro de café já deixado mais cedo por alguém, ouvia o som dos carros na rua e podia sentir os raios de sol queimando suas costas pela cortina escancarada.
Observava a salada à sua frente, o garfo posto ao lado do prato, podia jurar que fazia esforço para pegar o talher e começar a comer, precisava começar seu dia mesmo quando tudo a sua volta parecia tão pesado e desgastante de olhar.
Mas não conseguia. Trava o maxilar e range os dentes, finca as unhas na palma da mão até senti-la dormente, procurando por algo que acordasse seu corpo e o fizesse agir, mas não conseguia fazer muito além de encarar o que já deveria estar há muito tempo comendo.
"Kevin." A voz o tira de seus devaneios. Neil está parado a sua frente do outro lado da pequena mesa de dois lugares, não sabe quando ele chegou ou há quanto tempo o está observando, sente vontade de se bater pela tamanha distração, mas limita a subir o olhar e encontrar os dele. "Eu disse bom dia."
"Bom dia." Kevin responde com o tom mais monótono que conseguiu forjar. Finalmente segura o garfo e enfia uma boa quantidade de alface em sua boca, faz uma careta quando percebe que não colocou nem um pouco de sal. Também percebe que não lembra exatamente de ter vindo até a cozinha, então não fazia muita diferença. Via Neil pela visão periférica, o observou tomar a cadeira à frente e se acomodar nela, mas não ousou levantar a cabeça e se contentou em comer aquela salada sem tempero e sem gosto algum.
"Kevin." Mais uma vez, Neil chama, e Kevin queria muito poder fingir não ouvir ou desejava estar usando fones de ouvido como uma dispensa indireta. Falar soava um sacrifício, interagir parecia maçante, mas mesmo assim levanta a cabeça e o encara com firmeza, a mais fingida e convincente de todas.
Ou pelo menos era o que achava.
Não deveria, mas sentia raiva de Neil. Talvez por como ele o encarava de um jeito que o fazia se sentir vulnerável, ou por não ter começado a falar o que queria e estar enrolando e perdendo tempo. Neil não sabia sobre os dias mais difíceis, ninguém realmente sabia, então por que o observava como se soubesse?
"O que foi?" O tom de voz saiu mais seco e grave do que pretendia, só confirmou quando pôde notar uma leve sobrancelha arqueada de Neil, um lembrete de que algo definitivamente estava errado e aparentemente Kevin falhara feio em disfarçar. "Está atrasado, tem aula daqui meia hora, por que ainda está aqui?" Se controla para complementar, e conclui ter dado certo quando a expressão alheia volta ao normal.
"Você estava encarando sua salada como se tivesse encontrado um bicho ou algum pedaço de chocolate aí dentro." Ele aponta com o queixo para a comida dentro do prato. "Mas acho que não é o caso."
Kevin não responde. Não foi uma pergunta já que Neil automaticamente se respondeu, então se limita a baixar o olhar para a salada e comer mais uma garfada.
"Então o que é?" Mais uma vez, Neil fala, e Kevin quase jogou o garfo em sua direção. Sabia que nunca faria isso de verdade, não o machucaria. Mas tudo parecia tão pesado, e tão irritante, e tão barulhento, seu coração pesava no peito e precisava respirar fundo quase o tempo todo quando sentia que ia afundar em algum lugar desconhecido.
Não tão desconhecido, ele sabe que não.
"Não é nada." Kevin responde, e desejava que aquilo fosse o suficiente, mas sentia o olhar de Neil a ponto de queimar sua testa, é claro que não seria o bastante. Disfarça mais um suspiro pesado e o entala na garganta enquanto ajeita a postura e encara os olhos de Neil com firmeza, deixa o garfo ao lado do prato e descansa as mãos nas coxas para que ele não as visse tão tensas. "Dormi mal, acordei várias vezes pelo calor e acabei vindo dormir no sofá. Estou cansado."
Neil não parecia satisfeito, continuava encarando Kevin como se pudesse tirar todas as verdades de dentro dele só com o olhar, mas a verdade é que nem mesmo Kevin conseguiria arrancar essas coisas de si, soava como um terreno desconhecido. Algo como um peso insaciável que percorria cada osso de seu corpo, a ponto de devorá-lo e deixar os órgãos por último.
"Ok." Neil aparenta ter aceitado a mentira descarada, assente uma vez com a cabeça e se levanta. Kevin podia jurar que ele finalmente iria embora, mas para quando sua mão encosta no batente da porta do banheiro, ele se vira e encontra Kevin por cima do ombro. "Assistimos filme e dormimos na sala hoje. Você estava distraído demais para perceber, mas eu vim de lá agora pouco." E então entra no banheiro em um clique baixo da fechadura.
Kevin bate na mesa com um soco, sente o choque subir suas veias e ir parar em seu ombro. Coloca os cotovelos sobre a madeira do móvel e esconde o rosto entre as mãos, aperta o cabelo até que queimasse seu couro cabeludo.
Estava se odiando pela distração, pelo peso em seu corpo ou pela dor de cabeça, o ar ainda parecia nulo mesmo quando não tinha nada o impedindo de respirar. Uma gaiola, ele pensa enquanto se levanta e alarga a gola da camisa, se sentia preso em uma gaiola minúscula e não parava de crescer, as grades finas o machucavam e apertavam como o inferno.
Mas não havia nada, tudo a sua volta parecia bom e normal.
Então por quê?
[...]
"A bola vai na rede, Day, não em Nicky. Se eu tiver que reclamar sobre a sua selvageria mais uma vez, você está fora por hoje." Wymack gritava do meio da quadra, o tom grave e autoritário em sua voz nunca falhava arrepiar Kevin um pouco. Ele aperta com força a raquete, até sentir a palma queimar mesmo por baixo da luva.
Sentia os olhares às suas costas e outros até descaradamente em seu rosto. Ninguém ousa perguntar, ninguém nunca realmente ousaria, mas parte de si preferia ouvir suas vozes a sentir seus olhos o tempo todo, repleto de perguntas silenciosas das quais eles não têm culhão de fazer.
Passou o resto do treino se segurando para não arrancar a cabeça de Nicky conforme ele ia se distraindo com a cor da quadra que vê todos os dias ou quando ele parava o passe para comentar algo no ouvido de Renee.
Perda de tempo, desnecessário, idiota, e Kevin queria que Wymack se irritasse com ele também, mas ele não fazia nada a não ser apitar e mandar todo mundo para seus lugares com um esporro coletivo.
Era irracional, ele sabia. Querer se irritar com qualquer um e querer que se irritassem também, conseguia sentir o quão idiota poderia estar sendo, mas não conseguia se controlar. A armadura pesava o dobro em seu corpo, mas pelo menos era uma fonte de distração da dor de cabeça, da falta de ar ou do olhar de Andrew, que o fitava e surtia mais efeito do que qualquer outro ali.
Não poderia encarar de volta, sabe que não seria capaz. Andrew parecia conseguir enxergar dentro dele e parecia captar até coisas que Kevin não conseguia em si mesmo. Olhar para ele agora seria a gota d'água, porque não conseguiria disfarçar como sente tudo doendo e tudo a sua volta o sufocando.
Quando Wymack dispensou todo mundo, Kevin ficou para recolher as bolas e secretamente esperar até ficar sozinho. Demorou a organizar a quadra, e ficava incomodado por ver o treinador de relance toda vez que levantava a cabeça. Também notou por muito tempo que Neil e Andrew insistiram em ficar em algum lugar nas arquibancadas, os notou sem querer quando guardou mais das bolas no saco e por pouco olhou para Andrew. Mas pôde focar no que fazia e ignorar as presenças o máximo de tempo que conseguiu.
Quando deixa o capacete e a raquete em um banco aleatório dos reservas, conclui que não pode mais ignorar o treinador ao seu lado, então encara Wymack com a mesma firmeza de sempre.
Ou pelo menos era o que achava.
"Desembucha." O homem resmunga, e Kevin não consegue deixar de arquear uma das sobrancelhas em um gesto claro de indignação. Wymack parece ter entendido o recado, porque faz um gesto de desdém com a mão em direção ao rapaz. "Não preciso me explicar, desembucha o que você está pensando."
Ele estava sentado em um dos bancos dos reservas, dois assentos distantes do que Kevin colocara seus equipamentos, mas Wymack ainda parecia muito maior, mais autoritário, mais intimidador.
"Estou cansado." Não era uma mentira completa, mas mais uma meia verdade. É tudo o que consegue dizer olhando para seus olhos, depois os leva até a arquibancada, dessa vez não encontra os outros dois colegas. Presume que foram embora.
"Kevin." Wymack tenta de novo, e Kevin desejou ter coragem para ir embora e deixá-lo ali, mas não podia, então se contenta em contar quantos assentos tinham em cada sessão da torcida.
"Seja lá o que esteja acontecendo, não precisa acontecer sozinho." A frase não fazia sentido, então Kevin olhou para Wymack com dúvida. "Não importa o que esteja passando na sua cabeça, não precisa ser só na sua, não faz mal falar."
Claro que não, é sempre o que dizem. Que falar é sempre o melhor, que deveria verbalizar os sentimentos e como pode ser útil.
Mas é difícil, Kevin pensa. É difícil quando nada realmente passa por sua cabeça, quando simplesmente sente esse peso excruciante e não consegue refletir nada além de como dói para respirar.
A quadra parecia ficar menor, então ele tira o protetor de pescoço em um puxão, não sabia se o pior era o olhar do treinador intenso o suficiente para fazê-lo arrepiar ou seus pulmões parecendo cada segundo mais perto de explodir.
"Boa noite, treinador." Foi tudo o que Kevin conseguiu dizer, planejava ficar para treinar um pouco mais e extravasar sem que precisasse ouvir esporro, mas ficar ali passou a se tornar insuportável, então pegou seus equipamentos e saiu em passos largos da quadra.
Wymack não insistiu, Kevin reprimiu o pensamento de que esperava isso dele.
[...]
Como sempre, Andrew estava esperando no carro para voltar com Kevin até os dormitórios. Ele terminava um cigarro e deu uma última tragada assim que Kevin apareceu em seu campo de visão.
Kevin passara o dia tentando evitá-lo, mas sabia que precisaria vê-lo ao anoitecer, na hora de ir embora. Caminhou com passos falsamente calmos até o carro e não olhou para Andrew nem depois de entrar no banco de passageiro.
Andrew apagou o cigarro no chão da rua e entrou no assento ao lado, fechou a porta e deu partida no carro.
O trajeto foi silencioso, Kevin não se sentia observado nem quando paravam por um semáforo fechado, estava quase relaxando pelo menos um pouco, mas arqueou uma das sobrancelhas ao notar que Andrew fez uma curva diferente.
"Para onde estamos indo?" Ele pergunta na hora, e comete o erro de olhar para Andrew. O olhar que recebe de volta, aquele olhar tão odioso e tão penetrante. Kevin podia jurar que vacilou a expressão firme que passou o dia cansado de tanto sustentar, se o fez, Andrew não comentou, não disse nada e também não respondeu a pergunta.
Kevin não questionou de novo, se encolheu contra o banco e cruzou os braços sobre o tronco. Assistiu a estrada ficando mais deserta e as luzes da cidade se apagando lentamente. Toma a liberdade de abrir o vidro e colocar o braço para fora, a brisa gelada da noite fazia seu corpo se arrepiar, sentia as coisas pesadas de novo, a garganta estalando em uma queimação inegável, mas que ainda assim ele insiste em fingir não ser nada além de desconforto.
Kevin não tinha certeza de quanto tempo passaram andando pela pista vazia, o único barulho sendo o do vento, a única coisa que via sendo as estrelas que brilhavam cada vez mais no céu. Não notou quando o carro estacionou bruscamente. Olha para Andrew mas desvia antes que ele pudesse retribuir de novo, decide descobrir por conta própria onde tinham parado, mas não via nada além de mato e escuro.
Andrew abriu a porta do carro e saiu, não se importou em fechá-la, e Kevin finalmente o pôde observar por mais de três segundos, o assistiu andar com calma uns passos a frente, não sabia exatamente para onde ele estava indo e um súbito pânico de ficar sozinho fez com que também saísse do veículo e fosse atrás dele sem pensar duas vezes.
Percebeu assim, que estavam em um tipo de morro, Andrew parou logo na frente do pequeno cercado de madeira bem na ponta, Kevin o seguiu e parou ao seu lado, já impactado o suficiente com a vista para não pensar em nada durante uns segundos.
O céu brilhava com pontos brancos e era possível seguir fácil as constelações que conhecia, a lua estava cheia e era tão branca que Kevin jurava ter sido cegado por um tempo.
Só conseguia ver as luzes da cidade muito à frente, pareciam tão pequenas e insignificantes perto do vasto céu. Mais próximo e abaixo de si, pôde notar mesmo no escuro que era um tipo de floresta, as árvores pareciam balançar em uma sintonia ensaiada com o vento gelado e reconfortante.
Kevin percebe imediatamente que Andrew se afastou, mas foi pouco, não notara que havia um banco de dois lugares três passos atrás de si, e era lá onde ele estava agora. Kevin se colocou ao seu lado, e se contentou com mais do que satisfação em encarar e assistir as estrelas.
Não saberia quanto tempo se passou, mas soltou sem querer um dos suspiros pesados que passou o dia todo tentando esconder dos outros. Era tarde demais quando notou o que fez, um som irritante, choroso demais, quase um grunhido insatisfeito.
Olhou para Andrew, este que não se deu o trabalho de retribuir o olhar, o rosto virado para frente, em direção ao horizonte.
Sabia que ele havia ouvido, mas agradeceu por não ter falado nada. Voltou a assistir o céu, e agora sentiu as mãos tremerem. As aperta no tecido da camisa e as força a ficarem quietas, mas não conseguia controlar o próprio corpo, muito menos quando olhou para baixo na tentativa de tentar mais uma vez respirar fundo e tudo o que pôde notar eram as lágrimas que caíam nas costas de suas mãos.
Não. Kevin pensou, não está chorando. Olha para cima em uma falsa esperança de que talvez estivesse chovendo, mas o céu ainda estava tão escuro e tão pintado de estrelas que descartou imediatamente a hipótese de haver sequer uma nuvem carregada ali.
Precisava parar. Sua próxima reação foi fincar as unhas em uma das bochechas, queria que o molhado fosse sangue e não lágrimas, mas nada do que queria estava acontecendo. Passou o dia querendo parar de se sentir tão mal e não adiantou de nada.
Ergue a outra mão para se dar um tapa, mas seu pulso é envolvido pelos dedos de Andrew quase que automaticamente, como um ímã que estava esperando pelo metal para poder agir.
Kevin não podia olhar para Andrew, não enquanto chorava, não enquanto estava tão vulnerável.
Mas, mais uma vez, seu corpo desobedece, seus olhos encontram os de Andrew, que dessa vez o observava com atenção, algo além do tédio usual.
"Não." Kevin resmunga, jura para si mesmo que o que saiu de sua boca depois não foi um soluço. "Não." Repete. Mas não sabia o que estava negando.
Andrew o continuava segurando, mas desce a mão até que pare no ombro de Kevin, pousa os dedos com firmeza ali, e Kevin não sabia o que deveria interpretar a partir daquilo.
Não sabia, não deveria, não fazia sentido. Mas tinha algo nos olhos de Andrew que o fizeram definitivamente desabar, ele deita a testa no ombro de Andrew e agarra a camisa dele com as duas mãos, entrelaçando os dedos entre o tecido com força, como se tivesse medo que ele fosse embora.
Kevin não sabia porquê estava chorando, não sabia porquê sua garganta doía tanto ou porquê sentia que o coração estava prestes a explodir, mas essas sensações diminuíram ligeiramente conforme resmungava xingamentos entre as lágrimas e soluços chorosos e audíveis.
Andrew segurava seus ombros o tempo todo, em algum momento desceu as mãos até suas costas e até o trouxe para mais perto, ficou em silêncio e imóvel até que Kevin parasse de chorar alto e se limitasse a soluços mais baixos.
"Às vezes dói mais." Andrew não pediu explicação e Kevin não pensou ser capaz de a dar, mas quando se viu, estava falando, e não quis parar. "Tudo parece... Pesado. E todo mundo parece muito barulhento e os lugares parecem menores, é maçante."
Kevin se afasta ligeiramente de Andrew, ainda agarrava a camisa dele, mas precisou olhar para seus olhos, um refúgio do qual recorreu nos últimos anos.
"Às vezes." Andrew finalmente fala, não havia dito nada o dia todo e Kevin não notou até ouvir sua voz, não deveria se sentir tão confortável só pelo tom que ele falava, mas teve que trancar a garganta em um suspiro entalado quando sentiu vontade de chorar de novo. "Às vezes. Não sempre. Vai passar."
Kevin volta a chorar como uma criança. Volta a esconder o rosto no ombro de Andrew e passa mais bons minutos naquela posição, até que sua respiração ficasse mais escassa pelo choro, mas menos pesada pelo sentimento ruim.
"Vai passar." Kevin repete, e sente que aquilo era mais do que o suficiente.
Quando se ajeita de novo, arrisca deixar seu ombro tocar no de Andrew, e fica contente quando ele não afasta o toque e permanece observando o céu.
"Cão maior." Kevin murmura, aponta para o céu, uma constelação específica. "Abriga Sírius, é a estrela mais brilhante do céu. Representa um dos cães de caça de Órion na mitologia."
Kevin fica em silêncio, então aponta para outra constelação, não olha para Andrew, mas espera uns segundos para garantir que ele esteja olhando para onde seu dedo guiava.
"Pégaso. É a sétima maior constelação do céu, representa o cavalo alado da mitologia grega, também."
Cita mais umas três constelações conforme as encontrava, junto de curiosidades que guardara na cabeça depois de um de seus vários estudos de história. Quando termina de falar sobre O Cinturão de Órion, desce o olhar para Andrew.
Se sente idiota por pensar que ele não estava prestando atenção, porque o encontra observando o céu, parecia concentrado, e até retribui o olhar quando percebe que Kevin parou de falar.
"O que mais?" Andrew questiona, e Kevin sorriu sem perceber. Andrew franze o cenho e desvia o olhar para as estrelas de novo, Kevin se sente livre para sorrir mais ainda.
Ainda pesava, ainda doía, mas menos. Conseguia respirar com facilidade e não sentia que viver era um sacrifício, seu coração não doía tanto agora, pôde respirar fundo sem sentir que algo estava para quebrar.
E sorriu de novo, se sentindo um pouco mais livre daquela maldita gaiola.
[...]
